domingo, 30 de agosto de 2009

QUEM QUER SER DIPLOMATA?

Matéria já postada, mas com as pagínas do jornal.
Para amplia clique nas imagens. Para salvar no computador clique com o botão direito do mouse e selecione "Salvar imagem como..."












































MICROSOFT PEDE DESCULPAS APÓS TROCAR CABEÇA DE NEGRO EM FOTO

Retirado do blog do Edilson Nascimento.

26/08/2009

Empresa pôs cabeça de branco no lugar da de negro em imagem para seu site na Polônia.
- A Microsoft pediu desculpas após ser acusada de editar uma foto na qual a cabeça de um homem negro foi trocada pela de um homem branco.
A foto, que mostrava empregados sentados ao longo de uma mesa de reunião, apareceu em sua versão original no site da empresa nos Estados Unidos.
Mas no seu site para a Polônia, a gigante do software trocou a cabeça do homem negro por um homem branco, mas deixou a mão do homem intocada.
A Microsoft disse que retirou a imagem de seu site e que investigará quem foi o responsável pelas mudanças na imagem.
A empresa pediu desculpas formais pela gafe.
A imagem alterada, na qual havia também um homem asiático e uma mulher branca, foi amplamente divulgada e circulada em sites e blogs na internet.
Em discussões online, alguns bloggers afirmaram que a Microsoft estava tentando agradar a todos os gostos ao ter um homem com uma face branca e mãos negras.
Outros sugeriram que a empresa pode ter alterado a imagem para refletir melhor a composição étnica da população da Polônia.
Fonte: BBC Brasil

FAROESTE CABLOCO ANIMADO

Retirado do canal peixe-aquatico do youtube.
Esse vídeo não tem necessariamente haver com questão racial , apesar que numa passagem da música insinua que Santo Cristo era negro ao cantar "não entendia como a vida funcionava/discriminação por causa da sua classe/ sua cor". O produtor da animação resolveu suprimir esta interpretação.
Está postagem é uma exceção, então divirtam-se.

VOCÊ SABE O QUE HÁ DENTRO DO SEU CAFEZINHO?

Retirado do blog "De um sem mídia".

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
TRABALHO ESCRAVO
Leonardo Sakamoto.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está promovendo o café como gerador de empregos, de desenvolvimento, de divisas em um comercial de TV. Concordo que parte significativa do setor seja responsável por isso. Mas, vale lembrar, nem tudo são flores.
Apesar de não ser um dos primeiros colocados no ranking do uso do trabalho escravo no campo (viva a pecuária, o carvão vegetal e a cana-de-açúcar!), há incidência desse tipo de crime no setor. Por exemplo, na “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que relaciona os empregadores flagrados com a mão no açoite, há quatro produtores de café:
- Ernesto Dias Filho, Roda Velha Industrial, São Desidério (BA) - 745 libertados- Eustáquio da Silveira Vargas, Fazenda Laranjeiras I, São Desidério (BA) - 39 libertados- Fernando César Zanotelli, Sítio Zonetelli, Pancas (ES) - 22 libertados- Reginaldo Freire Leite, Fazenda Boa Vista, Claraval(MG) - 24 libertados
Rastreamos o comportamento comerciais desse pessoal acima e posso afirmar que eles já fecharam negócios com traders que exportam para Estados Unidos, Canadá, China, Bélgica e Alemanha. Ou seja, o fruto do chicote vai longe… Aliás, é na Alemanha que ocorrerá, entre 26 e 28 de junho, a oitava Conference & Exhibition SCAE, reunindo os principiais países produtores mundiais do grão. O Brasil, que vendeu US$ 2,6 bi de café para a União Européia em 2008, terá um estande apoiado pelo governo federal.
Um exemplo de caso de recente de libertação na lavoura de café: um agricultor de 55 anos permaneceu duas décadas de sua vida em condições análogas à escravidão. Ele trabalhava sem descanso semanal, sem receber salários, em troca de comida e bebida alcoólica. Outros cinco trabalhadores viviam na mesma situação - alguns há quatro, cinco e sete anos. Eles foram libertados da Fazenda Jerusalém, no município de Alegre (ES), pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Espírito Santo (SRTE/ES), em ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF) em março deste ano. O nome do proprietário da fazenda é Peres Vieira Gouveia.
O grupo de empregados era composto por negros, uma pessoa com deficiência visual parcial e um homossexual - grupos que já sofrem preconceitos e discriminação na sociedade. “Visivelmente são pessoas excluídas da sociedade. Ali encontraram um espaço de exploração perversa, mas onde podiam, ao menos, comer”, realatou à Repórter Brasil na época Afonso Celso Passos Gonçalves, auditor fiscal do trabalho que coordenou a ação.
Quem exige saber se o produto que compra foi feito obedecendo aos direitos fundamentais, sejam os compradores traders, importadores e consumidores, ajuda a limar do mercado quem opera na ilegalidade. O que é ótimo para a imagem dos produtos brasileiros e melhor ainda para a qualidade de vida de nossos trabalhaores.Fonte:Blog do Sakamoto.

DEM BARRA VOTAÇÃO DO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL

Retirado do site Congresso em foco.

26/08/2009
Renata Camargo

A votação do Estatuto da Igualdade Racial foi adiada, mais uma vez, nesta quarta-feira (26), após obstrução do DEM e do PP à reunião da comissão especial para apreciar a matéria. Em sala lotada de representantes de movimentos negros, os membros da comissão não chegaram a um consenso após duas horas de conturbada reunião.
O impasse recai, sobretudo, sobre cinco pontos do projeto. O principal deles trata da titulação de terras para remanescentes das comunidades quilombolas. O estatuto garante aos remanescentes que estejam ocupando terras o título definitivo da propriedade. Deputados ruralistas, no entanto, questionam esse direito e pedem a retirada do item que traz a definição de remanescente quilombola – o que na prática poderá derrubar também o artigo que prevê o reconhecimento da propriedade definitiva da terra. (art. 34).
“Essa definição da comunidade negra pode dar interpretações diferentes. Se alguém dizer que ‘meu avô quilombola esteve perambulando por essa terra’, ele poderá reivindicar a terra. Estão tomando terras dos produtores rurais. Vemos claramente qual o interesse desse estatuto”, considerou o deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que esteve em obstrução durante a sessão.
Para o deputado Domingos Dutra (PT-MA), o único representante de remanescentes quilombolas eleito no Congresso, a estratégia ruralista é retirar a definição para anular o benefício da titulação de terras e manter a “definição genérica” de remanescente quilombola prevista na Constituição. “A definição na Constituição está em aberto e o conceito de remanescentes quilombolas envolve vários outros critérios como a territorialidade. Eles querem derrubar essa definição e com isso o conteúdo principal do estatuto que é o direito a terra, uma reparação mínima aos remanescentes de quilombos”, defende o petista.
Impasse
Não há consenso também no artigo que dispõe que o “Poder Público adotará programas de ação afirmativa destinada a assegurar o preenchimento de vagas, pela população negra” nas universidades federais e nas escolas federais de ensino técnico (art. 18). O projeto inicial, vindo do Senado, trazia percentuais de cotas específicos para negros. Esses percentuais, no entanto, foram retirados do texto, mas se manteve a necessidade de ações afirmativas.
No projeto, o DEM quer que seja retirado também o item que prevê que cada partido ou coligação deve reservar, no mínimo, 30% do número de vagas para candidaturas de representantes da população negra (art. 70). O partido exige ainda que seja revisto o artigo que obriga a inclusão do quesito raça ou cor, preenchidos de acordo com autoclassificação, em todo o instrumento de coleta de dados do Censo Escolas (art. 16).
“Temos cinco pontos de discordância que valeria o esforço de encontrar um entendimento. O DEM propõe que nós concedamos mais duas semanas para buscar entendimento e nos comprometeremos a não obstruir a sessão. Da forma como está, esse projeto racializa a sociedade brasileira”, disse Onyx Lorenzoni (DEM-RS), propondo acordo que não foi aceito pelos membros da comissão especial.
Discordância
O último ponto questionado pela bancada do DEM é o artigo que propõe que na produção de filmes e programas de TV e cinema deve ser adotada a prática de conferir iguais oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros. Segundo interpretação do partido, esse artigo abre brecha para que sejam exigidas cotas iguais para negros, brancos e pardos (art. 48).
“Pedimos que seja retirada a palavra ‘iguais’, porque pode levar a interpretação de que 50% tem que ser branco e 50% negro. Isso vai gerar uma demanda judicial desnecessária”, defendeu Onyx.
Ao final da sessão, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ) protestou também contra outros dois pontos do texto do projeto do estatuto: os incisos VI e VII do artigo 4º. O artigo trata sobre a igualdade de participação da população negra na vida econômica, social, política e cultural do país.
O inciso VI coloca que deve haver estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas mediante, “inclusive, de implementação de incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos e contratos públicos”. Já o inciso VII garante a implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades raciais em várias esferas, incluindo “ações para financiamentos públicos, contratação pública de serviços e obras”.
“Esses artigos ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Licitações. Por ser negro, ele será beneficiado em uma licitação? É uma enorme irresponsabilidade desta Casa que se passe por cima da Lei de Licitações. Vejo com muita preocupação que contratos públicos sejam priorizados por raça e cor e não por competência. Esse projeto rasga a Lei de Responsabilidade Fiscal”, protestou Índio exaltado.
A reunião em que seria votado o projeto que cria o Estatuto de Igualdade Racial foi suspensa após o início da ordem do dia. O presidente da comissão especial, deputado Carlos Santana (PT-RJ), pretende retomar a reunião após do fim da sessão plenária. O DEM e o PP, no entanto, já anunciaram que mantém a obstrução.

Leia aqui a íntegra do projeto do Estatuto da Igualdade Racial

A NOVA CARA DOS DIPLOMATAS DO ITAMARATY.

Retirado do site do O Globo.
Matéria razoável, mas "pecou" em uma coisa; mesmo tendo elegido o diplomata negro como personagem central não expôs dados raciais na composição dessa turma nova e de outras mais antigas.

A nova cara do Itamaraty: mudanças democratizam o acesso ao Instituto Rio Branco e formam nova geração de diplomatas
Publicada em 29/08/2009

BRASILIA - Metido num terno cinza escuro, gravata caprichosamente apertada, sapato recém-engraxado, Amintas Angel Cardoso Santos Silva vive, sem se dar conta, um momento histórico. Nascido há 32 anos num bairro de classe média baixa de Salvador, filho de professores duros mas que investiram tudo na educação da família, Amintas fez o que deu até chegar ao terno cinza escuro. Estudou psicologia, ensinou violão, foi recepcionista bilíngue da Prefeitura de Santos, trabalhou concedendo crédito agrícola para famílias pobres no sertão da Bahia e comandou até pesquisas de opinião em borracharias. Há pouco mais de duas semanas, mudou-se para Brasília. E no último dia 12, deu nó na gravata, botou o celular pré-pago no bolso e correu para o Palácio do Itamaraty. Aprovado no último concurso realizado pelo Instituto Rio Branco, entre março e junho deste ano, Amintas foi o 72º diplomata empossado naquela tarde no Ministério das Relações Exteriores.
Seus colegas de turma começaram a chegar ao Itamaraty uma hora antes da cerimônia de posse. Dois vinham do Piauí, um do Acre, três de Goiás, 59 do Rio e de São Paulo... Eram 109, ao todo - a maioria bacharéis em direito e relações internacionais. Mas também havia físicos, jornalistas, engenheiros e até um zootécnico entre eles. Do total, 70% eram homens. O mais jovem, com 22 anos. O mais velho, com 47. Uns poucos eram filhos de diplomatas, como Pedro Penha Brasil, que nasceu em Brasília e passou a maior parte de sua vida no exterior. A maioria não tinha mesmo qualquer contato com a carreira, como a carioca Paula Cristina Pereira Gomes, formada em história, filha de um bancário aposentado e de uma cabeleireira.
A turma reflete uma mudança de perfil que vem ocorrendo nos últimos anos entre os aprovados pelo Rio Branco.
Se no passado os diplomatas ficaram conhecidos por punhos de renda, o clichê da vez podem ser as mangas arregaçadas. E isso se deve a um conjunto de fatores, a começar pela própria diplomacia brasileira, que cresceu e apareceu.
- O país ganhou peso no cenário internacional, está mais atuante, é candidato declarado e reconhecido ao Conselho de Segurança da ONU, tem participação importante na Organização Mundial do Comércio e papel nevrálgico na América do Sul. Tudo isso fez as pessoas perceberem como a diplomacia é importante e tornou a carreira mais atraente - diz o embaixador Fernando Reis, diretor-geral do Instituto Rio Branco.
Luiz Fellipe Schmidt, aprovado em segundo lugar no concurso de 2007, reconhece que achava a carreira um bocado obscura a princípio. Engenheiro de telecomunicações, ele entrou na faculdade em 1999, um ano após a privatização das teles. Quando saiu, o mercado de trabalho era o paraíso. Mas logo vieram as fusões, as empresas começaram a se reestruturar, o cenário mudou do vinho para a água. Luiz Fellipe, que já sentia que faltava alguma coisa, começou a pesquisar e decidiu tentar o concurso. Promovido recentemente, já é segundo secretário, lotado na Coordenação-Geral de Contenciosos do ministério.
- Tem todas as áreas: cultural, educacional, aeroespacial, ambiental, de direitos humanos, de direito internacional. Isso aqui é um microcosmo do mundo - ele diz.
E esse microcosmo ganhou tanta importância que em 1998 havia apenas cinco cursos de graduação em relações internacionais no Brasil e hoje existem 150. Ao mesmo tempo, o concurso para o Itamaraty começou a chamar a atenção também pela oferta de vagas. Em 1999, eram apenas 20. Desde 2006 são mais de cem por ano. A tendência é que o número seja mantido até o ano que vem. Por tudo isso (e, naturalmente, pelo salário inicial, que já foi muito baixo mas hoje é de R$ 10.906,86), os candidatos à diplomacia triplicaram. Eram 2.500 há dez anos. Hoje, são mais de nove mil.
Atualmente, as provas do Itamaraty acontecem em 18 capitais, mas houve um tempo em que era preciso ir a Brasília para a seleção. A exigência já tirava do páreo candidatos que não podiam viajar naquele momento.
- Quando entrei no Itamaraty, nos anos 60, a grande fonte de futuros diplomatas era a Zona Sul do Rio de Janeiro. Agora o processo está mais democrático. Há mais candidatos de outras cidades, com idades e histórias mais variadas. Afinal, o ministro Celso Amorim costuma dizer que nossa diplomacia deve ter o rosto do Brasil - lembra o embaixador Reis.
O professor João Daniel faz coro:
- Os diplomatas de hoje são mais coloridos, pragmáticos e experientes. Podem não saber quem compôs "As bodas de Fígaro", mas têm condições de refletir sobre a política internacional, porque estudaram bastante o assunto.
A citação à ópera de Mozart não é gratuita. Até o início da década, a primeira fase do concurso para diplomatas (que elimina mais de 90% dos inscritos) era composta de questões de conhecimentos gerais como essa. Havia perguntas sobre música (dodecafônica, até), literatura, artes plásticas e filosofia grega, que mediam muito mais o verniz do candidato do que sua capacidade de raciocínio e conhecimento real. Levava vantagem, naturalmente, quem vinha de um ambiente mais erudito e sofisticado. A maioria dos aprovados hoje ainda é de classe média alta, mas há um programa de estudos claro, que todos podem seguir.

sábado, 29 de agosto de 2009

MÍDIAS DIGITAIS NO EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Retirado do site Observatório da Cidadania.


CROSSMEDIA

Por Jussara Mangini em 25/8/2009
Reproduzido da
Agência Fapesp, 24/8/2009


Uma equipe de profissionais de várias áreas da computação está desenvolvendo ferramentas para ajudar governos a implementar o conceito de crossmedia (uso cruzado de múltiplos meios de comunicação) em serviços eletrônicos de atendimento ao público, de modo a ampliar e facilitar a interação com os cidadãos.
Coordenado pela professora Lucia Vilela Leite Filgueiras, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), o Projeto X-Gov foi criado em outubro de 2007 no âmbito do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research. Tem como proposta facilitar o processo de produção de aplicações de mídia cruzada pelo gestor público, para que ele desenvolva serviços mais rapidamente e se beneficie das novas tecnologias.
"Acreditamos que isso será melhor para o cidadão porque a diversidade de mídias dá maior alcance e disponibilidade no acesso ao governo. Sabemos que é difícil para o gestor público criar um serviço que use de forma integrada as várias mídias. Por isso, estamos desenvolvendo um software que facilitará esse processo", explicou Lucia à Agência FAPESP.
Embora bastante usado na publicidade e em jogos, na esfera governamental os pesquisadores não viram ainda nenhuma outra abordagem semelhante, nem no Brasil nem no exterior. De acordo com a coordenadora do projeto, o trabalho está atento à maneira como as novas gerações, mais acostumadas com as mídias digitais, vão querer se relacionar com o governo e exercitar sua cidadania nos próximos anos.
"Essa geração nativa digital – que já nasceu com celular, televisão e internet – acha muito natural trabalhar com tudo isso ao mesmo tempo. Desejamos ajudar os gestores públicos a fazer um governo eletrônico para essa geração", disse.



Com as novas tecnologias pode-se, por exemplo, mandar uma fotografia pelo celular para mostrar que uma obra está sendo mal feita ou fazer denúncias de desrespeito às leis. Da mesma forma, órgãos públicos podem substituir cartas ou mesmo o e-mail por mensagens de celular (SMS) para notificar as pessoas mais rapidamente sobre o andamento de determinados processos.
"O governo está começando a usar essas mídias, mas ainda de forma não integrada e com muito esforço, porque cada sistema tem que desenvolver tudo de novo. Uma prefeitura, por exemplo, tem que treinar um técnico de informática no desenvolvimento de software para celular, SMS, TV digital, etc. Queremos facilitar esse processo", indicou Lucia.
O Projeto X-Gov permitirá transições entre mídias: e-mail, SMS, TV digital, web, códigos de barras bidimensionais, click to call e outros. A ideia é que o link entre celular e TV possibilite que um determinado conteúdo acessado por celular – um vídeo de instruções, por exemplo – seja exibido também na televisão, sem prejuízo ao que estava acontecendo no celular.
"Já a transição click to call possibilitará ao cidadão que estiver navegando pelo website solicitar ajuda via telefone, apenas clicando em um botão do navegador que, automaticamente, realizará uma ligação para o usuário", disse Lucia.
No desenvolvimento do servidor que faz toda a orquestração dos usuários no crossmedia, os pesquisadores estão criando uma linguagem de programação específica e trabalhando na comunicação entre o sistema e o gestor público, para facilitar que esse crie o plano de seu serviço.


Processo de criação
Segundo a professora da Poli, uma das grandes vantagens para o gestor público é que no X-Gov a questão de compatibilidade foi muito bem resolvida, usando-se arquitetura de serviços web, que é um padrão bem aceito no governo e que dá muita flexibilidade na integração com os sistemas atuais.
Esse tipo de software é chamado de framework (arcabouço) e serve como um esqueleto sobre o qual os desenvolvedores do governo criarão seus projetos.
"Como não há serviços crossmedia disponíveis no governo para análise, o arcabouço está sendo construído a partir de sucessivas provas de conceito, cada uma focada em uma funcionalidade específica, de modo que cada ciclo contribua para a evolução da arquitetura final", explicou Lucia.
Para chegar a isso, a equipe cria um serviço fictício, estuda como esse serviço funciona e congela uma parte dele no esqueleto. São os chamados padrões de tarefa – uma abstração de algo que todo mundo faz. Por exemplo, em comércio eletrônico um padrão de tarefa é o uso de um carrinho de compras. Todo site que tem um funciona mais ou menos do mesmo jeito.
No governo eletrônico também é assim. Foram definidos 18 padrões de tarefa e para cada um deles a equipe do X-Gov está criando softwares para três meios de comunicação: web, celular e TV digital. Isso significa que serão orquestrados em torno de 54 componentes. A cada semana, a equipe tem acrescentado cerca de três novos componentes ao conjunto.



A previsão é que o framework esteja funcionado até outubro, com os componentes dos blocos de construção das tarefas de governo e das transições entre mídias. A partir daí a equipe deseja realizar uma etapa de testes com usuários.
A implementação, na prática, dependerá da aceitação e interesse dos gestores públicos. A equipe do X-Gov estima que o uso será muito natural para os "nativos digitais".


Instituto Virtual de Pesquisas
O Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research está com chamada aberta até o dia 4 de setembro para envio de propostas em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) com o objetivo de explorar a aplicação da ciência da computação aos desafios da pesquisa fundamental em áreas como educação, saúde e bem-estar, energia e ciências do meio ambiente, aí incluindo a ecologia, a biodiversidade e as mudanças climáticas.
Os recursos disponíveis para essa chamada são de R$ 1 milhão e a expectativa é selecionar em torno de cinco propostas, com valor individual entre R$ 100 mil e R$ 300 mil.
Poderão apresentar propostas pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa, públicas ou privadas, sem fins lucrativos, no Estado de São Paulo. Os projetos poderão prever a concessão de Bolsas de Iniciação Científica, Mestrado e Pós-Doutorado.



Com a chamada, a FAPESP e a Microsoft Research pretendem apoiar projetos multidisciplinares que buscam aplicação da ciência da computação para avançar o conhecimento nessas áreas. A chamada destaca o interesse particular das duas instituições em propostas relacionadas a instrumentos e técnicas computacionais na modelagem e/ou revisão de mudança climática, incluindo, por exemplo, clima, hidrologia, oceanografia e ecologia.
O Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research, resultado de um convênio assinado entre as duas instituições em abril de 2007, é uma iniciativa pioneira no Brasil que associa os setores público e privado de modo a estimular a geração e a aplicação de conhecimento em TIC.
A proposta do instituto é formar uma rede de pesquisadores capazes de criar novos conhecimentos que contribuam para expandir as capacidades da tecnologia de computação para atender mais e melhor questões-chave para beneficiar as pessoas, a sociedade e a sustentabilidade do mundo.
Clique aqui para mais informações sobre a chamada Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ENTREVISTA COM EDNEY SOUZA, CRIADOR DO INTERNEY)

Retirado do site Observatório da Imprensa.

ENTREVISTA / EDNEY SOUZA

Mídias sociais e jornalismo
Por Victor Barone em 25/8/2009
Reproduzido do blog
Escrevinhamentos, 20/8/09

"Empresário, blogueiro, sociólogo, poeta, cervejeiro, dublador, analista de sistemas, publicitário, filósofo y otras cositas más..." Assim, Edney Souza se apresenta no twitter, onde arrebanha 35.711 seguidores (até às 14h deste domingo). Atuando em informática desde 1990, Edney teve seu primeiro contato com os blogs em 2001, por meio de uma reportagem da Revista da Web. "Percebi que tratava-se de um CMS gratuito que poderia facilitar muito o processo de atualização do meu site então decidi transformá-lo em blog." Passados oito anos, Interney, como é mais conhecido na rede, tem um dos maiores faturamentos da blogosfera brasileira, iniciado com o InterNey.net e, desde 2005, solidificado em parceria com Alexandre Inagaki no mais importante portal independente de blogs da internet brasileira, o Interney Blogs (hoje com mais de 4,8 milhões de page views mensais).

Formado em Processamento de Dados pelo Mackenzie (1997), Edney Souza é um dos nomes mais respeitados da web brasileira na atualidade. Em julho fundou a Polvora, consultoria em comunicação especializada em mídias sociais que nasceu da parceria estabelecida entre a Blog Content e o Grupo RMA. Ele esteve em Campo Grande entre sexta e sábado (21 e 22/8) participando do Workshop Mídias Sociais, promovido pelo Sebrae. Suas palestras atraíram geeks, jornalistas e publicitários interessados em conhecer um pouco mais sobre esta revolução que tem exigido novos padrões de comportamento nas relações sociais e nos negócios. Logo ao chegar à cidade, na sexta, acomodado em um sofá no saguão do Sebrae, concedeu a seguinte entrevista ao Escrevinhamentos.

O microblog veio para ficar
Vivemos hoje uma febre das redes sociais, mas a internet sempre foi uma rede social...
Edney Souza – Sempre foi. O pessoal entrava em
BBS na primeira metade dos anos 90. Eu entrava em 95, para conversar com os amigos, falar. Internet, além desta plataforma onde você pode depositar conteúdo, é um grande meio de comunicação, com a vantagem de ser um meio de comunicação digital que permite que esta troca de informação ocorra por diversos meios. O que estamos vivendo hoje é esta facilidade que você tem de não só escrever, como também se fazia antigamente, mas de subir uma foto, fazer um vídeo ao vivo. Hoje, você tem MSN, Skype, pode falar em voz e vídeo ao vivo com outras pessoas do outro lado do mundo, em tempo real. É um caminho sem volta. Você não vai mais querer falar por telefone, não vai mais querer escrever uma carta. Não sei quais ferramentas estaremos usando no futuro, mas certamente a gente não vai abandonar o meio digital, a não ser que haja um colapso mundial.

Por outro lado, estas novas ferramentas surgem a cada dia. Até que ponto é difícil acompanhar esta revolução constante?
E.S. – Você tem que separar os tipos de ferramentas. Se pegarmos uma coisa que todo mundo usa hoje, que é o MSN, na verdade ele é apenas o sucessor do ICQ. Há algum tempo todo mundo perguntava "ah, será que o ICQ vai acabar?". O ICQ ainda existe, mas já não é a principal ferramenta de instant message. O formato, do MSN, no entanto, ficou, é o mesmo.

E o Twitter?
E.S. – Não sei se o Twitter vai estar de pé daqui a dois anos, pois ele ainda não tem rentabilidade própria, depende de investimento. Mas o formato de microblog veio para ficar.
Fórmulas diferentes

Por quê?
E.S. – Porque com ele você consegue acessar de qualquer lugar. Por meio de um celular, se você está em um jogo, em um debate, você já escreve na hora o que está vendo. Você está no trânsito, aconteceu algo, você tira uma foto e tuíta aquela foto no mesmo instante. Esta velocidade, esta instantaneidade é um prazer que a pessoa tem e que dificilmente vai trocar por outra ferramenta. Amanhã, pode deixar de ter um Twitter, mas você vai ter esta ferramenta de microblog. Não importa muito o nome que se dá a determinadas coisas: Twitter, ICQ, MSN, Orkut, Facebook. O que importa é o tipo da ferramenta. Muita gente está migrando hoje para o Facebook, amanhã pode estar migrando para outro produto. Ms, provavelmente, as pessoas sempre estarão em alguma rede social, pois este comodismo, este prazer já está incorporado.

Trata-se de um novo ambiente de interação e comportamento.
E.S. – Sim, e tudo muito novo. Eu e você nascemos em uma geração onde o telefone era um bem de consumo caro. Hoje, todo mundo tem um telefone celular. Hoje, mesmo quem não tem computador ou internet em casa pode ir a uma Lan e se conectar por um baixo custo. Hoje, o computador está à disposição de todo mundo. A geração que vai crescer com computador desde o minuto zero dentro de casa, vai explorar isso de formas como a gente nem imagina. Então, é uma onda que estamos vivendo agora. Assim como quem viu a TV em preto e branco se impressiona hoje com os efeitos em computação gráfica. A gente, que viu a internet através do BBS, praticamente só texto, se maravilha com as redes sociais. Daqui a 10 anos, vai mudar radicalmente de novo. Vai continuar mudando toda hora? Vai. Para onde vai? Não tenho a menor idéia.

Existe fórmula para transformar um blog em uma ferramenta rentável?
E.S. – Existe fórmula. Agora, precisa ver se a fórmula se aplica a todo mundo. Existem algumas maneiras de você rentabilizar um blog. São três caminhos principais. Você é um produtor de conteúdo e usa o blog como portfólio para mostrar a qualidade de sua produção, conseguindo trabalhos através dele. Você pode usar o blog para criar reputação em um determinado mercado e, através desta reputação, se colocar em melhores trabalhos, vender mais produtos, conquistar mais clientes, melhores funcionários, se posicionar melhor no mercado. Ou, você pode, efetivamente, criar um veículo, publicar textos diariamente sobre determinado assunto, conquistar uma grande audiência e vender publicidade. Então, você pode usar o blog como uma vitrine para vender algo, usar como uma vitrine para se vender, ou usar como vitrine para vender outros produtos através daquela audiência. Para cada um destes caminhos existem fórmulas diferentes. Agora, não necessariamente todo mundo precisa se encaixar nestas fórmulas.

Produzir conteúdo adequadamente
E no meio disso tudo ainda há espaço para a vocação inicial do blog? Ser um diário pessoal.
E.S. – Sim. Por exemplo, sou escritor e quero organizar um livro. Estou usando o blog como uma escrivaninha onde amontôo os textos enquanto o livro não sai. Estou fazendo terapia e estou usando o blog para descarregar as coisas da minha cabeça, para desestressar, para relaxar. Estou usando o blog para contar meu dia a dia, sem nenhuma pretensão. Tem que existir ainda este espaço despretensioso. Assim como no mundo offline existe este espaço despretensioso, isso continuará existindo no mundo digital. E o blog se presta a este papel.
Dentro destes três caminhos, dois se adequariam bem para jornalistas que queiram usar um blog como ferramenta de negócios.
E.S. – Sim. Para os jornalistas, o portfólio é muito interessante. O cara quer contratar um jornalista, dá uma olhada no blog dele e já sabe qual a qualidade da produção textual daquele cara. Ou, transformar aquilo em um mini-veículo. Ao invés de você ser o colunista de algum jornal, você dá uma grandiosidade para sua coluna, na qual você pode vender publicidade diretamente nela.
Em 2007, você e o Alexandre Inagaki criaram o maior portal de blogs independente do Brasil. Que análise você faz desta experiência?
E.S. – Em fevereiro de 2007, colocamos o bloco na rua efetivamente, mas começamos a conversar em janeiro de 2006. Parecia um negócio maluco na verdade. Hoje eu olho e a coisa parece muito óbvia: pegar um monte de gente que escreve e reuni-las em um veículo grande. Na verdade, os jornais surgiram assim. Reuniam um monte de jornalistas, colunistas, repórteres e tinham um jornal. Para mim, que não vim de comunicação, pensar que eu poderia ter um grande veículo era algo fantástico. Hoje, o Interney Blogs está com 4,8 milhões de page views por mês. É uma enormidade. É maior que muitos jornais pelo Brasil. A grande transformação foi mostrar que, mesmo alguém que não é de comunicação, tem condições de ter um espaço na rede se souber produzir este conteúdo adequadamente.
Publicidade online
E este não é um campo privativo do jornalista.
E.S. – Ontem (20/8) teve o
Blogcamp Espírito Santo. Uma das funcionárias da Polvora que nos representou lá foi a Carla Coutinho e o pessoal perguntou a ela sobre o diploma de Jornalismo e ela disse que diploma de jornalismo morreu com os blogs, há muito tempo. E não é que não valha a pena se formar em Jornalismo, é óbvio que se você gradua em Jornalismo, vai ter muito mais técnica e conhecimento para poder conquistar seu espaço. Eu sou formado em processamento de dados. Você não precisa se formar em processamento de dados para aprender a programar computador. Mas, quando você se gradua, tem muito mais capacidade e facilidade em crescer no mercado. O pessoal tem que perceber essa mudança de paradigma, esta liberdade, não como um esquema onde ninguém é de ninguém, onde as pessoas perdem seu espaço, mas onde há democratização da informação. Se você é capaz de produzir bom conteúdo, entende de alguma coisa, tem condições de ir à luta e conquistar seu espaço digital. O espaço digital não depende de concessão de governo, de grandes investimentos. Você consegue se estabelecer inicialmente com uma ferramenta gratuita.
Você lê algum jornal impresso, ou só se informa através da internet?
E.S. – Só leio jornal impresso quando me entregam aquele
Jornal Destaque ou o Metrô, no carro, quando estou indo para o trabalho. Dou aquela folheadinha rápida para dar uma olhada nos highlights. Se não jogassem estes jornais na minha mão eu não leria absolutamente nada de jornal tradicional. Acabo lendo links, um ou outro, em forma de twitter e rss feed. Muitas vezes, um blog que estou lendo no feed ou no twitter passa um link de uma mídia tradicional e aí eu vou ler. O que me pauta são os amigos e algumas pessoas que são referências para mim e não as capas de jornais e portais.
Em
entrevista concedida ao Júlio Borges, no Digestivo Cultural, em maio do ano passado, você disse que "O jornal se distanciou da população e vive da transferência de reputação do papel – só que a receita do on-line não paga a estrutura off-line, que sustenta essa reputação.". Esta situação piorou de um ano para cá?
E.S. – Isso piorou um pouco. Se a gente pegar como exemplo os Estados Unidos, onde este processo está muito mais adiantado do que aqui, o grande problema dos jornais foi começar a vender a publicidade online como bonificação. O que aconteceu? No momento em que o público-alvo daquela mídia já estava em grande parte no online e aquele anunciante começou a ver que o anúncio online estava dando muito mais retorno, ele disse que queria só o online. Só que o online era bonificação. Ele agora não topa pagar por algo que antes estava ganhando de graça.

O que o pessoal fala nas ruas
Prostituíram o mercado muito cedo...
E.S. – Exatamente. Eles estragaram o próprio mercado. Dizer que os blogs estão tomando espaço dos grandes jornais é megalomania de blogueiro. Os próprios jornais é que entraram errado no mercado digital. Lá nos Estados Unidos muito jornal já quebrou e estão criando um monte de modelos. Se você acompanhar o
De Repente, do Rafael Sbarai, todo dia ele fala de alguma coisa nova que os jornais de lá estão tentando fazer para se manter. Criam sessões fechadas, serviços de rede social, misturam twitter com a home, criam jornalismo colaborativo, contratam blogueiro, demitem colunista, faz isso, faz aquilo, é um caos. Não dá para pintar um cenário de como isso vai se solidificar.

Você disse que o jornal se distanciou da população...
E.S. – O Rodrigo Lara Mesquita diz que no tempo dele o jornalista andava no meio do povo, estruturava aquilo no jornal e no outro dia ele estava vendo como aquilo repercutiu. Ele era uma câmara que ressoava a informação da sociedade. A partir do momento em que o jornalista deixa de andar nas ruas, está na redação coletando informação pela internet, traduzindo o que chega, ele cria um mundo onde só repercute dentro dele mesmo. O que as pessoas estão discutindo no MSN, Orkut, blogs, fóruns, listas de discussão às vezes passa longe daquilo que o jornal está discutindo. Então, o jornal passou a ser um veiculo feito para os jornalistas e para os assinantes mais tradicionais, acaba virando uma câmara de eco ao invés de algo que está reverberando, algo que aborde assuntos que de fato a sociedade esta discutindo.

Você acredita que a tendência é que esta mídia tradicional vá perder cada vez mais espaço?
E.S. – O que tem acontecido muito nos Estados Unidos, que como eu disse está mais adiantado nesta relação, é a criação de nichos locais. Sou um jornal de Nova York, tenho um repórter no Central Park, outro no Brooklin etc. Vamos falar do que está acontecendo aqui, no âmbito local. Vou falar de algo estadual, nacional ou internacional se é algo que o pessoal está falando nas ruas. É fazer o cara voltar às ruas. Obviamente, quando estou falando isso, estou generalizando. Tem muita gente que está trabalhando bem dentro deste espectro. Mas, no geral, eu vejo as redações dos jornais como lugares onde todos estão sentados traduzindo informações que vêm de outro lugar. O cara não está na rua coletando. Confesso que não conheço os veículos aqui de Campo Grande, mas será que o que pessoal está falando aqui é efetivamente o que as pessoas estão falando nas ruas? Ou são apenas ecos de jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília? O que é mais importante para a população local? É evidente que o que se decide em Brasília afeta o país todo, o que é decidido na economia de São Paulo também, mas será que o que está acontecendo a duas quadras da sua casa não pode afetar muito mais sua segurança, saúde, sua capacidade de criar negócios locais?

Conteúdo pago é barreira adicional
O que falta para que a imprensa encontre um modelo de negocio viável na internet?
E.S. – Primeiro tem que aprender a valorizar o online e não desvalorizar, como foi feito. Não se pode hiper-valorizar também, como alguns estão fazendo. É preciso fazer uma transição entendendo que esta faixa da população, com idade entre 25 e 35 anos, que é quase 100% da população economicamente ativa, têm os veículos impressos no quarto ou quinto lugar entre suas fontes de informação. É preciso criar modelos para capitalizar junto a este público. O que faz este cara consumir esta informação digital em detrimento de outra? Falta entender quem é o seu leitor, quem é o cara para quem você está escrevendo. O jornal se tornou uma instituição que construiu um estilo próprio e se prende a este estilo. Talvez seja hora de mudar este estilo, de rejuvenescer sua linguagem e a forma como os assuntos são abordados para que você faça mais sentido para as faixas etárias que estão subindo na escala econômica.

Seria importante para a formação do jornalista um conhecimento mais aprofundado sobre as ferramentas da internet e sobre noções de empreendedorismo que permitam a ele atuar economicamente sobre estas ferramentas?
E.S. – Sim. Acho isso absurdamente importante, 100% importante. Se os grandes jornais estão bem estabelecidos, eles começaram lá atrás, com um cara que escrevia e vendia o anúncio. Aos poucos, este cara criou uma estrutura e virou uma regra não misturar comercial e editorial. Só que, quando este cara começou, sozinho lá atrás, ele fazia tudo. Ele era o gráfico, escrevia, vendia, resolvia tudo. Estão faltando caras como estes nos dias de hoje. Falta o cara que construa do zero. É o cara que vai montar um veiculo digital, vai escrever, vai vender publicidade. Ele tem que repensar está fórmula do zero.

Qual sua opinião sobre a polêmica do conteúdo pago nos jornais online?
E.S. – Muito difícil se estabelecer, pois as pessoas hoje são emissoras de informação. O cara lê uma coisa no jornal, o outro lê no Twitter, o outro no MSN, e a coisa anda. Quando tivemos em São Paulo o toque de recolher promovido pelo PCC, o vice-governador foi à TV dizer que não havia problema algum e ainda assim todo mundo foi para casa. A notícia se espalhou via
SMS. A mensagem do SMS prevaleceu sobre todo e qualquer tipo de mídia estabelecida. A partir do momento em que as pessoas confiam mais na informação dada por seus amigos e familiares do que na imprensa, a imprensa querer cobrar por esta informação é querer criar uma barreira definitiva. O conteúdo pago é uma barreira adicional. Hoje ninguém tem aquela confiança no jornal que se tinha há 50 anos atrás.

Um montão de blogs bons

Há um preconceito entre o profissional de imprensa e o blogueiro?
E.S. – Existem mais blogueiros com megalomania, que acham que seus blogs são mais importantes que a mídia tradicional. Também há jornalistas preconceituosos, mas a maioria já está utilizando a ferramenta de blog para o colunismo. Acho que existem mais blogueiros com este pensamento que jornalistas. Alguns jornalistas escrevem puro lixo e são adorados, pois conseguiram transferir do meio offline tradicional para o meio online uma reputação e você vê nos comentários as pessoas endeusando o cara. Mas, se você for parar para ler o que ele escreveu e desconstruir, procurar até onde é verdade ou bulshitagem, você vê que o cara escreveu um monte de besteira. Quando as pessoas tiverem mais opções de informação, provavelmente estes caras já terão morrido. Agora, tem muito blogueiro que copia e cola notícia e acha que é um grande e relevante formador de opinião. Tem que entender que alguns caras que estão aí com muita audiência pesquisam para caramba antes de produzir um conteúdo. Sou fã de alguns blogueiros. Você lê o texto do cara e tem ali uns 15 links. O cara leu uma porrada de coisa antes de escrever aquilo. Há um trabalho de pesquisa, cuidado, você não senta inspirado e espirra um texto. Você, por exemplo, está fazendo uma série de perguntas para mim de coisas que você leu. Esta é a diferença que a formação jornalística dá, coisa que muito blogueiro não tem e acha que vai surgir do nada.

Que análise você faz da blogosfera brasileira?
E.S. – Falta muito blogueiro produzindo conteúdo primário. O cara que vai a campo apurar a informação no minuto zero. Hoje, o blogueiro vive muito, não de copiar e colar, mas de montagem. Ele lê um jornal, ouve uma pessoa, pega ali um comentário, e a partir disso monta algo. Falta o cara que vai à rua, fotografa, filma, entrevista, vai a campo para ver efetivamente o que está acontecendo. É o trabalho jornalístico. O blogueiro quer se posicionar como sucessor da mídia, mas ele não está fazendo trabalho jornalístico.

Mas, não necessariamente, um blog necessita ser composto por conteúdo jornalístico. O sujeito pode querer apenas comentar determinado assunto e pode fazer isso com ou sem qualidade.
E.S. – Sim. Quando eu digo que falta esta produção primária é porque se há o desejo – e muitos blogueiros expressam isso – de ser a nova mídia, acho que para isso falta esta produção primária. Se você quer apenas um espaço de publicação de conteúdo, não precisa de nada, continua escrevendo descompromissado, beleza, tranqüilo, está certíssimo. Mas, para a galera do tipo "eu sou a nova mídia", falta comer muito arroz com feijão. Assim como falamos de jornalistas que tem que aprender sobre empreendedorismo, o blogueiro que quer ser nova mídia tem que aprender técnicas jornalísticas, tem que aprender a escrever, não só na forma gramaticalmente correta, mas aprender a apurar, pautar, buscar informação etc.

Quais os blogs que você lê por prazer?
E.S. – Gosto do
Pensar Enlouquece, do Inagaki, do De Repente, do Rafael Sbarai, que fala sobre comunicação, do Thiago Doria, gosto de ler o blog do André Pugliesi, do LLL, gosto do Filme do Chico, que é um blog de cinema. Gosto de ler o Blog de Guerrilha. Tem um montão de blogs bons.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

VEREADOR ACUSA VEREADORA DE RACISMO EM MG

Retirado do Blog Não somos racistas

CINE NEGRO SANKOFA APRESENTA FILME "O SOL"

Retirad do blog Sankofa.
Para ampliar clique na imagem.


mauritanense encanta-se com a possibilidade de trabalhar em Paris na esperança de obter uma vida melhor. Contudo “la douce et belle France” esconde duras relações de trabalho e racismo. A narrativa do filme se passa na França libertária do final dos anos de 1960 na perspectiva dos africanos imigrantes.
Na Uerj- Rio!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

REVISTA ACADÊMICA DA FGV ACEITA ARTIGOS

Recebido por email.

Revista acadêmica da GV aceita colaborações até 15 de setembro

A revista semestral de artigos acadêmicos Cadernos Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getulio Vargas convida pesquisadores na área de administração pública e de ciências sociais com foco em gestão e políticas públicas a submeterem artigos para avaliação e seleção do periódico. Os trabalhos devem ser encaminhados no formato de arquivo de Word, gravado em disquete, CD ou por via eletrônica. Os originais não devem exceder 25 páginas de 1250 caracteres por página. Mais especificações estão no blog Casa da Política. Os artigos devem ser enviados ao e-mail: cadernosgpc@fgvsp.br.

FUNDAÇÃO PALMARES SELECIONA PROJETOS QUE COMEMOREM O DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Recebido por email.

Fundação Palmares seleciona projetos de atividades culturais comemorativas ao Dia Nacional da Consciência Negra
A Fundação Cultural Palmares receberá, até 14 de setembro de 2009, inscrições para a Seleção nº 1/09, tendo por objetivo a seleção de projetos de realização de atividades culturais durante novembro, em comemoração ao "Dia Nacional da Consciência Negra". Os projetos deverão ter como tema e inspiração a Diáspora Africana no Brasil e o III Festival Mundial de Artes Negras e deverão prever atividades em teatro, dança, música, literatura, cinema, moda, artesanato, culinária, formação cultural ou seminários com temas políticos e sociais voltados à questão negra e afro-brasileira.
A seleção será feita em duas categorias: Projeto Individual, de produtores/as, professores/ as, agentes culturais de uma maneira geral, que desenvolvam trabalhos voltados para a cultura negra e afrobrasileira; e Projeto de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos, de instituições privadas sem fins lucrativos de natureza cultural, consolidadas na atuação com a cultura negra e afro-brasileira com, no mínimo, três anos de existência. Serão selecionados até 15 projetos, distribuídos regionalmente. Cada projeto selecionado na categoria Projeto Individual receberá o valor de até R$ 20 mil e cada projeto da categoria Projeto de Entidades Privadas, o valor de até R$ 40 mil.

Para saber mais sobre a seleção, consulte as páginas da Fundação Cultural Palmares e do Ministério da Cultura sobre o assunto.

Documentos do edital (versões em DOC):
>> Formulário de inscrição
>> Relatório de atividades
>> Declaração
>> Recurso para Habilitação
>> Recurso para Seleção
>> Termo de Licenciamento de Direitos Autorais
>> Relatório final de execução do projeto
>> Release III FESMAN

EDITAL ABERTO PARA AJUDA DE INTERCÂMBIOS E DIFUSÃO CULTURAL

Recebido por email.

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural - Edital nº 2/2009
Para viagens em novembro, inscrições até 31 de agosto


O Ministério da Cultura divulga o segundo edital de 2009 do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, que cobrirá as viagens a se realizarem de julho de 2009 a abril de 2010, para as quais serão disponibilizadas, no total, R$1,9 milhão, do Fundo Nacional da Cultura (FNC). O programa se destina a artistas, técnicos e estudiosos da área cultural, convidados a participar de eventos fora do seu local de residência, para apresentar trabalho próprio, fazer residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura. O evento deve ser promovido por instituição brasileira ou estrangeira, de reconhecido mérito, desde que não seja apoiado ou realizado pelo Ministério da Cultura, ou por uma de suas instituições vinculadas.


As inscrições variam de acordo com o mês em que se realizará a viagem (ver calendário abaixo). Em Brasília, os interessados que não tiverem acesso à internet podem se encaminhar à sede do MinC na Esplanada dos Ministérios, bloco B, 1º andar, Divisão de Atendimento ao Proponente/SEFIC, onde será disponibilizado, das 8h às 18h de segunda a sexta-feira (exceto feriados), computador para inscrição.
É possível anexar documentos comprobatórios do currículo, ou outros tipos de material (artigos publicados, portifólio etc) que o candidato julgar relevantes para a análise. Podem se inscrever pessoas físicas, grupos ou entidades culturais privadas e sem finalidade lucrativa, cujas candidaturas serão divididas em solicitações de grupo e solicitações individuais, que concorrerão separadamente. Apenas no caso destas últimas poderão ser apresentados pedidos com vistas a residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura.
Mudanças e critérios - No tocante aos critérios para atribuição de pontos, houve algumas modificações em relação ao Edital nº 1/2009. No intuito de fortalecer a disseminação das ações culturais no interior do país, além da bonificação de 0,5 às candidaturas originárias de fora de Brasília e das capitais estaduais, também dela se beneficiarão aquelas destinadas a eventos a se realizarem fora das referidas localidades.Em observância às políticas públicas do Governo Federal, também receberão um bônus de 0,5 as encaminhadas por comunidades tradicionais, incluindo: povos indígenas, quilombolas, ciganos, povos de terreiro, irmandades de negros, agricultores tradicionais, pescadores artesanais, caiçaras, faxinalenses, pantaneiros, quebradeiras de coco babaçu, marisqueiras, caranguejeiras, ribeirinhos, agroextrativistas, seringueiros, fundos de pasto, dentre outros grupos.


A bonificação de um ponto aquelas destinadas à participação em eventos a ocorrerem na América do Sul ou na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) permanecerá.
Os critérios a serem considerados na avaliação serão os seguintes: relevância do evento e da instituição promotora para a área cultural da atividade desenvolvida; adequação do histórico de atuação do candidato ao trabalho ou estudo proposto; relevância da atividade a ser realizada/desenvolv ida para a área cultural em que se insere; caráter inovador ou experimental da atividade; contribuição para a difusão e a valorização das expressões culturais brasileiras; intercâmbio e apropriação de tecnologias e conhecimento e troca de experiência. Cada item vale até 5 pontos, e a pontuação mínima para classificação é 16.


Confira o edital:
Edital de intercâmbio nº 2/2009
Calendário de inscrições:
Data das viagens previstas e prazo para encaminhamento das solicitações:Julho - até 31/5/2009Agosto - até 31/5/2009Setembro - até 30/6/2009 (inscrições prorrogadas até 05/07/2009. Confira a
Portaria de prorrogação)

Outubro - até 31/7/2009Novembro - até 31/8/2009Dezembro - até 30/9/2009Janeiro de 2010 - até 31/10/2009Fevereiro de 2010 - até 3 0/11/2 0 0 9Março de 2010 - até 20/12/2009Abril de 2010 -até 20/12/2009

Faça a sua inscrição:
Inscrição de grupos:
http://www.cultura. gov.br/site/ edital-de- intercambio- n-2-2009- requerimento- de-grupo- entidade/
Inscrição individual:
http://www.cultura. gov.br/site/ edital-de- intercambio- n-2-2009- requerimento- individual/

ABRAJI OFERECE CURSO ONLINE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO E EDUCAÇÃO PARA JORNALISTAS

Retirado do blog JORNALISMO NAS AMERICAS.

Blog de Notícias
O curso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (
Abraji) em parceria com o Instituto Ayrton Senna (IAS), é gratuito e terá início no dia 18 de setembro. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de setembro.
Fundamentalmente prático, o curso ensinará onde encontrar e como processar dados sócio-econômicos para o Brasil e outros países do mundo. Ao longo de cinco semanas, serão enfatizados os indicadores de desenvolvimento humano (IDH de países e municípios, sobretudo) e educação (taxa de analfabetismo, analfabetismo funcional, indicadores de qualidade de ensino, como Enem e Prova Brasil).

Os participantes também aprenderão a navegar pelo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, um banco de dados com mais de 200 indicadores de todos os municípios do país.

Leia mais detalhes sobre o curso no site da Abraji.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO NO TREM BALA RJ-SP

Retirado do excelente blog SedentárioHiperativo.
Apesar desse caso ser uma discussão aparentemente dos estados carioca e paulista é bom lembrar que envolve a principal metrópole brasileira com alta concentração populacional, ou seja, com certeza irão meter o dedo em verbas federais. É bom lembrar que o argumento para fazer esse trem é a copa de 2014.

A Conspiração Maglev-Cobra

“Caros amigos, eu tenho duas coisas muito importantes para dizer a vocês. A primeira é muito boa e trata-se de uma notícia que muita gente está esperando faz tempo. Nós queremos entrar na alta velocidade!
Sim, estou falando novamente do
Maglev Cobra.
Até agora estávamos trabalhando duro na elaboração do trem de operação
urbana – onde estão os maiores problemas de transporte atualmente. Já recebemos aportes financeiros importantes que estão viabilizando a construção do primeiro trem operacional, que ligará os novos centros de tecnologia na cidade universitária (UFRJ), na Ilha do Fundão.
Mas a coisa felizmente está melhorando cada vez mais. Novos contatos com a Transrapid alemã já permitem a construção – com transferência de tecnologia! – de um Maglev Cobra de alta velocidade. Sim, meus amigos, estamos falando de um trem de levitação, totalmente nacional, viajando acima dos 200km/h. E o que é melhor, CUSTANDO A METADE DO PREÇO cobrado pelos TAVs, que pleiteiam este polpudo contrato, prometendo mentirosamente fazer o trem a tempo da copa de 2014.
A segunda coisa que eu quero falar com vocês é muito séria e preocupante. Infelizmente, a grande mídia não abriu a boca (estranho, não?) ainda para falar isso.
Está em curso um perverso e vergonhoso crime contra a ordem econômica. Eu não quero assistir calado uma enorme sacanagem que os espertos de sempre, esses carrapatos que mamam nosso dinheiro nas tetas polpudas do poder vem tramando. Então resolvi meter logo o dedo na ferida e que se dane!
Eu não vou fazer isso porque sou maluco, kamikase ou coisa do tipo. Eu faço isso porque sei que este blog recebe visitas de milhares de babacas inúteis e criaturas acéfalas que não fazem a menor diferença, mas ele igualmente recebe a visita de milhares de pessoas inteligentes e íntegras que não gostam de ver sacanagens grossas acontecendo. São pessoas que reconhecem e admiram o trabalho que cientistas como o Dr. Eduardo David, meu pai e o professor Richard, além de muitos outros, que dedicam suas vidas para trazer à população melhorias e qualidade de vida, buscando mudar da melhor forma a idéia errônea de nossa vocação puramente agrária, de colônia.
Todos nós sabemos que o Brasil tomou a decisão da construção de uma linha ferroviária de alta velocidade, ligando as cidades do Rio e São Paulo.
Sabemos também que grandes empresas e consórcios internacionais, de olho nesta gorda fatia, se locupletaram em arranjar e proferir aos quatro ventos que detém tecnologias de ponta, que podem vender para o Brasil.
Curiosamente, os italianos dizem que o melhor trem é o italiano. Os alemãs dizem que o melhor trem é o alemão, os Japoneses dizem que o melhor e o deles, os franceses dizem que o melhor é o francês e assim vai. (estranho seria se não fosse assim.)


Mas fica a questão: Enfim, que tecnologia é a melhor para o Brasil?
Em busca de respostas, e visando estabelecer um embasamento técnico para a ligação do Rio a São Paulo por alta velocidade, o Brasil gastou DO SEU DINHEIRO DOIS MILHÕES DE DÓLARES, contratando uma consultoria inglesa que deveria dizer enfim a melhor tecnologia para ligar Rio-São Paulo, orientando o processo de licitação, e estabelecer o traçado – veja, algo FUNDAMENTAL, onde não se poderia admitir erros.
Detalhe: coisa que meu pai, Phd em transportes com mais de 30 anos de experiência ferroviária, fez DE GRAÇA e DEU PRO GOVERNO! O governo se lixou e ele publicou em um livro.

Para ler o restante da postagem clique aqui
.

AÇÃO AFIRMATIVA EM DEBATE NO RJ

Recebido por email.

O Brasil é um país racista ? As cotas para negros em universidades são uma alternativa para reduzir o fosso econômico e social que existe em relação à população branca ? As chamadas Políticas de Ação Afirmativa são um instrumento eficiente de inclusão social ?
Estas e outras questões polêmicas serão abordadas no debate do dia 30 de agosto, domingo, às 17 horas, na sala de vídeo da ASA (rua São Clemente, 155 - Botafogo). Os debatedores serão o jornalista Carlos Alberto Medeiros e o professor da UERJ José Roberto Pinto de Góes. Ambos utilizarão material audiovisual para expor seus argumentos.
O evento tem patrocínio conjunto da ASA e do COMDEDINE – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro.
Venha e traga seus amigos. Vamos nos informar melhor para qualificar nossas opiniões.
Entrada franca.

2º SEMINÁRIO ESTADUAL O NEGRO NA MÍDIA

Recebido por email.
Para ampliar clique na imagem.

Amig@s,
Abaixo, o cartaz promocional do 2º Seminário Estadual O Negro na Mídia - A invisibilidade da Cor que neste ano apresentará a temática Os Indicadores da Negritude e os Meios de Comunicação, e do Encontro Latino-americano de Comunicação, Afrodescendentes e Censos de 2010. Os dois eventos estão marcados para os dias 17 e 18 de setembro próximo. Inscrições até o dia 15/09 pelo e-mail
web@jornalistasrs. brte.com. br com solicitação da ficha de inscrição. Entrada franca!Abraços,Vera Daisy
.

SISTEMA DE COTAS MUDA PERFIL DE UNIVERSITÁRIOS DE PERNAMBUCO

Retirado do site Diário de Pernambuco.

Uma pesquisa divulgada em 2003 pelo IBGE, que cruzava dados econômicos e sociais, apontava que seis em cada dez estudantes de universidades públicas do Brasil pertenciam às camadas mais ricas da população. A política das cotas, no entanto, está mudando o perfil dos ingressantes no ensino superior gratuito. Pelo menos no estado. De acordo com um levantamento inédito realizado pela Universidade de Pernambuco (UPE), mais de 50% da evasão nos cursos da instituição é causado por problemas financeiros dos alunos. São universitários que, sem dinheiro para transporte e alimentação, terminam abandonando a sala de aula. Mais de 90% deles passou no vestibular através das cotas. Apesar de 60% tirar boas notas, a maioria precisa de ajuda para continuar estudando e reescrevendo a história de suas famílias: garantir o primeiro diploma da casa.
Desde o início de julho, 150 alunos de baixa renda estão recebendo uma bolsa no valor de R$ 250 por mês. O programa, desenvolvido com recursos próprios da UPE, sinaliza duas verdadesincontestáveis. A primeira é que há, de fato, maior acessibilidade à universidade pública que em décadas anteriores. A segunda é que ainda faltam políticas sociais que garantam a permanência desses jovens no ensino superior. "A maior renda per capita dos alunos que estão ganhando a bolsa é de R$ 166,66. Esses dados provam que existe uma mudança de perfil dos alunos. Até mesmo em cursos que antes eram mais elitistas, como medicina", avaliou o pró-reitor de Extensão e Cultura da UPE e criador das bolsas de permanência, Álvaro Vieira.
Dos 150 alunos que recebem o auxílio mensal, 12 estudam medicina. Entre eles está o estudante Esaú da Silva Santos, 19 anos, estudante do 2º período. A história de superação do jovem que mora na zona rural de Jaboatão dos Guararapes encantou o Brasil inteiro. Na casa onde ele mora não existe água encanada, as camas são improvisadas e a comida, às vezes, falta. Mesmo assim ele sai cedinho e anda 40 minutos para pegar um ônibus com destino à Faculdade de Ciências Médicas da UPE. "Abolsa ajuda muito a vida da gente. Com o dinheiro posso pagar alguns livros e cópias com assuntos das aulas", comentou.
"Nossa ideia é ampliar o número de contemplados. Definitivamente, o conceito de que o aluno de universidade pública chega de carrão não é regra. Temos muitos alunos carentes, que precisam do suporte da universidade para continuar seus estudos. Principalmente nos nossos câmpus do interior", afirmou o reitor da UPE, Carlos Calado. Dos 18 mil alunos matriculados nas graduações da universidade, cerca de 1 mil vivem em condições de baixa renda. O governo do estado marcou uma reunião em outubro, em que avaliará a possibilidade de aumento das bolsas e a criação de obras como casas do estudante e restaurantes universitários.

PRIMEIRA JUIZA NEGRA DO PAÍS LANÇA LIVRO SOBRE O NEGRO NO SÉCULO XXI

Retirado do site Correio 24horas .

24.08.2009
Ana Cristina Pereira Redação CORREIO
O tom impessoal do livro O negro no século XXI é apenas uma opção estratégica. Escrito pela juíza baiana Luislinda Dias de Valois Santos, 67, reúne artigos sobre temas variados como cultura, educação, políticas públicas, justiça social e religião. Todos mediados pela experiência negra no país pós-escravidão.
Poderia ser a história da própria Luislinda, que teve avô escravo, pai motorneiro de bonde, cuidou dos irmãos menores quando a mãe morreu precocemente e só se formou advogada aos 39 anos. E era essa mesmo a intenção, quando ela começou a escrevê- lo.
Seria um desabafo diante de mais uma situação difícil: dois processos contra ela , já arquivados por falta de provas, no Tribunal de Justiça da Bahia. Isto foi no início desta década. “Não fiz pesquisas. Tudo que falo é por conhecimento de causa”, afirma Luislinda, que lança o trabalho quarta- feira, às 19h30, na Saraiva Megastore (Salvador Shopping).

Luislinda foi a primeira negra brasileira a entrar para a magistratura
Foto: Divulgação/Ricardo Prado
Sobre a escola pública, por exemplo, fala com intimidade. Foi no Colégio Duque de Caxias, na Liberdade, que ouviu a sentença de um ex-professor, irritado por causa de seu pobre material escolar: “Se não pode comprar é melhor parar de estudar e ir cozinhar feijoada na casa de branca”.
E se o tema é religião, recorda, foi testemunha das idas e voltas da tia Helena Grande a uma delegacia para pegar autorização para o funcionamento do terreiro de candomblé, no bairro de Pirajá.
Mas Luislinda resolveu tirar o foco de si mesma,e tratar de temas caros à maioria. Como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas, que defende com veemência. “O sistema de cotas aproxima pessoas que vivem de forma desigual”, defende a magistrada, que integrou a equipe que implantou a medida na Uneb.
Ela também defende a ampliação das cotas para setores como o serviço público. “Precisamos ter mais médicos, engenheiros e juízes negros. É preciso oportunizar. A competência e a inteligência não são privilégios de uma única raça”, discursa.
Guerreira
Mãe do promotor de justiça Luis Fausto - que atua em Sergipe -, e avó de duas meninas, Luislinda diz que sempre falou para eles que ser negro é maravilhoso. Mas também que não era para deixar ninguém tomar conta deles. “Sou muito séria nas minhas posições. Não posso vacilar, afinal sou negra, pobre, vim da periferia, sou divorciada e ainda sou rastafári”, brinca.
Primeira juíza negra brasileira, Luislinda também foi a primeira a dar uma sentença tendo como base a Lei do Racismo. Foi a ação movida por Aila Maria de Jesus, que se recusou a abrir a bolsa num supermercado, depois de ter sido acusada injustamente de ter roubado um frango e um sabonete.
A trajetória da magistrada impressionou a jornalista paulista Lina de Albuquerque, autora do livro Recomeços, que reúne histórias de pessoas que foram capazes de reconstruir a vida diante de uma situação adversa. Depois de fazer um pequeno perfil da baiana para a publicação, Lina
está escrevendo a biografia dela, que deve ser lançada até o final do ano.
Na época em que participou do Miss Mulata (1966)
Foto: Arquivo Pessoal
Há ainda uma articulação para um documentário. “Vamos mostrar como é difícil ser negro na Bahia”, afirma Luislinda, que atuou durante seis anos em Curitiba e diz que lá foi mais bem-aceita.
Atualmente, ela está em licença- prêmio da função de titular do juizado da Faculdade Jorge Amado. E ainda hoje, conta, se depara com situações como a da advogada que estava em sua cadeira e não acreditava que estava diante da juíza. “Tenho sempre que me impor”, reitera.
Entre os planos para o futuro está o de ser nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. “Sou a sétima juíza mais antiga e tenho competência para isso”, provoca a filha de Iansã, que joga búzios, lê cartas e frequenta o terreiro Dembaukueman, da ialorixá mãe Bebé, no Buraco da Gia (Vasco da Gama).
“Adoro vermelho. É a cor da dona da minha cabeça”, diz Luislinda, referindo-se à orixá guerreira. A cor ela traz até nos cabelos. “Acompanho a evolução”, diverte-se a juíza, que já usou black power e concorreu a Miss Mulata em 1966. Ficou com o título de Simpatia.
FICHA Livro O negro no século XXI Autora Luislinda Dias de Valois Santos Editora Juruá H Preço R$19,90 (83 páginas) Lançamento Quarta, às 19h30, na Saraiva Megastore (Salvador Shopping)

RAPAZ É CONDENADO NO PARÁ POR RACISMO CONTRA ÍNDIOS EM COMUNIDADE DO ORKUT

Retirado do site do jornal O Globo.

Crime de intolerância

SÃO PAULO - O juiz da 4ª Vara da Justiça Federal do Pará, Wellington Cláudio Pinho de Castro, condenou a dois anos e seis meses de prisão Reinaldo A. S. J. pelo crime de racismo contra índios praticado por meio do Orkut. Como o rapaz é réu primário, a pena foi substituída por prestação de serviços comunitários pelo período da pena justamente na Fundação Nacional do Índio, a Funai. Por dia de condenação, ele prestará serviços durante uma hora. Além disso, o rapaz foi multado em R$ 20, valor que também será recolhido à Funai.
Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Pùblico Federal em 2007. Segundo os promotores, ele integrava uma comunidade batizada de "Índios... Eu Consigo Viver Sem", que teria sido criada para propagar idéias racistas e que inferiorizava os grupos indígenas.
O MPF lembrou que, por várias vezes, o rapaz, que era membro ativo da comunidade, se manifestou "de forma extremamente racista e preconceituosa"
A defesa do rapaz disse que ele não queia promover preconceitos raciais e que "chegou a chorar, pedindo desculpas". Alegou ainda que ele agiu sem intenção deliberada de praticar o crime e nunca pretendeu induzir ou incitar qualquer pessoa ao preconceito.
O juiz, porém, disse que o delito ficou evidente nas mensagens. Numa delas, ele teria escrito "Sou capaz de viver sem os índios porque eles são incapazes, não tem responsabilidade civil, portanto não existem (...) Mas alguns andam de Mercedes-Benz, tem avião etc.... No ponto de vista indígena eu concordo com a política Norte Americana, deveríamos matar todos os índios e passar a estudar a sua história 'pos morten'".
O juiz diz que o suposto desconhecimento de que estava praticando um crime não se sustenta, pois o rapaz é uma pessoa esclarecida e integrada ao meio social e, "na concepção do homem médio", detém "suficiente consciência para discernir sua conduta criminosa".
Em sua sentença, ele diz que o fato de o rapaz ter usado seu próprio nome na comunidade do Orkut não é suficiente para mostrar que ele desconhecia que a condura era ilícita "Até porque, se não sabia dessa ilicitude, deveria saber."
Para o juiz, o rapaz, sem qualquer justificativa, "externou sentimento de desprezo desmedido em desfavor da raça indígena, por preconceito contra a sua origem, hábitos e costumes". O magistrado assinala que as consequências do crime são graves por disseminar e incitar ideais de intolerância, desprezo e racismo contra a etnia indígena a um universo indeterminado de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, frequentadores do Orkut.