terça-feira, 30 de setembro de 2008

ÓDIO RELIGIOSO QUASE TERMINA EM MORTE


Retirado do site do Correio Nagô.

29/09/2008
Seis pessoas feridas foram parar em hospital depois de sofrer agressão

Um dia depois do manifesto contra a intolerância e em favor da liberdade religiosa realizado na cidade de Salvador, no dia 19 de setembro, pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) e diversas organizações e pessoas do Movimento Negro, candomblecistas foram agredidos, covardemente ,após terem participado de um culto realizado no Ilê Axé Torrundê Ajagun, do Baba Darí Giberewá, localizado em Paripe.
No caminho de acesso ao ponto de ônibus se depararam com mais ou menos 30 indivíduos que estavam alocados em um bar. Após perceberem a passagem dos religiosos iniciaram a agressão com frases contendo palavras de baixo calão do tipo “ai só têm corno e viado. Vai rebanho de macumbeiros, filhos do diabo”. Não satisfeitos com as agressões verbais partiram para as agressões físicas, “as pessoas saíram das casas para se juntar com os primeiros agressores e vinham bater na gente, relata indignado o jovem Jeanderson Dias, 22 anos, que fraturou o nariz levou pauladas nas costas e pedradas no abdomem.
Agredidos com pauladas, pedradas, socos e ponta-pés, o grupo religioso composto por jovens, crianças, idoso e gestante quase foi linchado. O ato só não foi concretizado por que houve uma reação mínima de defesa e no intuito de defender suas vidas o grupo se dispersou e partiu em fuga.
Em meio a chuva de pedras Nivia relata que no momento só pensou em proteger o seu filho Oliver, de um mês e quinze dias. “Uma pedra quase atingia a cabeça do meu filho. Levantei o braço e ela pegou no meu cotovelo”, disse Nivia.

Violência sem limites
Cenas covardes como homens agredindo mulheres e crianças, desumanas como as agressões sem justificativa moral. No entanto a utilização da violência, nesse contexto, transparecia como a forma mais avançada., diretamente, da sistemática “faxina étnica” enraizada no meio social e, consequentemente, praticada por indivíduos desse contexto.
O exemplo dessa violência no ato foi o desmaio do Babalorixá Reginaldo de Oxaguiã, ocasionado por um soco. No intuito de proteger o seu Pai de Santo, uma filha de santo que por sinal estava grávida atira-se sobre o corpo desfalecido de Reginaldo o que não fez cessar as agressões, dando continuidade chutaram, deram cacetadas e ainda depois de saber que a jovem estava grávida disseram “ela vai perder o filho agora”.

A influência
O quadro mostra que a realidade a qual se encontram os templos religiosos de matriz africana não é o esperado pelo que representa os ojás que simbolizaram a paz e a harmonia na ação contra a intolerância e a favor da liberdade religiosa, mas sim, o que aconteceu na noite do dia 20 de setembro em Paripe. E que os atos de genocídio do povo negro e as ações sistemáticas de ódio religioso protagonizadas pela mídia, e pelas igrejas neo-petencostais de intolerância religiosa, acabam influenciando nas ações de pessoas comuns.

Reação
A primeira atitude tomada foi o registro de uma queixa contra os agressores na 5º DP, em Periperi, onde o crime foi tipificado como lesão corporal causada por motivos de intolerância religiosa. Em seguida foram encaminhados para a realização de exame de corpo delito no IML. Além disso organizaram para o próximo Sábado (27/09/2008), as 13 hs, no local onde ocorreu as agressões, um ato contra a intolerância religiosa. Que Contará com a participação de diversas pessoas, organizações do movimento negro, terreiros de candomblé e grupos culturais.

Reflexão
Os CAMDOBLECISTA, atualmente não devem possuir características pacificas, pois a realidade não nos permite, mas sim ações de impacto político e econômico que tenham como intuito quebrar preconceitos e afirmar, em seu povo, essa aceitação que, majoritariamente é posta aos cantos ou na afirmação do “EU SOU CATÓLICO” ou “EU NÃO TENHO RELIGIÃO” dentre outras.
Infelizmente só realizamos ações como esta ou nas ruas quando acontece um ato trágico como este. Não devemos esperar da Fenacab ou da Federação baiana de culto afro brasileiro uma postura real de politização dos templos religiosos de matriz africana, e já não esperamos, pois na verdade só sabem criar normas e autorizar o funcionamento de outros terreiros. E em meio a isso tudo as igrejas neo pentencostais estruturam impérios e disseminam o ódio religioso em todo o mundo.
Portanto vamos REAGIR utilizando TODOS os meios necessários. Ou seja, se o embate for a única solução então iremos utilizá-lo. Tendo como exemplo Oxaguiã que sobressai na GUERRA para alcançar a PAZ.

Eduardo Machado
Filho de Dofono de Oxaguiã do Ilê Axé Torrundê AjagunI
ntegrante do Resistência Comunitária
Fórum Baiano de Juventude Negra
du_xresistencia@hotmail.com
Estudante de Jornalismo
Fonte: Você Repórter - Eduardo Machado

GOVERNO DESTACARÁ ESTUDOS DO BOLSA FAMÍLIA

Retirado do site do PNUD.

Brasília, 29/09/2008
Ministério do Desenvolvimento Social cria prêmio e mostra para pesquisas científicas sobre principal programa de renda brasileiro-->
OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina

O governo federal está incentivando a produção de estudos sobre o Bolsa Família, maior programa brasileiro de transferência condicionada de renda. Um prêmio e uma mostra preparados pelo Ministério do Desenvolvimento Social vão destacar trabalhos desse tipo, com o objetivo de organizar o conhecimento acadêmico sobre o programa e obter informações para aprimorá-lo.
Os interessados poderão inscrever suas pesquisas em duas modalidades:
1º Prêmio Nacional de Estudos sobre o Programa Bolsa Família e 1ª Mostra Nacional de Estudos. O primeiro vai selecionar trabalhos inéditos, com entre dez e 20 páginas; na mostra podem concorrer artigos já publicados, que tenham no mínimo dez páginas. Um mesmo trabalho não poderá se inscrever nas duas modalidades.
Os três mais bem colocados no prêmio vão integrar missões internacionais para conhecer o funcionamento de programas de transferência de renda no Chile, na Colômbia ou no México. Na mostra não há premiação, mas pelo menos um dos autores de cada artigo escolhido será convidado a apresentar seu estudo em evento público, em Brasília.
"Temos sido bastante procurados por pesquisadores internacionais e brasileiros em busca de informações sobre o Bolsa Família. O sentido do prêmio e da mostra é fazer o mapeamento dos estudos que estão sendo produzidos sobre o programa", afirma a diretora de Gestão de Programas de Transferência de Renda do ministério, Camile Mesquita. "Nosso objetivo é sistematizá-los, divulgá-los e, sobretudo, conhecer o que está sendo produzido. Eventualmente, eles podem dar alguma contribuição para a melhoria do Bolsa Família", acrescenta.
As inscrições devem ser feitas por e-mail e endereçadas a
estudospbf@mds.gov.br. O candidato deve anexar uma cópia do estudo e colocar, no corpo da mensagem, informações gerais sobre o trabalho.
Os estudos serão submetidos a um júri formado por especialistas em políticas sociais, professores de universidades, pesquisadores do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre outros profissionais que detenham algum conhecimento sobre o Bolsa Família ou que realizem estudos nesse campo. Os jurados atribuirão notas aos projetos, mas, no caso do prêmio, não terão acesso ao nome dos autores durante a avaliação.
Gestores locais
O evento de divulgação dos resultados está programado para ocorrer em 24 e 25 de novembro, em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, também será entregue o
Prêmio Práticas Inovadoras na Gestão do Programa Bolsa Família, voltado a gestores municipais e estaduais. Quase 700 práticas se inscreveram para este prêmio, que visa apresentar as principais soluções para execução do Bolsa Família nos Estados e nos municípios. "Esse encontro criará a oportunidade que a produção cientifica conheça o que os gestores estão fazendo na ponta", aponta Camile.

Conheça o projeto
Saiba mais sobre o
Projeto de Apoio ao Programa Bolsa Família, do PNUD.
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SALVADOR CRIA SELO RACIAL PARA EMPRESAS

Retirado do site do PNUD.

Salvador, 24/09/2008
Prefeitura lança certificado para organizações que se mostrem comprometidas com o combate ao racismo no ambiente de trabalho-->
OSMAR SOARES DE CAMPOS

da PrimaPagina

Em uma iniciativa inédita entre municípios brasileiros, a prefeitura de Salvador vai conceder um certificado às empresas e às organizações públicas ou de terceiro setor que adotam ou se comprometem a adotar ações para combater o racismo no ambiente de trabalho. Cerca de 40 instituições dos setores de hotelaria, comunicação, educação, farmácia e restaurantes devem receber o Selo de Valorização da Diversidade Étnico-Racial, em solenidade na capital baiana, marcada para as 19h desta sexta-feira.
Para obter o certificado, que tem validade de um ano, as instituições precisam apresentar um plano de trabalho em que informem o número de funcionários negros e estabeleçam metas para elevar esse número durante o período em que usarão o selo (
leia o edital). Esses projetos serão analisados e julgados pelo Comitê Gestor do Selo, composto por 21 organizações — incluindo governos, empresas e sociedade civil, como OAB-BA (Ordem dos Advogados do Brasil), Ministério Público Estadual da Bahia, Universidade Estadual da Bahia, Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Bahia, o Conselho das Comunidades Negras, a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial e o PNUD.
Na prática, as corporações que obtiverem o selo assumem o compromisso de desenvolver medidas de combate à discriminação racial, elaborar um censo étnico-racial em seu quadro de funcionários e criar propostas de alteração da sub-representação de negros em seus níveis hierárquicos, quando houver. "O que queremos é que essas empresas e organismos se comprometam com a promessa de promover a diversidade racial em seus quadros; e a cumpram", afirma a advogada Maria Alice Silva, subsecretária da SEMUR (Secretaria Municipal da Reparação), que lidera a iniciativa.
Esse compromisso será avaliado pelo comitê gestor, que vai acompanhar, ao longo de 2009, a implementação do plano de trabalho das empresas. As organizações que cumprirem suas metas poderão manter a certificação. "Além desse papel de monitorar e orientar as empresas, o comitê também participará de oficinas e seminários cujo objetivo é dar formação a essas empresas. Nós vamos oferecer capacitação para que elas apliquem essa política em suas organizações", diz Maria Alice. As empresas que aderirem ao projeto poderão usar o selo em peças publicitárias, embalagens de produtos e materiais promocionais.
O projeto tentar superar a discriminação racial num município que tem ampla maioria de negros — 75,2% de população era formada por pretos ou pardos, segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2000. "Obter esse selo é um grande diferencial em uma cidade eminentemente negra. As empresas que mostrarem para essa população que estão promovendo políticas com esse cunho certamente terão benefícios, inclusive comerciais", avalia Maria Alice.
"Para a Bahia, cuja maioria da população é negra, é de extrema importância que existam políticas públicas inovadoras, como essa do selo. Trata-se de uma iniciativa única de caráter municipal, mas que pode ser replicada em outras cidades e em outros Estados do Brasil", afirma a gerente do escritório do PNUD na Bahia, Maria Teresa Fontes.
O Selo da Diversidade foi criado em novembro de 2007 pelo Decreto Municipal n° 17.918, que estabelece que o selo será conferido a empresas, associações civis e entidades públicas ou privadas que promovam a diversidade étnico-racial em suas políticas de recursos humanos e programas de responsabilidade social corporativa. A certificação é um projeto em parceria com o Instituto Brasileiro da Diversidade, a Associação Brasileira de Recursos Humanos e o Instituto de Responsabilidade e Investimento Social.


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PNUD PEDE AJUDA PARA ESCOLHER TEMA PARA NOVO RELATÓRIO

Retirado do site do PNUD.

Brasília, 26/09/2008
Ajude a ONU a escolher o tema do próximo relatório sobre desenvolvimento no Brasil
Processo de consulta sobre o assunto a ser abordado pelo PNUD envolve sondagens on-line, audiências e contato com especialistas-->
da PrimaPagina


Responda à enquete
Quais são os maiores desafios do Brasil?
Consulta aos pesquisadores
Professores e pesquisadores de pós-graduação podem participar por meio da
Consulta acadêmica


O PNUD vai fazer audiências públicas, parcerias com empresas e instituições sociais, consultas com professores de pós-graduação, jornalistas, órgãos públicos e internautas para definir o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano sobre o Brasil, a ser publicado no ano que vem.
O site do PNUD criou uma
página específica para a participação dos internautas. Basta responder a duas perguntas (“Na sua opinião, qual será o principal problema do Brasil daqui a dez anos”? e "Qual deve ser o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano? Por quê?") e clicar em "enviar respostas". O resultado da enquete será divulgado em 30 de novembro. Também na internet, uma consulta semelhante será feita no Portal do Voluntário, que reúne uma rede de 53 mil pessoas.
"Os
relatórios de desenvolvimento humano do PNUD sempre tiveram a preocupação de não se restringir à informação acadêmica, de atingir um público maior. Agora, estamos partindo do próprio público", resume o coordenador do relatório brasileiro, Flavio Comim.
O PNUD já fechou acordo com a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) para que as pastorais — que reúnem cerca de 300 mil pessoas — participem da escolha. A partir de uma parceria com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o PNUD entrou em contato com 4 mil professores de pós-graduação, a fim de que também ajudem a definir o tema do relatório (veja quadro ao lado).
Já foram contatados jornalistas e outras agências da ONU, e serão consultados representantes de órgãos públicos. O PNUD também negocia com o setor privado a possibilidade de expandir a consulta por meio de outros canais.
As audiências públicas ocorrerão em um município de cada região brasileira. Já foi estabelecido que na região Sul o encontro será em Porto Alegre, na região Sudeste, em São Paulo, e na Centro-Oeste, em Brasília. Os locais do Nordeste e do Norte ainda não foram escolhidos.
Para que o processo não se restrinja a metrópoles, o PNUD fará audiências nos dez municípios brasileiros de menor
IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros): Manari, em Pernambuco; Jordão, no Acre; Guaribas e Caraúbas do Piauí, no Piauí; Traipu, em Alagoas; Ipixuna, no Amazonas; e Araioses, Santana do Maranhão, Lagoa Grande do Maranhão e Centro do Guilherme, no Maranhão. “O relatório vai dar ênfase à construção de relações da ONU com a sociedade civil organizada e não-organizada”, diz Comim. O resultado deve ser divulgado no fim de novembro.
O diálogo com um público mais amplo vai ocorrer não só no processo de consulta, mas também no de divulgação, afirma o coordenador do relatório. “As parcerias também prevêem que o resultado do relatório chegue às pessoas.”
A publicação será composta de três cadernos, com entre 30 e 50 páginas — um de diagnóstico, a ser divulgado entre março e abril, um com soluções, a ser divulgado no final de agosto, e um com indicadores, a ser lançado no fim de 2009, junto com o relatório propriamente dito. Todos esses produtos devem ser adaptados para cartilhas, com linguagem mais acessível e texto mais enxuto. O PNUD estuda ainda divulgar o conteúdo por vias alternativas, como teatros e jogos. "Não queremos que seja um relatório que ficará guardado na estante. Não queremos escrever só para os policy makers, queremos chegar a uma parcela maior da população", afirma Comim.
Esse será o terceiro Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro. O primeiro, publicado em 1996, foi pioneiro ao calcular o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para todas as unidades da Federação. O segundo, de 2005, destacou já no título os temas abordados:
Racismo, pobreza e violência.

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE COTAS EM CONCURSO NO ES

Retirado do site do TJES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo).

26/09/2008 -
TJES VAI REALIZAR AUDIÊNCIA PÚBLICA INÉDITA NA HISTÓRIA DOS TRIBUNAIS ESTADUAIS BRASILEIROS

ANDRÉA RESENDE E ANA CAROLINA MONTEIRO - da redação do TJES

Em uma decisão inédita, o desembargador Samuel Meira Brasil, marcou para o dia 22 de outubro a realização de uma audiência pública, que vai possibilitar aos desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo obter informações sobre cotas para afro-descendentes em concurso público. O desembargador Samuel é o relator de uma ação direta de inconstitucionalida de da lei municipal de Vitória, que prevê a reserva de 30% de vagas para afro-descendentes. A lei de nº 6.225, de 24 de novembro de 2004, aprovada pela Câmara Municipal de Vitória, foi vetada pelo prefeito e, posteriormente, os vereadores derrubaram o veto. O Ministério Público Estadual, então, protocolou no Tribunal de Justiça uma ação questionando a constitucionalidade da lei.
Nesta audiência, o Tribunal não vai julgar a controvérsia, este não é o momento de decidir se a lei é ou não constitucional, vamos apenas ouvir os argumentos das entidades e dos cidadãos capixabas que queiram se manifestar, de forma favorável ou contrária às cotas para afro-descendentes em concurso público, explicou o desembargador- relator.
Todas as partes interessadas poderão participar da audiência, basta fazer a inscrição até o dia 15 de outubro, no link que estará disponível na página do Tribunal de Justiça
www.tjes.jus. br a partir do dia 26 de setembro. Quem deixar para última hora corre o risco de não poder se manifestar, pois o relator vai analisar o número de inscritos, de que modo cada um pretende contribuir para essa discussão e ordenar as falas.
Este ano, o Supremo Tribunal Federal - STF realizou duas audiências públicas: uma sobre a autorização de aborto, em caso de gestação de anencéfalos, e outra sobre a liberação de células-tronco no uso de pesquisas. Foram as primeiras audiências públicas realizadas pelo STF e agora o TJES é o primeiro Tribunal do país a lançar mão dessa discussão democrática, diante da polêmica que envolve o assunto.
Essa é uma forma de democratizar o Poder Judiciário e de assegurar a aproximação do Tribunal de Justiça com a população, que é verdadeiramente quem irá sentir os efeitos da decisão judicial. Estamos, assim, diante de um Poder Judiciário que se preocupa, não apenas em atuar para o povo, mas também com o povo, afirmou desembargador Samuel.
Assim como o STF, o desembargador Samuel Meira Brasil Júnior vai utilizar o Regimento da Câmara dos Deputados para presidir os trabalhos da audiência pública. É importante ressaltar que não será permitido, em hipótese alguma, qualquer tipo de confronto entre os participantes ou manifestações dentro do Tribunal. Cada um terá, no máximo, 20 minutos para colocar e defender suas idéias e, após as exposições, os desembargadores podem fazer perguntas, enriquecendo a audiência. Caso o expositor desvie do assunto ou perturbe a audiência, ele poderá ser advertido ou atém mesmo convidado a se retirar pelo relator.
O desembargador Samuel também decidiu realizar uma audiência pública virtual. Será criado um outro link no site do Tribunal, que vai receber mensagens sobre a questão de reserva de vagas para afro-descendentes em concursos públicos. Essa audiência virtual ficará disponível na página enquanto o processo estiver tramitando e não serão permitidas expressões ofensivas ou inflamadas.
A decisão do desembargador Samuel saiu publicada no Diário da Justiça de 22 e 23 de setembro. A audiência pública está marcada para às 14 horas do dia 22 de outubro, no Salão do Tribunal Pleno, no Tribunal de Justiça, localizado na Enseada do Suá, em Vitória

O IMPENSÁVEL ACONTECEU

Retirado do site da Agência Carta Maior.

DEBATE ABERTO
O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição.

Boaventura de Sousa Santos


A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.
A medida não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).
O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social.
Foi com estas receitas que se “resolveram” as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar.
À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal.
Muito continuará como dantes: o espiríto individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão.
Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão “soberana” de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life.
Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel).
Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA.
Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção.
Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

VISITE O SITE "CLIPPING DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO"

Site muito bom para quem quer clipping específico com informações sobre o governo federal. O cadastro tem arquivos dos últimos 12 meses com matérias de todas as revistas e jornais mais lidos nacionalmente. Vale a pena dar uma conferida.
O link do site está sendo anexado na nossa lista governamental. Para ir para o site clique na imagem abaixo.

POLÍTICA SOCIAL REDUZ A POBREZA, MAS NÃO O RACISMO

Retirado do site Clippig do Ministério do Planejamento.

Valor Econômico – Editorial
Sexta-Feira, 26 de setembro de 2008


A Síntese dos Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada anteontem, mostra que, apesar das políticas afirmativas isoladas de universidades, que passaram a destinar uma cota de vagas a estudantes pretos e pardos, o país não é menos racista. Embora tenha aumentado o acesso ao curso superior para o grupo de brancos e também para o de negros (que, na terminologia técnica, é composto por pretos e pardos), entre 1997 e 2007, o hiato entre ambos em 1997 era de 7,4 pontos percentuais; no ano passado, aumentou para 9,4. Segundo o IBGE, no Brasil 9% dos jovens têm terceiro grau completo; 13,4% dos brancos cursaram a universidade e apenas 4% do grupo de pretos e pardos têm um curso superior. No grupo de jovens brancos com 21 anos, 24,4% fazem uma faculdade; na mesma faixa de idade dos negros, são apenas 8,4%.
Quando uma pessoa branca com 12 anos ou mais de estudos está no mercado de trabalho, ela pode receber 40% mais do que um negro (preto ou pardo) com a mesma formação e exercendo a mesma função. Como era de se esperar nessas condições, somente 12% do grupo de pretos e pardos está entre o 1% mais rico da população. Eles são, todavia, 73,9% dos 10% mais pobres.
A desigualdade racial, mostra o IBGE, não respondeu às políticas de distribuição de renda. É uma discussão paralisante a de se os negros não ascendem socialmente porque são negros ou porque são pobres. O fato indiscutível é que existe um apartheid não declarado na sociedade brasileira: é mais difícil o acesso do negro à educação; há diferença de remuneração entre os grupos de pessoas brancas e pretas e pobres; os negros são os mais pobres. As políticas afirmativas, até agora restritas a decisões isoladas de universidades, não têm se mostrado suficientes para que o país transponha uma cultura escravista que mantém os negros à margem da sociedade.
Da mesma forma, se as políticas compensatórias de renda reduziram a pobreza extrema, também não deram conta da vulnerabilidade das crianças brasileiras. Elas ainda são, proporcionalmente, a parte da população que mais vive abaixo da linha da pobreza. O Bolsa Família repercutiu, de fato, no número de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza: representavam 31,8% dos domicílios em 2002 e no ano passado eram 23,5%. Ainda assim, pelos números do IBGE, as famílias pobres, em especial as que vivem no meio rural e no Nordeste, são mais dependentes da renda da aposentadoria e pensão. Em mais da metade dos domicílios onde vivem pessoas com mais de 60 anos, elas são responsáveis por até 90% da renda familiar. Em 13,5% dos domicílios brasileiros existe pelo menos um idoso. Segundo a síntese, 67,3% das famílias na zona rural dependem da renda dos idosos, e 63,5% dos domicílios do Nordeste estão na mesma situação. Por esses números, o Benefício de Prestação Continuada instituído pela Constituição de 1988 tem um peso como política compensatória de renda ainda não superado pelo Bolsa Família - e a criança se mantém como o elo mais frágil do tecido social, apesar de estar melhor amparada do que antes da universalizaçã o do programa.
A pesquisa do IBGE também expõe, em números, o que o Brasil intuitivamente já sabe: a educação pode ser um elemento de inclusão da população miserável, mas a qualidade da educação pública pode torná-la igualmente um instrumento de exclusão. O número de analfabetos na população de 8 a 14 anos é assustador: são 1,3 milhão de crianças e jovens, sendo que 84,5% deles estão matriculados em alguma série do ensino fundamental ou médio. Isto é: enquanto se dá como definitiva a universalizaçã o do ensino básico, tem-se como um dado dessa universalizaçã o analfabetos que freqüentam a escola e podem chegar até o ensino médio sem que saibam ler ou escrever. Também no campo essa realidade é mais dura: existem três vezes mais analfabetos na zona rural que nas cidades.
É um cenário pouco animador, sem dúvida, mas a universalizaçã o do ensino, com todas as deficiências que ainda existem, é um passo importante. O IBGE acusa um resultado importante de redução da taxa de analfabetismo de adultos (pessoas com mais de 15 anos), que era de 14,7% em 1997 e caiu para 10% em 2007. Não é nenhuma taxa de Primeiro Mundo, mas o Brasil tem andado.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

EMPREENDEDORISMO AFRO-BRASILEIRO

Recebido por email.

Será realizado, no âmbito da VIII Semana de Extensão da Universidade de Brasília (UnB), o ciclo de debates EMPREENDEDORISMO AFRO-BRASILEIRO, dia 02 de outubro, quinta-feira, das 14h às 18h, no Auditório da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR (Esplanada dos Ministérios, Bloco A).
O objetivo do ciclo de debates é apresentar as condições atuais para o empreendedorismo de negros no Brasil e as estratégias de enfrentamento aos obstáculos, divulgar experiências profissionais de sucesso ligadas à cultura afro-brasileira e estimular a formação de redes de apoio ao empreendedorismo afro-brasileiro.
A atividade é gratuita e serão aceitas inscrições no próprio local, com certificados de participação emitidos pelo Decanato de Extensão da UnB. Contatos pelos telefones 3307-2612, ramal 30 (Juliana) ou 8136-4210 (Jaques).
Abaixo segue a programação.
Atenciosamente, Jaques Jesus Coordenador do ciclo de debates

Programação
02 de Outubro
14h - Empreendedorismo Afro-Brasileiro: Qual é o diferencial?Debatedores: João Batista de Almeida Sérgio (CDDN-DF), João Bosco de Oliveira Borba (ANCEABRA), Edson Lopes Cardoso (Irohin) e Mário Nelson Carvalho (ANCEABRA).
15h30 - Cultura afro-brasileira e mercado de trabalhoDebatedores: Maria das Graças Santos (Afro Nzinga), João Bosco de Oliveira Monteiro (Espaço 35), Adriana Lopes dos Santos Prado (UnB) e Flávia Helena Portela de Carvalho (Cara e Cultura Negra).
17h - Midia negra: Midia de negros?Debatedores: Michael Laiso Felix (Tribuna Afro-Brasileira) , Roberto Rodrigues (COJIRA) e Sionei Ricardo Leão (COJIRA).

AGÊNCIA DA ONU PARA REFUGIADOS LANÇA WEBSITE EM PORTUGUÊS

Retirado do site da Acnur.
Foi lançado hoje o website em português do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil. O site www.acnur.org.br oferece um amplo panorama global sobre a situação do refúgio, com estatísticas atualizadas, base de dados legais e notícias sobre a proteção de refugiados no Brasil e no mundo.
O novo website promoverá o direito de refugiados e refugiadas - especialmente nas Américas e em países lusófonos - com informações sobre as operações do ACNUR no mundo, galeria de imagens e vídeo, estatísticas globais atualizadas e publicações da agência da ONU para refugiados. Também disponibiliza uma página para doações financeiras aos programas de assistência e proteção desenvolvidos pelo ACNUR.Quem procura informações mais detalhadas poderá achá-las em sessões temáticas como crianças e mulheres, povos indígenas, fluxos mistos de migrantes e refugiados, HIV/Aids e apátridas, entre outros. O website disponibiliza ainda links para os sites do ACNUR em espanhol e inglês, onde o visitante encontrará muitas outras informações.

LANÇAMENTO DA HQ AÚ, O CAPOEIRISTA

Retirado do site UniversoHQ.


Por
Marcus Ramone e Sidney Gusman (23/09/08)

O cartunista Flávio Luiz (das tiras Rota 66 e Jeb e de Jayne Mastodonte) criou mais um personagem.Ele é Aú, um capoeirista que viverá uma aventura repleta de ação, humor e romance na cidade de Salvador, em uma HQ que será lançada na capital baiana no próximo dia 7 de outubro, às 19h30min, na Aliança Francesa da Ladeira da Barra (Av. Sete de Setembro, 401).
Ainda em outubro haverá outros cinco lançamentos: em Recife, dia 14, às 19h, na Livraria Cultura (Rua madre de Deus sem nº - paço Alfândega); Belo Horizonte, dia 16, às 19h, no Café da Livraria Travessa (Av. Getúlio Vargas, 1405 - Savassi); Rio de Janeiro, dia 20, às 19h, na Livraria Letras & Expressões (Av. Ataulfo de Paiva, 1292 - Leblon); Curitiba, dia 21, às 19h, na Itiban Comic Shop (Av. Silva Jardim, 845); e São Paulo, dia 24, às 19h30min, na HQMix Livraria (Praça Franklin Roosevelt, 142 - Centro).
Visite o dinâmico site do personagem e saiba mais sobre ele e sua galeria de coadjuvantes.
Pelo que se pode notar no site, Aú, o Capoeirista (formato 21 x 29,5 cm, 48 páginas coloridas, capa dura, R$ 48,00) foi produzido com um "jeitão" de quadrinho europeu. E não à toa, pois Flávio Luiz pretende levar sua mais recente criação para o Velho Continente.

COTA NÃO LEVOU MAIS NEGROS À UNIVERSIDADE

Retirado do site da Folha de São Paulo.

Folha de São Paulo, 25/09/2008 - São Paulo SP
No ano passado, taxa de freqüência entre brancos de 18 a 25 anos foi de 19,4%, ante 6,8% entre pretos e pardos, segundo o IBGE. Dados mostram que estudantes pretos e pardos ainda não alcançaram a taxa de freqüência que brancos tinham em 1997
DA SUCURSAL DO RIO

A política de cotas, implementada em mais de 60 universidades públicas do país, ainda não resultou em redução da desigualdade na participação de brancos, pretos e pardos no ensino superior, revela a Síntese de Indicadores Sociais. No ano passado, a taxa de freqüência (proporção de pessoas que dizem estar indo à universidade) para alunos de 18 a 25 anos na população branca era de 19,4%. Entre a população preta e parda (nomenclatura usada pelo IBGE, que usa como critério a cor por autodeclaração), a taxa era de 6,8%. Os dados mostram que, na faixa de 18 a 25 anos, os estudantes pretos e pardos ainda não alcançaram a taxa de freqüência que brancos tinham em 1997. Na faixa de 21 anos, por exemplo, a freqüência de alunos pretos e pardos era de 2,6% em 1997. No ano passado, subiu para 8,4%. No mesmo período, a população branca ampliou seu índice de 12,2% para 24,2%. Na prática, cresceu a distância em pontos percentuais. Para José Luiz Petruccelli, do IBGE, os dados mostram que não houve impacto da criação de vagas para a população preta e parda. "Não existe uma política pública nacional de cotas. A lei que propõe isso está parada no Congresso. O pouco que está sendo feito não tem impacto."


O pesquisador afirma ainda que os números deveriam refletir a autodeclaração de cor. "O país tem metade da população que se identifica como branca e outra como não-branca. Se a cor não estivesse relacionada à apropriação de riqueza, deveríamos ter metade de brancos e metade de não-brancos nas universidades." Segundo Marcelo Paixão, economista da UFRJ e coordenador do Observatório Afrobrasileiro, o governo mostra apenas tolerância sobre políticas afirmativas, e as únicas ações oficiais até agora foram o Prouni (Programa Universidade para Todos, que dá bolsas, com cotas para pessoas autodeclaradas indígenas, pretas ou pardas) e o Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Para ele, a participação dos pretos e pardos cresceu em ritmo acelerado, mas, em razão da base baixa, não foi possível reduzir a distância em relação à população branca. "As políticas de ações afirmativas e o esforço de cada estudante ainda não foram suficientes para mudar um quadro em que mais de 90% dos jovens negros estão fora da universidade. Mesmo 120 anos depois da abolição, o país não consegue colocar 10% da população negra na universidade", disse.

O coordenador da ONG Educafro no Rio, André Guimarães, afirma que um dos principais problemas é a falta de divulgação do Prouni. "Fui na semana passada a uma escola em Inhaúma (zona norte do Rio) e, quando falei do Prouni, os olhos dos estudantes brilharam. Eles nem sabiam que eles tinham esse direito", afirmou. Vanderson Luiz da Silva, 22, aluno de um pré-vestibular voltado para pretos e pardos, por exemplo, disse que desconhecia o programa no ano passado, quando completou o ensino médio e tentou pela primeira vez o vestibular para história. O hiato entre pessoas que já concluíram o ensino superior também aumentou. Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos pretos e pardos tinham nível superior completo. Em 2007, 13,4% e 4%, respectivamente. Não só no ensino superior há discrepância. Em 2007, dos cerca de 14 milhões de analfabetos no país, quase 9 milhões eram pretos ou pardos. Na população branca, era de 6,1% para aqueles com 15 anos ou mais e de 14% para pretos e pardos.


APENAS, 4% DOS NEGRO OU PARDOS TERMINAM O ENSINO SUPERIOR

Retirado do site do Estado de São Paulo.

Apesar da reserva de vagas, negros e pardos ainda são minorias no ensino superior, aponta estudo do IBGE
Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO - As desigualdades raciais no Brasil prosseguem muito elevadas, segundo mostra a Síntese de Indicadores Sociais 2007, divulgada na manhã desta quarta-feira, 24, pelo IBGE. Apesar da exigência, por lei, de reserva de vagas no ensino superior para "grupos sociais desfavorecidos", as taxas de freqüência a curso universitário para estudantes entre 18 anos e 25 anos de idade mostram que em todas as idades a população branca apresenta níveis mais elevados que a de negros e pardos. Além disso, apenas 4% dos negros ou pardos concluem o ensino universitário.
Enquanto 20,6% dos brancos de 19 anos de idade freqüentavam o ensino superior em 2007, apenas 6% dos negros e pardos estavam na mesma situação no período. Enquanto 13,4% dos brancos tinham completado o ensino superior no ano passado, apenas 4% dos negros e pardos tinham feito a mesma conquista.
Além disso, em números absolutos, em 2007, dos pouco mais de 14 milhões de analfabetos brasileiros, quase 9 milhões são negros e pardos. Em termos relativos, a taxa de analfabetismo da população branca é de 6,1% para as pessoas de 15 anos ou mais de idade, sendo que estas mesmas taxas para negros e pardos superam 14%, ou seja, mais que o dobro que a de brancos.
Outro indicador educacional que sublinha a desigualdade racial mostra que a média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais de idade continua a apresentar uma vantagem em torno de dois anos para brancos, com 8,1 anos de estudo, em relação a pretos e pardos, com 6,3 anos de estudo.
Segundo observam os técnicos do IBGE no texto da pesquisa, "as conseqüências destas desigualdades se refletem nas diferenças dos rendimentos médios percebidos por negros e pardos em relação aos dos brancos, se apresentando sempre menores (em torno de 50%)".


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domingo, 28 de setembro de 2008

NEGROS CONTINUAM SENDO MINORIA NO ENSINO SUPERIOR

Retirado do site do Estado de São Paulo.

Em dez anos, aumentou a desigualdade entre brancos e negros ao se comparar freqüência e conclusão
Felipe Werneck e Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

RIO - Em dez anos, aumentou a desigualdade entre brancos e negros quando se compara taxas de freqüência e de conclusão do ensino superior dos dois grupos, revela o IBGE. Em 1997, 9,6% dos autodeclarados brancos e 2,2% dos pretos e pardos, de 25 anos ou mais de idade, tinham curso superior completo no País. No ano passado, as proporções eram de 13,4% e 4%, respectivamente. Ou seja: apesar de a participação dos pretos e pardos ter quase dobrado, o hiato em relação aos brancos aumentou de 7,4 para 9,4 pontos porcentuais, no período.
"Os dados refletem a insuficiência dos esforços recentes. Significa que 96% dos negros (com 25 anos ou mais) ignoram o que é universidade. Ainda há muito a ser feito", disse o professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2007, a taxa de freqüência para estudantes de 18 a 25 anos que se declararam brancos (19,4%) era quase o triplo da registrada entre pretos e pardos (6,8%). No ano passado, 57,9% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos estavam no nível superior - para pretos e pardos, o porcentual foi de 25,4%.
Paixão avalia que o resultado da Síntese de Indicadores Sociais "é um reforço para aqueles que falaram sim às cotas". Mas ressalva que a política pública no setor "foi mínima". "Ficou mais no plano das intenções." A divulgação ocorre no ano em que se completam 120 anos da Lei Áurea, e uma semana após o IBGE ter mostrado que a população de pretos e pardos (49,7% do total) superou a de brancos (49,4%) no País em 2007.
Para José Luís Petruccelli, pesquisador do IBGE, o debate sobre cotas nos País é "político-ideológico". "Desde a formação das universidades no País, nunca se fez nenhum tipo de política pública para atender aos grupos subalternizados", disse. "Até hoje se questiona o pouco que está se tentando fazer, e os resultados ainda não são nem visíveis." Segundo ele, as cotas criadas nos últimos anos, por iniciativa de cerca de 60 universidades públicas, afetam uma parcela muito baixa do total de estudantes. "Menos de 30% dos universitários estão em instituições públicas. Também há o ProUni, mas afeta cerca de 100 mil estudantes. Em 5,5 milhões, isso é muito pouco", disse Petruccelli.
O estudo mostra que os pretos e pardos de 18 a 25 anos não conseguiram alcançar, no ano passado, as taxas de freqüência que os brancos apresentavam em 1997. A diferença a favor dos brancos, que continuaram a apresentar níveis mais elevados em todas as idades, aumentou no período analisado: em 1997, era de 9,6 pontos porcentuais aos 21 anos, e chegou a 15,8 pontos em 2007. Ou seja: em 1997, a taxa de jovens de 21 anos freqüentando o ensino superior era de 2,6% para pretos e pardos, e de 12,2% para brancos. Dez anos depois, chegou a 8,4% para pretos e pardos, e a 24,2% para os brancos.
Aos 18 anos, a diferença aumentou de 4,9 pontos porcentuais em 1997 para 10,1 pontos no período. "Após uma década, a composição racial das pessoas que completaram o nível superior permanece inalterada, ou até mais inadequada, em termos de representação dos pretos e pardos, continuando a se constituir um obstáculo para a ascensão social destes", observa o IBGE.
Dos 14 milhões de analfabetos brasileiros, mais da metade (9 milhões) eram pretos ou pardos em 2007. Em termos relativos, a taxa de analfabetismo da população branca foi de 6,1% para as pessoas com 15 anos ou mais de idade, ante 14% para pretos e pardos, mais que o dobro. A média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais apresentou vantagem de quase 2 anos a mais para brancos (8,1 anos de estudo) em relação a pretos e pardos, com 6,3 anos.
O IBGE comparou os rendimentos por cor dentro dos grupos com mesmo nível de escolaridade. O rendimento-hora dos brancos era até 40% mais elevado que o de pretos e pardos, no grupo com 12 ou mais anos de estudo. Também foi comparada a participação relativa dos dois grupos na apropriação do rendimento das famílias. A distribuição entre os 10% mais pobres e entre o 1% mais rico mostra que, em 2007, os brancos eram 25,5% do total entre os mais pobres, e 86,3% dos mais ricos. Já os pretos e pardos representavam 73,9% entre os mais pobres, e apenas 12% entre os mais ricos.
Para o IBGE, os valores mostram que as desigualdades na apropriação da renda do País "têm se mantido ou até piorado um pouco, se comparadas com anos anteriores". Fundador da rede de pré-vestibulares Educafro, o frei David Santos disse que o estudo do IBGE "prova" que só é possível construir um Brasil com menos desigualdade de oportunidades se houver mais políticas de ação afirmativa "em função da realidade de cada etnia".
"Estou escandalizado com o número de negros que entram na universidade e não podem se manter porque não têm dinheiro para a passagem de ônibus, não têm emprego garantido e por isso vivem em constante instabilidade", disse. Para David, o governo federal deveria ser "mais firme corajoso" na definição de políticas "diferenciadas de inclusão", como uma bolsa de ajuda financeira para os que entram em universidades públicas por meio de cotas e aqueles que ingressam em instituições privadas pelo ProUni.


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MG GOVERNO QUER COTAS TAMBÉM NOS CEFETS

Retirado do site Educacional.

Estado de Minas, 25/09/2008
Luiz Ribeiro

O governo federal estuda estender a política de reserva de cotas para estudantes negros às instituições públicas de ensino técnico-profissionalizante, como os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).
A questão está sendo discutida pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Presidência da República. A informação foi dada, ontem, pelo subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas do órgão, Giovanni Harvey, ao participar de debate sobre a democratização do acesso ao ensino superior na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
Atualmente, a reserva de vagas é adotada somente no ensino superior. A primeira grande instituição a implantar as cotas foi a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 2002. Hoje, a reserva vigora em mais de 60 universidades públicas, que também contemplam egressos de escolas públicas, portadores de deficiência e indígenas.
O subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas ressalta que, com as novas tecnologias e o crescimento de alguns ramos industriais, vêm surgindo muitas vagas de perfil técnico, citando como exemplo a indústria petrolífera. Por outro lado, ele salienta que as oportunidades de emprego “são inacessíveis para as populações excluídas, porque essas pessoas não têm oportunidade de qualificação”.

UNCISAL TERÁ COTAS PARA BAIXA RENDA E NEGROS

Retirado do site Primeira edição.

25/09/2008

Uncisal passa a adotar sistema de cotasA Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) inicia em 2009 ações para destinar 50% das vagas universitárias da instituição ao público de baixa renda e auto-declarados negros. A ação faz parte do Programa de Ações Afirmativas da instituição, que pretende ser instrumento de promoção dos valores democráticos e da diversidade socioeconômica, e étnico-racial.

De acordo com o documento do Conselho Universitário (Consu) da Uncisal que regulamenta a iniciativa as regras poderão ser implantadas em etapas, para que sejam cumpridas com qualidade as exigências do programa. Segundo o programa de inserção de alunos de baixa renda e negros auto declarados, o percentual destinado ao segmento é de 10% das vagas oferecidas por processo seletivo, até o ano de 2013.
Ainda de acordo com o documento, poderão ser inseridos no programa exclusivamente os candidatos que completarem o ensino fundamental e o ensino médio integralmente em instituição pública de ensino. A universidade deverá implementar ações de preparação para o acesso aos cursos de graduação, bem como acompanhar a permanência dos estudantes universitários incluídos pela ação afirmativa da Uncisal.
por Divulgação

UERJ TEM SÉRIE DE ATIVIDADES SOBRE O MOVIMENTO NEGRO

Retirado do site Revista da História.

24/09/2008
Arte negra

De 6 a 9 de outubro, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro sediará o seminário "Estética e Negritude no Brasil Contemporâneo: Reapropriação, legitimidade e espetacularização das expressões afrobrasileiras". A programação conta com oficinas, exposições, espetáculos teatrais, lançamentos de livros e palestras. Confira alguns destaques:
Dia 6: Exposição de fotografias “O corpo negro no audiovisual: Januário Garcia”, lançamento livro “Onde está o Negro na TV Pública” e espetáculo teatral com Elisa Lucinda, no Teatro Noel Rosa às 20h.

Dia 7: Conversa com Muniz Sodré sobre as concepções estéticas no Brasil contemporâneo às 09h30. Após, debate com Helena Teodoro e Jacques d`Adesky sobre "Negritude(s) em trânsito e reapropriação do belo" às 11h30. Na parte da tarde, oficina de roteiro com Antonio Molina na Sala da Mediateca das 14h às 18h. O espetáculo teatral da Cia. dos Comuns fecha as atividades do segundo dia no Teatro Noel Rosa às 20h.

Dia 8: Palestra sobre "Reapropriação e legitimidade das expressões afrobrasileiras" com Nei Lopes às 09h na Capela Ecumênica. Após, Emanuel Araújo discute a estética negra no Museu Afro-brasileiro. Produtores cariocas irão discutir a ausência de negros no mercado cultural às 14h30. Os Crespos apresentam espetáculo às 20h.

Dia 9: Luiz Paulo Lima (Rede Record de Televisão), Antônio Pilar (Black & Preto), Maria Ceiça (CIDAN) e Jorge Coutinho (Presidente do Satedrj) falam sobre "Agência Negra e Grande Mídia: inserção e ativismo político" na Capela Ecumênica das 09h às 11h30. Depois, no mesmo lugar, haverá uma mesa redonda sobre a música negra contemporânea. Das 14h às 18h, MV Bill e B Negão falam sobre poética e política no Hip Hop. Paralelamente, Carmem Luz, Valéria Monã e Cobrinha darão uma oficina de dança.
A cerimônia de encerramento será no Teatro Odylo Costa Filho às 19h, que receberá também uma homenagem aos cineastas Waldir Onofre, Zózimo Bulbul e Joel Zito, além do espetáculo de teatro com o Bando de Teatro Olodum às 20h. Mais informações e inscrições no site do evento.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

LIBERDADE PARA ESCOLHER

Retirado do site Viva-favela.
Fabiana Oliveira 24/09/2008

Várias religiões uniram-se contra a intolerância

Cerca de 10 mil representantes de diversas religiões e povos historicamente discriminados se reuniram nas ruas de Copacabana, Zona Sul, para mostrar que quando há respeito é possível sim haver diálogo. O movimento que culminou na “Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa” teve início ainda em janeiro, após publicação no portal Viva Favela da reportagem “Liberdade Religiosa”, denunciando a discriminação sofrida por adeptos de religiões de matriz africana em comunidades do Rio.


Segundo o coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, a matéria serviu como um elo de ligação entre os diversos casos de intolerância religiosa ocorridos no Brasil, que vão desde ofensas de todos os tipos à depredação e derrubada de templos. Além disso, foi base para um dossiê encaminhado ao governo federal pelo CEN.

Marcos: ofensas não eram fatos isolados
“Essa matéria circulou entre os adeptos de religiões de matriz africana e fez com que as pessoas começassem a perceber que o que acontecia não eram atos isolados. Começamos a sentir a necessidade de juntar, de fazer uma mobilização que serviu para pautar a solicitação de uma CPI de combate à intolerância religiosa“, lembrou Marcos Rezende.
Membro da Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul (Cedrab), Baba Dija de Iemanjá, veio de longe para denunciar as freqüentes perseguições sofridas pelos adeptos do batuque - o mesmo que candomblé aqui - no Sul. Segundo o sacerdote, criar leis que defendam os cultos religiosos pode ser uma saída para o fim das violações:

“Em Porto Alegre é comum jogarem sal na porta dos terreiros, sofrermos com abordagens agressivas. Temos que vencer esta situação por meio das leis”.

Além da discriminação, os adeptos das religiões de matriz africana enfrentam outras dificuldades. No ano em que se comemora 100 anos de Umbanda no Brasil, o morador da Comunidade Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio, Antônio Guedes, 45 anos, não tem muito a comemorar. Ele conta que dos cinco centros existentes no Santa Marta, atualmente não há mais nenhum.

Guedes: sem comemorações
“As pessoas responsáveis pelos centros da comunidade foram falecendo, as igrejas evangélicas, que normalmente associam nossa religião a coisas ruins foram crescendo e com isso, aos poucos, eles acabaram aqui. Normalmente esses centros enraízam mais nas Zonas Norte e Oeste e na Baixada Fluminense”, lamenta.

E parece que não só os centros têm mais espaço no interior do Rio. O povo cigano, cuja maior concentração está na Baixada Fluminense, juntamente com adeptos do Movimento Hare Krishnas também estiveram presentes na caminhada.
Mirian: primeira cigana a ter diploma universitário
“Os ciganos são uma nação dentro de outras nações por isso sempre fomos discriminados”, diz a advogada Mirian Stanescom, primeira cigana a ter diploma universitário no Brasil. E completa: “Atualmente estou no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial. È a primeira vez que o governo está olhando para o nosso povo”.


Unindo religião e cultura
Reunindo diversos elementos da cultura afro-brasileira, mensalmente o pároco da cidade de Rio Novo, em Minas Gerais, Guanair da Silva Santos, 46 anos, celebra o que convencionou chamar de missa afro:
Guanair celebra missa afro em Minas Gerais

“Quando celebramos a missa, a partir da experiência cultural, usamos o atabaque, agogô, o colorido, muita folhas e a partilha da comida, todos elementos da cultura africana”.
O padre da Paróquia Nossa Senhora da Conceição é o único da cidade, que tem cerca de 8500 habitantes, e segundo ele, antes de começar a celebrar as missas afros, foi necessário toda uma preparação com os católicos do local. Para ele, estar presente na caminhada teve um motivo todo especial.
“Embora já tenha 120 anos do fim da escravidão no Brasil, ainda temos muito preconceito. O que me motivou estar aqui é o trabalho que há 20 anos realizamos por meio do instituto Mariama, sobre estudo das tradições afro-brasileiras no contexto da ação pastoral da igreja católica no Brasil”.
A caminhada também teve espaço para os grupos de dança. Maria Isabel, 21 anos, é católica e há cinco anos participa de um grupo de afoxé em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A jovem acredita que é possível aprender a respeitar e conviver harmoniosamente com diferentes religiões.
“Gosto muito do afoxé. No grupo cada um tem a sua religião. Mas já fui discriminada porque as pessoas acham que dança afro é macumba, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Inclusive tem uma moça evangélica que sempre participa das apresentações do grupo e adora”.

Confira mais fotos na galeria "Juntos contra a intolerância".

ÁFRICA PEDE QUE RICOS CUMPRAM PROMESSAS DE AJUDA

Retirado do site África 21.


DF23/09/2008
Líderes afirmam que os países ricos têm "obrigação moral" de ajudar os pobres, mesmo com o eventual agravamento da crise.
Da Redação com agências internacionais


Nações Unidas - Líderes africanos pediram ontem (22) que, apesar das atuais turbulências econômicas, os países ricos cumpram suas promessas de ajuda ao desenvolvimento e combate à pobreza no continente.
O presidente da Tanzânia e da União Africana, Jakaya Kikwete, disse numa reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) que os países ricos têm "obrigação moral" de ajudar os pobres, mesmo com o eventual agravamento da crise.
Segundo ele, esse dinheiro é especialmente importante porque muitos países da África estão crescendo aceleradamente e precisam construir uma infra-estrutura de transportes e energia que permita levar seus produtos aos mercados internacionais.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lembrou que a África está ficando para trás no cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas em 2000 para serem alcançadas até 2015, especialmente na redução da pobreza.
Ele disse que é preciso um esforço concentrado para ajudar a África a superar novos desafios, como o aumento dos preços de alimentos e combustíveis e a mudança climática.Ban, que falou sobre a pobreza no seu discurso anual à Assembléia Geral da ONU, disse que a África deveria receber US$ 72 bilhões anuais em ajuda.
"Esse preço pode parecer assombroso, mas é factível e se enquadra sob compromissos de ajuda existentes", disse ele, lembrando que os países industrializados gastaram em 2007 US$ 267 bilhões só em subsídios agrícolas.
O plano do governo dos EUA para auxiliar instituições financeiras em dificuldades equivale a 10 vezes a quantia que Ban pediu para a África. A crise financeira elevou o preço global do petróleo em mais de 20 por cento, recorde de aumento em um só dia – o barril superou os US$ 120 ontem.
Kikwete disse que, embora a África possa ser rica em reservas petrolíferas, grande parte dessa riqueza ainda não é aproveitada. "Vamos planejar nosso próprio desenvolvimento, mas temos recursos inadequados para conseguir implementar esses planos, e queremos que nossos esforços sejam complementados pelos países desenvolvidos", disse ele.
O presidente do Banco de Desenvolvimento Africano, Donald Kaberuka, disse que a crise nos países desenvolvidos vai afetar a África, especialmente se houver um declínio acentuado na demanda por matérias-primas. "Esta crise é séria, mas francamente espero que não leve a esforços reduzidos para ajudar os países em desenvolvimento, porque isso seria uma frustração", declarou o dirigente.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que a África vive um momento decisivo, mas que os governos precisam evitar mais dívidas, que exigiriam um novo perdão dos países ricos no futuro. "Não montemos hoje o cenário para uma nova crise da dívida em 2030", disse ele, que questionou restrições dos doadores tradicionais a determinados projetos.

REVISTA ISTOÉ DINHEIRO - 24 SETEMBRO DE 2008

Revista IstoÉ Dinheiro.Estilo: Revista
Gênero: Economia
Edição: 24 / 09 / 08
Tamanho: 31 Mb
Formato: Rar / Pdf
Idioma: Português

Para baixar clique em easy-share ou rapidshare.

REVISTA NFO EXAME - SETEMBRO DE 2008

Retirado do blog Dê graça é mais gostoso.Estilo: Revista
Gênero: Tecnologia
Edição: Setembro de 2008
Tamanho: 23 Mb
Formato: Rar / Pdf
Idioma: Português

Para baixar clique em easy-share ou rapidshare.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

COTA PARA NEGROS É BEM ACEITA DENTRO DA UNIVERSIDADE

Retirado do site da Agência Brasil.

24 de Setembro de 2008
Cota para afrodescendente em universidade pública é bem aceita, indica pesquisa
Isabela Vieira Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Em vigor há cinco anos, as cotas para alunos afrodescendentes nas universidades públicas não acirraram nenhum tipo de relação social no ambiente acadêmico. Nas universidade onde existem ações afirmativas, 62% dos alunos aprovam a medida e acham que a universidade esta até mais "cordial" que a própria sociedade.
A avaliação foi apresentada hoje (24) no Monitoramento das Políticas de Ação Afirmativa, divulgado pela Pontifica Universidade Católica (PUC) Rio. Cerca de 2,5 mil alunos de diversas raças foram ouvidos em dez universidades públicas do país que adotam algum tipo de ação afirmativa como as cotas.
Segundo o levantamento, a maior parte dos alunos entrevistados avaliou como boa a relação entre os colegas oriundos de ações afirmativas (57,5%), com os outros alunos, em geral, (60,4%), com professores (67%) e funcionários da escola (64,4%).
As opiniões ficaram um pouco divididas quando a pergunta era sobre o tratamento dado a negros e brancos na universidade. Cerca de 40% respondeu que às vezes existe tratamento diferenciado e outros 43,6% contaram que nunca ou quase nunca há desigualdade.
A divergência, no entanto, apareceu quando os alunos foram perguntados sobre as formas como negros e brancos são tratados na sociedade. A maior parte (46,7%) disse que sempre ou quase sempre há diferenciação e outros 47,6 % informaram que isso ocorre às vezes.
Para uma das coordenadoras da pesquisa, a antropóloga Elielma Machado, o monitoramento esclarece que os alunos percebem mais racismo fora do que dentro das faculdades.
"Eles tendem a ver mais [racismo] na sociedade que na faculdade. Em outras pesquisas também vimos que os casos mais comuns de racismo acontecem em comércio, shoppings ou mesmo na rua. Realmente, na universidade não aparecem tantas queixas de racismo" afirmou. --

ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA É O MAIS BENEFICIADO POR COTAS

Retirado do site Agência Brasil.

24 de Setembro de 2008
Aluno de escola pública é o mais beneficiado por cotas em universidades, constata pesquisa
Isabela Vieira Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Os alunos de escolas públicas são os mais beneficiados com a política de cotas adotada pelas universidades públicas do país. Em seguida, estão os indígenas e depois os negros. É o que revela o Monitoramento das Políticas de Ação Afirmativa, divulgado hoje (24), pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio.
De acordo com levantamento, cerca de 60% das universidades estaduais e federais do país adotam algum tipo de ação afirmativa. Dessas, quase a metade (42%) são cotas. Entre as universidades que fazem reserva de vagas, a maioria é para alunos de escolas públicas (82%), 59% indígenas e 58%, negros. As modalidades podem ser oferecidas simultaneamente.
Segundo uma das coordenadoras da pesquisa, a antropóloga Elielma Machado, apesar de as cotas raciais não serem tão predominantes quanto as outras duas, são alvo muito mais freqüente de críticas na sociedade. Para ela, uma explicação para o fenômeno está no racismo.
"Esse é um tema que ainda hoje é muito delicado porque muitos acham não existe. Então, quando se fala na necessidade de ter uma cota para negros, é como se fôssemos obrigados a reconhecer o racismo no Brasil e como isso impede a entrada de negros na universidade", avaliou.
O levantamento da PUC aponta sete tipos de ações afirmativas em dez instituições pesquisadas. Além da reserva de vagas para alunos de escolas públicas, indígenas e negros, há também programas para inserir deficientes físicos, assentados da reforma agrária, quilombolas e alunos provenientes de cidades do interior.
Além das cotas, também faz parte da política de ações afirmativas a criação de vagas extras nos cursos, principalmente para alunos indígenas e também a adição de pontos no vestibular.

MESMO COM COTAS, PRETOS E PARDOS INGRESSAM MENOS NA UNIVERSIDADE

Retirado do site 24Horasnews.

24/09/2008
Redação 24HorasNews

Em uma década na qual 60 universidades adotaram a política de cotas raciais, aumentou no Brasil a disparidade entre a população branca e a preta e parda com ensino superior. Enquanto a presença dos brancos com 21 anos de idade nas universidades cresceu 12,1 pontos percentuais entre 1997 e 2007, na população preta e parda, o crescimento foi de 6,2 pontos percentuais, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta-feira.
Em 2007, havia 3,8 milhões de estudantes entre 18 e 24 anos de cor branca, número pouco maior dos 3,4 milhões do mesmo grupo de cor preta e parda. Mas, enquanto mais da metade dos brancos (57,9%) freqüentava o ensino superior, apenas um quarto dos estudantes pretos e pardos cursavam universidades.
Essa disparidade se acentuou ao longo de uma década. Em 1997, a taxa de freqüência no nível superior era de 12,2% para os jovens brancos de 21 anos e 2,6% para os de cor preta e parda. Ambos aumentaram os contingentes em 2007, mas o da população branca saltou para 24,2% do total, contra 12,2% dos pretos e pardos.
A diferença, para o IBGE, mostra que ainda há "um obstáculo para a ascensão social" da população de cor preta e parda no Brasil. A hipótese para explicar esse hiato crescente entre brancos e pretos e pardos, para os pesquisadores, está na falta de políticas públicas no Brasil, com exceção de "iniciativas isoladas" como o emprego de cotas para pretos e pardos adotadas por universidades públicas.