terça-feira, 4 de dezembro de 2007

SEMINÁRIO NACIONAL COMBATE A DISCRIMINAÇÃO

Em comemoração ao Dia Nacional dos Direitos Humanos


10 de dezembro de 2007 - segunda-feira
Abertura - 09hCarlos Ivan Simonsen Leal - Presidente da FGV

Primeira Mesa - 09h20min
O que é a Discriminação: As Diversas Faces da Discriminação Laís Wendel Abramo - Representante da OIT Célio Borja - Ministro da Justiça (1992)
Discriminação: manifestações na Cultura e na literatura brasileiraAffonso Romano de Santa'nna - Doutor de Letras Valter Sinder - PUC/RJ (Formação Literatura e Antropologia)

Segunda Mesa - 11h
Racismo - Uma Múltipla VisãoDavid Santos - Conselheiro da Educafro - Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes

Terceira Mesa - 14h
Raças - A Visão da CiênciaMarcos Palatnik - Doutor em Ciências (Genética), Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Genética (1992-1994) Maria Cátira Bortolini - UFRGS (a confirmar)

Quarta Mesa - 16h
O debate sobre as ações afirmativas e a questão das cotas nas universidades: A busca de um ReferencialSales Augusto do Santos - Professor da UnBMauricio Mota - Diretor da Faculdade de Direito UERJNelson Mello Souza - Sociólogo - Chanceler da Estácio de SáAdriano Pillati - Diretor do Departamento de Direito da PUC-RJAugusto Sampaio - Reitor Comunitário e Coordenador do Plano de Inclusão na PUC Rio


11 de dezembro de 2007 - terça-feira

Quinta Mesa - 09h00min
Discriminação de portadores de necessidades especiaisTânia Maria Lessa Athayde Sampaio - Presidente da Federação das APAEs do Rio de JaneiroLeda de Azevedo - Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência - Prefeitura do RJ
Discriminação de idososSergio Telles Ribeiro Filho - Presidente da Associação de Geriatria do Rio de JaneiroCélia Caldas - Vice-Diretora da UnATILília Ladislau - Gerente adjunta da Gerência de Estudos e Programas da Terceira Idade do SESC-SP

Sexta Mesa - 10h45min
Discriminação e Gênero no Trabalho Eunice Léa de Moraes - Assessora da Secretaria Especial de Políticas para as MulheresDeise Benedito - Presidenta da Fala Preta Organização de Mulheres Negras/EducafroFátima Bayma - Professora FGV
Discriminação no mercado de trabalhoOtavio Brito Lopes - Procurador Geral do TrabalhoJoão Batista Berthier Leite Soares - Procurador Regional do Trabalho da 1ª Região - RJMarcelo Néri - Professor FGVPalestra de encerramento - manhã Carlos Luppi - Ministro do Trabalho

Sétima Mesa - 14h30min
Discriminação por Origem Social : Possibilidades de ascenção social José Jairo Vieira - UFRJRafael Osório - UNDPSergei Soares - IPEAAli Kamel - Jornalista (a confirmar)

Oitava Mesa - 15h
Discriminação Religiosa Don Affonso Felippe Gregory - A Visão CatólicaSérgio Margulies - A Visão JudaicaHédio Silva - A Visão das Religiões Afros

Nona Mesa - 16h
Políticas Públicas: Combatendo o Preconceito, a Discriminação e a Desigualdade Jesus Hortal - Reitor Puc-Rio de Janeiro (a confirmar)Alcebíades Sabino - Secretário do Trabalho RJ Wadih Nemer Damous Filho - Presidente da OAB/RJJosé Jorge - Antropólogo Verena Alberti - Professora FGVIstvan Kasznar - Professor FGV

II SEMINÁRIO GÊNERO, ETNIA, DESAFIOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EDESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Recebido por email e repassando. Clique aqui para baixar a programação.
COM O APOIO DA PETROBRAS O CENTRO DE DOCUMENTAÇÃOE INFORMAÇÃO COISA DE MULHER CONVIDA PARA O:
INSCRIÇÕES ABERTAS LIMITADAS!!!

Painéis com a participação de palestrantes experts nos temas propostos.

Nomes já confirmados: Luisa Bairros, Diva Moreira, Luciene Lacerda,Marcelo Turra, Cláudio Nascimento,Marco Antônio Guimarães, MaryluciaMesquita, Paulino Cardoso, Wânia Santanna, Antônia AparecidaQuintão,Namara Gurupy, Humberto Adami, Maria José Lopes da Silva,Tânia Pacheco, Ignácio Cano,Maria Helena Zamora, Jurema Batista,Janaína Oliveira, Ana Paula Sciammarella, entre outros(as) ainda aconfirmar.

SERÁ CONFERIDO CERTIFICADO ÀS PESSOAS INSCRITAS COM 50% DE FREQUÊNCIA

DATA: 12, 13 E 14 DE DEZEMBRO, das 09 às 18hs
LOCAL: SCORIAL RIO HOTEL, Rua Bento Lisboa, 155, Largo do Machado,Catete,Rio
INSCRIÇÕES LIMITADAS GRATUITAS ABERTAS
SERÁ OFERECIDO ALMOÇO PARA AS PESSOAS INSCRITAS

Período inscrição: 26/11 a 10/12/07
Inscrições:
coisademulher@coisademulher.org.br
Tel: 2517-3290 / 2517-3292

Acesso à universidade transforma a vida de cotistas


Para estudantes negros, ingresso ao Ensino Superior significa vitória
Publicado em 19/11/2007 - 12:00

O papel das IES na inserção dos negros
Por Lilian Burgardt
Um movimento em prol da inserção do negro na universidade começou a crescer e se expandir no Brasil recentemente. Em várias partes do país, Instituições de Ensino Superior passaram a adotar o sistema de cotas afim de facilitar o acesso destes estudantes, além de outras iniciativas terem ganho espaço e vida, como, por exemplo, a criação de universidades cuja principal missão é a inserção do negro no terceiro grau e o debate de sua marginalização na sociedade brasileira, com o objetivo de resgatar a identidade destes cidadãos.
Ainda não se pode medir com estatísticas fiéis se tais ações já surtiram efeitos significativos no que diz respeito à inclusão dos negros no Brasil. Para estes estudantes, porém, não há dúvida de que a inserção abriu portas e, agora, é possível enxergar um futuro melhor, com mais esperança. Esperança de que, daqui para frente, estatísticas como a publicada no mais recente estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) sobre
"Escolaridade e Trabalho: Desafios para a População Negra nos Mercados de Trabalho Metropolitanos" (link pdf) possam mudar. O estudo apontou uma remuneração até 35% menor de negros com Ensino Superior, além de média cinco vezes menor de negros com 3º grau em relação aos brancos. As regiões pesquisadas foram: Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, São Paulo e Distrito Federal.
Esta mudança de cenário é o que deseja a estudante do curso de Administração da Unipalmares (Universidade Zumbi dos Palmares), em São Paulo, Kátia Botelho, 22 anos. "Realizei o sonho de ser a primeira da família a entrar na universidade. Prestei vestibular várias vezes, mas embora fosse a melhor de minha turma na escola estadual, não conseguia uma vaga nos grandes vestibulares das instituições públicas e via meu sonho sempre adiado. Hoje, é uma vitória estar no Ensino Superior. Conquista que espero poder ver realizada por outros estudantes como eu", afirma ela.
Kátia ingressou na faculdade em 2004, e hoje, colhe os frutos de ter tido acesso ao Ensino Superior e apoio para crescer e se desenvolver. Por meio de um acordo da Unipalmares com empresas privadas, a estudante teve a oportunidade de estagiar numa grande companhia e, hoje, ter sido contratada. "Não poderia estar mais feliz. Quando entrei na universidade ganhava pouco mais do que o valor da mensalidade do curso. Tive dificuldade para me adaptar. Assim como qualquer estudante que veio do ensino público, muitas vezes, pensei que não ia conseguir. Esse resultado é uma grande vitória pessoal", disse Kátia emocionada logo após ter recebido a notícia da efetivação.
Para a estudante, a contratação é só um dos benefícios que o Ensino Superior proporcionou. Para ela, também é preciso destacar o complemento da formação com discussões sobre a inserção social do negro, sua participação no mercado de trabalho e a reconstrução de identidade, temas trabalhados na instituição afim de resgatar a cidadania destes jovens. "A universidade me ensinou a ter orgulho de minhas raízes e a valorizar a história de um povo que historicamente é marginalizado. Na universidade, ao contrário do que a mídia prega, a gente ouve que o negro não é só o 'pobre coitado' condicionado a ocupar sub-empregos, mas que temos potencial para muito mais", explica.

É essa a mensagem que também foi passada para a estudante Cláudia Regina Machado, 37 anos, que ingressou na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) pelo sistema de cotas. "Hoje, quando falo com meus três filhos e com o resto da criançada da comunidade sobre universidade é como se esse fosse um universo tangível e do qual eles querem fazer parte. Não é mais "a universidade" como se fosse impossível chegar lá", conta. Em suas conversas em casa e com os amigos, ela comenta que o fato de ter ingressado no Ensino Superior é motivo de orgulho e serve de espelho para os mais próximos. "Quando conto o que acontece em sala de aula, as discussões, eles ficam interessados e, agora, discutimos em casa sobre qual a carreira que eles vão seguir. Não há nada mais gratificante do que saber que sua atitude motiva outras pessoas a querer melhorar", diz Cláudia.
Batalhadora, a estudante decidiu voltar aos bancos escolares já adulta, casada e com três filhos. O sonho era antigo. "Sempre que passava em frente ao prédio da UERJ pensava: "ainda vou estudar ali, ainda vou fazer parte disso", lembra ela. No ano em que o vestibular com regime de cotas foi instaurado, Cláudia se inscreveu e passou em Pedagogia. "Fiquei muito emocionada, sabia que dali para frente minha vida ia mudar", conta. Assim como a maioria do estudantes cotistas, Cláudia fez oficinas para melhorar seu desempenho no curso. Além disso, também recebeu uma bolsa permanência de R$ 190,00 para conseguir manter-se na universidade. "No começo você tem dificuldade em tudo. Para entender a linguagem dos professores, para tirar cópias dos materiais, para comer e para se locomover de casa para universidade. Como estudava de manhã e fazia os reforços à tarde, às vezes, ficava com fome. Quando colocaram um microondas na copa e pude trazer meu almoço, aí sim ficou melhor", relata.
Hoje, Cláudia faz parte de um grupo de iniciação a docência e ministra oficinas de apoio das quais um dia fez parte como aluna. Sua dedicação lhe rende, mensalmente, uma bolsa de R$ 190,00. Você pode se perguntar, como Cláudia consegue se virar com menos de um salário mínimo? É aí que entra o apoio dos amigos e familiares. "Muitas vezes pensei em desistir por causa do dinheiro, das crianças. Mas percebi que não podia deixar meu sonho de lado por causa das dificuldades. Lá em casa, quem banca a maior parte das contas é meu marido, que é vigia. As crianças recebem o bolsa-família para custear os gastos com comida e educação. É claro que é difícil, mas ninguém quer que eu pare, muito pelo contrário, todos dão a maior força. Outro dia meu marido virou para mim e disse: você não está atrasada para a aula não?", recorda Cláudia.
Uma característica que parece comum aos estudantes que fazem parte das minorias que estão na universidade é a solidariedade em relação ao próximo. Assim como hoje Cláudia apóia novos estudantes que vêm às oficinas em busca de reforço, o estudante Wesley Pereira Granjeiro, 24 anos, que ingressou no curso de Artes Plásticas da UnB (Universidade de Brasília) pelo sistema de cotas, também faz parte da assessoria de diversidade e auxilia novos estudantes ao discutir melhorias para os cotistas da UnB. Ele, que prestou o vestibular tradicional por quatro vezes seguidas sem sucesso, depois de entrar pelo programa de cotas, tem como principal tarefa na assessoria difundir este meio de ingresso para alunos da rede pública do Distrito Federal.
"Sem dúvida, entrar na universidade significou uma nova etapa em minha vida. Tive a oportunidade de me aprimorar profissionalmente e fazer parte de um mundo até então desconhecido e restrito para as pessoas que não vem de uma realidade carente. Esse é um dos motivos que me fizeram ingressar no programa 'cotistas nas escolas' promovido pela assessoria de diversidade da UnB, para difundir a jovens carentes que vivem a mesma realidade que eu a chance de ingressar no Ensino Superior", explica.
Estagiário no programa desde 2005, Granjeiro recebe uma bolsa permanência de R$ 180,00. "É pouco, mas para quem não tinha nada, é ótimo. Pude comprar livros e pagar a passagem para a universidade, que são as maiores dificuldades de qualquer estudante sem recursos. Apesar de todos os desafios, não desisto da faculdade por nada. Ainda quero me formar, ser artista plástico e também professor para poder ensinar as pessoas que, com força de vontade, é possível ir muito longe", diz.


O papel das IES na inserção dos negros

Instituições de Ensino Superior apontam sucessos e dificuldades
Publicado em 19/11/2007 - 12:00

Por Lilian Burgardt
Por trás das ações de inserção, há muitos desafios a serem vencidos pelas Instituições de Ensino Superior. Ao levantar a bandeira da inclusão de negros, muitas instituições têm que estruturar programas de apoio, ampliar discussões em sala, fechar convênios com empresas e estabelecer parcerias. Isto porque, ao se falar em inclusão dos negros, é preciso levar em conta duas questões: a primeira é que a maior parte destes alunos veio do ensino público, cuja deficiência se revela cada vez mais gritante. Em seguida, o preconceito, ainda que velado, por parte dos outros alunos não cotistas, também presente no desinteresse das empresas em contratar esta mão-de-obra.
"Historicamente o negro tem menor qualificação do que o branco, mas quando tem a mesma qualificação, ainda é preterido nos processos seletivos. Isso é o que pretendemos mudar, para que, no futuro, pesquisas como essa do Diesse revelem uma sociedade menos desigual", afirma o reitor da Unipalmares (Universidade Zumbi dos Palmares), José Vicente. Com vistas numa maior inserção do negro no mercado de trabalho, a instituição fechou acordos com dez empresas privadas da capital paulista. Em uma dessas empresas é que a estudante de Administração da Unipalmares, Kátia Botelho, 22 anos, foi contratada como estagiária e, posteriormente, efetivada na área administrativa. "Um terço dos estudantes estão empregados e muitos já foram efetivados. Considero que obtivemos sucesso ao proporcionar ensino de qualidade e oportunidade para que estes jovens possam ser incluídos no ambiente profissional," destaca.
Mas as ações não terminam por aí. Segundo Vicente, o papel da instituição também é formar cidadãos conscientes do seu valor e, para promover um resgate de identidade é que são trabalhadas em sala de aula questões como o papel do negro na sociedade e sua inserção no mercado de trabalho, entre outros temas. "A finalidade é discutir e transformar esses alunos em massa crítica para que se sintam mais respeitados e tenham melhor auto-estima", explica. Hoje, 90% dos estudantes da Unipalmares são negros auto-declarados. No entanto, a universidade também possui alunos brancos. Para o reitor, essa é uma forma de trabalhar a equidade na prática.
"Não é uma universidade só para negros. Temos alunos brancos que escolheram vir para a Unipalmares porque ela é uma universidade que, sobretudo, facilita o acesso do estudante carente. Na minha opinião, não há uma segregação, muito pelo contrário, aqui os alunos têm uma formação mais humanista e mais completa. Além de aprender a economia do Brasil, por exemplo, eles aprendem a inserção do negro nessa economia. No fim das contas, ele aprende mais e, na prática, terá mais condições para ser um cidadão mais completo e livre de preconceitos", defende o reitor. É por isso que, além das atividades em sala, o tempo todo, o estudante se depara com debates, workshops e encontros sobre eqüidade. "Nosso propósito é aproximar e não afastar mais", completa Vicente.
Essa preocupação em aproximar os estudantes brancos e negros também é uma realidade na UnB (Universidade de Brasília). Na instituição, há um centro exclusivo de convivência negra em que são bem-vindos não só os alunos que entraram pelo sistema de cotas, mas todo estudante que se interessa em aprender a conviver com eqüidade. Segundo o coordenador da assistência a diversidade e apoio aos cotistas da instituição, Jacques Jesus, o objetivo do centro é fomentar discussões sobre a inserção do negro no Ensino Superior e o que implica essa convivência. "Esse nome, 'centro de convivência negra' foi uma espécie de provocação. No início, muitos pensavam : 'ah, mas é só para negros?' E eu quis essa polêmica para mostrar que não. Queria que as pessoas se interessassem pelo que acontece ali e se predispusessem a participar", destaca.
Na instituição, criar este centro de convivência e promover debates e workshops para consolidar a presença negra na universidade e fazer disso uma transformação tranqüila e gradativa foi e continua sendo o maior desafio. Faltam recursos para promover exposições, projetos, debates, e eventos que possam difundir as atividades do centro e promover maior integração entre os estudantes. "De qualquer forma, considero que as ações aqui na UnB, como o vestibular com cotas e as oficinas de apoio que já existiam para atender os alunos com alguma dificuldade nos estudos, são muito bem-sucedidas. Não podemos reclamar da falta de apoio. O que precisamos é trabalhar para difundir ainda mais essa diversidade como fator positivo e agregador para todos os alunos e para a instituição de maneira geral", afirma.
Este, aliás, é um dos objetivos do programa "Cotistas nas Escolas" coordenado por Jacques Jesus. O trabalho consiste em convidar estudantes cotistas da UnB para ir às escolas municipais dar seu testemunho de ingresso na universidade e falar sobre os projetos de inclusão do negro da instituição. "Queremos mostrar aos futuros universitários que eles podem ter uma chance de ingressar no Ensino Superior e que, ao contrário do que muitos pensam, este é sim um sonho tangível. A presença do cotista na escola reafirma o compromisso social da instituição com a difusão do Ensino Superior e a inclusão social", diz.
Na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) as ações em prol da inclusão social dos cotistas giram em torno do programa Pró-Iniciar. O objetivo do programa é oferecer condições para que os estudantes que ingressaram no Ensino Superior possam acompanhar os colegas por meio de reforço em disciplinas como Matemática, Física e cursos instrumentais de Informática e línguas, como Português e Inglês, além de terem apoio à formação cultural. Com isso, o programa prevê visita a museus, exposições, centros de estudos e referências culturais importâncias da cidade e do Estado do Rio de Janeiro. "Sabemos que a maioria destes estudantes é muito carente e não tem acesso a esses locais que propiciam um complemento à formação cultural do aluno e enriquecem o seu pensar. Na universidade, valorizamos muito isso, por essa razão consideramos fundamental incluir este tipo de programa no Pró-Iniciar", afirma o sub-reitor da UERJ, Ricardo Arruda.
Outra forma de apoiar o estudante é por meio da concessão de bolsas permanência. O objetivo é fornecer recursos para que os jovens carentes consigam concluir seus estudos. "Sabíamos que não adiantaria só facilitar o ingresso destes estudantes, mas que seria preciso oferecer meios para que eles possam estudar", revela. A bolsa permanência da UERJ é de R$ 190,00 para os dois primeiros semestres, mas a FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) também oferece apoio por meio de um acordo que confere bolsas de incentivo à graduação no valor de R$ 2.014,00 para alunos a partir do terceiro semestre.
Para Arruda, a UERJ enfrentou inúmeras dificuldades por ter sido a primeira instituição do país a adotar o sistema de cotas. Mas muito ainda está por vir e por ser feito, uma vez que a idéia da instituição é aprimorar sempre mais o que já é desenvolvido. "De lá para cá, tudo foi um aprendizado. Implementar um sistema de cotas foi um trabalho de êxito, mas que exigiu um profundo comprometimento de todos. É preciso agradecer todos os docentes, funcionários e alunos da instituição por este trabalho de transformação social, cientes de que temos que continuar o trabalho para que os resultados sejam cada vez melhores", conclui.

COJIRA E SEMINÁRIO TV PÚBLICA

A Cojira-Rio (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro) realiza no dia 11 de dezembro de 2007, das 18h30 às 21h30 seu seminário anual desta vez trata sobre TV Pública com o recorte racial.

Na mesa: jornalistas (Delcio Teobaldo, pesquisador e produtor executivo da TVE, Angélica Basthi, mestre em Comunicação e da coordenação da Cojira-Rio) e ativista do movimento negro (Márcio Gualberto) !!!

clique no site do COJIRA

UFSCar abre inscrições para vestibular exclusivo para a população indígena

Bom tem um tempo que não é postado nada sobre ações afirmativas. Vamos lá então

Entre os dias 26 de novembro e 20 de dezembro, a UFSCar recebe inscrições para seu vestibular exclusivo voltado somente para candidatos das etnias indígenas do território brasileiro. Esta é a primeira vez que a Instituição realiza um vestibular dessa natureza, tornando-se a primeira universidade pública do Estado de São Paulo a promover um processo seletivo exclusivo para seleção de estudantes provenientes de comunidades indígenas.

Esta edição especial do Vestibular foi contemplada pela aprovação do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar, que entre outras definições determina a criação de uma nova vaga em cada um dos cursos de graduação presenciais da Universidade, destinada à população indígena do Brasil. Ao todo, estão sendo oferecidas 37 vagas, distribuídas nos campi de São Carlos, Araras e Sorocaba.

Para participar deste processo seletivo, os candidatos devem ter cursado o Ensino Médio integralmente em escolas públicas e/ou nas escolas indígenas reconhecidas pela rede pública de ensino e cadastradas no Ministério da Educação.

O Vestibular será realizado em fase única, com dois dias de prova. No dia 9 de fevereiro (sábado) do próximo ano, das 8h às 12h, os candidatos fazem as provas de Leitura, Compreensão e Interpretação de Texto, Ciências Naturais, Matemática, História e Geografia. Das 14h às 17h do mesmo dia será aplicada prova de Redação. No dia 10 (domingo) serão aplicadas as provas Oral e de Aptidão Musical (para candidatos ao curso de Música). A prova oral será realizada para avaliar a capacidade de interação e articulação dos candidatos.

Para fazer as inscrições, o candidato deve apresentar a Carteira de Identidade, carta com autodeclaração de que é indígena e declaração/indicaçã o da comunidade indígena com a qual possui vínculo, assinada pela liderança da mesma, e certificada pela unidade local ou regional da Funai. No ato da inscrição, o candidato também deve preencher a ficha de inscrição e o questionário socioeducacional. As inscrições devem ser realizadas diretamente na
Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar (FAI-UFSCar), no campus de São Carlos, na rodovia Washington Luiz, km 235, entre 8h e 11h ou entre 14h e 17h. A inscrição também pode ser feita por terceiros, desde que munidos de procuração e apresentação dos documentos exigidos. Caso o candidato opte por fazer a inscrição pelo Correio, ele deve encaminhar a ficha de inscrição e o questionário preenchidos e fazer o envio com Aviso de Recebimento. Neste caso, a data da postagem deve estar dentro do período determinado de inscrição

A divulgação dos resultados será feita no dia 18 de fevereiro de 2008, com a chamada dos convocados para matrícula e lista de espera. O início das aulas está previsto para o dia 25 de fevereiro. Mais informações em www.vestibular. ufscar.br e www.fai.ufscar. br.

RESULTADO DA AVALIAÇÃO SOCIOECONÔMICA DOS CANDIDATOS AS COTAS DO VESTIBULAR ESTADUAL DO RJ

Postado originalmente no site G1 - Clique aqui para ir para o site

26/11/2007 - 20h48 - Atualizado em 26/11/2007 - 20h53
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj ) divulgou, nesta segunda-feira (26), o resultado da avaliação socioeconômica dos candidatos que se inscreveram para concorrer ao sistema de cotas.

Além da Uerj também foi divulgado o resultado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Clique nos links abaixo para ver as listagens. Os arquivos estão em .pdf.

Resultado socioeconômico de cotas da Uerj 2008
Resultado socioeconômico de cotas da Uenf 2008

As universidades reservam 50% das vagas para afrodescendentes, estudantes de escolas públicas e deficientes físicos. Para concorrer às vagas reservadas pelo sistema de cotas, o candidato teve que comprovar renda per capita mensal bruta igual ou inferior a R$ 630.
São oferecidas 5.188 vagas na Uerj e 521 na Uenf. O exame discursivo será aplicado no dia 2 de dezembro, das 9h às 14h. Os vestibulandos responderão a três provas discursivas: uma de português e redação, para todas as carreiras, e duas de disciplinas específicas, de acordo com a carreira escolhida. Confira o edital no
site da Uerj.

Entenda os conceitos
O resultado final será obtido pelo somatório do resultado do exame discursivo e do bônus recebido no exame de qualificação. De acordo com os resultados do exame de qualificação, os candidatos serão alocados em cinco faixas para a realização do exame discursivo:

A – aprovados com recomendação A: número de acertos maior do que 70% das questões da prova do exame de qualificação – esses candidatos receberão um bônus de 20 pontos para ser acrescido ao resultado do exame discursivo;

B – aprovados com recomendação B: número de acertos maior do que 60% e igual ou menor do que 70% das questões da prova do exame de qualificação – esses candidatos receberão um bônus de 15 pontos para ser acrescido ao resultado do exame discursivo;

C – aprovados com recomendação C: número de acertos maior do que 50% e igual ou menor do que 60% das questões da prova do exame de qualificação – esses candidatos receberão um bônus de dez pontos para ser acrescido ao resultado do exame discursivo;

D – aprovados com recomendação D: número de acertos maior do que 40% e igual ou menor do que 50% das questões do exame de qualificação – esses candidatos receberão um bônus de cinco pontos para ser crescido ao resultado do exame discursivo,

e E – reprovados: número de acertos igual ou menor do que 40% das questões da prova do exame de qualificação – esses candidatos não poderão realizar o exame discursivo.
As notas do exame discursivo serão divulgadas no dia 15 de janeiro de 2008 e a lista dos classificados no dia 28.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

PRIORIDADE NA DIVULGAÇÃO DO ABAIXO ASSINADO

Na seção abaixo-assinado do aldeiagriot link para abaixo-assinado contra racismo em programa da rede globo.

CONTRA O RACISMO NO PROGRAMA DO JÔ SOARES E EXIGINDO RETRATAÇÃO PÚBLICA DA EMISSORA E DO APRESENTADOR

ENTREVISTA COM O PROF. MARCELO PAIXÃO NO JÔ SOARES

Jô Soares no dia 26 de novembro entrevistou o prof. da UFRJ (no final se confundiu dizendo que ele era da UERJ) como se quisesse escutar argumentos favoráveis a entrevista com o taxista Rui Moarias e Castro, do dia 06 de agosto.

O bom tom diz que o entrevistador deve estabelecer algumas perguntas sobre a vida do entrevistado e depois deixar a conversar "fluir", contudo não é visto isso no vídeo do site oficial da rede Globo. A primeira pergunta do Jô Soares foi ríspida fazendo uma junção do multiculturalismo a cultura negra e fazendo uma condenação moral disso. Mas o prof. Marcelo Paixão foi exemplar em cortar as gracinhas e a tendência de monopolizar a fala do Jô Soares.

Realmente Jô Soares perdeu uma grande chance de aprender com o professor sobre o respeito aos negros e como está sendo desenvolvidos pesquisas sobre o racismo no Brasil. Na verdade esperamos que ele tenha aprendido algo realmente.

Para acessar e ver a entrevista clique na imagem acima.

Quanto ao pedido de "desculpa" do Jô quanto a entrevista do taxista parece que foi uma balela. No site do programa consta o resumo abaixo e nenhum pedido de desculpa formal. Além disso aparentemente ele não fez nenhuma retratação esta semana no programa.
Abaixo o resumo sobre a entrevista com o taxista, para ir para a pagína clique na imagem ao lado.

No site do programa tem um link para entrar em contato com a produção, clique aqui e deixe sua mensagem de indignação.


O TAXISTA RUY MORAIS E CASTRO NASCEU EM ANGOLA E HOJE PILOTA SEU TÁXI PELAS RUAS DE CAMPINAS. RUY VEIO AO PROGRAMA DIVULGAR O LANÇAMENTO DE SEU LIVRO “MEMÓRIAS DE UM TAXISTA”, EM QUE CONTA HISTÓRIAS DE SUA VIDA COM MUITO HUMOR. RUY COMEÇOU SUA CARREIRA PILOTANDO AVIÕES NO AEROCLUBE DE LOBITO, EM ANGOLA, ONDE EXERCIA A FUNÇÃO DE MONITOR DE VÔO, PILOTO DE TÁXI AÉREO E SECRETÁRIO GERAL DO AEROCLUBE. DOS TEMPOS DE AEROCLUBE, RUY CONTOU UMA HISTÓRIA QUE FALAVA DE UM POUSO PERIGOSO QUE FEZ PORQUE SUA ACOMPANHANTE DE VÔO VESTIA UMA MINISSAIA E ATRAPALHOU OS MOVIMENTOS DO MANCHE. DURANTE OS DOIS BLOCOS DE SUA ENTREVISTA, RUY FALOU DA SITUAÇÃO POLÍTICA E ECONÔMICA DE ANGOLA, RESPONSÁVEIS POR SUA VINDA AO BRASIL, CONTOU HISTÓRIAS DAS VIAGENS QUE FEZ POR ANGOLA, QUANDO TRABALHAVA COM COOPERATIVAS, E LEMBROU AS SITUAÇÕES ENGRAÇADAS E CURIOSAS QUE VIVEU DIRIGINDO SEU TÁXI PELAS RUAS CAMPINEIRAS. O TAXISTA TROUXE DIVERSAS FOTOS, EXIBIDAS NO TELÃO, DE MULHERES ANGOLANAS QUE USAM SEUS PENTEADOS PARA INDICAR SUA CONDIÇÃO SEXUAL. RUY TAMBÉM CONTOU QUE MUDOU DE PROFISSÃO, ENCERRANDO SUA CARREIRA DE PILOTO, PORQUE NÃO CONSEGUIU TIRAR UM BREVÊ COMERCIAL EM ANGOLA E ASSIM NÃO PODERIA TRABALHAR NAS COMPANHIAS AÉREAS BRASILEIRAS.

SITE ÉTICA NA TV E O CASO JÔ SOARES


Site indicado pelo Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro para acompanhar o caso Jô Soares. Já consta quatro artigos falando da Rede Globo, que está sob inverstigação devido a reportagem com o taxista Ruy e a novela da "Duas Caras".
Para ir para a pagína clique na imagem acima.

PAGODE DO TREM NO RIO DE JANEIRO

Boa pedida para terminar o mês de novembro e começar dezembro com a energia positiva do samba.
Para ir para pagína e ver a programação clique na imagem acima.

CARLOS MOORE LANÇA LIVRO " RACISMO E SOCIEDADE", DIA 30/11 EM SP

Para ter acesso ao livro de Carlos Moore intitulado "O Racismo através da História", também de autoria de Moore, clique aqui ou neste link alternativo.

Para acessar a programação onde será lançado o novo livro de Moore clique aqui.

No Blog da Cidinha saiu uma postagem detalhando quem é este grande intelectual que rediscute o racismo no mundo na perspectiva da diaspora negra, clique aqui para ir para a pagína.

Abaixo Postamos na integra uma entrevsita dele no Jornal Gazeta Mercantil porque eles bloqueiam totalmente o acesso para não assinantes. Retirado do Blog Forúm Paulista de Juventude Negra.

CONFIRA ENTREVISTA DO PROF.DOUTOR CARLOS MOORE CEDIDA A GAZETA MERCANTIL

16 de Novembro de 2007 - O principal objetivo de "Racismo e Sociedade", novo livro de Carlos Moore, doutor pela Universidade Paris VII, é desmontar a estrutura simbólica do racismo. "O racismo é algo que permeia toda a sociedade. As relações interpessoais são o reflexo do racismo, elas refletem o que é dominante na sociedade", defende o autor, na entrevista a seguir, concedida com exclusividade a este jornal:

Gazeta Mercantil - O senhor diz que "o racismo é prejuízo para o racista". O Brasil vive hoje uma realidade repleta de desigualdade. O senhor alia essas desigualdades ao racismo?
Moore - Sim. O racismo é algo que permeia toda a sociedade. As relações interpessoais são o reflexo do racismo, elas refletem o que é dominante na sociedade. São as relações interpessoais, elas por si, que são o refúgio exclusivo do racismo. É uma, metaconsciência que permeia toda a sociedade.

Gazeta Mercantil - A idéia de um mundo "democraticamente racial" é mito?
Moore - É claro que é mito. A mestiçagem é um fator dominante na sociedade. Quando se está cantando todos os hinos à mestiçagem, é um hino à violência, ao estupro massivo das índias e das africanas. Você está falando de mestiçagem, mas você esquece como o mestiço surge nas sociedades violentadas e complexadas. Ou seja, é a inseminação violenta das fêmeas do grupo dominado pelo macho do grupo dominante e a eliminação física dos machos do grupo dominado-conquistad o. O hino à mestiçagem está dizendo "nós não conseguimos conviver com o negro como negro, temos que diluí-lo para aceitá-lo, temos que mudar o seu fenótipo". A mestiçagem é isso e toda a ideologia da "democracia racial" é essa: "Vamos mudar o fenótipo do negro, não mudar o fenótipo do branco. Vamos aproximar o fenótipo do negro ao fenótipo ariano".

Gazeta Mercantil - Entre preconceito e racismo o senhor faz uma diferenciação clara. Qual é?
Moore - Racismo é algo histórico, uma forma de consciência. Preconceito é qualquer coisa. Eu posso ter preconceitos contra as pessoas que eu considero como feias e essas pessoas não têm que ser brancas ou negras. Podem ser de qualquer cor porque se eu tenho um padrão fenotípico na cabeça, este é o padrão que eu considero bom. Por exemplo, Gisele Bündchen, eu posso considerar que seja o padrão e geralmente esse é o padrão para o mundo ocidental. Ele padronizou e estabeleceu a imagem normativa, que é ariana. Eu posso discriminar e ter preconceito com qualquer pessoa que se afaste dessa imagem normativa dominante. O racismo é uma questão de querer exterminar o outro. Aqui neste País, depois de 1888, a decisão foi mestiçar os negros. Inundaram o País de branco, de "sangue branco" como eles diziam e acabavam com eles assim. Não se podia matar 70% da população. Isso também foi feito em outros países da América Latina. Na Republica Dominicana, em 1935, milhares de negros foram exterminados, o que evidencia essa decisão de não compartilhar recursos. É muito importante saber que racismo se elabora em torno da partilha de recursos. Os negros sempre têm que ser os vetados. Veja, por exemplo, a discussão sobre a cota para negros nas universidades públicas. Porque se eles entram, a classe média negra vai surgir, vai se expandir. Se a classe média se expande vão surgir novas demandas pela repartição dos recursos neste País.

Gazeta Mercantil - E quando o senhor fala em "desracializaçã o", o que o senhor quer dizer com isso?
Moore - Desracializar quer dizer, em primeiro lugar, tirar o fenótipo do lugar onde ele está. O fenótipo está normatizando as relações. Entre os negros se pratica esta maneira de eugenismo, de se casar com as pessoas de pele mais clara, de escolher pessoas com o cabelo mais liso, de escolher um tipo de nariz que seja leptorino, com um septo alto. Os narizes que eles chama de "chato" não são privilegiados nesta sociedade. Os lábios carnosos não são privilegiados e os cabelos crespos não são privilegiados e a pele bem preta não é privilegiada. Há uma espécie de eugenismo individual em que as pessoas já foram programadas para escolherem parceiros cujo fenótipo se aproxima ao fenótipo do padrão estabelecido que é um padrão ariano, nórdico, de loiros, cabelos lisos, loiros e olhos verdes. Desracializar é destruir esta imagem normativa. O fenótipo dita quem vai ser o seu parceiro. Os próprios pais negros ensinam que seus filhos precisam "adiantar a raça". A sociedade é a grande professora.

Gazeta Mercantil - Como o senhor pensa que vai ser a recepção de seu novo livro no Brasil e no mundo?
Moore - Os racistas vão receber um golpe duro. Eles se aproveitam da ignorância para fazer avançar as redes deles. Quanto mais ignorância há na sociedade, mais os racistas ficam contentes. O Brasil é contrário as correntes progressistas que estão aí no mundo. Então, podem existir monstruosidades como essa idéia da "democracia racial". O branco brasileiro normal está convencido de que vive no melhor País do mundo e que os negros estão contentes. Tudo aqui está feito para que aconteça uma catástrofe. É por isso que felizmente uma parte dessa elite tem chegado a compreender que eles vão ter que mexer no sistema porque se eles não mexerem no sistema vão perder o País. E ninguém quer, ninguém que seja sensato quer que o Brasil se desintegre, que termine no caos como terminou a União Soviética.

Gazeta Mercantil - O senhor afirma que a história da humanidade é uma história de imperialismos, de massacres, de genocídio, de opressão e de ódio. Conseguiremos reverter tudo isso?
Moore - Constantemente, a sociedade está sendo atravessada por duas correntes diferentes e opostas. Uma corrente de barbárie, regressão e animalização e, outra corrente, que está constantemente chamando a atenção para outra maneira de viver, na busca de uma sociedade ideal. É uma luta. Mas, há outro caminho para o ser humano, não para negros ou para brancos. Não há caminhos separados. Esta bifurcação racial foi criada historicamente, mas se você olhar de maneira bem objetiva e concreta a História, a finalidade da espécie é única. Não há outro caminho.

EUGENIA, A BIOLOGIA COMO FARSA

Retirado do site da Revista História História Viva.
Leia o trecho abaixo, mas se quiser ir direto para a pagína e ler na integra clique na imagem acima.


Eugenia, a biologia como farsa
No século XIX o racismo ganhou status científico por meio de uma doutrina que inspirou governos e intelectuais de todo o mundo
por Pietra Diwan


Durante a década de 30, uma série de exames antropométricos foram realizados na Alemanha nazista para catalogar características físicas da população. O célebre eugenista Otmar von Verschuer em ação
Inglaterra, século XIX. As transformações desencadeadas pela segunda fase da Revolução Industrial alteram profundamente a vida social. O medo burguês da multidão nascente, aliado ao triunfo do discurso científico, encontra na biologia um meio de pôr ordem no aparente caos social: reurbanização, disciplina e políticas de higiene pública deveriam ser aplicadas com a finalidade de prevenir a degradação física dos trabalhadores para evitar prejuízos na economia.

Em meio ao clima de crença inabalável na ciência, o naturalista inglês Charles Darwin publica em 1859 o livro fundador do evolucionismo: A origem das espécies. As descobertas de Darwin mostravam que no mundo animal, na permanente luta pela vida, só os mais bem adaptados sobrevivem e os mais bem “equipados” biologicamente têm maiores chances de se perpetuar na natureza. As teses de Darwin logo são transportadas para outros campos do conhecimento em uma tentativa de explicar o comportamento humano em sociedade. Surge assim o darwinismo social, que apresenta os burgueses como os mais capazes, os mais fortes, os mais inteligentes e os mais ricos.

O cenário estava armado para que o primo de Darwin, o pesquisador britânico Francis Galton, se apropriasse das descobertas do naturalista para desenvolver uma nova ciência. Seu objetivo: o aperfeiçoamento da espécie humana por meio de casamentos entre os “bem dotados biologicamente” e o desenvolvimento de programas educacionais para a reprodução consciente de casais saudáveis. Seu nome: eugenia.

Os métodos propostos pelos entusiastas da nova ciência, porém, não se resumiam à criação de um “haras humano”, povoando o planeta de gente sã, como propunham os defensores da “eugenia positiva”. No outro extremo, a “eugenia negativa” postulou que a inferioridade é hereditária e a única maneira de “livrar” a espécie da degeneração seria utilizar métodos como a esterilização, a segregação, a concessão de licenças para a realização de casamentos e a adoção de leis de imigração restritiva.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

JÔ SOARES REJEITA ACUSAÇÕES DE PRECONCEITO MAS PEDE DESCULPAS SE OFENDEU

Saiu no blog Mariafrô de madrugada e vai ser reproduzido aqui com maior orgulho, pois esta postagem mostra a agilidade para não tolerar casos racistas. Não reproduzo totalmente a postagem feita no blog por está ser grande e espero que todos que visitam o Aldeiagriot entrem no Mariafrô e confiram pessoalmente.

Abaixo a postagem e um trecho publicado na Folha de São Paulo (on line)

É impressionante como a visão de uma África selvagem e libidinosa está impregnada na mente de alguns. Em matéria publicada agora a pouco, ainda lemos termos como "tribos" e afirmações improcedentes relacionadas à sexualidade e aos penteados de etnias africanas em Angola.
Para quem acredita nessas bobagens, por favor informem-se! O
post do dia 23/10/2007 tem até bibliografia sobre os penteados das muilas. Saibam de uma vez por todas que não fazem uso de esterco nos penteados, que eles não estão relacionados à sexualidade e, finalmente, nenhuma cultura do mundo admite como normalidade a pedofilia, muito menos as etnias mencionadas no programa do Jô.
Pedido de desculpas desse modo????MP neles!

TRECHO DA FOLHA ON LINE

"É uma polêmica obviamente de quem não me conhece", disse Jô."É um programa que está há 19 anos no ar e uma das maiores características dele é ser contra o preconceito", afirmou o apresentador.Segundo Jô Soares, ocorre uma "tempestade em um copo d'água", mas, de qualquer forma, ele pediu desculpas a quem se sentiu ofendido pelo programa."Evidentemente se alguém se sentiu ofendido ou se alguma entidade se sentiu ofendida, eu peço desculpas", disse o apresentador.Jô também disse que querer atribuir manifestações de preconceito ao programa é "procurar pêlo em ovo", segundo as palavras do apresentador.

Esta postagem foi recebida por email e reproduzo um dos textos da Lusa (Agência de Notícias de Portugal)
27-11-2007 16:05:19

27-11-2007 16:16:21

Brasília, 27 Nov (Lusa) - O entrevistador brasileiro Jô Soares disse hoje à Lusa ter sido mal-interpretado na entrevista sobre penteados e sexualidade das mulheres de uma tribo angolana e que não houve racismo por parte de seu programa.
"Não houve manifestação de preconceito numa entrevista que diz respeito aos hábitos locais de uma tribo. Mas, se ao ser mal interpretado, eu ofendi determinados grupos, peço desculpas. Não houve intenção de menosprezar nenhuma mulher do mundo", afirmou Jô Soares.
Segundo o entrevistador, que também é actor e escritor, o seu programa está há 19 anos no ar e é dedicado a combater todas as formas de preconceito.
"Não entendo como o meu programa pode ser considerado preconceituoso ou racista a partir de uma entrevista a um homem simples, quase simplório, comentando os costumes anacrónicos de uma tribo africana", disse à Lusa o entrevistador.
No "Programa do Jô", que foi exibido no dia 18 de Junho, o angolano Ruy Morais e Castro, hoje taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo de seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.
Num dos exemplos, Castro diz que o penteado de uma mulher de cerca de 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clitóris para que se tornasse tão "apertada" quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciam a vida sexual.
Acusações e queixas de grupos de defesa das mulheres motivaram uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeuiro, cujas conclusões deverão ser conhecidas dentro de dias.
Na avaliação de Jô Soares, tratou-se de um assunto específico mostrando "hábitos e costumes pitorescos" de uma tribo, que não podem ser interpretados como sendo de todas as mulheres de Angola.
"Mas não posso concordar, em nome do multiculturalismo, com hábitos de um homem ter relações sexuais com meninas de sete ou oito anos e também não posso ser a favor de que mulheres decepem seu clitóris (para dar maior prazer aos homens)", ressaltou o apresentador.
Jô Soares disse ainda que não se deve fazer desta entrevista um "cavalo de batalha".
"O meu programa é um dos que mais defende a mulher contra a violência. A gente se faz presente pelo histórico de 19 anos. Classificá-lo como preconceito é que é tirar do contexto", rebateu Jô Soares às críticas de movimentos feministas negros.
"Não entendo como acontece uma tempestade num copo d`água. Estão a usar um episódio não importante para dizer que é uma forma de racismo. Asseguro que não houve manifestação de preconceito" , acrescentou.
CMC.
Lusa/Fim
© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2007-11-27 17:55:01


As denúncias surgiram há dez dias e ainda não há uma conclusão da procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Márcia Morgado, responsável pelo caso, disse hoje à Lusa o Ministério Público (MP).
No «Programa do Jô», que foi exibido no último dia 18 de Junho, o angolano Ruy Morais e Castro, hoje taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo de seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.
Num dos exemplos, o entrevistado diz que o penteado de uma mulher na faixa dos 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clitóris para que se tornasse tão «apertada» quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciam a vida sexual.
«Foi uma atitude bizarra do 'Programa do Jô', que deveria nos dar um direito de resposta. A entrevista com o taxista foi uma aberração do 'Programa do Jô', porque expôs, execrou a mulher e não levou em conta os valores de uma cultura e de sua ancestralidade», disse à Lusa a coordenadora do Colectivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro.
Essa entidade, que impulsionou outras organizações sociais a entrarem com a queixa no Ministério Público contra o «Programa do Jô» e a TV Globo, considera que a entrevista foi «ofensiva a todas as mulheres, em particular às mulheres negras, pelo tom de deboche e desrespeito às mulheres muila».
Segundo outra reprentante do movimento negro brasileiro, Alvira Rufino, houve uma «violência psíquica contra a mulher negra« nesse quadro do «Programa do Jô».
«Não se pode analisar a cultura de um povo e fazer críticas a costumes pré-estabelecidos partindo de uma visão eurocêntrica. O programa foi preconceituoso, racista e teve a intenção de desvalorizar os costumes de um povo», disse à Lusa a presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra.
A embaixada de Angola no Brasil, em nota divulgada à Agência Lusa, declarou que «mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de 'marketing' para vender jornais, programas de rádio ou de televisão de má qualidade».
«Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal», diz o comunicado da embaixada.
As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro deverão ser concluídas em cerca de um mês.
De acordo com a assessoria de comunicação do MP, se for comprovada a existência de irregularidades no programa, a procuradora Márcia Morgano poderá entrar com uma acção na justiça ou actuar de maneira extrajudicial, fazendo apenas uma recomendação ao «Programa do Jô» e à TV Globo, a maior rede de televisão do Brasil.

Postado no www.blogmariafro.blogspot.com/ Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro http://www.coletivodemulheresnegras.blogspot.com/ Saudações Negras Feministas! Vilma Piedade

LANÇAMENTO DO LIVRO HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA


Clique na imagem para ir para a pagína da editora.

Acontece na próxima segunda-feira, dia 03 de dezembro, a partir das 18h30, o lançamento do livro História e cultura afro-brasileira na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo). O evento terá a presença da autora Regiane Augusto de Mattos, que estará à disposição da imprensa para mais informações e entrevistas. A entrada é franca.

Regiane Augusto de Mattos é bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (USP), onde obteve o título de mestre em História Social. É autora de artigos sobre os africanos no Brasil. Atualmente desenvolve tese de doutorado na USP sobre Moçambique e trabalha como educadora no Museu Afro-Brasil.

Livro: História e cultura afro-brasileira
Autora: Regiane Augusto de Mattos
Formato: 16 x 23 cm ; 224 páginas
Preço: R$ 29,00

LIVRO MACHADO DE ASSIS AFRO-DESCENDENTE

Eduardo de Assis Duarte (org.)
1a edição - 14x21cmISBN
978853470408-32
84 páginas - cód. 2301

Mulato, neto de escravos alforriados, nascido livre no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839; órfão, na adolescencia trabalha como balconista e operário gráfico; autodidata, passa da oficina à redação e, daí, ao emprego público e à literatura. Considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, Machado de Assis é acusado de aburguesamento. Esta reunião de textos convida o leitor a reavaliar o posicionamento machadiano em relação à escravidão e às relações interraciais existentes no Brasil do século XIX.
R$38.00

Clique na imagem para ir para o site da editora

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SP DISPONIBILIZA FOTOS SOBRE QUESTÃO RACIAL

Dando uma olhada pela net a pagína do Arquivo Público do governo do Estado de São Paulo apareceu. No mês de novembro homenageia a Consciência Negra com fotos antigas. Contudo, infelizmente são poucas fotos e dividem-se em Brasil, EUA e Afríca do Sul.

Para ir para a pagína clique na imagem abaixo.
Comemorado há mais de três décadas por movimentos negros, o dia 20 de novembro foi elevado em 2003 a data nacional, constante no calendário escolar brasileiro. Rememorando a morte de Zumbi, último líder do quilombo dos Palmares, em 1695, a data, transformada em feriado por diversos municípios, pretende homenagear as lutas históricas e propor que se pense e se atente ao papel dos negros na sociedade contemporânea. Por contraditório que pareça, nossa galeria não é um tributo à “raça” negra.
O conceito de raça certamente é um dos mais problemáticos que herdamos do século XIX. A idéia que os seres humanos teriam uma hierarquia de virtudes e defeitos em decorrência de suas diferenças fenotípicas — sendo então possível afirmar a superioridade de umas frente às outras — serviu desde então para “normalizar” e justificar as mais diversas atrocidades (passadas e futuras). Hoje, no século XXI, esta idéia parece ainda não estar superada.
Essa coletânea de imagens não pretende, pois homenagear uma raça, ou idealizar a figura de líderes libertadores, mas sim mostrar apenas alguns flagrantes (no Brasil e no mundo) das intensas lutas de que esses sujeitos sociais foram (e são) atores, e pelas quais buscam se libertar da massacrante carga histórica de preconceitos e discriminação, essas formas tão cruéis de violência, de que são alvos em seu cotidiano.

Flagrante interessante para quem diz que não havia impedimento ou racismo explicíto no Brasil.
Para abaixar todas as imagens sem ir na pagína clique aqui.

DOCUMENTÁRIO NA TVE: ILYALODE - DAMAS DA SOCIEDADE

Programação sexta-feira, 30 de novembro.
Iyalode - Damas da Sociedade

O documentário que o Sexta Independente exibe na sexta-feira, 30 denovembro, às 21h, faz um mergulho na vida de quatro mulheres que, nofinal dos anos 50, trouxeram o candomblé para a cidade de São Paulo. Na época, incompreendidas pela maioria dos paulistanos, elasinstalaram seus terreiros em casas, casebres e casarões da maiormetrópole brasileira.

Afastados da região central da cidade, os terreiros, além de lugarsagrado para seus adeptos, hoje são pontos de referência e de culto auma das religiões mais tradicionais da cultura brasileira. Algumasdessas mães-de-santo pioneiras abriram as portas de suas casas para agravação de Iyalode, documentário que foge completamente dosestereotipados batuques das baianas, lugar-comum no imagináriopopular. O filme mostra um candomblé vivido na pele e traça um perfilda tradição afro-brasileira que, ainda hoje, consegue calar o barulhoda metrópole com suas festas e rituais.

Mãe Pulquéria, Mãe Juju, Mãe Ada e Mãe Sessu contam como se iniciaramna religião e conseguiram fincar raízes na cidade. Mães, esposas edonas de casas, e ao mesmo tempo senhoras de um conhecimento enorme,elas abrem sua intimidade e contam como a escolha pelo candomblédeterminou e transformou suas relações familiares e também com umasociedade que não está acostumada a ver a mulher à frente de algo tãodelicado como a religião. Sacerdotisas de seu tempo, elas comandam umverdadeiro legado de responsabilidade com seus terreiros efilhos-de-santo, deixam de lado a soberania e contam como vivemocupando o posto de mãe.

Iyalode – Damas da sociedade ganhou o primeiro Prêmio Palmares deComunicação, promovido pela Fundação Palmares/MinC.
Roteiro e direção Maria Emilia Coelho e José Pedro da Silva Neto.Realização Polo de Imagem/Pacto Audiovisual.2005. 52 minutos.

FORÚM PAULISTA DE JUVENTUDE NEGRA


FÓRUM PAULISTA DE JUVENTUDE NEGRA SÃO CARLOS (Campus da UFSCar)
30 DE NOVEMBRO 01 E 02 DE DEZEMBRO DE 2007


•SEXTA FEIRA - 30/11•19h00 – Inscrições;
•20h00 – Lançamento do livro"Racismo e Sociedade" do Doutor pela universidade Paris VII Carlos Moore seguida de palestra. Comentários de Latoya Guimarães e José Raimundo.

21h00 COQUETEL

•SABADO - 01/12

08H00 - CAFÉ MANHÃ
•09H10 - MESA DE ABERTURA OFICIAL: PREFEITO, CONSELHOS ESTADUAL E MUNICIPAL, COORD EST. JUVENTUDE, FÓRUM NACIONAL, NEAB, UFSCar
•10H00 - 12:H00 Que fórum queremos

•12H00 - 14:H00 Almoço

•14H20 - Que fórum queremos
•15H40 - Diretrizes e ações políticas
•17H20 - Estrutura de organização e agenda

•19H00 JANTAR21H00 ATIVIDADE CULTURAL

• Domingo
• 09H00 - Resoluções
• 12H00 - Almoço
• 14 H00 - Lançamento do fórum estadual.

LATOYA GUIMARAES -
CEN/SP
FALA PRETA
NEGRAS JOVENS FEMINISTAS
55.11 7351-4494 / 3060-8513

LATOYA GUIMARAES -
CEN/SP
FALA PRETA
NEGRAS JOVENS FEMINISTAS
55.11 7351-4494 / 3060-8513

terça-feira, 27 de novembro de 2007

ABAIXO ASSINADO CONTRA O RACISMO NO PROGRAMA DO JÔ SOARES

Recebido, repassando e participando da luta. A partir de hoje o blog vai estar com um link para divulgar este abaixo-assinado. Contudo, verificamos que o link indicado no texto do abaixo-assinado expirou. Achamos outros clicando em http://www.youtube.com/watch?v=EQ6KCKBmRPQ e http://br.youtube.com/watch?v=qgIiQMJWSB4


Foi publicado no aldeiagriot duas postagens sobre está questão. para vê-las clique abaixo.

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007 - RACISMO ENRUSTIDO

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007 - JÔ SOARES E SUAS BIZARRICES

Segue a convocatória abaixo.

Nós da Apeb-Coimbra e do Fórum de Estudantes e Investigadores da CPLP solicitamos a ajuda de vocês na divulgação ampla e URGENTE de um abaixo-assinado de repúdio ao conteúdo racista e sexista exibido na programação da Rede Globo de Televisão, no dia 18 de Outubro de 2007, durante o “Programa do Jô”!

Não podemos deixar, principalmente nas vésperas do dia da Consciência Negra no Brasil, que programas como esses, continuem sendo divulgados internacionalmente pela Rede Globo de Televisão.

Não basta apenas nos indignarmos contra certas posturas, temos que tomar atitudes concretas.
O abaixo-assinado, está disponível para assinatura em:
http://www.petitiononline.com/racismo/petition.html

Divulgue para suas listas de contatos, para as listas e fóruns dos quais faz parte. Todas e todos agradecem!

Até o final da semana, a petição também estará online em inglês e francês (falta um voluntário para a tradução em espanhol) .

Assim, divulguem a todos que conheçam e lutam pela dignidade humana e pela diversidade cultural! E um mundo sem racismo e sexismo.

Em Coimbra - Portugal pretendemos organizar um debate aberto.
Quem tiver sugestões e quiser colaborar diretamente na mobilização, pode entrar em contato diretamente com os organizadores:
Élida Lauris:
elida.santos@uol.com.br
Lourenço Cardoso:
lourencocardoso@uol.com.br
Rose Barboza:
rose.bs@uol.com.br


Contamos com seu apoio!
Saudações,


Abaixo, segue na íntegra o texto do abaixo-assinado:

Ilmo Sr, Ministro da Justiça, Tarso Genro
Ilma Sra, Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro
Ilma Sra, Secretária Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire
Ilmo Sr, Procurador-Geral do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro

Nós, os abaixo-assinados, repudiamos o conteúdo exibido na programação da Rede Globo de Televisão, no dia 18 de Outubro de 2007, durante o “Programa do Jô”, pedimos uma retratação deste veículo de comunicação pela violência simbólica perpetrada nas afirmações do programa e requeremos do Estado brasileiro a apuração da responsabilidade pelas ofensas reproduzidas.

Nesse dia, no programa desse conhecido artista brasileiro foi entrevistado o senhor Ruy Morais e Castro. A entrevista realizada com humor expressou frases racistas metamorforseadas em piadas inocentes que eram abonadas pelos sorrisos e aplausos da platéia, como pode ser conferido no endereço eletrônico:
http://www.youtube.com/watch?v=ySWZXekdBkw

Durante a reprodução do referido programa, o entrevistado, incitado pelo apresentador, deteve-se em apresentar detalhes do que denominaram “vida sexual angolana”. No relato que faz, vê-se a consagração da idéia de que África e os africanos representam uma civilização homogênea caracterizada pela inferioridade cultural e biológica, legitimando a mentalidade racista sustentada no argumento de que o continente africano, os países africanos, os povos africanos, em particular, a mulher africana são inferiores e que esta inferioridade pode ser comprovada por sua sexualidade animalesca.

O constrangimento latente em cada uma das declarações exige uma ação estatal imediata. Não se pode esquecer que o Estado brasileiro assume publicamente o compromisso de promover e defender os direitos humanos do que é prova todas as convenções internacionais de que faz parte. Desde 1994, o Estado brasileiro como signatário da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como "Convenção de Belém do Pará" sabe que é função do Estado “incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher”. Sabe também, enquanto signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1968) , que “a doutrina da superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum”. E ratifica, de acordo com o caput da Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher , que é considerada violência psicológica e moral toda forma de constrangimento e ridicularizaçã o dirigido a alguém devido ao seu credo religioso, raça, gênero ou origem nacional.

A entrevista exibida caminha na direção contrária da luta que, em diversos contextos e em distintas partes do mundo, povos de diferentes nacionalidades empreendem contra todos os tipos de opressão. Umas das questões a ser refletida na nossa sociedade global seria a seguinte: como os estereótipos racistas são reinventados em pleno século XXI ? (Memmi, 1989/[1957]: 21, Babha, 2005: 105 - 128, Pinto, 1998: 168 - 210)

O senhor Jô Soares e o Senhor Ruy Morais e Castro nos fornecem uma resposta como hipótese: os estereótipos racistas seriam reinventados pela mídia ao veicular atrações racistas como esta, do Programa do Jô. É óbvio que existem outras maneiras de se reinventar o racismo e/ou construir o racismo na sociedade contemporânea, contudo, o desserviço que o poder da mídia pode prestar é um fator considerável dado o seu papel de formadora de opinião. No caso em questão, o fato de a entrevista ter sido televisionada e o seu meio de difusão ter sido a Rede Globo, que detém há anos a maior audiência televisiva do Brasil e ampla exibição internacional, aumenta drasticamente as consequências lesivas das afirmações feitas e a necessidade de ação contra elas.

O programa acima mencionado viola os direitos fundamentais expressos na Constituição Federal de 1988, as Convenções Internacionais de que o país é atualmente signatário e constrange toda a sociedade, como se não bastasse legitimar o ideário racista também acaba por propalar uma potente forma de apologia ao sexismo, à xenofobia e à pedofilia.

Ridicularizando a diversidade cultural, uma das formas mais vis de que a cultura ocidental pode lançar mão para demonstrar sua suposta superioridade, as declarações feitas na entrevista erigem o androcentrismo como único ponto de vista, apresentando a raça negra como expressão do primitivo, do irracional e as mulheres negras como objetos meramente sexuais, onde o único comportamento “esperado”, independentemente de sua idade, é a promiscuidade e a subordinação de sua sexualidade ao desejo do homem.

Assim, e por considerarmos temerária esta forma ideológica de propagação do racismo, do sexismo, da xenofobia e da pedofilia é que propomos esse abaixo-assinado, exigindo a apuração de responsabilidades e a pronta retratação da Rede Globo de Televisão em um pedido de desculpas público, com ampla divulgação, pelos constrangimentos a que submeteu às comunidades africanas e angolanas, às mulheres de forma geral, às mulheres negras de forma específica e à sociedade brasileira

AINDA CONTINUAMOS POR NOSSA CONTA!

Publicado no site AFROPRESS. Para ler direto do site clique aqui.




Neide Aparecida Fonseca
Diretora da Contraf-CUT e Presidenta da Uni Américas Mulheres



Por: Neide Aparecida Fonseca - 20/11/2007

Existiu uma história de resistência, organização e negociação de trabalhadores (as) nas malhas do sistema muito antes de existir organização sindical no Brasil.

Ao contrário do que contam muitos historiadores a serviço do sistema, os (as) trabalhadores (as) negros (as) tiveram formas de organização e resistência no sistema de produção escravagista. As formas de Organização e Resistência eram de duas modalidades: Conturbada e/ou Silenciosa.
A forma Conturbada previa: Rebeliões coletivas organizando-se em Quilombos; Fugas individuais; Matança dos escravizadores; Destruição dos instrumentos de trabalho; Suicídio individual ou coletivo; Abortos; Insurreições; Fugas com objetivo de assustar e marcar espaço de negociação no conflito.
A forma Silenciosa consistia em: manipular o medo senhorial para obter algumas concessões; Brecha Camponesa.
Brecha Camponesa se dava quando os escravizados através de negociação conseguiam o usufruto de um pedaço de terra para sua subsistência com folga semanal para cultivá-la e às vezes o direito de vender algum excedente da produção. Isso representava, para os escravizados (as), certa autonomia; representava mais do que sobreviver por terem uma margem de economia própria dentro do sistema escravagista.
Obviamente o sistema também tinha suas vantagens tais como: redução dos custos na manutenção da escravaria; mecanismo de controle social, pois mantinha a ordem.
Contudo havia um limite na negociação da “brecha camponesa”. Era a greve. Em relação a isso podemos citar dois exemplos:
Ano de 1789 – Fazenda Santana – Ilhéus trabalhadores escravizados fazem uma greve que dura 02 anos, cuja pauta de reivindicação era:



1. Redução da Jornada e Melhores Condições de Trabalho;
2. Controle das Ferramentas do Engenho;
3. Terreno para plantar suas hortas;
4. Um barco para facilitar a venda em Salvador do excedente de suas plantações;
5. A indicação de nome para Feitor teria de ser aprovado por eles;
6. Sexta-feira e Sábado livres, tirando um desses dias por causa do dia Santo.



Em 1861, na Região do ABC, na Fazenda São Caetano, houve uma greve de escravizados, dos beneditinos, que se recusaram a continuar trabalhando na fábrica de louça e cerâmica que ali existia desde 1730. Queriam terra para trabalhar na lavoura em vez do trabalho industrial. Em conseqüência desse movimento, a Ordem de São Bento reviu radicalmente sua relação com o escravismo criando um modelo de abolição gradativa que culminaria com a libertação de seus mais de quatro mil escravos em todo o Brasil, em 1871.
Podemos ainda citar a Conjuração Bahiana ou Revolta dos Alfaiates, ocorrida em 12/08/1798, quando negros e mestiços libertos se rebelaram. Ou ainda quando em janeiro de 1835, africanos de diversas nações, principalmente os Háussas, promoveram uma insurreição, em que planejavam expulsar ou matar todos os brancos da cidade de Salvador.
Se durante o período escravagista a luta foi árdua, não menos se dá no período pós-escravagista, estávamos por nossa conta, embora em 1905 já havia sido criado a primeira Central Operária do país – Federação Operária de São Paulo.
Nossos ancestrais percebem que só através da educação poderíamos sair do processo de marginalidade que a sociedade industrial nascente nos jogou. Deste modo, demonstrando capacidade, perenidade, longevidade organizativa, estrategicamente através da Irmandade Nossa Sra do Rosário dos Homens Pretos inauguraram uma Escola para crianças negras com objetivo de através da educação, garantir espaço para as futuras gerações na sociedade que os rejeitava.
Alijados do novo modelo de país os ex-escravizados que construíram o Brasil, se viram substituídos no mercado de trabalho por mais de 3.400 milhões de imigrantes que vieram para o Brasil, e trouxeram para cá suas formas de organização e luta por melhores condições de vida. A maioria era anarquista.
Surgem os embriões de sindicatos: Organização de Ligas Operárias que lutavam por melhores salários e redução da jornada de trabalho; Organização de Liga Operária de Socorros Mútuos com fim assistencial; Ligas de Resistência com várias filiais, como por exemplo, a Liga de Resistência das Costureiras; União dos Trabalhadores em Fábricas de Tecido; União dos Empregados do Comércio.
Contudo, essas organizações e nem posteriormente com a criação de sindicatos, em 1903, que desde seu início sustentavam princípios humanitários e de solidariedade, não incorporaram a luta contra a discriminação dos trabalhadores (as) negros (as). Negros e negras continuavam por sua conta.
Em 1906, 18 anos após o fim legal da escravidão, aconteceu o I Congresso Operário Brasileiro que fundou a COB – Confederação Operária Brasileira. Na pauta nem uma linha sobre a questão negra.
Um dos poucos espaços de trabalho formal para os negros era a Marinha, que mantinha uma relação de escravização com os trabalhadores. Em 1910, 22 anos depois de abolida a escravidão, aconteceu a Revolta da Chibata. Na pauta de Reivindicação: 1. Fim dos castigos corporais; 2. Aumento do Soldo; 3. Troca de Oficiais; 4. Educação dos Marinheiros; 5. Transparência na Tabela de Serviços diários.
Se na Idade Moderna o capitalismo estabeleceu o tráfico negreiro e a conseqüente escravização, como meio de aumentar a produção e os lucros, ligando o tráfico ao capital comercial, em meados do século XIX com o início da implementação do programa liberal e consolidação do capitalismo, o conceito de mercado muda, adquirindo prestígio e valor. Neste sentido, o trabalho escravo torna-se um obstáculo aos interesses da Europa que decretou, então, o fim do tráfico transatlântico de escravos, pois para o consumo de mercadorias era necessário o trabalho assalariado.
O Brasil conviveu com dois tipos de trabalhadores: os livres e os escravizados. Esse fato dificultou a valorização do trabalho, sua diversificação e expansão, o que preocupou as elites brasileiras, porque o país precisava se modernizar entrar na era da industrialização. As preocupações das nossas elites eram então de duas ordens: 1ª.) Quem formaria a mão-de-obra pós-escravidão; 2ª.) Como modificar a composição racial, uma vez que os negros passavam de um pouco mais da metade da população, em algumas províncias, como São Paulo, por exemplo. Raça tornou-se um ponto central das discussões em relação ao futuro do país. Era preciso resolver as duas questões unificadamente. Discursos inflamados eram feitos nas casas legislativas em prol da europeização do Brasil. Neste sentido, a estratégia pensada e executada meticulosamente foi o Projeto de Branqueamento, executado com base em três pilares: Miscigenação; Política migratória; Apartação da população negra do processo de modernização da Nação.
Inteligência, força física, disciplina, higiene, organização, eram alguns dos atributos utilizados para selecionar as raças formadoras do mercado de trabalho. Esses atributos racializados contribuíram para definir o lugar e o papel de cada um no mundo civilizado. Destes atributos os negros possuíam apenas a força física, segundo o pensamento dominante.
Ao mesmo tempo, o sistema instituiu a ideologia da vadiagem como mecanismo de repressão policial em relação aos negros, transformando a falta de ocupação em opção para vadiar, não trabalhar. Dois estereótipos ficaram marcados na população negra, e que se perpetua no tempo, sendo utilizados formal ou informalmente na estrutura das empresas para selecionar, promover, desempregar: a) negros são incapazes, inábeis para o trabalho superior; b) negros são moralmente inaptos, uma vez que gostam de vadiar.
As desigualdades raciais perduram até hoje, os dados de institutos respeitáveis confirmam isso ano após ano. Atualmente, essas desigualdades contemporâneas são explicadas pela somatória do processo escravagista com os novos mecanismos que são criados e recriados cotidianamente.
No Brasil, as pessoas negam o racismo, embora a suas conseqüências sejam visíveis na estrutura social. A cada ano, em datas específicas, admiradas comentam os dados das desigualdades raciais, como se falassem de um país que não fosse o seu. Ninguém tem nada haver com isso.
Empresários utilizam da Responsabilidade Social e fazem programas de Diversidade, que não chegam a lugar algum, pois se formos fazer uma Auditoria da Diversidade veremos que as coisas permanecem no mesmo lugar.
O movimento sindical de qualquer corrente ou Central, embora tenham colocado na sua pauta essa questão, ela não é prioridade. Ainda não há uma compreensão de que enquanto as desigualdades de raça e gênero perdurarem não poderá haver uma sociedade melhor, mais solidária, mais equilibrada.
Deste modo, nos negros e negras, em pleno século XXI, embora a solidariedade de muitos, em verdade ainda continuamos por nossa conta, porque só quem sente sabe. Porém, como nossos ancestrais, não desistimos nunca. Elevar Zumbi a categoria de herói nacional e conquistar feriados em vários locais, entre outras conquistas, é uma amostra da nossa resistência.
Nossa herança quilombola nos fortaleça e nos impulsiona. Em contraposição ao 13 de maio, colocamos no calendário nacional o 20 de novembro como o “Dia da Consciência Negra”, representando não só a luta de nossos ancestrais como também a nossa, por uma vida digna, por reparações, por políticas públicas para quem durante anos, com seu trabalho gratuito construiu essa Nação. Viva Zumbi! Viva Dandara!