sábado, 31 de janeiro de 2009

LIVROS E CARTILHAS AFRO A VENDA

Não é comum anunciarmos venda no blog, mas o material é muito bom e tem a assinatura do Pestana, grande cartunista.
Para acessar o site da Editora EcramBooks clique aqui.

Negros: O Brasil Nos Deve Milhões
Autora: Claudete Alves
Páginas: 360
Preço: R$ 50,00


Violência Histórica Autor: Maurício Pestana
Totalmente ilustrado e colorido
Preço: R$ 30,00

Racista? Eu? De jeito nenhum!
Autor: Maurício Pestana
Totalmente ilustrado e colorido
Preço: R$ 30,00


Manual de Sobrevivência do Negro no Brasil
Autor: Maurício Pestana
Totalmente ilustrado e colorido
Preço: R$ 30,00

A Revolta do Búzios
Autor: Maurício Pestana
Totalmente ilustrado e colorido
Preço: R$ 30,00

Lendas dos Orixás para Crianças: EXU
Autor: Maurício Pestana
Totalmente ilustrado e colorido
Preço: R$ 20,00

A VOLTA DO SOUL

Retirado da revista IstoÉ.

Cultura
Barack Obama e jovens cantoras como Amy Winehouse colocam esse gênero da música negra em primeiro planopor Ivan Claudio
Na hoje combalida indústria fonográfica é possível que uma música gravada há 38 anos volte às paradas e seja ouvida ao mesmo tempo por mais de 40 milhões de pessoas? Sim, se esse cantor for o americano Stevie Wonder e se a música chamar-se Signed, sealed, delivered, I’m yours. A canção era o tema usado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao final de seus discursos e foi tocada no baile da posse, quando ele tirou a sua mulher, Michelle, para uma animada dança.
DISCOS DE OURO O dono da Motown não queria crianças como os integrantes do Jackson 5 (acima, com os pais) no elenco da gravadora. Imaginava que elas seriam rebeldes nas aulas de boas maneiras a exemplo do cantor Stevie Wonder (abaixo), autor da música usada na campanha de Obama – que o chama de “meu herói musical”


Clássico da soul music (gênero de música black dos EUA que atingiu o auge nos anos 1960 e inspirou a luta pelos direitos civis da população negra), essa composição de Stevie Wonder não é a única a fazer sucesso novamente. O cantor Seal, por exemplo, acaba de lançar um CD chamado justamente Soul, no qual ele regrava os maiores êxitos de gente como Al Green, Sam Cooke e Curtis Mayfield – ou seja, a nata desse estilo. E, mesmo antes de Obama se declarar fã do gênero, o ritmo já começava a voltar à moda.As baladas da atormentada cantora inglesa Amy Winehouse parecem coisa nova, mas são puro soul do passado. É a mesma receita seguida pelas também inglesas Estelle, Corinne Bailey Rae e Duffy, essa última dona do CD mais vendido do ano na Inglaterra.
Para coroar esse renascimento musical, 2009 é o ano da comemoração do cinquentenário da gravadora Motown, criada pelo espertíssimo Berry Gordy e responsável pelo lançamento de futuras estrelas como Michael Jackson, Diana Ross, Marvin Gaye, The Four Tops e, claro, Stevie Wonder – que Obama chama de “meu herói musical”. Na próxima semana chega às lojas do Brasil o CD triplo Motown 50, com grandes hits dessa turma afinada. O melhor, no entanto, ficou reservado para o mercado americano. Lá acaba de sair a caixa de dez CDs The complete nº 1, com as 191 faixas que chegaram ao primeiro lugar das paradas, um verdadeiro fenômeno.
Trata-se de uma joia para colecionadores que reproduz o sobradinho branco onde ficava a gravadora e hoje é o endereço do Motown Museum, em Detroit. Um sobradinho cheio de histórias, nada assombradas. A mais famosa delas: Gordy montou a empresa e seu histórico Studio A (apelidado por Abdul “Duke” Fakir, do The Four Tops, de “chão sagrado”) por meros US$ 800, emprestados por seu pai. Grande homenageado da próxima edição do Grammy, no dia 8, Gordy estudou piano aos 5 anos, mas teve de ajudar o pai a vender panelas para sobreviver.
Na juventude, abriu uma loja de discos de jazz (que faliu), compôs músicas (que no início ninguém quis gravar) e até cruzou em Detroit com Billie Holiday. Mas foi ao ver o entusiasmo de sua família assistindo a uma luta de boxe na tevê, vencida por um lutador negro, que teve a ideia de criar uma gravadora. “O que eu posso fazer na vida para proporcionar uma alegria parecida?”, perguntou a si mesmo. O próximo passo foi chegar às rádios. Mas quando entregava os discos de artistas negros aos DJs, a recusa era geral: eles achavam uma loucura oferecer aquele tipo de música para uma plateia branca.


FÁBRICA DE HITS O sobrado onde funcionava a Motown, em Detroit

E foi aí que o executivo iniciante deu seu golpe de gênio. Na sua opinião, o som da Motown não deveria ser rotulado de “black music”, mas pop (de popular), acessível a “ladrões e policiais, ricos e pobres, judeus e gentios”. Com essa visão revolucionária, formou uma banda de fabulosos músicos de estúdio para acompanhar seus artistas (os Funk Brothers) e contratou um time de compositores de primeira (Eddie e Brian Holland e Lamont Dozier). Também uma especialista em boas maneiras foi integrado ao grupo. Segundo ele, seus cantores deveriam antes de tudo saber como falar, como se vestir e até como jantar com um presidente.
O resto ficou por conta do cast da gravadora – e foi nesse ponto que as escolhas de Gordy foram certeiras. O primeiro grupo a estourar foi The Supremes, de Diana Ross, que viria a ter um caso com seu empregador. O trio gravou uma música pela qual ninguém dava nada (Where did our love go), mas ela foi direto para os primeiros lugares das paradas. Nascia o chamado “Motown sound”, marcado pelo uso de cordas e metais e pelas vocalizações no estilo “pergunta-resposta”.
O grupo The Four Tops, que no início tinha que cantar voltado ora para a plateia branca, ora para a negra
A contratação dos Jackson 5 é um bom exemplo do jeito de trabalhar de Gordy. Um funcionário de sua companhia havia visto os garotos se apresentarem em Nova York, mas ele se recusava a ouvi-los. Dizia que não queria lidar com crianças e que já tinha muito trabalho com as aulas de “etiqueta” de Stevie Wonder. Mas ao recebê-los, contratou-os no ato. Não pense, contudo, que o início foi o conto de fadas que geralmente se conta. Nessa época, o racismo imperava nos EUA, especialmente nos Estados do sul. Em recente entrevista à revista americana Vanity fair, a cantora Martha Reeves lembra que nas turnês da gravadora eles chegavam até a ser ameaçados por pessoas armadas. Diziam: não servimos crioulos, vocês não podem comer aqui e nem usar o banheiro.
A solução era tomar banho nas estações rodoviárias e assar salsichas no calor dos refletores. Mesmo com a conquista do público, nos shows, o artista tinha de se apresentar voltado ora para a plateia branca, ora para a negra. Meio século depois, isso parece ridículo. A cantora Amy Winehouse pode até estar drogada na maior parte do tempo, mas ela sabe o significado de se apresentar ao vivo com dois vocalistas negros usando terninhos. Com muito soul (alma) e no melhor estilo Motown.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

MORRE IDEALIZADOR DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Retirado do Informativo da Fundação Palmares.

Brasília - O primeiro dia de 2009 trouxe luto ao Movimento Negro, com a morte, aos 67 anos, do professor, poeta e pesquisador Oliveira Ferreira da Silveira. Um dos idealizadores do Dia da Consciência Negra - 20 de novembro, ele morreu em Porto Alegre (RS), vítima de câncer. Gaúcho natural de Rosário do Sul, graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especializou-se em Língua Francesa. Docente aposentado da rede pública de ensino, seu corpo foi cremado e as cinzas, levadas à terra natal.

Oliveira Silveira foi um dos criadores do extinto Grupo Palmares, em 20 de julho de 1971. Evocando ícones negros como Luiz Gama e José do Patrocínio, a reverência a Zumbi dos Palmares foi o ato de maior relevância do Grupo naquele ano. Em 1978, o 20 de novembro foi elevado a Dia da Consciência Negra a partir da fundação do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUCDR). A data tornou-se referência para os afro-brasileiros em contraponto ao 13 de maio, e também fez o professor-poeta nacionalmente conhecido.

A constante atuação de Oliveira Silveira no Movimento Negro se deu na militância política e na produção literária, onde colheu honrarias e premiações. Fundou ainda o grupo Semba, a Associação Negra de Cultura e integrou o corpo editorial da revista Tição (publicação do final dos anos 1970). Sua presença foi marcante em rodas de intelectuais e formadores de opinião. Como escritor, publicou, até 2005, uma dezena de livros - entre eles Poema sobre Palmares, Banzo Saudade Negra, Pêlo Escuro e Roteiro dos Tantãs - e participou de antologias e coletâneas no Brasil e no exterior. Seus temas preferidos eram a vida dos negros no Rio Grande do Sul e a questão negra de forma geral. Sua produção correu mundo, publicada na Alemanha e nos Estados Unidos. Também exerceu atividades jornalísticas, com artigos, reportagens e alguns contos e crônicas veiculados na imprensa, e participou em obras coletivas - caso do ensaio "Vinte de novembro: história e conteúdo", no livro Educação e Ações Afirmativas (Brasília: Ministério da Educação/Inep, 2002).
Foi conselheiro de notório saber em relações étnico-raciais do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, no período 2004-2008. Ultimamente, colaborava com a Seppir como consultor acerca da preservação dos clubes negros como patrimônio material e imaterial afro-brasileiro. Dedicava-se, também, ao informativo eletrônico Negraldeia (www.negraldeia.blogspot.com). Frequentador assíduo dos clubes negros gaúchos, foi o idealizador e articulador do 1º Encontro Nacional de Clubes Negros, em 2006. Mapeou mais de 70 entidades desse segmento existentes no Brasil.
No primeiro dia deste ano, na apropriada e também poética definição de Horácio Lopes de Moraes, conterrâneo do mestre, nasceu (mais um) ancestral. Fontes: Centro de Cultura Negra do Rio Grande do Sul (www.ccnrs.com.br), Blog pessoal (www.oliveirasilveira.blogspot.com).

SOBE O NÚMERO DE COMUNIDADES QUILOMBOLAS CERTIFICADAS

Retirado do Informativo da Fundação Cultural Palmares.

Sobe o número de comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares

Brasília - Mais 16 comunidades remanescentes de quilombos foram certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Oito delas estão localizadas no Maranhão, três na Bahia, duas em Minas Gerais, duas em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul. A certificação foi publicada no Diário Oficial da União, em 31 de dezembro de 2008. Com essa última ação, o número de comunidades certificadas subiu para 1.305.
A certificação ocorreu conforme as declarações de auto-reconhecimento de cada comunidade, respeitando o Decreto nº 4.887/2003 e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os povos indígenas e tribais. A partir de agora, todas essas comunidades podem fazer parte de programas governamentais, como o Fome Zero e o Luz para Todos.
Na seqüência, o processo segue para o Incra, onde será elaborado o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) das comunidades. Depois do reconhecimento, segue a etapa de desintrusão, na qual são identificados os imóveis rurais dentro do perímetro da comunidade quilombola. Nesta fase, os imóveis particulares são desapropriados e as famílias não-quilombolas que se enquadrarem no Plano Nacional de Reforma Agrária serão reassentadas pelo Incra. A quarta e última fase é a titulação, na qual a comunidade quilombola recebe um único título correspondente à área total.
A Fundação Cultural Palmares é responsável por promover políticas públicas voltadas para a população negra, visando à preservação de seus valores culturais, sociais e econômicos e, ainda, pela promoção e apoio de pesquisas e estudos relativos à história e à cultura dos povos negros e pela inclusão dos afro-brasileiros no processo de desenvolvimento.

Procedimento
Consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnicos raciais, segundo critérios de autodefinição de cada comunidade, desde que tenham trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com formas de resistência à opressão histórica sofrida.
Para a emissão da certidão de autodefinição como remanescente dos quilombos deverão ser adotados os procedimentos previstos no Decreto nº 4.887/2003 e na Portaria Interna da Fundação Cultural Palmares nº 98, de 2007. Os quilombolas devem fazer uma declaração de auto-reconhecimento e enviar para a FCP, que registra no Livro e emite a certidão.

Confira aqui as legislações
Confira aqui o mapa das Comunidades Certificadas

BRASIL E SENEGAL SE REÚNEM PARA PLANEJA III FESMAN


Informe Palmares - Número 41 - Ano 3 - 1 a 31 de Janeiro de 2009
III Festival Mundial de Artes Negras terá o Brasil como convidado de honra
Brasília - O III Festival Mundial de Artes Negras (Fesman) foi pauta de reunião entre os ministérios da Cultura de Brasil e Senegal em Brasília, no último dia 22 de janeiro. Marcado para o dia 1º de dezembro, o III Fesman será realizado em Dacar, no Senegal, até o dia 21 do mesmo mês.
O Brasil será convidado de honra do evento, que contará com a participação de mais de 80 países.
Estavam presentes à reunião, o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Zulu Araújo e o ministro da Cultura interino, Roberto Nascimento, além do ministro da Cultura senegalês, Mame Birame Diouf. O ministro Juca Ferreira e Zulu Araújo coordenam a comitiva brasileira do III Fesman.
Na reunião, as delegações definiram o dia 25 de maio como a data de lançamento oficial do evento no Brasil. O lançamento contará com as presenças dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Senegal, Abdulaye Wade. Além disso, foi definida a data da reunião do Comitê Internacional, nos dias 1º, 2 e 3 de março, com a presença do ministro Juca Ferreira e do presidente da FCP, Zulu Araújo.
O ministro senegalês ressaltou que a reunião foi muito importante por ter sido realizada em um país escolhido para ser homenageado e com um papel relevante no Festival. "O Brasil tem uma liderança muito grande na América Latina e na Comunidade Negra, por isso esse encontro de hoje é primordial. O povo senegalês espera ansiosamente pelos brasileiros", disse.

O presidente da Fundação Palmares declarou que o MinC está cumprindo rigorosamente o cronograma já acordado em outras reuniões. Segundo Zulu Araújo, já foram criados os Comitês MinC e Comitê Nacional para o Fesman, além da primeira disponibilidade financeira, da ordem de R$ 3 milhões. Zulu Araújo relatou ainda a previsão de dois grandes eventos pré-Fesman: o 1° Fórum Nacional de Performance Negra para a Dança e Teatro, a ser realizado em Salvador, com previsão para maio, e o 2° Encontro sobre Renascimento Africano, previsto para acontecer no Rio de Janeiro, em junho.
O Festival Mundial das Artes Negras é a maior reunião das artes e da cultura negra do mundo. Foi idealizado pelo ex-presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, na década de 1960, com o tema "Significação da Arte Negra pelo Povo e para o Povo". O segundo foi realizado na Nigéria, em 1977, com o tema "Civilização Negra e Educação". Este ano, vai homenagear o Brasil, com o tema o "Renascimento Africano". A homenagem se deve principalmente ao fato de o Brasil abrigar a segunda maior população negra mundial depois da Nigéria. Mais de 80 países vão participar do III Fesman. Quatro redes de satélites vão percorrer o mundo inteiro mostrando toda a programação, que será transmitida em cinco idiomas: inglês, francês, espanhol, português e árabe

AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE PLANO DE CAPACITAÇÃO PARA AFRODESCENDENTES

Retirado do site do MTE (Ministério do Trabalho e Renda).


Notícia
Ministério do Trabalho e Secretaria da Igualdade Racial avaliam Planseq para 25 mil trabalhadores
Foto: LUDIMILA BASILIO

Brasilia, 29/01/2009 - Foi realizada na manhã desta quinta-feira (29), no auditório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasilia, audiência pública para discutir uma proposta de qualificação social e profissional para o Plano Setorial de Qualificação (Planseq) direcionado a negros e afrodescendentes. O Planseq será implementado por meio da parceria entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
O Planseq vai oferecer 25 mil vagas em cursos profissionalizantes e será voltado, principalmente, para os setores de Serviços e Comércio, onde existe grande concentração de população negra. A expectativa é que sejam ministrados cursos de repositor, operador de caixa, recepcionista, mecânico de motos, operador de telemarketing, gerente de supermercado, consultor de vendas e cuidador de pessoas.
"Queremos acompanhar se os 25 mil trabalhadores estarão empregados. Quero ver a carteira de trabalho assinada. Estamos chamando vocês para a luta, para busca do direito e do respeito que não se pode negar pela cor", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante a audiência.
Dez estados e o Distrito Federal serão contemplados pelo programa, proporcionando melhores condições de acesso ao primeiro emprego, maior tempo de permanência nos postos de trabalho, melhor colocação profissional e igualdade de condições salarial.
O Secretário Adjunto da Seppir, Eloi Ferreira de Araujo, espera que o projeto possa atender, futuramente, um número maior de pessoas. "Precisamos alcançar e qualificar a juventude das periferias para garantir trabalho, esporte e educação".
Participaram do encontro representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e de movimentos sociais.

Assessoria de Imprensa do MTE

(61) 3317 - 6537/6540 acs@mte.gov.br

NOVO SITE APONTA AVANÇO DESIGUAL NOS ODM

Retirado do site do PNUD.

Brasília, 27/01/2009
Brasil tem municípios com grande melhoria e outros com retrocesso nos Objetivos do Milênio; novo portal tenta levar metas às prefeituras-->

DAYANNE SOUSAda PrimaPagina
Reduzir pela metade a pobreza extrema é uma das metas da ONU em que o Brasil evoluiu, como um todo. Mas, em 433 municípios, o que aconteceu foi o oposto: o número de pobres cresceu de 1991 a 2000 (últimos dados disponíveis sobre o tema). Esse tipo de desigualdade motivou a criação do
Portal ODM, um site que vai acompanhar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) nos 5.564 municípios brasileiros. Os ODM são uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015 e que agora estão sendo adaptadas para os municípios do Brasil.
“As médias são perversas”, diz o coordenador executivo do Núcleo de Apoio a Políticas Públicas e um dos responsáveis pelo Portal, Sergio Andrade. “O Brasil avança na média, mas os problemas locais continuam”, acrescenta.
Exemplo disso é o município de Manari (PE) que, em 1991, tinha 87,8% da população vivendo com menos de meio salário mínimo, a linha de pobreza considerada pelo Portal para os municípios. Esse percentual de pessoas vivendo com menos salário mínimo cresceu e chegou a 89,99% em 2000. Manari é o município de mais baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros. O pior desses casos é o da cidade de Palmares Paulista (SP), onde o número de pessoas vivendo abaixo do indicador de pobreza do Portal cresceu 153,6% no mesmo período. Ao todo 2769 cidades (das 5507 para as quais havia dados desse indicador até 2000) tiveram desempenho pior que o do Brasil como um todo.
Na outra ponta, mostra o portal, 11 municípios (todos do Rio Grande do Sul) conseguiram reduzir o número de pessoas na pobreza em 2000 para um quarto do que era em 1991. Paraí obteve o melhor desempenho com uma redução 81% dos habitantes que viviam com menos de meio salário mínimo.
Para reduzir essas discrepâncias, a equipe do site (que ainda funciona com limitações, mas deve entrar no ar nesta semana) espera inserir os ODM na agenda de governo dos prefeitos que assumem em 2009. Para Ana Rosa Soares, do PNUD, o portal marca uma nova fase de estímulo aos ODM no Brasil. “Hoje o governo federal já está bem envolvido, tem trabalhos importantes na área, mas queremos que os ODM sejam alcançados por todos, na esfera local”.
Adaptações
Alcançar as metas, porém, não é responsabilidade integral do município. A pobreza, como no caso de Manari, depende de outros fatores: “é uma questão estrutural do país que um município não resolve sozinho, mas ele também é um ator importante”, argumenta Sergio. “A ideia não é culpar um município por não alcançar uma meta da ONU, mas sim fazer com que ele progrida e que estabeleça sua própria meta”, afirma Ana Rosa.
Usar as mesmas metas para o governo de uma nação ou de uma pequena cidade pode parecer uma dificuldade, mas os idealizadores do Portal são unânimes em dizer que isto é possível. “A cidade é onde a vida acontece de verdade”, diz Luciana Brenner, coordenadora do Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis). Para ela, a capacidade de mobilização, de apoio da população às ações de governo, torna-se maior quanto mais locais forem as ações.
Para reunir os dados, o Portal ODM fez uma seleção de índices que são compatíveis à realidade municipal e que têm relação com as metas. Cabe ao município compreender os desafios que lhes são mais pertinentes e até decidir se vai incluir outros dados, traçar outras metas próprias que vão de encontro aos ODM, explica Luciana. “O Portal traz o feijão com arroz para mostrar como os ODM estão e os municípios, para efeitos de planejamento, podem trazer mais indicadores”, acrescenta Sergio.

ORTOGRAFA - SITE QUE FACILITA CONFERIR AS NOVAS REGAS ORTOGRÁFICAS

Muito bom o site para todos nós que ficamos reféns das novas regras ortográficas. Vai ser colocado um banner no lado direito do blog para facilitar o acesso. (essas duas frase segundo o site estão em acordo com as novas regras... rs)
Para acessar o site clique na imagem abaixo.


O Ortografa! nasceu de uma súbita ideia quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa começou a ser adotado no início de 2009. A funcionalidade é simples: digite sua frase no campo acima que o sistema procurará trocar as palavras para a ortografia correta. Caso ele não consiga — certamente por haver alguma ressalva — ele mostrará uma dica para você se guiar nos seus textos.
Em caso de dúvidas, sugestões e/ou bugs, esteja livre para
entrar em contato comigo.

ATENÇÃO: O Ortografa! deve ser utilizado apenas para as novas regras ortográficas. De qualquer forma, estou trabalhando numa estrutura que o permita ajustar as principais dúvidas ortográficas da nossa língua (farei inclusões periódicas destes casos). É importante lembrar que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) só estará disponível entre fevereiro e março. Ele é o documento oficial (registro) da grafia das palavras no Brasil e somente a partir dele o Ortografa! poderá ter seu catálogo de correções completado.
Todas as dicas são baseadas no Guia Prático da Nova Ortografia da editora Melhoramentos e pesquisas diversas.

CLAM SELECIONA TUTORES PARA CURSOS ON-LINE

Retirado do site CLAM.



CLAM seleciona tutores
O Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos - CLAM, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), o Ministério da Educação (MEC), a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, oferecerá um curso on-line de formação de professores nas áreas de gênero, sexualidade, gravidez na adolescência, relações étnico-raciais e participação juvenil, entre os meses de maio e setembro de 2009. Para realizar tal oferta, estamos selecionando candidatos/as para atuarem como tutores/as on-line

Faça o download do edital

INDÍGENAS FAZEM MATRÍCULA NA UFPR

Retirado do site Bem Paraná.

29/01/09
Da Redação

Os dez candidatos aprovados na 8ª edição do Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná fizeram ontem o seu registro
acadêmico na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles chegaram juntos até o prédio histórico da UFPR, local onde, desde a segunda-feira, os masi de 5 mil aprovados no concurso de 2009 efetuam sua matrícula.
Dos dez alunos aprovados, sete são homens e três, mulheres. Hoje, 23 alunos indígenas estudam na Universidade Federal do Paraná. “O percentual de desistência desses alunos é baixíssimo”, observa explica o professor Eduardo Harder, membro da comissão de acompanhamento dos estudantes indígenas na universidade.
Após as provas, realizadas nos dias 16 e 17 de dezembro em Londrina, 57 candidatos foram classificados para as dez vagas oferecidas pela UFPR. No total, 226 candidatos se inscreveram para participar do processo seletivo. Já as sete universidades públicas estaduais que também organizam o vestibular conjunto oferecem seis vagas cada.
As vagas nas universidades estaduais são reservadas para integrantes de comunidades indígenas paranaenses. Na UFPR, as vagas são abertas a índios de qualquer região do País. Os candidatos fizeram prova oral de língua portuguesa e provas objetivas de português, língua estrangeira ou indígena, biologia, física, geografia, história, matemática e química, além de redação. Para as provas, o manual do candidato foi publicado em português, kaingang e guarani.
Manifestação — Um grupo de cerca de 20 pessoas ligadas ao movimento dos direitos dos homossexuais fizeram uma manifestação nas esadarias da UFPR, na Praça Santos Andrade. Portanto faixas e cartazes, também pediam vagas reservadas para ao gênero. A UFPR tem cotas para negros, cotas sociais e a reserva para índios.

OBAMA ASSINA LEI DE IGUALDADE SALARIAL

Retirado do site do jornal O Dia.


30/01/2009
O Dia Online


Igualdade agora é lei Obama aprova legislação que garante salário igual a homens e mulheres que ocupam as mesmas funções nos Estados Unidos


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou ontem sua primeira lei desde que assumiu o cargo, a de Igualdade Salarial. O ato coroou a luta de Lilly Ledbetter, 70 anos, para ter condições salariais iguais às de homens da empresa em que trabalhou. Através de processo contra a companhia, ela provocou a mudança na legislação americana. O texto facilitará ainda os processos judiciais sobre salários discriminatórios relacionados a idade, raça, religião ou país de origem.

Obama assinou a lei, batizada com o nome da trabalhadora, acompanhado do vice-presidente, Joseph Biden, da secretária de Estado, Hillary Clinton, e da própria Ledbetter, que se emocionou ao receber aplausos. Ela também ganhou abraços do presidente e da primeira-dama, Michelle Obama.

Ledbetter foi supervisora da empresa de pneus Goodyear Tire and Rubber Company em Gadsden, Alabama, por 19 anos. Pouco antes de se aposentar, soube que, durante 15 anos, a empresa pagou a ela 40% menos do que pagava aos homens que faziam trabalho semelhante.

A ex-supervisora entrou com um processo e ganhou, mas a Suprema Corte americana, na época da administração Bush, rejeitou a ação, alegando que a queixa demorou muito para ser apresentada. Segundo a corte, a mulher devia ter entrado com o processo em um prazo de 180 dias desde o primeiro cheque “discriminatório” que recebeu. Ao assinar a lei, Obama suprimiu a decisão.



Para democrata, lei garante justiça familiar

Durante a solenidade, Obama elogiou Ledbetter, uma mulher que “trabalhou duro e bem” e que, no entanto, ganhou menos cerca de 200 mil dólares em relação aos homens em 20 anos. Ele explicou que a reivindicação de Ledbetter não é um tema feminista, mas de justiça familiar. Ontem, Obama também se envolveu em polêmica: o jornal britânico ‘The Guardian’ afirmou que seu governo está preparando carta para o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que enviou ao americano bilhete depois das eleições. A Casa Branca negou.



No mesmo dia, americano de 20 anos que enviou e-mail ao FBI dizendo que mataria Obama foi indiciado, mas responderá em liberdade.

NOVOS PASSOS PARA DURBAN

Retirado do blog Revisao de Durban.

Sábado, 24 de Janeiro de 2009
1a. Compilação traduzida
Bom DiaSegue o documento da 1a. compilação das Propostas de Durban


Em inglês
Em Português

* Use este link para traduzir um conteúdo, uma página html ou até um site (experimente inserir o link de Durban aqui, e acessá-lo...)

Terça, 20 de Janeiro de 2009
Durban Review Conference Update - Novos passos para Durban

No site oficial da Conferência há um informe com o nome
Durban Review Conference Update que é um informe dos encaminhamentos sobre Durban, incluindo a reunião de um grupo de trabalho, iniciada dia 19 de janeiro de 2009.Artigo de Navanethem Pillay - Alto Comissário das Nações Unidas para Human Rights Direitos Humanos (em inglês) (em português)

Segue uma compilação do texto da reunião iniciada em 19 de janeiro de 2009

As negociações dos membros do grupo de trabalho criado para negociar e concluir um projeto de documento para a Revisão da Conferência terá início formal em 19 de Janeiro de 2009.
Uma compilação de propostas para o documento resultante foi aglomerada em Outubro do ano passado na Conferência Preparatória, mas a compilação é composta por seis propostas iniciais apresentadas pelas autoridades regionais e outros grupos.

Na sua primeira reunião formal em 27 de novembro de 2008, o grupo de trabalho, que é aberto à participação de todos os Estados-Membros, concordou que a sua fase preliminar do trabalho deve ser uma análise técnica das propostas e que deve eliminar duplicações, harmonizarão seções e reduzir drasticamente o texto. O grupo de trabalho se reunirá na próxima semana, no Palais des Nations, em Genebra (19 de janeiro de 2009)
Um mês mais tarde, na sequência do trabalho que foi conduzido por uma série de reuniões informais, o presidente do grupo de trabalho, o Diplomata russo Yuri Boychenko, apresentou aos Estados-Membros um racionalizado documento que foi reduzido de 130 páginas para 38, que pode ser encontrado aqui (site oficial).
Os Estados-Membros terão tempo de analisar o documento e o presidente do grupo de trabalho através de reuniões informais irá avaliar as reações iniciais antes da sessão solene começa na próxima semana. A primeira tarefa da sessão solene, que será realizada a partir de 19 a 23 de Janeiro de 2009, será entrar em acordo se o novo documento compilado será aceito como uma base para as negociações daqui por diante.
Se for, vai tornar-se formalmente o Projeto de Documento de Resultados de Durban - Conferência de Revisão, e as negociações sobre a substância da sua língua irá começar.em que linguas estará disponível irá começar.

DOMINGO, FESTA DO AXÉ

Retirado do blog do CEN.

1º DIA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Retirado do site do UOL Notícias.

Fórum Social Mundial foca 1º dia na Amazônia; quilombolas aparecem para a discussão

Rodrigo Bertolotto

Enviado especial do UOL Notícias
Em Belém (PA)

Para Daniel Souza, líder dos quilombolas do Pará, as grandes empresas poluidoras da Amazônia devem pagar o preço 'caro' do aquecimento global. Veja sonora gravada por Rodrigo Bertolotto durante discussões no Fórum Social Mundial, Belém (PA)

A questão amazônica domina o primeiro dia de atividades do FSM (Fórum Social Mundial), sediado em Belém (Pará), justamente pela proximidade com o tema. E o foco principal ficou por conta da denúncia de comunidades indígenas, tanto do Brasil quanto do Peru e do Equador, sobre a ação do agronegócio e das mineradoras na região.
Mas no meio dos representantes dos índios estava um líder de uma população da floresta muitas vezes ignorada: os quilombolas. Eles são remanescentes dos escravos que escaparam das fazendas e adentraram na mata para formar sociedades. "Nossos antepassados fugiram, mas nós temos que mostrar a cara e mostrar que somos um dos grandes especialistas em Amazônia", sentenciou Daniel Souza, líder dos quilombolas do Pará.
Segundo ele, há 302 comunidades de descendentes dos quilombos no Estado. "Quem destrói a região são as grandes empresas de agronegócio e as mineradoras. Eles têm que pagar pelo preço", aponta Souza.
Grandes impulsionadoras da Bolsa de Valores brasileira, a Vale e a Petrobras vão estar no olho do furacão. Além de mesas de discussão, já estão programadas manifestações contra essas empresas. Apesar de patrocinadora do Fórum, a Petrobrás já é alvejada por sindicalistas dos petroleiros, que montaram barracas vendendo camisetas pedindo o fim das parcerias da estatal com multinacionais estrangeiras.
"A Vale destrói muito mais a Amazônia que os povos que vivem por lá. Eles contribuem com algumas ações sociais, mas é pouco ainda", queixa-se Souza.
Além dos indígenas e quilombolas, os ribeirinhos (população cabocla que mora em comunidades à beira dos rios) também marcam presença no Fórum. A participação deles teve apoio estatal, bancando o deslocamento e a hospedagem na capital paraense. Várias atividades culturais mostraram o modo de vida dessas populações para os frequentadores do evento, idealizado em 2001 como contestação ao Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos (Suíça) e reúne empresários e governantes.
No começo de 2007, uma reunião dos organizadores em Berlim (Alemanha) escolheu a cidade de Belém como sede do Fórum de 2009. O tema do aquecimento global seria o foco com esse cenário. Entretanto, após a crise econômica dos EUA a partir de setembro, boa parte dessa agenda voltou-se para o capitalismo. Mesmo assim, o viés ecológico ficou forte no primeiro dia, com divulgações de pesquisas por parte de ONGs e institutos ligados ao tema ambiental.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NO FSM - POLÍTICAS PÚBLICAS AFIRMATIVAS E PROTAGONISMO

Para ampliar clique na imagem.

OS 100 PRIMEIROS MINUTOS DE OBAMA NO PODER

Retirado do jornal O Globo.

Revista 'Mad' faz sátira sobre os 100 primeiros minutos de Obama no poder
Publicada em 27/01/2009

O Globo

RIO - A tradicional revista americana de humor "Mad" publicou na sua última edição uma sátira sobre os 100 primeiros minutos do presidente Barack Obama no poder.
Na capa está estampada a figura de um Obama desesperado, diante de um cenário de crise econômica, a maior desde a Grande Depressão de 1929, e dois conflitos no exterior que já custaram muito mais do que o previsto e mataram muitos americanos. Cigarros não são economizados (Obama já prometeu várias vezes parar de fumar), bem como remédios. Compõem ainda o cenário desolador um relatório confidencial sobre o Irã e um outro documento sobre segurança interna.
Sobre a mesa do chefe da Casa Branca também estão jornais com manchetes que aumentam ainda mais o pânico presidencial: "Empresas automobilísticas quebram!", "Ameaça talibã!" e "Dow Jones desaba!".
O desenhista da capa só poupou o presidente de uma coisa: as famosas orelhas de abano do personagem Alfred E. Newman.

BANCO MUNDIAL AVALIA IMPACTO DA CRISE FINANCEIRA EM ÁFRICA

Retirado do site África 21.

DF29/01/2009
Crise
"É cedo demais para explicar, com dados, a maneira como a crise financeira mundial vai afectar o continente negro."
Da Redação


Addis Abeba - Será preciso esperar muito para avaliar e quantificar o impacto nítido da crise financeira mundial actual sobre os investimentos em África, declarou quarta-feira (28), em Addis Abeba, um responsável do Banco Mundial (BM), Inger Anderson.
"É cedo demais para explicar, com dados, a maneira como a crise financeira mundial vai afectar o continente negro. Haverá provavelmente, como sinal precursor, uma diminuição de créditos que afectará as actividades económicas no continente", preveniu Anderson em conferência de imprensa sobre o desenvolvimento das infra-estruturas e a energia em África, dois principais temas da XII Cimeira da União Africana (UA) que se realizará na capital etíope de 1 a 3 de Fevereiro próximo.
Ela disse constatar uma diminuição em cinco domínios chaves, designadamente as exportações, as transferências de dinheiro dos africanos da diáspora, o turismo, as receitas e os investimentos no sector privado. A representante do BM indicou por outro lado que não se sabe quanto tempo vai durar a crise financeira mundial.
No entanto, Anderson instou os governos africanos a fazerem sacrifícios para manter a dinâmica do investimento nas infra-estruturas que, segundo ela, esteve no máximo nestes últimos cinco anos.
"Compromissos deverão ser assumidos entre África e seus credores para se manter esta dinâmica", declarou a funcionária do BM convidando os governos do continente a racionalizarem seus orçamentos nacionais a fim de apoiar bolsas de investimentos actuais no desenvolvimento das infra-estruturas.
Por sua vez, o presidente de African Business Round-table (Mesa Redonda de Negócios Africanos), Bamanga Tukur, declarou que os africanos devem aproveitar este momento para transformar a crise financeira mundial numa oportunidade a fim de tirar proveito dos projectos financiados por credores externos.
"Esta crise do crédito é um apelo à África para despertar. O desafio a enfrentar consiste em aproveitar as oportunidades para se explorarem estes projectos. Já não podemos ficar sem reagir e esperar avançar como era o caso no passado. Devemos explorar os projectos de desenvolvimento", declarou Tukur.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), uma das instituições financeiras que investe no desenvolvimento das infra-estruturas do continente, apelou para a mobilização de recursos suplementares a fim de soltar o comércio no continente.
O director do BAD, Gilbert Mbesherubusha, declarou que a boa governação e a vontade política são as condições prévias para atingir os objectivos fixados em matéria de desenvolvimento das infra- estruturas e da energia em África.
"A boa governação é uma condição prévia para o sucesso. Sem ela, não obteremos os resultados previstos", declarou.
Na sua opinião, as disparidades no desenvolvimento das infra- estruturas entre os Estados poderão ser ultrapassadas por intermédio das Comunidades Económicas Regionais, que qualificou de "essencais" para colmatar os desequilíbrios notados."A integração regional é concebida para suprimir estas disparidades", defendeu o responsável do BAD.


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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

HOMOFOBIA É MAIS COMUM QUE O RACISMO, DIZ ESTUDO

Retirado do site Dykerama. Bom, isso é lá na Inglaterra.


Pesquisa revela que 41% dos ingleses assumem ter preconceito contra lésbicas
Por Redação
Publicado em 19/1/2009

Estudo: gays e lésbicas são principais vítimas do preconceito
A homofobia é mais comum que o racismo. É o que revela estudo sobre o preconceito apresentado na semana passada na Inglaterra.

O estudo, realizado pela Sociedade Britânica de Psicologia, mostrou que 35% dos entrevistados assumiram ter algum tipo de preconceito contra homens gays e 41% contra lésbicas.
28% dos entrevistados disseram que já discriminaram pessoas de origem asiática e 25% afirmaram ter preconceito contra negros. “Atitudes preconceituosas são difíceis de mensurar, porque se uma pessoa admitir que é racista ou sexista poderá enfrentar graves consequências. Assim, para descobrir as intenções reais de nossos participantes medimos suas atitudes ‘implícitas’ – associações mentais das quais não temos consciência – utilizando testes de computador”, explicou Pete Jones, um dos responsáveis pelo estudo.
Para o pesquisador, o estudo mostra que o preconceito ainda existe e deve ser combatido. “Os resultados mostraram que gays e lésbicas são hoje as principais vítimas do preconceito, como eram os negros há alguns anos”, disse Jones. “Uma vez que as pessoas percebam que têm preconceito, elas devem mudar suas atitudes – assumir o controle para que elas não tenham impacto em seu comportamento. Podemos agir dessa maneira examinando nossos pensamentos para ter certeza de que nossos preconceitos não estão nos influenciando”, concluiu o pesquisador.

PROCURADOR-GERAL CONSIDERA INCONSTITUCIONAL FERIADO DE ZUMBI

Retirado do jornal O Globo.

Procurador-geral considera inconstitucional feriado do Dia da Consciência Negra no Rio
Publicada em 26/01/2009

O Globo

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, considerou inconstitucional a lei estadual de 2002 que institui o Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, no Estado do Rio. A data celebra o aniversário da morte de Zumbi de Palmares. O parecer de Antonio Fernando se referiu ao pedido de ação direta de inconstitucionalida de proposta pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) contra a lei em questão.
A confederação sustenta que a legislação fluminense viola a Constituição por invadir a competência da União para editar normas sobre direito do trabalho. A CNC argumenta ainda que uma legislação federal define que somente a União pode legislar sobre a criação de feriados, pois o tema está inserido na esfera do direito do trabalho, cabendo aos estados apenas a declaração de datas comemorativas.
No parecer em que concorda com a entidade, o procurador-geral destaca que "ao dispor sobre a criação de um novo feriado, a lei estadual adentrou na seara do direito do trabalho, refletindo nas relações entre empregados e empregadores, sobretudo do comércio".
Ele explicou que a instituição de novo feriado implica o fechamento do comércio, com integral pagamento do dia aos funcionários, o que tornaria evidente o interesse da confederação, sobretudo porque a multiplicação desordenada dos dias de proibição de trabalhar resulta num agravamento dos custos suportados pelos comerciantes. O parecer será analisado pelo ministro Carlos Britto, relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ONU LANÇA SITE SOBRE REVISÃO DA CONFERÊNCIA DE DURBAN

Para acessar o site clicando na imagem abaixo.


ESPECIAL SOBRE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA ON LINE

Mais uma postagem sobre religião influenciada incialmente pelo excelente blog do CEN. O jornal Extra é um períodico popular do Rio de Janeiro, ou seja, alcança os setores pobres. Portanto, é importante que eles façam matérias defendendo a crença e manifestação religiosa afro. O especial on line feito por eles sobre intolerância religiosa também está muito interessante.


Para acessar o especial daonde foi tirado as imagens abaixo clique aqui.



CARTILHA EM DEFESA DA LIBERDADE RELIGIOSA

Retirado do excelente blog do CEN.




A liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal. É com base nesta lei, que o CEERT - Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades - em parceria com o SESC SP e INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Coordenação São Paulo) - com o apoio de lideranças religiosas, lançou em 2004 a campanha Em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa.
O Estado brasileiro é laico, não sendo autorizado a eleger qualquer manifestação religiosa como verdadeira ou falsa. A constituição vigente, de 1988, diz que todas as crenças e religiões são iguais perante a lei e devem ser tratadas com igual respeito e consideração.

Com base nestes direitos impressos na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos a Campanha tem como ação principal a divulgação e conscientização das pessoas, e da sociedade, acerca destes direitos. O lançamento de uma cartilha cujo conteúdo é baseado numa reconstrução da história das leis brasileiras sobre intolerância religiosa - além de um anexo com indicações das leis mencionadas -, é o primeiro passo deste projeto.

Embora a Constituição Brasileira assegure os direitos de expressão das diversas confissões religiosas, práticas intolerantes ainda estão presentes no cotidiano brasileiro, sobretudo, quanto às religiões afro-brasileiras. Nesse sentido, é importante esclarecer que a discriminação religiosa é crime e que o respeito para com a diversidade religiosa é também um exercício de respeito para com a diversidade étnico cultural, que caracteriza o povo brasileiro.

Clique aqui para fazer o download e imprimir a cartilha da campanha Em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa.
Link alternativo.
Fonte:
Sesc/SP

OBAMA DESARMA RACISTAS BRASILEIROS

Retirado do site da Terra Magazine.


Quarta, 21 de janeiro de 2009
Hédio Jr.: Obama desarma racistas brasileiros
Umbanda Fest/Reprodução
Presença de Barack Obama na presidência dos EUA tem efeito pedagógico "extraordinário", afirma Hédio Silva Jr.
Diego Salmen



Militante notório do movimento negro, o advogado e professor Hédio Silva Jr. comenta, nesta conversa com Terra Magazine, a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Para ele, a presença de Obama no cargo tem um efeito pedagógico "extraordinário".
- Com Obama, nós podemos, neste plano tão importante que é o simbólico, educar a humanidade para que aprenda definitivamente que os negros, como qualquer outro agrupamento humano, são capazes e criativos.


Ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Silva Jr. aponta outro benefício ao se ter um negro no comando da maior potência econômica e militar do planeta: a desarticulação de argumentos racistas no Brasil. Explica:
- Os americanos são tão racistas, conseguem eleger um presidente negro; aqui, onde não há racismo, não se elege um prefeito - ironiza. - Desse ponto de vista, tem um impacto real na luta contra o racismo no Brasil.
Confira a seguir a entrevista com Hédio Silva Jr.:


Terra Magazine - Qual o impacto da eleição de Obama para o movimento negro como um todo?
Hédio Silva Jr. - É um impacto extraordinário, não só em termos da diáspora africana e da população negra, mas também dos diferentes grupos que são vítimas de discriminação. As democracias contemporâneas foram incapazes de preparar as pessoas para valorizar a diversidade. Veja que no dia 11 de fevereiro de 2001 encerrou-se a última conferência da ONU contra o racismo. E a conferência perdeu importância, obviamente, por conta dos atentados ao World Trade Center. Agora, passados oito anos, o mundo volta os olhos para o aparentemente interminável conflito árabe-israelense. Então um dos grandes problemas da humanidade neste século 21, que começou no 11/9, é a questão da diversidade. O Obama representa essas novas identidades políticas. É só ver as preocupações, na posse, com homossexuais, com grupos religiosos... É um alento o fato de que uma pessoa que encarna a diversidade seja a grande esperança do mundo no século 21.


Então nesse sentido a eleição de Obama transcende essa questão da raça...
Transcende no sentido de que, como negro, como vítima de discriminação, ele está perfeitamente preparado para captar o impacto que isso tem na vida das pessoas e dos outros. Está muito nítido agora na posse e estará presente na forma como ele vai tocar o governo.

A eleição dele é um sinal de fim do racismo nos Estados Unidos ou ainda estamos longe disso?
É um passo importante contra o racismo, é uma vitória significativa dessa luta, mas em absoluto significa o fim do racismo. São Paulo já teve um prefeito negro e isso não alterou em absolutamente nada as condições raciais e a intolerância. Eu não creio (que seja o fim do racismo), mas que é um passo significativo, sem dúvida.

Obama evitou fazer uma campanha calcada em questões raciais. Justamente por isso, o senhor acha que ele dará atenção especial a essa questão da negritude?
O problema do racismo é uma questão nacional nos Estados Unidos, e é um dos problemas - como outros graves que ele terá de enfrentar. Agora, a questão do racismo tem merecido por parte dos diferentes governos, desde Kennedy, medidas ousadas. E não é um problema que se resolve por decreto ou em uma gestão. Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele vai dar prosseguimento a essas políticas, do ponto de vista da legislação, do governo norte-americano e por parte dos incentivos do setor privado, que existiam muito antes da posse dele, e vão continuar existindo depois que ele sair do governo.

O presidente Lula disse que gostaria de conversar com Obama antes "que o aparato do Estado" da Casa Branca o transformasse. O senhor acha que Obama irá se transformar?
Eu não temo isso, não, se você considerar os dados preparatórios da posse, o discurso que ele fez no memorial Lincoln, a presença de figuras negras de ponta como oradores nas cerimônias de posse e o fato dele indicar o Martin Luther King como um de seus dois grandes símbolos. Certamente que o presidente de uma nação como os Estados Unidos não tem como fazer que prevaleçam pontos de vista pessoais e paixões acima dos interesses da nação. Mas que ele irá passar por cima da história dele por conta do poder... Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele não fará isso. Quem lê os livros dele com atenção, quem viu o discurso da vitória e quem está acompanhando a posse sabe muito bem que o homem negro que prega a crítica ao racismo, que prega a tolerância e a diversidade, é esse o homem que vai estar na Casa Branca.

E se Obama decepcionar durante sua presidência?
Eu creio que não. Do ponto de vista simbólico, qualquer que seja o desfecho.... Eu não tenho nenhuma dúvida que ele enfrentará com grandeza essa crise e mostrará a vocação que a África tem para produzir estadistas, como foi Nelson Mandela. Ele vai ser um estadista e vai retomar a trilha do desenvolvimento interno. Agora, mesmo que haja frustração, no plano simbólico a presença dele lá tem um significado muito forte; eu tenho certeza que as lideranças políticas do movimento contra o racismo compreenderão que não é porque se tem um negro no poder que será possível atender a todas as demandas (do movimento negro). Mas, obviamente, não é a panacéia, não é a solução.

De que maneira o movimento negro no Brasil encarou a eleição de Obama?
Foi uma surpresa positiva. Primeiro porque parte dos racistas brasileiros, que sempre utilizavam os EUA como muleta para dizer que lá, sim, era um exemplo de racismo e aqui não, perderam esse argumento. Os americanos são tão racistas, conseguem eleger um presidente negro; aqui, onde não há racismo, não se elege um prefeito. Desse ponto de vista, tem um impacto real na luta contra o racismo no Brasil. Depois, o fato de que a história contemporânea conhece poucos estadistas; um dos maiores do século 20 foi o presidente Mandela. E agora, com Obama, nós podemos, neste plano tão importante que é o simbólico, educar a humanidade para que aprenda definitivamente que os negros, como qualquer outro agrupamento humano, são capazes e criativos. Tem um efeito pedagógico extraordinário.

O Brasil está preparado para eleger um presidente negro?
Eu creio que sim. Nós já temos nosso Obama brasileiro, que certamente já nasceu e está cimentando um futuro para isso. Eu sou otimista em relação ao Brasil.

NOS EUA, OBAMA. EM MG, "CRIOULO MACACO"

Retirado do site Novo Jornal.
22/01/2009
Enquanto comemora-se a posse de um presidente negro nos EUA, elite governamental mineira pratica impunemente o racismo

Segurança Antonio Carlos de Lima
Na última sexta feira (16), enquanto o mundo inteiro preparava-se para a posse do primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, comemorando o avanço e amadurecimento de uma sociedade que já foi considerada uma das mais racistas do mundo, em Belo Horizonte, capital mineira, uma funcionária do primeiro escalão do governo praticava impunemente o racismo.
O segurança Antonio Carlos de Lima, funcionário de uma loja na região da Savassi, área nobre da capital, ao cumprir seu dever solicitando à secretária do vice-governador de Minas Marcela Amorim Brant, filha do ex-deputado federal Roberto Brant, para que não estacionasse seu veículo em local proibido, de uso exclusivo da loja, recebeu como resposta diversas ofensas, em clara prática de preconceito racial. "Seu crioulo, seu macaco, ja dei queixa de você lá dentro da loja".
Chamada, a Polícia Militar compareceu ao local colhendo depoimentos e o testemunho de quem presenciara o fato, encaminhando a secretária do vice-governador e o segurança para a delegacia.
O que ocorreria a seguir vem comprovar que em Minas Gerais, a lei não alcança aos que estão no governo.
O que até então era conduzido dentro da lei, tomou outro caminho. Os policiais que faziam a ocorrência passaram a ser pressionados por capitães e coronéis da Polícia Militar. Abertamente pretendiam interferir no trabalho dos policiais, na tentativa de impedir o andamento do boletim de ocorrência.
Antonio Carlos Lima, o vigia ofendido, fez questão de relatar à reportagem do Novojornal: "Agradeço aos tenentes e aos cabos da cia. 22 que, apesar da pressão sofrida, através de constantes telefonemas do alto escalão, fizeram seus trabalhos, garantindo a mim a integridade moral e emocional."
Embora o crime de racismo seja inafiançável, depois de quase 6 horas na delegacia, onde compareceu uma equipe de reportagem de TV, que gravou ao vivo, e outras equipes de reportagem já não mais tiveram acesso.
A tentativa de mudança de delegacia e o encaminhamento imediato da acusada para o fórum acabaram não dando em nada.
Até hoje, quase uma semana depois, nem mesmo uma nota sobre o assunto as entidades ligadas ao movimento negro e direitos humanos em Minas Gerais emitiu.
A situação dos direitos civis em Minas Gerais beira o absurdo, quando chegamos a ponto de membros do comando da Polícia Militar tentarem interferir para que seus subordinados não cumpram a lei, favorecendo a elite governamental e a demonstração cabal de que em Minas não existe lei para quem está no governo.

ESPECIALISTAS DIVERGEM SOBRE COTAS RACIAIS NA EDUCAÇÃO

Retirado do site DCI.

23/01/09
LEGISLATIVO
Especialistas divergem sobre cotas raciais na educação
Agência Câmara

BRASÍLIA - A aprovação de uma política de cotas na área de Educação pela Câmara dos Deputados, em novembro passado, não foi suficiente para acabar com a polêmica sobre o assunto. O Projeto de Lei 73/99 foi aprovado em votação simbólica, depois de um acordo entre os líderes, mas deputados, pesquisadores, professores e alunos discordam sobre as cotas de ingresso nas universidades e escolas técnicas federais.

A proposta voltou para o Senado por causa da inclusão, pelos deputados, de critérios econômicos para a seleção dos alunos, e ainda está em análise pelos senadores da Comissão de Constituição e Justiça. A Câmara aprovou o projeto em 20 de novembro passado, Dia da Consciência Negra.

Cotas sociais
O texto aprovado determina que 50% das vagas das instituições federais sejam destinadas a alunos provenientes da escola pública. Dessas vagas, 50% serão preenchidas por estudantes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 622,50) por pessoa. Além das cotas sociais, a proposta exige que as vagas sejam destinadas a negros, pardos e indígenas em proporção igual a dessas populações no total de habitantes de cada estado.
O texto estabelece ainda que a seleção dos alunos que terão direito ao ingresso na universidade por meio das cotas será feita a partir de um coeficiente de rendimento, obtido pelo cálculo da média aritmética das notas ou menções recebidas pelos alunos durante o Ensino Médio. As instituições privadas de ensino superior também poderão adotar as cotas para ingresso dos alunos.

Caráter paliativo
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, que é contrário ao projeto, são aceitáveis apenas cotas provisórias para os alunos da escola pública. Segundo ele, isso deve ser feito em caráter emergencial, por causa da disparidade atual entre a qualidade do ensino público e privado. Entretanto, o sociólogo afirma que somente o investimento na melhoria da qualidade da escola pública e a ampliação no número de vagas das universidades públicas podem democratizar o acesso ao ensino superior.
Sobre as cotas raciais, ele considera que elas representam a "introdução do conceito de raça na lei, um conceito que não existe na biologia, mas que pode ser incluído na legislação por motivos políticos". Magnoli teme que a inclusão do conceito de raça na legislação possa estimular "processos de ódio racial de massa".

Desigualdade histórica
Já o antropólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) José Jorge de Carvalho considera as cotas raciais necessárias para corrigir a desigualdade histórica entre brancos e negros no Brasil. "As cotas são necessárias porque os negros no Brasil são 48% da população. Enquanto isso, o número de professores negros na universidade pública não chega a 1%. Ou seja, nós vivemos uma realidade de exclusão que é, provavelmente, uma das mais severas do planeta."
Para Carvalho, as cotas sociais não alteram o perfil racial da desigualdade brasileira e, por isso, cada um dos aspectos precisa ser tratado separadamente. "Mesmo entre os pobres, leva vantagem quem é branco", afirma. O professor ressalta que, mesmo que sejam aprovadas, as cotas incidirão apenas sobre 3% das vagas do ensino superior.
Na opinião de Carvalho, o sistema atual não será corrigido se as condições não forem modificadas. "Pelas projeções, mesmo com as cotas, levaremos 60 anos para alcançar um patamar igualitário", afirma. Além disso, ele destaca que as cotas não deixam de lado a meritocracia do acesso ao ensino superior, porque há poucas vagas em disputa. "As vagas não podem é ser plutocráticas como agora, ou seja, não podem estar ao alcance somente de quem tem dinheiro e pode pagar um cursinho."