sábado, 10 de novembro de 2007

Cia. Teatral Os Crespos encena no Bixiga, “Ensaio sobre Carolina”,

Retirado do site AFROPRESS

Os Crespos
Por: - 30/10/2007

S. Paulo – Cia. Teatral Os Crespos encena no Bixiga, “Ensaio sobre Carolina”, criado a partir do livro "Quarto do Despejo", de Carolina de Jesus, que aborda questões como fome, miséria e relações raciais. Leia Mais.

O espetáculo, que tem direção de José Fernando Azevedo, foi criado a partir da obra “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus, diário de uma favelada negra da década de 50 que ficou conhecido em todo o mundo. A peça trata de questões como fome, miséria, sociabilidade, relações raciais, invisibilidade e preconceito numa experiência sonoro-musical através dos atores-criadores.
No elenco de Os Crespos, as atrizes Gal Quaresma (foto), Lucélia Sérgio e Mawusi Tulani e os atores Sidney Santiago e Tairone Porto. O espetáculo fica até 24 de novembro.
Em junho e julho, o grupo participou do Festival Theaterformer fazendo uma curta temporada no Teatro Volksbuehne, onde foram dirigidos pelo diretor Frank Castorf, no espetáculo Anjo Negro + Missão.
Segundo Gal Quaresma a experiência nos palcos alemães (também aconteceram apresentações em Hannover) foi muito rica. “Houve um incômodo. Eles estavam esperando um estereótipo e encontraram uma outra coisa. A expectativa que eles tinham sobre Teatro brasileiro era uma e encontraram outra. Nós superamos a expectativa deles”, afirmou.
Segundo Gal, embora não conhecidos do grande público, é grande o número de atores e atrizes negros em ação no Brasil: “Temos mais de 60 grupos de atores negros em atividade. Não somos conhecidos do grande público, mas somos muitos”, acrescenta.

Os crespos
A Cia. Teatral Os Crespos surgiu, em 2.005, nas dependências da mais tradicional escola de interpretação, a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), em atividade desde 1948. Era um grupo de alunos-atores negros dentro de uma instituição com modelo elitista e desconectada da realidade étnico-racial do país.
É desse período também o Núcleo chamado "Negros em questão", criado por iniciativa de Quaresma, com o objetivo de estudar a história do negro nas artes cênicas no Brasil.
Durante quase dois anos foram realizados eventos nas dependências da Universidade como fóruns, seminários, debates, mostras de cinema, performances e instalações com o objetivo de provocar reflexão na sociedade.
Em 2006, foi criada a Cia. Filhos de Olorum que mais tarde mudaria de nome para Os Crespos. Também aconteceu nesse período o convite de um dos maiores encenadores da atualidade, o alemão Frank Castorf, diretor do teatro Volksbuehne para apresentações do espetáculo Anjo Negro + A Missão. A montagem esteve em cartaz no Sesc Vila Mariana e excursionou pela Alemanha nos meses de junho e julho (2007) participando do Festival Theaterformer e fazendo uma curta temporada no Teatro Volksbuehne- Berlim.

Serviço

Texto – Dramaturgia coletiva a partir da obra Quarto de Despejo
Direção – José Fernando Azevedo
Elenco – Cia. Teatral Os Crespos (Gal Quaresma, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani, Sidney Santiago e Tairone Porto)
Estréia - 20 de outubro
Censura – A partir de 13 anos
Duração -1 hora e 30 min.
Teatro – Espaço Maquinaria
Endereço – Rua 13 de maio, 240. Bixiga.
Telefone – 38533651
Dias – Sábados às 19 hs
Preço – R$ 15,00
Término da temporada – 24 de novembro
Fone para contato com imprensa: (11) 68393447 - Gal Quaresma

Na pagína do AFROPRESS também tem comentários de Lei Lopes sobre Carolina de Jesus.

Carolina Maria de Jesus, "crioula metida"
Por: Nei Lopes - 2/11/2007

Acabando de revisar a última prova do "Dicionário literário afro-brasileiro" (Pallas Editora), que o Velhote vai lançar no dia 1º de dezembro, na "Primavera do Livro", no Museu da República, deparamo-nos com alguns textos bastante interessantes.

Por exemplo: alguém ainda se lembra de Carolina Maria de Jesus? Pois é. Então, vamos refrescar a memória, com este extrato do verbete:

Carolina nasceu em Sacramento, MG, em 1914 e fa­le­ceu na ci­da­de de São Pau­lo em 1977. Favelada na ca­pi­tal paulista, sur­preen­deu o ­meio li­te­rá­rio com a pu­bli­ca­ção, em 1960, de seu diá­rio ín­ti­mo com o tí­tu­lo de Quarto de despejo: diário de uma favelada, li­vro tra­du­zi­do pa­ra 29 idio­mas e que ven­deu ­mais de 100 mil exem­pla­res.
A es­se li­vro, se­gui­ram-se Casa de alvenaria, diário de uma ex-favelada (crô­ni­cas, 1962), Pedaços da fome (ro­man­ce, 1963); Provérbios (adágios em verso e prosa, 1966) e Diário de Bitita, pu­bli­ca­do pos­tu­ma­men­te, pri­mei­ro na Fran­ça em 1982 e no Brasil em 1986.
In­cluí­da no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis, pu­bli­ca­do em Lisboa por Lello & Irmão, e em outras publicações internacionais, o su­ces­so, en­tre­tan­to, não lhe trouxe tran­qüi­li­da­de nem rea­li­za­ção fi­nan­cei­ra: mor­reu po­bre e es­que­ci­da, ten­do si­do até mesmo al­vo de ca­lú­nia por par­te de crí­ti­cos que atri­buí­ram a cria­ção de seu pri­mei­ro li­vro ao jor­na­lis­ta que a des­co­briu.
Segundo Joel Rufino dos Santos, Carolina foi cortejada pela sociedade envolvente, a qual se deslumbrou com sua história de vida mas logo se desapontou ao ver que se tratava de uma “pobre soberba”. Outra decepção, segundo Rufino, teria ela causado à intelectualidade de esquerda, que não encontrando nela e nem em seu texto a “pobre comunista” de que necessitava para seu proselitismo e propaganda mas sim uma mulher individualista, de forte personalidade, e com um discurso sempre “politicamente incorreto”, também logo a abandonou.
Além disso, diz Joel, seus pobres vizinhos da favela logo a rejeitaram, vendo nela tão somente uma “crioula metida” escrevendo coisas que, para eles, não serviam de nada.

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Muito axé e militância pessoal e obrigado pelos comentários.