domingo, 30 de novembro de 2008

MNU SE DESTACA COMO GRUPO AFRO

Mais um texto do excelente site Questões negras sobre como militantes atualmente estão lançando livros contando a trajetória dos últimos 25 anos do movimento negro.
Para ler o artigo na integra clique aqui ou baixe em formato PDF clicando aqui.


Muitos se queixavam (com razão): faltam livros sobre a história de nosso movimento. Na verdade, existem trabalhos acadêmicos esparsos sobre o movimento negro, e que, muitas vezes, ficam inéditos nos arquivos dos cursos de pós graduação das universidades.
Este ano, no entanto, parece que nada será como antes, pois, dois livros teorizando sobre o movimento negro - a partir de diversos olhares- foram lançados no Rio de Janeiro (Museu da República e Livraria Kitabu).
O bom nesta história toda é que os seus autores foram lideranças do movimento negro com traços bastantes distintos no olhar para este mesmo movimento, mas apresentando identidades de militância coincidentes, digamos assim: ambos os autores foram presidentes do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), no Rio de Janeiro, que entrou em decadência a partir do final dos anos 1990 em diante.
Januário Garcia - divulgação
O primeiro autor, o fotógrafo Januário Garcia, lançou seu 25 ANOS 1980-2005: O MOVIMENTO NEGRO NO BRASIL (Fundação Cultural Palmares, Brasília, 2008) seguida de uma notável exposição fotográfica que enfocava a luta da militância negra, no Museu da República.
Aliás, Januário, na verdade, em seu livro, se encarrega apenas de nos dar uma belíssima contribuição visual de diversas facetas do MN (marcha de 300 anos da morte de Zumbi, presença negra na serra da Barriga, movimento de mulheres negras, resistência quilombola, religiões de matrizes africanas, diásporas, ações afirmativas, passeatas negras urbanas, personalidades negras, a marcha negra de 1988, entre outros).
Livro de luxo
A produção teórica do livro de Januário - edição de luxo, bilíngüe, capa dura, em papel couchê, 176 páginas, design primoroso, patrocinado pela Fundação Cultural Palmares - coube a artigos previamente encomendados a cabeças coroadas do Movimento Negro Brasileiro como Ubiratan Castro (ex-presidente da Fundação Palmares), Zulu Araújo (atual presidente da Fundação Palmares), Sueli Carneiro Carneiro, o próprio Amauri Mendes Pereira, Hélio Santos, Abgail Paschoa, Oliveira Silveira, Arnaldo Xavier, Nei Lopes, Azoilda Loreto, Ana Célia Silva, Zezito Araújo, Carlos Alberto Medeiros, Júlio Cesar Tavares, Adalberto Camargo, Luiza Bairros, Jacques d'Adeski, Luiz Alberto, Edna Roland, Flávio Jorge Rodrigues da Silva, Hédio Silva Jr, João Jorge, entre outros. Além do mais, o livro tem um charme especial: é apresentado pelo então ministro da Cultura, o compositor Gilberto Gil.
Na verdade, Januário pareceu querer exprimir todas as tendências do movimento negro em seu livro ao ceder espaços para reflexões até de personalidades negras que, diríamos, não são organicamente militantes da causa, mas ligados indiscutivelmente ao mundo afro-brasileiro. Seria, então, uma tentativa de conciliação perante os conflitos e divergências marcantes do movimento? Ou uma proposta de unificação dos diversos discursos e dos dramas de construção de um movimento sempre submerso para a mídia convencional?
No artigo " Retrospectiva histórica do movimento negro", o antropólogo Júlio Cezar de Sousa Tavares, professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFF (Universidade Federal Fluminense), mostra o desenvolvimento do movimento negro urbano em três etapas mais ou menos recentes: 1945 ( criação do Teatro Experimental do Negro), 1978( surgimento do Movimento Negro Unificado) e em 2001( Conferência Mundial de Durban).
São estes três marcos que ele julga fundamentais para se compreender o processo de luta negra e sua ascensão nos setores urbanos brasileiros, passando do combate ao racismo à luta pela igualdade de direitos.
No entanto, uma ressalva: Tavares considera 1988, ano do centenário da Abolição, uma data muito especial, pois, ali, no Rio de Janeiro, em 11 de maio, houve a realização da "maior marcha política da História do Brasil Republicano contra a ditadura racial estabelecida". Por que , então, já que faz estas considerações tão determinantes, ele não colocou 1988 como um ano marcante história do MN ?
Papel da Seppir
Outra afirmação polêmica de Tavares: "Mas o maior desafio, depois destes 25 anos, encontra-se na possibilidade de se realizar o efetivo amadurecimento político dos movimentos negros através da elevação da consciência racial articulada à construção de um projeto nacional. Nesta articulação, a Seppir poderá ser o embrião de um organismo vivo e ativo de reconhecimento das múltiplas tendências, olhares e expectativas do Movimento Social Negro. Mas somente se se aprender a lidar com as diferenças internas sem que se reproduzam os modelos clássicos dos jogos de poder." (pág.15). Aqui, Tavares parece esquecer que a Seppir, embora resultante da mobilização afro-brasileira, é um aparelho ideológico de estado sujeito às todas as injunções/contradições políticas dos grupos que chegam ao poder. Nas listas de discussões raciais da internet, fala-se abertamente hoje que a Seppir - Secretaria Especial da Presidência da República de Promoção da Igualdade Racial - trabalha contra as comunidades negras brasileiras.
Mas continuemos no objetivo central do livro de Januário, que é a documentação histórico-visual, que é deslumbrante, magnífica e competente. Poucas vezes temos repórteres-fotógraficos que manipulem a linguagem visual de forma a produzir amplos significados sobre o real que se apresenta diante da lente. Januário une os dois ângulos; profissionalismo e a militância, que dá amplos ganhos para os dois lados.
Assim, ao irmos folheando o livro, ele nos transfere para as ruas. E surge uma indagação: porque este esplender de negros protestando nas ruas, com faixas, cartazes, gritos, não são estudados aprofundadamente? Estas imagens mostram que existe um Brasil apartado querendo desesperadamente se tornar cidadãos, pois, eles, os militantes negros que passam pelas lentes de Januário, sabem perfeitamente que não podem ser mantidos eternamente como serviçais de uma sociedade que os discrimina sem aparentes motivos, a não ser a ideologia da superioridade racial. Há uma foto histórica: a presença de Stokely Carmichael, fundador dos "Panteras Negras" dos Estados Unidos, na Serra da Barriga, Alagoas, nordeste, onde Zumbi se tornou mito, ao lado de militantes negros como o sociólogo João Romão e a antropóloga Caetana Damasceno. Um pan-africanismo em Palmares?
Pelo lado cultural, há imagens dos blocos afro, das festas de beleza negra, das escolas de samba, dos terreiros da religião afro, ou seja, há uma tentativa de não deixar "nada de fora". Quer dizer, Januário, através desta documentação, talvez queira mostrar que suas lentes sempre se preocuparam em registrar as mais diversas manifestações de sua comunidade, nestes 25 anos de militância.
Neste sentido, Januário dá uma bela contribuição à história do movimento negro brasileiro, pois, não quem não se reconheça nesta seleção de fotografias do Movimento Negro Brasileiro.
A importância do MNU
Amauri Mendes Pereira - divulgação
Outra contribuição interessante é a do cientista social Amauri Mendes Pereira, Phd da Universidade Estadual da Oeste do Estado do Rio de Janeiro (Uezo), também ex-militante histórico do movimento negro e ex-presidente do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN).
Em seu livro TRAJETÓRIA E PERSPECTIVAS DO MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO ( Nandyala, Belo Horizonte, 2008, 128 páginas), Amauri busca outros horizontes de referências metodológicas. Lá tudo é diferente do livro de Januário. Trata-se de uma edição modesta, em papel off-set, onde sua grande contribuição é desenvolver uma certa teoria do movimento negro a partir de momentos históricos marcantes para a luta negra. Assim, é o prioritário para o autor discorrer sobre a militância negra, sem chamar outros companheiros para complementar o trabalho, pois, ele, como antigo militante, tem muito para contar e refletir. Isso torna seu trabalho intrigante, original, palpitante. Agora, tudo indica, estamos assistindo a teorização do movimento negro pelos próprios militantes. Este fato se constitui em situação alvissareira para academia e para a militância em si mesma.
Ao contrário do antropólogo Tavares, aqui, Amauri, que explica emergência e fundamentação do movimento negro no século XX no Brasil, delimita como seu primeiro marco de referência a década 1930, com o advento da Frente Negra Brasileira, em São Paulo. Já Tavares, dá a primeira referência em 1945. Para Amauri, o segundo impulso histórico do MN, foi o surgimento do Teatro Experimental do Negro (TEM), de Abdias do Nascimento, e o Teatro Popular Brasileiro (TPB) , de Solano Trindade, em meados dos anos 1940/50). O terceiro marco foi a criação do MNU (Movimento Negro Unificado), em 1978.
Neste sentido, o MNU sai resgatado em ambos livros como a tendência negra que mais marcou a emergência de um novo conceito de militância nos anos recentes. Aqui: Tavares, no livro de Januário, não cita diretamente o MNU, apenas dá 1978 como ano-histórico para o movimento negro, que foi, efetivamente a data na qual esta agremiação surge e se consolida nacionalmente.
Amauri é co-fundador do MNU, mas sua trajetória toda foi feita no Rio de Janeiro, e se destacou como liderança nos encontros, seminários e congressos de debates raciais e na presidência do IPCN, uma entidade mais ou menos eclética, onde todas as tendências tinham espaço para freqüentar, debater e discutir os destinos da comunidade negra fluminense e brasileira. Neste sentido, ele não tem pejo em reconhecer a importância do MNU - que completou 30 anos, em julho passado- para a disseminação de uma estratégia de luta do movimento brasileiro ainda na ditadura militar. Vejamos como ele descreve a criação do MNU:
Marcha contra o racismo 1988 - Januário Garcia
Foi uma noite memorável, a de 7 de julho de 1978, nas escadarias do Teatro Municipal, frente à praça Ramos, no centro de São Paulo! Aquela manifestação, fazendo história, desencadearia não apenas a criação do MNU, mas uma guinada de extrema importância no desenvolvimento do Movimento Negro, na forma como ele passou a ser visto pelos meios de comunicação e pelas demais forças políticas da sociedade brasileira (pág.61).
Segundo Amauri, o MNU não foi apenas um momento de explosão emocional da militância negra. Para ele, "foi o momento em que se tornariam visíveis o imenso potencial do Movimento Negro ao mesmo tempo em que a diversidade de perspectivas dos militantes e as profundas debilidades estruturais que comprometiam o seu pleno desenvolvimento".(pág.62)
Até aquela data, o MNU não era MNU, era Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial (MUCDR). Segundo Amauri, apesar da a iniciativa e comando da criação do movimento serem de negros, havia a presença de não negros como judeus e brancos de esquerda, que "chegaram junto". Numa segunda reunião do movimento, em 23 de julho, em São Paulo, colocou-se depois a palavra "Negro" e sumiu as palavras "Discriminação Racial", surgindo assim Movimento Negro Unificado (MNU), que acabou se espalhando por diversos estados. Amauri dá mais detalhes desta euforia:
O MNU foi uma idéia que empolgou aos militantes em geral. A unidade que todos desejavam. Mas ela foi rompida pela radicalização no discurso dos mais politizados/atuantes, frente à insegurança ou discordância da maioria quanto ao 'tom', ao ritmo que eles pretendiam imprimir e aos aspectos ideológicos subjacentes ao seu discurso. (pág.63).
Monumento à Zumbi na Presidente Vargas, Rio de Janeiro/RJ - divulgação
O MNU acabou se destacando no revisionismo da história brasileira ao re-analisar o Quilombo de Palmares e sua importância na história brasileira. Assim, o MNU, a nível nacional, embora possa ter havido iniciativas anteriores em outras cidades, torna, então, o 20 de novembro, data da morte de Zumbi, em DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA. O fato se espalha e influencia o Brasil. Aproveitando a onda, o Rio de Janeiro sai na frente quando o Movimento Negro consegue erguer um Monumento a Zumbi dos Palmares, em 1986, na Av. Presidente Vargas, e mais á frente, em 1999, torna esta data em feriado municipal e depois em estadual.
Enfim, ambos os livros resgatam admiravelmente parte da história do MN, e esperamos que surjam outros militantes;/autores, nos presenteando com o potencial e a riqueza do MN.

A MARCHA QUE MUDOU O MOVIMENTO NEGRO

Retirado do excelente site Questões Negras. Para ler o texto no site clique aqui ou baixe em formato PDF clicando aqui.

Amauri Mendes Pereira*


Marcha contra o racismo 1988 - Foto Januário Garcia




Espero que vocês compreendam, o problema não é comigo, é com os verde. (HÉLIO SABOYA, então Secretario de Polícia Civil do Rio de Janeiro)
Aludindo desta forma às pressões do Comando Militar do leste que prometia reprimir a manifestação, Hélio Saboya, então Secretario de Polícia Civil, em 1988, visivelmente preocupado, repetia esta frase aos membros do comando da marcha, que foram convidados por ele para conversar em seu gabinete horas antes do evento.
O susto
No dia 11 de maio de 1988, o Centro da cidade amanhece ocupado pro forças militares. Os pedestre não entendiam o que estava acontecendo e os boatos corriam soltos. O fato é que tamanho aparato visava impedir que a Marcha contra a farsa da abolição, programada para o fim de tarde. Para tal, os militares cercaram e depredaram os palanques montados pela Riotur em frente à Central do Brasil, reprimiram e prenderam militantes que chegavam dos subúrbios e da Baixada Fluminense nos terminais ferroviários e destruíram faixas, cartazes etc e se posicionaram em maior número frente à igreja da Candelária e início da Av. Presidente Vargas, onde seria a concentração.
A sua principal desculpa seria impedir para impedir a marcha - a alegação de que pretendíamos agravar a imagem de Duque de Caxias - caiu por terra no momento em que concordamos avançar pela pista do lado contrário da avenida - passaríamos quase a cem metros daquela estátua - e mesmo assim, eles permaneceram irredutíveis.
O que, de fato, levara os militares a reprimir a nossa manifestação? Uma resposta inicial era a perplexidade com o grau de mobilização alcançado pelo Movimento Negro(eles possuíam informações). Dificilmente poderiam controlar evento com a envergadura que advinhavam. Mas é claro que não era apenas isso. Conversas posteriores, deixavam patente o racismo. A maioria deles não perdoaria a " ousadia" do Movimento Negro. Afinal, "o centenário da Abolição deveria ser festivo, comemorando a integração racial. As reclamações desses negros não têm sentido, são antipatrióticas... Além disso, aquela postura idelógica percbia outras implicações. Pela primeira vez, o percurso da marcha invertera o sentido usual das manifestações políticas - seguíramos na mesma direção do "mar de gente" que abandona a cidade no horário do rush(da Candelária à Central), o que potencializaria a nossa manifestação, ampliando o alcance de nossas mensagens e o nosso êxito. Ainda mais que finalirariamos, em grande estilo, no maior ponto de circulação de massa do Rio de Janeiro.

A construção
Compreensivelmente, a maioria dos militantes comemorou o sucesso estrondoso daquela ação, acompanhada por máximo interesse pela mídia nacional e internacional - "todo mundo viu o racismo no Brasil" -, vibrava a massa! Mais de 20 mil pessoas. O comando da Marcha, no entanto, cometeu um erro fundamental: se desmobilizou no fim da marcha ao invés de concentrar esforços para multiplicar a repercussão e veicular a sua voz, consagrando a sua visibilidade e a conquista de espaço.

Marcha contra o racismo 1988 - Foto Januário Garcia

As razões para a insensatez dos dirigentes estão nas diferentes concepções que orientam a militância quanto ao papel do M ovimento Negro na Luta Contra o Racismo e a importância dessa transformação da sociedade brasileira.
Poucos perceberam que havíamos conseguido algo inédito e de suma importância - estava nas mãos do Comando da marcha - se tornar o centro das atenções, no momento em que toda a sociedade " respirava" as emoções das memórias da escravidão/ablição, sem dúvida, a refrência histórica mais incrustada no âmago do povo brasileiro.


Marcha contra o racismo 1988 - Foto Januário Garcia

Nunca antes havíamos construído uma ação daquela forma- o entusiasmo da militância suoerando as desavenças e limitações das entidades, a partir de uma forma embrionária de organização muito mais ampla e ágil: os comitês.
Foram oito meses esde os primeiros contatos e a divulgação de uma postura estratégica crucial: não deveríamos nos preocupar com as atividades oficiais quase sempre diversionistas e desagregadoras em nosso meio. O mais importante era concentrar esforços na construção de um momento nosso, do Movimento negro. As alianças e adesões de outros setores viriam naturalmente ameida que definíssemos o nosso campo de força. O que determinou aquela posição fi a visão de que desde o início de 88, teríamos "os ventos a nosso favor": a) nível de sensibilidade social em função do Centenárioi, o quê obrigaria a mídia em geral a tratar do tema. B. O avanço da Consciência Negra e da Luta Contra o Racismo, capaz de respaldar um plano objetivo de mobilização. C) a existência de entidades negras fortes e de uma militância que se espalhava por vários setores da sociedade(foi fundamental a participação dos religiosos do Movimento Comunitário, de sindicalistas...) e por tod o estado do Rio de Janeiro.

Construção para quê?
Muita gente assistiu ao vídeo "A Marcha da Abolição", da Enugabirjo( Adauto e Vick). Nele se mostra claremnte o clima de terror impingido pelas forças policiais e militares. Quando o Comando da Marcha chegou ao local da concentração se deparou, por um lado, com a disposição da "massa", que não se intimidava; e por outro, com o assédio dos oficiais militares que "tinham ordens para impedir a Marcha e evitar o perigo da radicalização de ânimos e da degeneração do conflito aberto". A nossa decisão de concentrar e marchar de qualquer maneira instalou o impasse. Foi o próprio Secretario de Polícia Civil que veio negociar com o nosso deslocamento..."até onde o racismo ia deixar".
Menos de um quilometro separaram a alegria da vitória - Vamos caminhar, pessoal!- de uma decisão que violentou sonhos e vontades tanto tempo represadas.


Marcha contra o racismo 1988 - Foto Januário Garcia
Postado em gente a Biblioteca Estadual Celso Kelly, na Avenida Presidente Vargas, ao lado do Campo de Santana (barrado a passagem), um formidável contigente de PMs e soldados do Exército, por trás, viaturas empurrando a massa; pelas laterais, cercando completamente os manifestantes, mais soldados do Exército e PMs. Se multiplicavam as reclamções e pequenos rusgas
* Texto publicado em 1998 pelo jornal impresso Questões Negras, do Rio de Janeiro.

BAIXE CARTILHA DIVERSIDADE RELIGIOSA

Retirado do blog do CEN.
Para baixar clique na imagem ou neste link alternativo.

DUDU NOBRE CONTA COMO FOI VITÍMA DE RACISMO

Retirado do site do Globo.com



Happy Hour
Quinta-feira, 20/11/2008
O cantor participou por telefone do 'Happy Hour'

VISITE O BLOG REVISÃO/CONFERÊNCIA DE DURBAN

Mais um blog surgiu no último dia 20 de novembro (grande data para estrear um afro blog, não concordam). Neste caso o objetivo é não deixar morrer a conferência de Durban, ocorrida em 2001 na África do Sul. Eles querem rever, relembrar e redescutir a Conferência, pois em 2009 vai haver em Genebra a Revisão da Conferência.
Para contribuir com o blog enviamos links com o CD-Rom feito pela Fundação Palmares, após a Conferência
Bem-vindo mais um blog para fortalecer um blogosfera afrocentrada.
Para ir para o blog clique na imagem abaixo.


Objetivos expostos no blog

Este blog se destina a informar a todos da sociedade civil em vários países sobre a Revisão da Conferência de Durban em 2009. Estamos num momento complicado, em 2009, o Plano de Ação de Durban assinado por vários países será avaliado, e em muitos países pouco foi feito, incluindo dar acesso às informações de Durban, seja de 2009 ou sobre a revisão de 2009.
A América Latina foi forte em 2001, mas percebemos que a África pouco participou, porque a sociedade civil não foi colocada a par de Durban.
O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África, e desta vez, como povo da Diáspora, não deixaremos os povos africanos e a sociedade civil organizada que luta por direitos ficar fora de Durban, especialmente neste momento, onde vários países africanos ocupam cadeiras na CIDH em Genebra.

SEDE DO JONGO DA SERRINHA FOI DESTRUÍDA POR POLICIAIS

Retirado do site do jornal O Globo.

Sede de ong na Serrinha foi destruída pela polícia em operação
Plantão Publicada em 29/11/2008

Jorge Antonio Barros

RIO - A coordenadora- executiva da ONG Grupo Cultural Jongo da Serrinha, Dyone Chaves Boy, disse que, durante operação no Morro da Serrinha na sexta-feira em Madureira, a polícia invadiu a sede da entidade, destruindo móveis e revirando armários. Segundo uma funcionária da ONG, os policiais transformaram a sede da ONG numa base para a operação que resultou na morte de dois supostos traficantes e na apreensão de 200 quilos de maconha e armas, no Morro da Serrinha.
- A polícia invadiu várias casas de moradores e também a sede da nossa ONG. As aulas foram suspensas. Ainda não tivemos condições de calcular os prejuízos porque o clima no local está muito tenso - afirmou Dyone.
As denúncias já mobilizaram até o desembargador Siro Darlan, da 7a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que condenou a política de confronto do governo do estado nas favelas.
Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, Siro Darlan lembrou que "o Jongo da Serrinha é um dos mais tradicionais grupos de cultura do país tendo recebido diversos prêmios por seu trabalho artístico e social. Com 40 anos de história, o grupo de Madureira foi fundado por Mestre Darcy e sua mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira que, preocupados com a extinção do jongo na cidade, transformaram a antiga dança praticada nos quintais da Serrinha num espetáculo."
Dyone disse ainda que vai agora ao morro para ver a situação da sede da ONG, acompanhada da presidente do grupo, Maria de Lourdes Mendes, a Tia Maria do Jongo, a matriarca do trabalho, conhecida como Tia Maria do Jongo. A ONG funciona como uma escola de tradições afro, por onde já passaram mais de mil crianças e adolescentes. Atualmente a ONG atende 120 crianças do Morro da Serrinha.

MAIS UM ARTIGO CONTRA A LEIS DE COTAS

Engraçado, quando se começa a ler o artigo a gente pode pensar que o Luiz Garcia vai tomar um rumo diferente do titúlo, mas depois de uma virada perto do meio do texto e retoma o titúlo. Coisa de jornalistas profissionais.
Retirado do jornal o Globo do dia 25/11/08.
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VISITE O ÓTIMO "PORTAL CAPOEIRA DO RIO"

Algumas vezes surgem blogs que tem cara e jeito de site e portal, isso acontece devido a qualidade e o cuidado com o layout e as ferramentas oferecidas, mesmo quando todas elas são graça.
Um ótimo exemplo é o `"Portal Capoeira do Rio". Para dar olhada na qualidade dele clique na imagem abaixo.

BOLSA DE ESTUDO PARA A CULTURA

Recebido por email. Esta é uma boa oportunidade para todos que querem discutir questões culturais que envolvam terreiros ou descedência quilombola ou jongueira, ou mesmo o samba. Bom, o edital já foi lançado. Boa a sorte a todos que tentarem.

Ministérios da Cultura e da Educação lançam novo edital na área de Ensino Superior

A pesquisa universitária de pós-graduação ganhou hoje, 10 de novembro, um novo incentivo institucional. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC), Jorge Guimarães, assinaram termo de cooperação e lançaram o Edital nº 7/2008 Capes/MinC Programa Pró-Cultura que irá conceder 48 bolsas de ensino, stricto sensu (Mestrado), para pesquisas na área cultural.O programa é fruto de um trabalho conjunto de mais de ano, entre a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (SPC/MinC) e a Capes e visa fomentar a pesquisas universitária, bem como o aperfeiçoamento e a formação de pessoal de nível superior em Cultura. O valor das bolsas a serem concedidas é de R$ 1.200,00, cada uma.O edital deverá ser publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira, 11 de novembro, e dá prazos até 31 de março do próximo ano, para que as instituições de ensino superior apresentem à Capes os projetos de implantação de redes de cooperação acadêmica na área da Cultura. A divulgação dos selecionados será realizada a partir de abril de 2009.

O ministro Juca Ferreira, antes de assinar o termo de cooperação com a Capes, comentou que a parceria a ser firmada insere-se na idéia de criar uma infra-estrutura no Brasil capaz de viabilizar o desenvolvimento das mais variadas formas de expressão cultural do país.

"É preciso assumir a diversidade cultural brasileira como um patrimônio. Isto implica na disponibilizaçã o de bens e serviços culturais para todo o território nacional, para todas as áreas da cultura, desde manifestações tradicionais até expressões artísticas de ponta, que trabalham com novas tecnologias" , comentou. O ministro salientou, ainda, que pretende desenvolver parcerias com o MEC em todos os níveis de ensino, da educação fundamental à área de pós-graduação.

Parcerias com o MEC

"O lançamento deste programa compõe uma tríade de ações na área de ensino superior, entre MEC/MinC, com outros dois editais", comentou o gerente de Políticas Culturais, Pablo Martins, responsável pela coordenação deste trabalho no Ministério da Cultura. Os demais editais, já em andamento, são o PROEX (vinculado às atividades de extensão universitária) e o Cultura e Pensamento (que fomenta o debate intelectual no meio universitário) . "O programa Pró-Cultura, que está sendo lançado hoje, amplia a nossa parceria para a área internacional" , detalhou o gerente. A previsão, segundo ele, é incluir no programa, em meados de 2009, a concessão de bolsas de ensino para faculdades no exterior.

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, explicou que o novo edital consiste na retomada e aperfeiçamento do antigo programa MinC/MEC, o PAEX (de apoio à apresentação de trabalhos científicos no exterior), agora com a inclusão de cláusulas nos contratos de concessão das bolsas, que obrigam os estudantes a aplicarem no Brasil, os conhecimentos desenvolvidos nas pesquisas. "Estávamos perdendo muitos talentos para o exterior", explicou o presidente da Capes, a necessidade de se rever o antigo edital.

As áreas temáticas da Cultura prioritárias para o desenvolvimento das pesquisas são: Cultura, Arte e Novas Tecnologias; Cultura, Manifestações Artísticas e Conhecimentos Tradicionais; Cultura, Memória e Patrimônio; Cultura Populações e Territórios; Cultura, Cidadania e Inclusão Social; Cultura, Estado, Legislação da área de Cultura e Políticas Públicas; Cultura, Economia e Desenvolvimento; e Cultura, Globalização e Diversidade.

A preferência para a seleção dos bolsistas, conforme o edital, será dado a projetos que promovam o diálogo e a interação das pesquisas com os conhecimentos da cultura tradicional do país; promovam a articulação das universidades com empresas; realizem a apresentação de conteúdos em formatos audiovisual e/ou digital; façam a divulgação dos resultados em seminários, oficinas e eventos culturais, entre outros aspectos.(

Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Cultura)

Visite o site: http://www.cultura.gov.br/site/

LANÇAMENTO DO CINEMINA RE-VISÃO

Recebido por email. Para ampliar clique na imagem.


FUNDO BRASIL DE DIREITOS HUMANOS E ESTIMATIVA APRESENTAM: Re-Visão.

O Fundo Brasil de Direitos Humanos e a organização Estimativa uniram-se para lançar a série Re-Visão produzida pelo Cinemina. Um projeto audiovisual formado por mulheres, sobretudo na direção, com o propósito de descortinar sonhos, lutas e reflexões através do ponto de vista feminino. A série, elaborada pela roteirista Jana Guinond - atriz do filme "Última Parada 174" do diretor Bruno Barreto - traz quatro vídeos, cada um com aproximadamente cinco minutos. Os vídeos abordam quatro situações diferentes costuradas pelo mesmo tema: Racismo Institucional.

Re-Visão é uma série de Quatro episódios: Escola, Agência de Empregos, Creche e Agência de Publicidade, divididos em dois momentos, que retratam acontecimentos do dia-a-dia, onde o racismo institucional se apresenta de forma sutil, porém percebida pela lente da Re-Visão que apresenta no segundo momento as mesmas situações cotidianas, ilustrando as possibilidades de ações sem a presença do ato discriminatório.

A exibição de lançamento será no dia 06 de dezembro, às 14h, no SESC Madureira - Rua Ewbanck da Câmera, 90, Madureira – com a presença das diretoras dos videos. Em seguida, acontece um debate. Também neste dia acontece a festa de comemoração de dois anos do projeto "Trançando Idéias" – voltado para o aprendizado de tranças e história da África – com distribuição de senha para o sorteio de confecção gratuita de tranças.


Dia 06 de Dezembro de 2008
Programação:

10:00h–13:00h – Corte de cabelo, maquiagem e aferição de pressão arterial
13:00h-14:00h – Intervalo (Inscrição para o sorteio de confecção de tranças)
14:00h-14:45h – Lançamento do Projeto Cinemina

Agência de Empregos – Direção: Giselle Moraes
Escola – Direção: Nina Silva
Agência de Publicidade: Direção: Janaína Oliveira – Re-fém
Creche_ Direção: Neide Diniz

14:45h-15:15h – Homenagem à Maria Catarina de Paula – Pres do Conselho Instituto Palmares de Direitos Humanos(IPDH)
15:15h-17:00h – Debate Racismo Institucional ( Sorteio de Tranças)
17:00h-18:00h – Comemoração do Aniversário do projeto Trançando Idéias

Mesa Debate:
Mediadora – Angélica Basthi, jornalista, escritora e mestre em comunicação.
Convidados(as) :
Nina Silva, Administradora e coordenadora da ONG Estimativa;
Conceição Evaristo, Escritora e doutoranda em literatura comparada da UFF;
André Chevitarese, Professor Adjunto, Doutor da UFRJ;
Rogerio Jose de Souza, Historiador, assistente de pesquisa no Laboratório de Historia Antiga IFCS/UFRJ.

* o sorteio de confecção de tranças será realizado durante o debate.

Sesc Madureira - Rua Ewbanck da Câmera, 90, Madureira - RJ
Entrada gratuita
Classificação livre

Outros Lançamentos dos Vídeos:
10/12 – SESC - São Gonçalo
10/12 - COJIRA – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial - RJ
11/12 – Teatro Eva Herz – São Paulo
13/12 – Don@s da Arte – Morro Agudo – Nova Iguaçu

Realização: Estimativa / Sesc Rio/ SENAC
Parceiros: Fundo Brasil de Direitos Humanos / SENAC RIO / Na Mira Produções / Coisa Nossa Comunicação e Produção / Caras do Brasil Produções / Preta Produções / Don@s da Arte.

Contatos: Tel.: 21 2567-0011 / 8561-3138
Email.:
estimativa@estimati va.org.br
Site: www.estimativa. org.br

O GLOBO - SENADO DEVE REJEITAR RENDA EM LEI DE COTAS

Esta notícia já tinha sido postado em forma de texto, mas em tempo postamos em forma de imagem do jornal O Globo do dia 24 de novembro.
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SEMIÁRIO A MULHER E A MÍDIA

Recebido por email.


Seminário NacionalA Mulher e a Mídia 5Rio de Janeiro, 1º e 2 de novembro de 2008
Hotel Novo Mundo - Praia do Flamengo, 20
Mídia e Gênero nas Eleições
A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), o Instituto Patrícia Galvão e o Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) irão realizar o Seminário A Mulher e a Mídia 5, no Rio de Janeiro, nos dias 1º e 2 de novembro de 2008.
Em seu quinto ano de existência, o Seminário A Mulher e a Mídia tem contribuído para mudar – para melhor – o enfoque do debate que envolve as mulheres e sua imagem e participação na mídia. A discussão sobre o tratamento que a mídia dá usualmente às mulheres em espaços de poder e decisão, em especial no âmbito da política formal, tem sido freqüente em nossos encontros.
Assim, como 2008 é ano de eleições municipais, A Mulher e a Mídia 5 centrará seus debates sobre o enfoque dado à questão de gênero nas eleições, seja do ponto de vista das candidatas mulheres, seja do ponto de vista de candidatos e candidatas que incorporam em suas plataformas a temática de gênero.
Para dar mais atualidade e objetividade ao tema, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) contratou um serviço especial de clipping que está fazendo, ao longo da campanha eleitoral, o acompanhamento das matérias e da abordagem que a mídia dispensa às mulheres candidatas e aos temas relativos à mulher. O resultado deste monitoramento será apresentado no encontro e subsidiará nossas discussões.
A Mulher e a Mídia 5 abordará dois eixos do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM): a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão (eixo 5); e cultura, comunicação e mídia igualitária, democrática e não-discriminatória (eixo 8).
Programação
1º de novembro (sábado)
Nilcéa Freire, ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Júnia Puglia, vice-diretora regional do Unifem Brasil para o Cone Sul
Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia GalvãoCoordenação: Lourdinha Antonioli, assessora da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Érico Firmo - Editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do jornal O Povo (Fortaleza/CE);
José Eustáquio Diniz Alves - Vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e coordenador de pós-graduação da ENCE/IBGE
Tereza Cruvinel - Jornalista e presidenta da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC)
Sandra Aliaga Bruch - Comunicadora social e jornalista de La Paz, Bolívia
Coordenadora: Luiza Bairros – Secretária de Igualdade do Estado da Bahia
12h30 às 14h – Almoço
14h – Reunião dos Grupos de Trabalho
Questões de estímulo – Mesa 1 Como foi a relação mídia e gênero, em sua localidade, no processo eleitoral de 2008?Que plataformas de políticas públicas relativas a gênero foram bem sucedidas nas campanhas?Que políticas públicas podem provocar mudanças favoráveis na questão?O que pode ser construído para vencer obstáculos colocados por partidos, mídia e sociedade nas eleições de 2010?
15h30 – Coffee Break
16h – Reunião geral - síntese dos Grupos de TrabalhoApresentação de sínteses das discussões pelas relatoras dos grupos
Coordenadora: Márcia de Cássia Gomes – Coordenadora dos Direitos da Mulher (CONDIM) de Belo Horizonte/MG
Comentários: Vanda Menezes – Psicóloga, perita criminal e integrante da Rede Mulher e Democracia (Maceió/AL)
2 de novembro (domingo)

9h –
Mesa 2 – Campanha Mais Mulheres no Poder – desafios e perspectivas
Sonia Malheiros Miguel - Historiadora e subsecretária de Articulação Institucional da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Fátima Pacheco Jordão - Especialista em opinião pública e diretora do CulturaData, da TV Cultura/SP. Integra o conselho editorial do jornal O Estado de S.Paulo, do qual é colunista.
Dora Pires - Integrante do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos
Coordenador: Edson Cardoso – Mestre em Comunicação Social pela UnB e editor do jornal Irohín
Elis Monteiro – Repórter do caderno de informática do jornal O Glob
oAlessandra Aldé - Cientista política e professora de Comunicação da UERJ
Sérgio Amadeu - Professor de comunicação da Faculdade Cásper Líbero de São Paulo
Carmen Silvia Rial - Professora do Departamento de Antropologia da UFSC
Carla Rodrigues – JornalistaCoordenadora: Vera Daisy Barcellos – Jornalista da Rede Feminista de Saúde
13h às 14h – Almoço
14h – Reunião dos Grupos de TrabalhoQuestões de estímulo – Mesas 2 e 3
Qual o impacto da mídia digital na formação de opinião das pessoas, em especial nos processos eleitorais?
Como otimizar o uso para em prol de nossas pautas? Campanha “Mais Mulheres no Poder” – continuidade e ampliação
15h30 – Coffee Break
16h – Reunião geral – sínteses dos Grupos de Trabalho
Apresentação da síntese das discussões pelas relatoras Comentários: Rachel Moreno – Psicóloga e pesquisadora do Observatório da Mulher
Coordenadora: Amália Fischer – Coordenadora executiva do Fundo Ângela Borba
17h – Encerramento

Acesse as matérias sobre o evento:
3 – Mídia Digital, Gênero e Processo Eleitoral
Mais informações:
amulhereamidia2008@uol.com.br

Instituto Patrícia Galvão: (11) 3266-5434
Secretaria Especial de Políticas para Mulheres: (61) 2104-9377

SEMINÁRIO: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Para ampliar clique na imagem.

ENTREVISTA COM RUTH DE SOUZA

Retirado do site do Globo.com.




Happy Hour
Quinta-feira, 20/11/2008
A atriz conta sua trajetória e fala da importância que dá a cada trabalho que faz

INDENTIFICAÇÃO COM NEGROS BEM-SUCEDIDOS É FUNDAMENTAL

Antes tarde do que nunca. Retirado do site do Globo.com.



Happy Hour
Quinta-feira, 20/11/2008
Diferentes convidados falam como construíram o orgulho de serem negros

EVENTO 100 ANOS DE UMBANDA

Para ampliar clique na imagem.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

PESQUISA "NEGROS NO SENADO"

Infográfico retirado do site da Agência Brasil.

APESAR DO MOMENTO DE AUTO-VALORIZAÇÃO, NEGROS ENFRENTAM CENÁRIO DE DIFICULDADE

Retirado do site Agência Brasil.

Apesar do momento de auto-valorização, negros enfrentam cenário de dificuldades, aponta Ipea
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Apesar do aumento no número de brasileiros que se reconhecem como negros, o cenário para a população de pretos e pardos no país ainda é de dificuldade.
A avaliação é do pesquisador Mário Theodoro, diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e um dos autores da publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 anos após a Abolição, lançada hoje (20) pelo instituto.
“O que o estudo aponta é uma maior quantidade de pessoas que antes se declaravam como não-negras, ou seja, nem pretas nem pardas, e que começam a se declarar agora como tal. Isso acontece em função de um reconhecimento ou de uma valorização maior da cor negra".
De acordo com o pesquisador, o aumento do auto-reconhecimento entre a população brasileira se deve, entre outras coisas, ao papel do movimento negro no país. “Foi um trabalho de resgate e de valorização da questão racial que fez com que a população começasse a se reconhecer como negra, um grande salto nesses últimos anos”, diz.
Ele destaca, no entanto, que as condições de vida da população negra se apresentam de forma muito mais precária do que as vivenciadas pelos brancos. Uma das estratégias para mudar esse panorama, segundo Theodoro, deve ser a implementação de políticas específicas que caminhem junto às políticas universais.
“Além do combate à pobreza, você precisa de políticas de valorização e de ação afirmativa, para que essa diferença diminua de forma expressiva”, avalia.
Theodoro lembra que o Estatuto da Igualdade Racial, ainda em tramitação no Congresso Nacional, abrange uma série de políticas específicas e que valorizam a população negra, desde a necessidade de se aumentar o contingente de pretos e pardos nas novelas até manter uma certa paridade em alguns setores que normalmente empregam mais brancos, como shopping centers e hotéis.
Na publicação os técnicos do Ipea sugerem que se adote políticas específicas para a questão racial para não fazer confusão entre questão racial e pobreza.
"São duas coisas diferentes: a pobreza acaba com distribuição de renda, proteção social e crescimento enquanto a questão racial se enfrenta com políticas de ação afirmativa, valorizativas e que, de alguma maneira, enfrentem o racismo, o preconceito e a desigualdade racial. Isso ainda está por vir. As políticas, hoje, ainda são muito pontuais e elas têm que ser aprimoradas e aumentadas", argumenta Theodoro

ARTIGO "NEGROS CONTANDO SUA HISTÓRIA"

Esse artigo também tem haver com a Imprensa Negra, mas dos anos de 1920.
Para baixar clique na imagem abaixo ou neste link alternativo .


Negros Contando (e Fazendo) sua História: Alguns Significados da Trajetória da Companhia Negra de Revistas (1926)
Tiago de Melo Gomes


Resumo
No segundo semestre de 1926 formou-se a Companhia Negra de Revistas, reunindo músicos e artistas de renome no Rio de Janeiro e em São Paulo. A trajetória da companhia surge como sendo de grande utilidade para os historiadores interessados na consolidação de uma auto-imagem do Brasil que privilegia os aspectos “mestiços” da nação. Primeiramente, a trajetória da companhia mostra a participação de negros como agentes de sua presença como símbolos nacionais, pois as peças da companhia valorizavam a cultura negra como cultura nacional, operação que tem sido apontada como atividade meramente de intelectuais brancos. Além disto, mostra ainda o lado transnacional desta valorização da cultura negra ocorrida nos anos 1920. Isto se dá quando se tem em
mente que no mesmo período a(s) cultura(s) negra(s) fazia(m) grande sucesso em Paris, e negros norte-americanos se exibiam por todo o período para o público brasileiro como membros de companhias de teatro
francês. A CompanhiaNegra de Revistas se mostra assim como um excelente ponto de partida para se repensar uma variedade de questões sobre etnicidade, nacionalidade, influências culturais transnacionais, participação
popular na formação de um “caráter nacional”, cidadania, entre outras.

Palavras-chave: identidade nacional, teatro de revista, massificação cultural, relações raciais, cidadania.

Referência : GOMES, Tiago de Melo. Estudos Afro-Asiáticos, Ano 23, nº 1, 2001, pp. 53-83

ARTIGO "MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO: ALGUNS APONTAMENTOS HISTÓRICOS

Atendendo a pedidos do Oubí Inaê, editor do blog tambores falantes, estamos postando a sugestão de um texto que analisa o movimento negro. Tem diversas passagens sobre a dita Imprensa Negra ao longo do século XX. Espero que ajude.
Para baixar o artigo clique na imagem abaixo ou neste link alternativo.


Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos
Autor Petrônio Domingues

Resumo
A finalidade deste artigo é fazer alguns apontamentos acerca de um tema subexplorado na historiografia brasileira: a trajetória do movimento negro organizado durante a República (1889-2000), com as etapas, os atores e suas propostas. A idéia central é demonstrar que, em todo o período republicano, esse movimento vem desenvolvendo diversas estratégias de luta pela inclusão social do negro e superação do racismo na sociedade brasileira.
Palavras-chave: População Negra – Anti-racismo – Movimento Negro


Referência : Domingues, Petrônio. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, 2007, vol.12, no.23, p.100-122.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

COMO AJUDAR VÍTIMAS DE SANTA CATARINA

Tragédias sociais são tragédias sem discussão, portanto esta postagem simples é para direcionar quem quer ajudar nas enchentes de Santa Catarina. Quem saber de outros contatos e formas de ajudar favor indicar, pois serão psotadas.
A solidariedade e a vontade de ajudar tem que superar as distâncias.

Retirado do yahoonoticias.

As chuvas de Santa Catarina

Veja como ajudar as vítimas de Santa Catarina
Oficialmente, já são mais de 97 mortos. Pelo menos 36 pessoas estão desaparecidas e as equipes de resgate trabalham incessantemente para retirar famílias de áreas de risco e remover as vítimas de lugares isolados pelas águas e pela lama. O Estado de Santa Catarina enfrenta um dos piores desastres climáticos de sua história. As chuvas castigam a região há mais de um mês mas se intensificaram na última semana. Mais de 60 municípios foram atingidos e, segundo a Defesa Civil estadual, há mais de 1,5 milhão de pessoas afetadas. Mais de 78 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas em todo o Estado. O número de mortos pode chegar a 110.
Parte da população está sem acesso a água e energia. E a Defesa Civil de Santa Catarina pediu a doação de água potável como prioridade, enquanto o governo federal disse ter entregue 286 toneladas de comida para os desabrigados.
Leia mais

Como ajudar?
A Defesa Civil de Santa Catarina divulgou o número de contas correntes para receber as doações de ajuda aos desabrigados. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas contas:

Banco do Brasil:Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc: Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco: Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1.
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.
Agência Estado - 1 hora, 43 minutos atrás
Turismo em SC estima perda de R$ 120 milhões
Agência Estado - 1 hora, 58 minutos atrás
Mortos chegam a 97 em SC; Lula libera verba
Agência Estado - Qua Nov 26, 02:24
Receita Federal envia mercadorias apreendidas para SC
Agência Estado - Qua Nov 26, 02:22
Temporão anuncia verba para atingidos por chuva em SC
Reuters - Qua Nov 26, 12:04
Mapa das regiões afetadas:

para ampliar clique na imagem

SEMINÁRIO IMAGENS E NARRATIVAS NA UERJ

Recebido por email. Para ampliar clique na imagem.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

QUEM SE IMPORTA MESMO COM O QUE PENSA A FOLHA?

Retirado do site do IROHIN.

OPINIÃO
24/11/2008
Edson Lopes Cardoso

edsoncardoso@irohin.org.br

A empresa “Folha de S. Paulo” defende a “adoção de políticas universais em prol de uma verdadeira igualdade de oportunidades”. Posiciona-se francamente contra “políticas de cotas” e “ações afirmativas”. Afasta terminantemente o que considera ”afirmações artificiais de ‘negritude’ e divisões identitárias radicais numa sociedade que cada vez mais se vê como mestiça”.

Essa tomada de posição franca não é nova, mas cresce de importância quando expressa em editorial de uma edição que contém resultado de ‘pesquisa’ feita pelo Instituto Datafolha sobre preconceito racial (editorial FSP, edição de 23.11.08, p. 2).
De saída, impressiona como uma afirmação ‘artificial’ de negritude pode provocar divisões identitárias ‘radicais’. Eu pensava que ‘artificial’, que se opõe a ‘natural’, qualificando afirmação (de negritude), fosse indicação pela “Folha” da simulação com que os movimentos negros buscam esconder a real natureza (mestiça) da população brasileira.
Mas se provoca, ou pode vir a provocar, divisões radicais, talvez valesse a pena a “Folha” rever o artificialismo com que julga essa afirmação identitária de negritude.
Talvez, em lugar de disfarçar a natureza verdadeira de nossa composição étnico-racial, seja uma expressão de sua composição real e histórica, contraditória e conflituosa. Em vez de ser mera fachada ideológica, manipulada por grupelhos desprezíveis, talvez seja um conceito suscetível de ir muito além das aparências e penetrar na realidade político-institucional, econômica, etc., desse país injusto.
Coerente com esse desprezo pela ‘negritude’, o Caderno especial da “Folha” sobre racismo mutila a ação organizada da militância e suprime a Marcha Zumbi dos Palmares de 1995. Na cronologia exibida na p. 10 do referido Caderno, destaca-se o discurso de posse de FHC, um relatório do governo FHC, e a instalação do GTI pelo governo em 1996. Para completar, dois antropólogos (somos ainda o objeto predileto da antropologia) tecem ligeiras considerações sobre ‘o movimento negro brasileiro’, alguns clichês com grandes possibilidades de ampliar a ignorância dos leitores sobre o tema.
Artificializada a negritude e desprovido de fala o ativismo negro, devemos entender o sumiço da Marcha de 1995 como uma intervenção editorial de caráter político, coerente com os princípios adotados pela empresa “Folha”, com o objetivo de negar instituições e sujeitos que poderiam pôr em xeque a validade de afirmações, cronologias e processos explicativos.
São aquelas bem denominadas “omissões convenientes”, que favorecem as idéias defendidas pela empresa. Há, sem dúvida, deliberada omissão dos esforços realizados pelos negros para a superação das desigualdades raciais. Diante disso, a questão que se impõe é: que autoridade tem mesmo a “Folha de S. Paulo” para fazer pesquisa sobre o tema?
Os editoriais da Folha e suas reportagens têm revelado um desprezo pelo negro e suas instituições que é difícil imaginar que as posições defendidas pela empresa não influenciem questionários, procedimentos, amostras, resultados. Francamente, eu estou me lixando para o que pensa o Datafolha sobre racismo.

LEI DE COTAS DEVE TRIPLICAR RESERVA DE VAGAS NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

Retirado do site dos Administradores.

24 de novembro de 2008
Folha Online

Um levantamento feito pela Folha com base no cruzamento das informações do Mapa das Ações Afirmativas, elaborado pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com o Censo da Educação Superior do MEC revela que, caso a lei de cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais, seja aprovada, o número total de vagas reservadas mais que triplicará, segundo reportagem de ANTÔNIO GOIS e FÁBIO TAKAHASHI, publicada no último sábado pela Folha de S. Paulo.
O projeto de lei --aprovado na última quinta-feira (20) pela Câmara-- determina que 50% das vagas nessas instituições de ensino sejam destinadas aos alunos que estudaram em escolas públicas no ensino médio.
Caso a lei passe a valer, o número de vagas reservadas nas universidades públicas federais deve subir das atuais 21 mil para 72 mil.
Conforme a reportagem releva, atualmente, apenas nove instituições federais de ensino superior, de um total de 105, já atenderiam ao critério de reservar 50% das vagas em seus vestibulares para estudantes oriundos do ensino médio ou negros, pardos e indígenas.
Um levantamento feito pela Folha em 2007 revela que em nove de 15 universidades analisadas, os lugares para cotistas não foram totalmente ocupados. Na ocasião, constatou-se que a procura não havia sido suficiente para atingir o número mínimo de vagas. Além disso, é preciso que o aluno atinja uma pontuação mínima necessária, variável de acordo com cada instituição.
O texto segue para nova votação no Senado, uma vez que sofreu modificações na Câmara. Os deputados incluíram a questão da renda de 1,5 salário mínimo, o que modificou o texto dos senadores.

ESTADÃO - CAMARÂ DÁ COTA DE 50% NAS FEDERAIS

Retirado do jornal Estado de São Paulo do dia 21/11/08.
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BRASILEIROS VÊEM COTA COMO ESSENCIAL E HUMILHANTE

Retirado do site da Folha on line.

23/11/2008
Brasileiros vêem cota como essencial e humilhante, revela Datafolha
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ANTÔNIO GOIS
da Folha de S. Paulo, no Rio

Polêmicas desde que começaram a ser implementadas, em 2002, no Brasil, as
cotas para negros nas universidades continuam dividindo opiniões. Se, por um lado, 51% da população se diz a favor da reserva de vagas para negros, por outro, 86% concordaram com a afirmação de que as cotas deveriam beneficiar pessoas pobres e de baixa renda, independentemente da cor.
As respostas seguem contraditórias quando 53% dos brasileiros concordam que cotas são humilhantes para negros, mas, ao mesmo tempo, 62% dizem que elas são fundamentais para ampliar o acesso de toda a população à educação. Também 62% dizem que elas podem gerar atos de racismo.

Leituras diversas

Como era esperado, o resultado da pesquisa do Datafolha gerou leituras diversas de críticos e de pessoas favoráveis ao sistema.
A antropóloga Yvonne Maggie, contrária à
reserva de vagas por cor ou raça, destaca a incoerência dos resultados do levantamento. Para ela, no entanto, é natural que, dependendo da forma como a pergunta é feita, a população concorde com a idéia de dar vantagens àqueles que se sentem mais discriminados.
"Quem vai negar vantagens aos que dizem ser mais discriminados? As pessoas, no entanto, acreditam no esforço pessoal e também são favoráveis ao mérito, até em percentual maior. Também acham que as cotas podem provocar racismo. Será que estão fazendo o cálculo de que é melhor racismo, contanto que as pessoas ganhem alguns privilégios?", questiona a antropóloga.

Aceitação

Renato Ferreira, do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e defensor do sistema, diz não ter dúvidas de que há uma aceitação à política de cotas.
"Os meios de comunicação, via de regra, se manifestam contrariamente. Se sai algo positivo, quase não comentam. Se é negativo, isso reverbera. Dentro desse contexto, acho significativo que a maioria da população hoje concorde com as cotas raciais", afirma.
Ferreira fez um levantamento que mostra que, no Brasil, já há 82 instituições públicas adotando algum critério de ação afirmativa no acesso ao vestibular, seja ele de cotas ou de bonificação extra para alunos por sua cor, renda ou tipo de escola cursada no ensino médio.
As ações afirmativas em exames de ingresso, no entanto, estão sendo contestadas numa ação que ainda não foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Até agora, essas universidades têm conseguido manter nas instâncias inferiores da Justiça seus sistemas.
O STF, porém, ainda não julgou uma ação movida pela Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) contra o ProUni, programa do governo federal que adota ações afirmativas na distribuição de bolsas para estudo em instituições privadas. Caso declare inconstitucional esse critério, a decisão afetará as instituições públicas.
"A Constituição determina que ninguém terá tratamento desigual perante a lei e que o acesso ao ensino superior se dá por mérito. Na reserva de vagas, há uma discriminação ao contrário, e entendemos que isso é ilegal", diz Roberto Dornas, presidente da Confenen.

Qualidade

Enquanto não há decisão definitiva, as universidades que divulgaram resultados sobre o desempenho acadêmico dos cotistas têm defendido que isso não afetou a qualidade.
Ricardo Vieralves, reitor da Uerj, uma das pioneiras, diz que houve necessidade de criar aulas de reforço, mas que os alunos que se formam saem com a mesma qualidade. Ele afirma também que não foram registrados casos de racismo.
Adriana Pastor, 23, que entrou no curso de odontologia da Uerj graças às cotas, diz não ter percebido diferenças no desempenho entre cotistas e os demais. "Acho que fui uma das melhores alunas de minha turma e não percebi nenhum tipo de preconceito entre meus colegas. Para mim, a maior dificuldade do curso foi que o material era muito caro", diz.

DIMINUEM MANIFESTAÇÕES DE PRECONCEITO E RACISMO "ASSUMIDO" ENTRE BRASILEIROS

Retirado do site do Folha on line.

23/11/2008
ANTÔNIO GOISda Folha de S. Paulo, no Rio

Seja por mero pudor ou realmente por uma questão de consciência, os brasileiros, hoje, se mostram menos preconceituosos do que há 13 anos. Ao repetir neste ano perguntas feitas em 1995, o Datafolha identificou que caiu significativamente o grau de concordância da população com frases como "negro bom é negro de alma branca" ou "se Deus fez raças diferentes, é para que elas não se misturem".
O que não mudou de lá para cá foi a constatação, aparentemente contraditória, de que o brasileiro reconhece o preconceito no outro, mas não em si mesmo. Ou, como já definiu a historiadora da USP Lilia Moritz Schwarcz, "todo brasileiro se sente como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados".
Para 91% dos entrevistados, os brancos têm preconceito de cor em relação aos negros. No entanto, quando a pergunta é pessoal, só 3% (excluindo aqui os autodeclarados pretos) admitiram ter preconceito.
Foi igualmente alto (63%) o percentual de entrevistados que afirmaram que negros têm
preconceito em relação a brancos, mas somente 7% (excluindo os brancos) dizem ter, eles mesmos, algum preconceito.
Também caiu (de 22% para 16%) a proporção de brasileiros que se sentiram discriminados por sua cor. Esse percentual, no entanto, chega a 41% entre autodeclarados pretos.
Para Schwarcz, o que mudou de 1995 para 2008 foi a popularização do discurso politicamente correto. Ela, no entanto, demonstra algum ceticismo com relação ao menor percentual de concordância com afirmações preconceituosas.
"As coisas mudaram, mas nem tanto. As pessoas reagem mais às frases preconceituosas, como se já estivessem vacinadas. É positivo ver que há maior consciência, mas é preocupante constatar que a ambivalência se mantém. Parece que os brasileiros jogam cada vez mais o preconceito para o outro. 'Eles são, mas eu não'."
Também historiador, Manolo Florentino, da UFRJ, tem opinião semelhante. "O que cresceu foi sobretudo o pudor. Para tanto deve ter colaborado, em alguma medida, a disseminação da praga politicamente correta. Se for este o caso, estaremos mais uma vez frente à constatação de que nosso racismo é envergonhado, que, afora casos patológicos, o brasileiro só expressa seu preconceito racial através de carta anônima."

Constrangimento

O sociólogo Marcos Chor Maio, da Fiocruz, faz leitura mais otimista. O fato de os brasileiros só admitirem preconceito nos outros -o que pode ser visto como hipocrisia-, para ele, é um valor: "As pessoas têm vergonha de parecerem racistas, cria-se um constrangimento enorme. Isso é ótimo".
Fulvia Rosemberg, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e coordenadora do programa de bolsas da Fundação Ford, vê na ampliação do debate sobre a questão racial, provocado principalmente pela discussão das cotas em universidades, uma das causas para a queda do preconceito.
"Isso não acirrou a oposição branco/negro e parece ter desenvolvido maior consciência e atenção às relações raciais."
A socióloga Fernanda Carvalho, do Ibase e uma das coordenadoras do movimento Diálogos Contra o Racismo, concorda: "Não deixamos de ser um país com forte racismo, mas evoluímos. Não se discutia tanto a questão do negro. Hoje, as pessoas estão compreendendo melhor o tema e têm mais consciência de que o preconceito é um valor negativo".Yvonne Maggie, antropóloga da UFRJ, tem opinião diferente sobre o racismo no país.
"Os pretos se sentem mais discriminados, mas são eles também os que mais acreditam no esforço pessoal. Somos uma sociedade que tem optado por não marcar o sentimento da vida a partir da raça", diz ela, citando o dado de que 71% dos pretos concordam que, se um pobre trabalhar duro, melhorará de vida. Entre brancos, o percentual é de 67%.
Maggie diz também que o aumento da escolaridade nos últimos anos deve ter contribuído para a queda no preconceito. "Pode até ser que o debate sobre raça tenha influenciado, mas não é possível concluir isso com base na pesquisa. O que temos de concreto nesses últimos anos foi que houve uma melhoria radical do sistema educacional no Brasil", diz a antropóloga.
Segundo o Datafolha, quanto maior a escolaridade, menor a manifestação de preconceito. Entre a população com nível superior, apenas 5% concordam que negros só sabem fazer bem música e esporte. Entre os que não passaram do fundamental, a proporção é de 31%.
A idade do entrevistado também influencia. Entre os que têm 41 anos ou mais, 27% concordam com a frase sobre negros na música e esporte. Entre os mais jovens (16 a 25), a proporção cai pela metade: 13%.