terça-feira, 24 de junho de 2008

BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA?

Retirado do blog Palara Sinistra.
Autor: Paulo Rodrigues

“Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)


E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados”
(Haiti - Caetano Veloso e Gilberto Gil - 1993)



É, estamos em guerra. Há muito tempo o Rio de Janeiro contrasta sua beleza natural dos segundos cadernos com as páginas policias dos jornais populares. O sol que ilumina a Lagoa é o mesmo que também ilumina o Aterro Sanitário de Gramacho, onde os corpos nada dourados da juventude pobre e preta foram encontrados, vítimas de mais uma chacina promovida por criminosos. E auxiliadas por ninguém mais, ninguém menos do que os integrantes do Exército Brasileiro. A quem Moniz Barreto, na carta a El-Rei de Portugal (1893) define como “... Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente esplêndidos. (...) Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por militares... (...) Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço de sua sujeição, eles compram a liberdade para todos e os defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o fizessem.”
Foi decretada e oficializada a Corte Marcial para civis negros, moradores de favela, para qualquer um que não lhes agrade às fuças. Com direito a pelotão de fuzilamento e tudo. E o que nós, que somos apenas da mesma cor das vítimas-réus-prisioneiros, que talvez nem moremos em favelas ou bairros populares, que nem freqüentamos bailes-funk e não temos coragem de fazer uma tatuagem (que neste caso ajudou um parente a identificar o corpo de Wellington Gonzaga da Costa, de 19 anos, que teve o rosto mutilado) temos há ver com isso? Claro, além de pagarmos os soldos das Forças Armadas, parece que mais nada, é apenas uma realidade distante, transmitida em HDTV. Mas não é! Porque estamos cercados. Todos estão cercados: de um lado a polícia militar que pára, prende, revista, achaca, humilha. Do outro lado as milícias fazem a mesma coisa. E ainda têm os bandidos de fato, os bandidões mesmo, com ficha criminal, penas a cumprir. E agora os soldados. Todos fazem isso conosco. Com os jovens do morro da Providência (dois com passagens pela polícia, talvez justa ou injustamente, mas como a maioria dos jovens hoje em dia. E o pior é que no desenrolar dos fatos, o tenente que comandou a “operação”, desobedeceu às ordens de seu superior, que havia mandado soltar os adolescentes por achar que os mesmos não haviam cometido nenhum desacato. Mas esse mesmo tenente resolveu punir de “maneira exemplar” os ofensores, com requintes de sadismo: conduziu-os para outra favela, onde o tráfico é comandado por uma facção criminosa rival a facção do bairro dos garotos. E lá aconteceu o que todos nós já sabemos pelo noticiário. Em depoimento, este militar disse não estar arrependido da ordem dada ao seu pelotão.
Então, estamos em guerra! E a tropa envolvida nessa atrocidade deve ser julgada por crime de guerra e contra a Humanidade. Não basta o ministro pedir desculpas. Não basta prender os traficantes, não basta retirar os militares do local das obras, não basta responsabilizarem os culpados, como o senador candidato a prefeito do Rio que, se utilizando de poder (não seria ele também um traficante de influência?) colocou soldados rasos para ser mão-de-obra na obra da favela.
Em 1955, Emmett Till, um garoto de 14 anos de Chicago, foi chacinado por brancos no Mississipi, levando os negros americanos a fazerem uma revolução pelos Direitos Humanos dos negros e de todos. E nós, povo cordato e pacífico, de boa índole, pacatos até, não vamos reagir? Não vamos nos rebelar? Não vamos lutar por nossas vidas?

ANTI-SPYWARE PARA MSN

Retirado do log Dê Graça é Mais Gostoso. Para baixar clique na imagem abaixo Já não é novidade os usuários do MSN Messenger e Windows Live Messenger receberem mensagens suspeitas, que apresentam links com vírus. O pior nisso tudo é que os contatos que “enviam” estas mensagens não têm idéias de que seu MSN esteja infectado. Infelizmente, é com grande freqüência que estas aplicações maliciosas são encontradas em uma das redes de relacionamento mais utilizadas no mumndo.
Se o seu MSN está fazendo isto, encaminhando várias mensagens de vírus para seus contatos, ou se você é o receptor destes arquivos, o MSNCleaner pode ser um resolução para este problema desagradável. Ele é uma ferramenta para eliminar os malwares presentes em seu MSN, livrando você e seus amigos de receberem mensagens e arquivos executáveis com vírus.
Estilo: Segurança

Fabricante: Info Spyware
Tamanho: 160 Kb
Formato: Rar
Idioma: Português

domingo, 22 de junho de 2008

CARTA ABERTA DE REPÚDIO A BARBÁRIE DO EXÉRCITO BRASILEIRO NO MORRO DA PROVIDÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

Retirado do site da Rede contra violência. O site da rede é muito interessante e vale a pena acessá-lo. Clique aqui para acessar a parte de atividades da Rede.

Carta Aberta ao Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Luís Inácio Lula da Silva

Nós, cidadãos e organizações da sociedade civil abaixo assinados, manifestamo- nos profundamente indignados com os sucessivos casos de violações de direitos humanos na comunidade da Providência pelas forças militares que a ocupam, e que culminaram com os bárbaros sequestro e morte dos jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, Wellington Gonzaga Costa Ferreira, e David Wilson Florêncio da Silva, no último dia 14/06/2008.
Solidarizamo- nos com a dor e a revolta da comunidade e apoiamos inteiramente sua reivindicação da retirada total e imediata do Exército da Providência. Compartilhamos a compreensão da comunidade de que nenhuma força de segurança adicional é necessária para a execução de qualquer obra de interesse dos moradores. Portanto, também nos manifestamos contrariamente à substituição do Exército pela Força Nacional de Segurança.
Entendemos ainda que o policiamento na Providência, assim como em qualquer comunidade do Rio de Janeiro, deve se pautar pelo mais rigoroso respeito aos direitos individuais e coletivos dos moradores, garantidos pelos Tratados Internacionais, pela Constituição Federal e pelas demais legislações em vigor. Infelizmente, não tem sido essa a prática das Polícias Militar e Civil do Estado do Rio de Janeiro, que, ao contrário, têm sido condenadas nacional e internacionalmente por sua violência, brutalidade e truculência quando atuam em comunidades pobres. Por isso, reivindicamos também que o Governo Federal verdadeiramente fiscalize as forças policiais estaduais.
Por fim, lembramos que diversas e repetidas denúncias de violações e abusos tão graves como os cometidos na Providência, têm sido feitas em relação às tropas brasileiras que participam da missão da ONU no Haiti, por organismos haitianos e internacionais. A atuação no Haiti vem sendo apresentada pelo Ministério da Defesa como "exemplo" a ser seguido em possíveis ocupações de favelas pelas Forças Armadas.

Rio de Janeiro, de Junho de 2008.

ASSOCIAÇÃO ACHA RESERVA DE 74 MIL VAGAS DEVE SER MELHOR DEBATIDO

Retirado do site da Universia

Para Andifes, projeto de cotas fere autonomia
Publicado em 19/06/2008 - 16:30
Marcel Frota

Se dependesse do ministro da Educação, Fernando Haddad, haveria 74.521 vagas nas Universidades Federias brasileiras reservadas para os estudantes das escolas públicas. O número representa a metade das 149.042 vagas existentes nos 2.570 cursos de graduação presencial dessas universidades. E é o que propõe um dos projetos sobre cotas em universidades que tramitam no Congresso Nacional. A idéia foi defendida pelo ministro, que falou a respeito da proposta com ênfase na reserva de vagas para os alunos que cursam Ensino Médio em escola pública durante encontro com líderes partidários na Câmara, no final do mês de maio. Mais pela forma do que pelo conteúdo, a proposta desagradou a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que acredita que a decisão imposta por meio de projeto de lei fere a autonomia universitária.
"Achamos que essa questão tem a ver com a autonomia universitária. Não achamos adequado que se faça isso por meio de um projeto na Câmara. Caberia às universidades decidirem. Afinal temos ou não autonomia? Dessa forma fica parecendo que não. Até porque as universidades já promovem ações de inclusão e acho que seria melhor trabalhar e apoiar essas iniciativas existentes", diz o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Amaro Henrique Pessoa Lins, presidente da Andifes.
Lins afirma que a aprovação do projeto nos atuais moldes implicaria numa série de desdobramentos para as universidades. Ele diz que não seria orçamentário o maior problema. "O MEC pode reduzir esse problema (Orçamento). Mas teríamos de ter políticas de apoio para esses novos alunos, além de melhorar a infra-estrutura para que eles possam ter um bom aproveitamento do curso", declara Lins. Por causa disso, o presidente da Andifes declarou que pretende, na próxima quinta-feira, 26 de junho, durante reunião da Andifes, colocar o tema em pauta e pedir um encontro com o ministro para conversar sobre o tema. "É um direito do ministro defender o seu ponto de vista, mas precisamos sentar para discutir melhor, ouvir os diferentes pontos de vista. Não somos contra o ministro, temos um excelente relacionamento com ele, que é uma pessoa que costuma ouvir", acrescentou Lins.
Mas até que ponto uma iniciativa como essa tem realmente chance de prosperar no parlamento. Para o deputado federal João Matos (PMDB-SC), que é presidente da Comissão de Educação da Câmara, a votação da proposta no plenário deve ficar para depois das eleições. "Não acredito que dê pra votar agora porque ela tem de tramitar nas comissões ainda e estamos a três semanas do recesso parlamentar. Depois é o período eleitoral e todos sabemos que nessa época os trabalhos aqui andam em uma velocidade muito menor por causa do envolvimento dos parlamentares com as eleições para prefeitos e vereadores. Por isso acredito que após a eleição teremos condições de votar, mas antes da eleição acho muito difícil. Até como presidente da comissão de educação, sei que a tramitação de um projeto dessa natureza evidentemente vai precisar de audiências públicas, debates, enfim. Antes do recesso de julho eu não vejo mínimas possibilidades.", afirma Matos.
Enquanto o processo se desenrola no Congresso, discute-se a viabilidade de se reservar metade das vagas das universidades federais para os alunos das escolas públicas. Para Haddad, a vantagem de uma proposta como essa em relação àquelas que contemplam grupos étnicos ou sociais, é que ela não geraria benefícios para determinados candidatos em função da raça. "Há um equívoco quando se dá mais destaque às cotas raciais nesta proposta. O projeto fala em cota de 50% para a escola pública. Isso precede a distribuição proporcional por raça, que atende a realidade de cada estado e a questão de identidade, não gerando qualquer benefício especial aos alunos negros, por exemplo", disse o ministro na ocasião. Ele citou o exemplo de como as diferenças regionais podem influir quando as cotas estão ligadas à raça. Segundo ele, na Bahia, um negro enfrentaria concorrência maior do que o mesmo candidato que decidisse concorrer ao vestibular num estado com população negra menor.
Matos acredita que pensar em um percentual de cotas acima dos 50% é inviável, mas ele acha que, da maneira como está colocado, o projeto pode colocar em condições de acesso e permanência na faculdade um conjunto ou universo de alunos que não teria condições se não fosse por meio de cotas. "Não podemos exagerar na dose, mas não podemos esquecer também que o ensino público é responsável por mais da metade dos concluintes do Ensino Médio no Brasil", afirma ele.

Qualidade em xeque?
Um dos pontos centrais na discussão das cotas é a questão da capacidade dos cotistas em acompanhar o curso e do comprometimento da qualidade desses cursos em decorrência desse suposto despreparo. O primeiro a questionar tal argumento é o próprio ministro, ao deixar o encontro como os parlamentares. "A questão de mérito é um exemplo: os estudos feitos em universidades apontam que o resultado dos cotistas é igual ou superior ao dos não cotistas", declarou ele.
Para o presidente da comissão de educação da Câmara acredita que o esquema de cotas com os alunos das escolas públicas forçaria o governo a investir mais na qualidade das escolas de Ensino Médio. "Essa política forçaria o governo a adotar políticas de fortalecimento da qualidade da rede pública", acredita ele. Mesmo antes que isso ocorra, Matos não teme pelo comprometimento da qualidade dos cursos. "Evidentemente que haveria uma disputa entre os alunos da rede pública para ocupar aquele percentual de 50% ou o que fosse colocado, evidentemente a disputa faria a seleção natural e entraria os melhores, os mais preparados", aposta o parlamentar.
O professor João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual de Educação, também acredita que capacidade dos cotistas. "É matéria controvertida. O artigo 206 da Constituição fala em igualdade nas condições de acesso e permanência. Se você compara o ensino público e privado, principalmente as escolas particulares de ponta, não está havendo igualdade, a diferença é grande. Onde já ocorreu (o acesso) ficou claro que o cotista pode ter o mesmo desempenho que os outros alunos. Então o problema é ele entrar", diz o professor.
Lins até considera que o desempenho dos cotistas ou alunos beneficiados com bônus é bom. Entretanto, ele questiona se isso se repetiria caso as cotas fossem aplicadas de forma ampla em todos os cursos de uma universidade. "São alunos que se superam, que têm capacidade, mas é uma faixa. Cotas para todos os cursos é diferente e vamos ter problemas com relação a isso", diz o presidente.
Para Palma Filho, o cotista tem todas as condições de enfrentar um curso de graduação até pela maneira como encara a oportunidade. "Acho que o cotista agarra a oportunidade como ninguém, ele está motivado. Ele luta com dificuldade e sabe que o estudo é sua oportunidade de ascensão social. Quem tem pai para auxiliar leva a coisa digamos mais na 'flauta'. A motivação é importante nesses casos", afirma Palma Filho, que destaca ainda que reservar metade das vagas para os alunos das escolas públicas não resolveria de todo o problema da discriminação.
"Discriminação sempre há. Na pública o aluno é pobre, mas nas escolas particulares também tem alunos carentes, que muitas vezes estudam com bolsas ou pagam mensalidades mais baratas. Essas medidas são paliativas. O que resolveria seria melhorar a qualidade do ensino público e aumentar o número de vagas nas universidades", opina o professor. Diante dessa possibilidade de discriminação é que o deputado João Matos prefere que as cotas sejam direcionadas de acordo com outros critérios, que não somente ser ou não ser aluno de escolas públicas. "Sou a favor de 50% de cotas para atender a rede pública e minorias étnicas", destaca o parlamentar.

Últimas Notícias em Gestor
Para Andifes, projeto de cotas fere autonomia
Coordenadores de 28 IPES enviam manifesto à Câmara
Reitores da UFSCar e UFPR renunciam
Polari é reeleito reitor da UFPB
Livro mostra ações de responsabilidade social das IES
Semesp elege nova diretoria

INSCRIÇÕES PARA CURSO "ASPECTOS DA CULTURA NEGRO-AFRICANA NA MÚSICA BRASILEIRA

Recebido por email e divulgando

Aulas gratuitas começam em 7 de julho no Centro Cultural Municipal José Bonifácio

Estão abertas as inscrições para o curso 'Aspectos da cultura negro-africana na música brasileira', ministrado por Leonardo Sá, pianista, compositor, pesquisador e coordenador educacional da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira desde 2002 e professor da Fundação Getúlio Vargas e da Escola de Música Villa-Lobos. O curso será dividido em oito encontros, às segundas-feiras (entre 7 de julho e 1º de setembro), das 19h às 21h, no Centro Cultural Municipal José Bonifácio, equipamento da Secretaria Municipal das Culturas.

Nestas aulas gratuitas, o professor fará uma reflexão sobre as características da expressão musical brasileira de origem negro-africana mediante a observação de algumas manifestações presentes no cotidiano do Rio de Janeiro. Constam no programa temas como a expressão sonora como manifestação de linguagem e a sua dimensão antropológica; a lógica musical segundo os diferentes sistemas culturais; Música e músicas da África e na África; a inserção histórica do homem africano no contexto sócio-histórico- cultural brasileiro; sistemas musicais no Brasil; percepção e imaginação musical negro-afro-brasilei ras; parâmetros musicais e paradigmas culturais e exclusão e apropriação na criação artística no Brasil.

A oferta de uma série de cursos voltados ao universo do negro coroa um conjunto de ações integradas da Prefeitura do Rio que objetiva perceber sua importância como patrono da cultura brasileira e aprofundam a questão de sua influência na definição da identidade brasileira. "A criação de um calendário acadêmico no escopo das ações do Centro de Referência da Cultura Negra do Rio de Janeiro, situado no José Bonifácio, demonstra a seriedade com que a Prefeitura do Rio quer tratar a questão da valoração do negro na formação de nossa sociedade", ressalta a diretora de Projetos de Arte e Cultura do município, Roberta Alencastro. Sob este guarda-chuva estão ainda 'O refluxo da diáspora', pelo antropólogo e fotógrafo Milton Guran – já em andamento e com turma esgotada – e uma série sobre os fazeres do carnaval em parceria com a Universidade Estácio de Sá.

O calendário prevê, ainda, mais três cursos livres:
1. 'Arte, África e Brasil', com Roberto Conduru
2. 'Literatura Afro-brasileira', com Fernanda Felisberto
3. 'Culto à Ifá', com o babalaô nigeriano Afixe

Os interessados devem se inscrever no Centro Cultural Municipal José Bonifácio - Rua Pedro Ernesto 80, na Gamboa, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h.

Informações pelo telefone (21) 2233.7754

sábado, 21 de junho de 2008

ASSOCIAÇÃO ACHA RESERVA DE 74 MIL VAGAS DEVE SER MELHOR DEBATIDA

Retirado do site da universia

Para Andifes, projeto de cotas fere autonomia
Publicado em 19/06/2008
Marcel Frota

Se dependesse do ministro da Educação, Fernando Haddad, haveria 74.521 vagas nas Universidades Federias brasileiras reservadas para os estudantes das escolas públicas. O número representa a metade das 149.042 vagas existentes nos 2.570 cursos de graduação presencial dessas universidades. E é o que propõe um dos projetos sobre cotas em universidades que tramitam no Congresso Nacional. A idéia foi defendida pelo ministro, que falou a respeito da proposta com ênfase na reserva de vagas para os alunos que cursam Ensino Médio em escola pública durante encontro com líderes partidários na Câmara, no final do mês de maio. Mais pela forma do que pelo conteúdo, a proposta desagradou a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que acredita que a decisão imposta por meio de projeto de lei fere a autonomia universitária.
"Achamos que essa questão tem a ver com a autonomia universitária. Não achamos adequado que se faça isso por meio de um projeto na Câmara. Caberia às universidades decidirem. Afinal temos ou não autonomia? Dessa forma fica parecendo que não. Até porque as universidades já promovem ações de inclusão e acho que seria melhor trabalhar e apoiar essas iniciativas existentes", diz o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Amaro Henrique Pessoa Lins, presidente da Andifes.
Lins afirma que a aprovação do projeto nos atuais moldes implicaria numa série de desdobramentos para as universidades. Ele diz que não seria orçamentário o maior problema. "O MEC pode reduzir esse problema (Orçamento). Mas teríamos de ter políticas de apoio para esses novos alunos, além de melhorar a infra-estrutura para que eles possam ter um bom aproveitamento do curso", declara Lins. Por causa disso, o presidente da Andifes declarou que pretende, na próxima quinta-feira, 26 de junho, durante reunião da Andifes, colocar o tema em pauta e pedir um encontro com o ministro para conversar sobre o tema. "É um direito do ministro defender o seu ponto de vista, mas precisamos sentar para discutir melhor, ouvir os diferentes pontos de vista. Não somos contra o ministro, temos um excelente relacionamento com ele, que é uma pessoa que costuma ouvir", acrescentou Lins.
Mas até que ponto uma iniciativa como essa tem realmente chance de prosperar no parlamento. Para o deputado federal João Matos (PMDB-SC), que é presidente da Comissão de Educação da Câmara, a votação da proposta no plenário deve ficar para depois das eleições. "Não acredito que dê pra votar agora porque ela tem de tramitar nas comissões ainda e estamos a três semanas do recesso parlamentar. Depois é o período eleitoral e todos sabemos que nessa época os trabalhos aqui andam em uma velocidade muito menor por causa do envolvimento dos parlamentares com as eleições para prefeitos e vereadores. Por isso acredito que após a eleição teremos condições de votar, mas antes da eleição acho muito difícil. Até como presidente da comissão de educação, sei que a tramitação de um projeto dessa natureza evidentemente vai precisar de audiências públicas, debates, enfim. Antes do recesso de julho eu não vejo mínimas possibilidades.", afirma Matos.
Enquanto o processo se desenrola no Congresso, discute-se a viabilidade de se reservar metade das vagas das universidades federais para os alunos das escolas públicas. Para Haddad, a vantagem de uma proposta como essa em relação àquelas que contemplam grupos étnicos ou sociais, é que ela não geraria benefícios para determinados candidatos em função da raça. "Há um equívoco quando se dá mais destaque às cotas raciais nesta proposta. O projeto fala em cota de 50% para a escola pública. Isso precede a distribuição proporcional por raça, que atende a realidade de cada estado e a questão de identidade, não gerando qualquer benefício especial aos alunos negros, por exemplo", disse o ministro na ocasião. Ele citou o exemplo de como as diferenças regionais podem influir quando as cotas estão ligadas à raça. Segundo ele, na Bahia, um negro enfrentaria concorrência maior do que o mesmo candidato que decidisse concorrer ao vestibular num estado com população negra menor.
Matos acredita que pensar em um percentual de cotas acima dos 50% é inviável, mas ele acha que, da maneira como está colocado, o projeto pode colocar em condições de acesso e permanência na faculdade um conjunto ou universo de alunos que não teria condições se não fosse por meio de cotas. "Não podemos exagerar na dose, mas não podemos esquecer também que o ensino público é responsável por mais da metade dos concluintes do Ensino Médio no Brasil", afirma ele.
Qualidade em xeque?
Um dos pontos centrais na discussão das cotas é a questão da capacidade dos cotistas em acompanhar o curso e do comprometimento da qualidade desses cursos em decorrência desse suposto despreparo. O primeiro a questionar tal argumento é o próprio ministro, ao deixar o encontro como os parlamentares. "A questão de mérito é um exemplo: os estudos feitos em universidades apontam que o resultado dos cotistas é igual ou superior ao dos não cotistas", declarou ele.
Para o presidente da comissão de educação da Câmara acredita que o esquema de cotas com os alunos das escolas públicas forçaria o governo a investir mais na qualidade das escolas de Ensino Médio. "Essa política forçaria o governo a adotar políticas de fortalecimento da qualidade da rede pública", acredita ele. Mesmo antes que isso ocorra, Matos não teme pelo comprometimento da qualidade dos cursos. "Evidentemente que haveria uma disputa entre os alunos da rede pública para ocupar aquele percentual de 50% ou o que fosse colocado, evidentemente a disputa faria a seleção natural e entraria os melhores, os mais preparados", aposta o parlamentar.
O professor João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual de Educação, também acredita que capacidade dos cotistas. "É matéria controvertida. O artigo 206 da Constituição fala em igualdade nas condições de acesso e permanência. Se você compara o ensino público e privado, principalmente as escolas particulares de ponta, não está havendo igualdade, a diferença é grande. Onde já ocorreu (o acesso) ficou claro que o cotista pode ter o mesmo desempenho que os outros alunos. Então o problema é ele entrar", diz o professor.
Lins até considera que o desempenho dos cotistas ou alunos beneficiados com bônus é bom. Entretanto, ele questiona se isso se repetiria caso as cotas fossem aplicadas de forma ampla em todos os cursos de uma universidade. "São alunos que se superam, que têm capacidade, mas é uma faixa. Cotas para todos os cursos é diferente e vamos ter problemas com relação a isso", diz o presidente.
Para Palma Filho, o cotista tem todas as condições de enfrentar um curso de graduação até pela maneira como encara a oportunidade. "Acho que o cotista agarra a oportunidade como ninguém, ele está motivado. Ele luta com dificuldade e sabe que o estudo é sua oportunidade de ascensão social. Quem tem pai para auxiliar leva a coisa digamos mais na 'flauta'. A motivação é importante nesses casos", afirma Palma Filho, que destaca ainda que reservar metade das vagas para os alunos das escolas públicas não resolveria de todo o problema da discriminação.
"Discriminação sempre há. Na pública o aluno é pobre, mas nas escolas particulares também tem alunos carentes, que muitas vezes estudam com bolsas ou pagam mensalidades mais baratas. Essas medidas são paliativas. O que resolveria seria melhorar a qualidade do ensino público e aumentar o número de vagas nas universidades", opina o professor. Diante dessa possibilidade de discriminação é que o deputado João Matos prefere que as cotas sejam direcionadas de acordo com outros critérios, que não somente ser ou não ser aluno de escolas públicas. "Sou a favor de 50% de cotas para atender a rede pública e minorias étnicas", destaca o parlamentar.

DEPUTADOS RECEBEM MANIFESTO CONTRA LEI DE COTAS NAS UNIVERSIDADES

Retirado do site da Folha on line

19/06/2008 - 16h58
GUSTAVO HENNEMANN

Colaboração para a Folha Online

Coordenadores do vestibular de 28 instituições públicas de ensino superior assinaram uma carta em que se manifestam contrários ao projeto de lei que prevê implantação de cotas nas universidades públicas do país. O documento foi enviado este mês para o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e para os deputados federais dos Estados de cada instituição, das quais os coordenadores de vestibular assinaram o manifesto.
A iniciativa da carta partiu do coordenador-executivo do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Leandro Tessler, e foi apoiado por mais 27 coordenadores de vestibular de universidades federais, estaduais e Cefets (centros federais de educação tecnológica). "Assinamos como pessoas físicas, não significa necessariamente que esta seja a posição da universidade de cada um", afirma Tessler.
Segundo ele, o objetivo principal do grupo é reafirmar a autonomia universitária. "O projeto fere a nossa autonomia. Queremos que cada universidade possa debater seus projetos de inclusão e implementar de acordo com as especificidades de cada uma", afirma Tessler.
O projeto de lei, que tramita no Congresso há mais de quatro anos, reserva metade das vagas de instituições públicas de ensino superior para candidatos que cursaram o ensino médio completo em escolas públicas. Essas vagas ainda devem ser ocupadas por candidatos que se autodeclaram negros e indígenas na mesma proporção da população de negros e indígenas do Estado onde fica a universidade.
No manifesto, o grupo diz que, se for aprovado, o projeto de lei terá um efeito destrutivo sobre as instituições de ensino superior. "Usar o mesmo critério de seleção em todas as IES [instituições de ensino superior] públicas do país desmotivaria o rico debate sobre acesso e ação afirmativa que tem levado a soluções inovadoras e eficazes. Assuntos dessa natureza precisam ser discutidos, decididos e validados internamente", diz a carta.
Os coordenadores do vestibular ainda afirmam que são "todos favoráveis a medidas de ação afirmativa, em nome de um corpo discente mais diverso. Somos também favoráveis a diversidade entre as instituições, na forma de diferentes programas de inclusão".
Segundo Tessler, a maioria das instituições cujos coordenadores de vestibular assinaram a carta já têm algum programa de inclusão. Algumas têm sistema de cotas. Outras, como a Unicamp, não reservam vagas mas adicionam pontos a candidatos que vêm de escolas públicas ou que se autodeclaram negros, índios ou pardos.
O advogado especialista em relações raciais e pesquisador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Renato Ferreira, acredita que a lei é boa, prevê implantação gradual de cotas e permite que os administradores se preparem.
"A Constituição consagra autonomia às universidades e não soberania. Se os deputados decidirem que elas deverão adotar um sistema de cotas único, ele será implementado. Quero que eles [coordenadores de vestibular] apresentem a meta de inclusão das universidades em vez de mandar carta para o governo", afirma.
Para Ferreira, a mobilização dos coordenadores é tardia. "Porque eles não apresentaram essa carta quando Tarso Genro era ministro [da Educação] e estava aberto a sugestões para esse projeto."
O pesquisador ainda diz que não é contra ações que respeitem especificidades das universidades, desde que o sistema funcione e seja inclusivo. "Não sou eu que acho, são os dados. A opção da Unicamp é muito tímida. O número de negros aprovados é muito pequeno. Quanto tempo vai levar para que inclusão aconteça?"
Leia mais
Aluna critica as cotas e entra pelo sistema universal
Após cotas, número de negros na UnB é cinco vezes maior
Criação de cotas pode ser votada na próxima semana
GUIA DA FOLHA: Veja programação cultural e de diversão no maior roteiro da internet
Livraria da Folha
Cientista traça perfil social e político da Câmara em livro
Obra desvenda a construção e funcionamento do racismo no Brasil; leia capítulo
Livro ensina a planejar e investir na educação dos filhos e na própria carreira
Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o sistema de cotas

quarta-feira, 18 de junho de 2008

PEÇA: ORIXÁS. O REINO DE OUTRO MUNDO

Retirado do blog Yowli Brasil.
Cia Rubens Barbot Teatro de Dança "O reino do outro mundo – Orixás"Estréia: 15 de maio às 20hTemporada: de quinta a domingo, sempre às 20h, até 29 de junho.Local: Catedral Anglicana São Paulo Apóstolo.
Rua Paschoal Carlos Magno, 95Santa Teresa. Tel: 2252 1852.
Capacidade: 120 lugares
Ingresso:R$ 20,00 (inteira)R$ 10,00 (meia-entrada)
R$ 2,00 (promocional - válido para pré-vestibulares , escolas, ONGs, rádios comunitárias e associações comunitárias) Reserva Pré-agendamento Telefone 2220.5458 ou 2221.9313
Ingressos antecipados: Casa Brasil Nigéria – Rua Mem de Sá, 39, Cine Santa – Largo dos Guimarães – Santa Teresa
Duração do espetáculo: 75 minutos
Mais informações sobre o Espetáculo, no Blog do grupo.

HÁ MAIS DE UM SÉCULO


Retirado do blog Yowli Brasil

Machado de Assis, João Cândido, entre outros, serão os homenageados pelo evento “HÁ MAIS DE UM SÉCULO”, que visa destacar os grandes ícones atuantes na causa negra, no Rio de Janeiro.
PEDRA DO SAL
Mostra de Artes;
Percussão;
Griot;
Teatro de Rua;
Capoeira e Afoxé, Lavagem da Pedra do Sal e desfile do "Filhos de Ghandi"; a partir das 12h
PALCO LARGO JOÃO DA BAIANA
Shows com as VELHAS GUARDAS das escolas, Mocidade Independente de Padre Miguel, Império Serrano e Vila Isabel; entre outrosApresentação: Cristina George; a partir das 18h, ZONA PORTUÁRIA DO RJ

Realização: YAHYA Produções

CARTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPLOGIA SOBRE TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS

Retirado do Boletim Famália do site Overmundo.

Cordialmente,José Augusto Sampaio
GT Quilombos – ABA
CARTA DE PORTO SEGURO

Sobre as posturas estatais diante das consultas formais aos antropólogos(a partir do debate em torno da reforma da Instrução Normativa 20 do INCRA sobre regularização de territórios quilombolas)
Há uma nítida intensificação das demandas do Estado aos antropólogos, cada vez mais solicitados a subsidiar ações de governo quando este se defronta com demandas relativas à adoção ou com a obrigação de implementar políticas de reconhecimento. O incremento na quantidade e intensidade destas consultas e demandas, porém, começa a ter impacto sobre a qualidade e natureza do trabalho antropológico, por vir acompanhado da pretensão de regulá-lo. Por isso, é preciso que nos posicionemos criticamente sobre tal cenário.
A pior configuração é aquela na qual o Estado renova um expediente conhecido no campo do indigenismo oficial, qual seja, o de incorporar antropólogos às agências, sem que isso signifique incorporar a Antropologia. No caso do indigenismo isso foi realizado de forma grotesca, simplesmente criando o cargo burocrático de "antropólogo" no interior da FUNAI, sem que se garantisse, em todos os casos, que as pessoas que o ocupariam fossem antropólogos ou mesmo cientistas sociais. Agora, no caso do INCRA e de sua atuação junto às comunidades remanescentes de quilombos, isso é feito de forma menos evidente, mas com conseqüências não menos perversas: absorveram-se os antropólogos, mas desconsiderando a sua qualificação específica, ao incorporá-los como “analistas de reforma e desenvolvimento agrário”, e ao permanecer surdo às intervenções, recomendações e críticas antropológicas.
Estas posturas precisam ser evidenciadas e repelidas em nome de uma tomada de posição firme, de ambas as partes - gestores das agências de Estado e antropólogos - sobre a melhor forma que tal interlocução pode assumir, a fim de cumprir o seu principal objetivo, qual seja, o de equipar as ações oficiais com o recurso a um saber adequado no trato com populações e organizações sociais que, historicamente, o Estado nacional buscou subordinar ou simplesmente eliminar, mas que, agora, está obrigado a reconhecer e mesmo proteger.
Para isso é necessário que ao exercício do saber antropológico no interior das agências de Estado ou por ele contratado, sejam garantidas as condições básicas de seu exercício digno. Isso é incompatível com a falta de autonomia intelectual, com a limitação na utilização de suas ferramentas analíticas e linguagem própria.
Por outro lado, isso depende da integridade e publicidade dos trabalhos aí produzidos, já que a submissão de seus resultados à avaliação dos pares é a única forma de aferir sua qualidade.
É necessário também e, sobretudo, que a demanda do Estado com relação aos antropólogos esteja pautada pelo respeito à forma pela qual este saber se constituiu historicamente e às bases epistemológicas e metodológicas sobre as quais continua fundado. Sem este respeito não há colaboração ou consulta à Antropologia, mas sua deformação tomando-lhe de empréstimo a legitimidade, recusando, porém, aquilo que ela tem de fundamental a oferecer: o respeito à alteridade e à diversidade sociocultural, assim como uma forma de compreendê-las e interpretá-las.
É com relação a este segundo ponto que os recentes debates em torno à revisão da Instrução Normativa 20/2005 do INCRA merecem especial atenção, por sua exemplaridade.Por meio desta revisão, o governo federal pretende introduzir um artigo especificamente destinado a determinar de que forma os antropólogos (de dentro dos seus quadros ou não) deverão conduzir suas pesquisas. é preciso não deixar dúvidas de que esta proposição caracteriza um desrespeito profissional inadmissível.
à burocracia do executivo ou aos operadores da justiça cabe, além da obrigação do bom desempenho de suas funções, o papel de formular demandas aos profissionais detentores dos conhecimentos especializados necessários à consecução de suas obrigações. Mas não há cabimento em que, a pretexto de formularem suas demandas, tais instâncias do Estado extrapolem suas funções, no sentido de pretender normatizar ou invalidar um saber ao qual recorrem justamente por lhes ser formal e substantivamente externo. Saber que, como qualquer outro saber técnico ou científico ao qual recorrem por meio de especialistas, está fora de sua competência e, por isso, não podem pretender regular ou invalidar.
A proposta de nova Instrução Normativa do INCRA, ao estabelecer um roteiro que deverá, obrigatoriamente, ser seguido pelo antropólogo responsável pela realização de relatórios de identificação territorial erra, portanto, em seus objetivos do ponto de vista formal, mas também do ponto de vista substantivo, pelas seguintes razões:
1) A definição da demanda de uma autarquia pública federal como o INCRA não deve se dedicar ao exercício especulativo de prever todos os itens descritivos que podem vir a ser necessários à caracterização antropológica de um território étnico. A tentativa de dar exaustividade a tal relação de itens, além de implicar em uma concepção errada e distorcida do trabalho antropológico, tem duas graves implicações:
a) ao estabelecer tal lista, a proposta de norma distorce elementos fundamentais do conceito de "grupo étnico", seja segundo a bibliografia consagrada sobre o tema, seja segundo a legislação vigente em âmbito nacional e internacional, em especial a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, promulgada como legislação nacional pelo governo brasileiro em 2004 (dec. no. 5.051);
b) ao estabelecer tal lista, a norma produzirá uma relação tão vasta quanto inútil de tópicos descritivos que, sendo incapaz de apreender o caráter variável e particular implicado na definição de cada situação territorial, criará, porém, uma obrigação, que transformará qualquer trabalho realizado em preza fácil de contestações, capazes de atacá-lo com base em argumentos puramente formais e externos ao seu mérito propriamente antropológico, e independentemente de sua capacidade de responder aos objetivos a que se propõe, de delimitação e justificação dos territórios quilombolas.
2) Finalmente, uma norma estatal não pode levantar suspeição sobre o trabalho antropológico realizado por profissionais historicamente ligados aos grupos em questão, recusando, com isso, justo o que define a particularidade da atividade antropológica, qual seja, a capacidade de apreender o ponto de vista nativo sobre o mundo.
Com isso, desconhece que, diferentemente de outras perícias técnicas, o relatório antropológico não trabalha sob o suposto de uma verdade absoluta e externa aos atores, mas desempenha o papel de apreender e interpretar o ponto de vista nativo sobre sua história, sociedade e ambiente, de forma a traduzi-lo nas linguagens externas a ele. Como corolário deste papel principal, a Antropologia também tem o papel de relativizar e enriquecer tais saberes e linguagens do Estado, ao confrontá-lo com concepções e conceitos que lhe são externos. A recusa de qualquer destes objetivos deve ser assumida pelas agências de Estado como fruto de decisão política explícita, e não transferida para o exercício antropológico por meio de constrangimentos legais ou normativos.
Diante destas considerações, repudiamos a pretensão do Estado Brasileiro em interferir sobre o saber e o fazer antropológicos, tendo em vista interesses conjunturais e externos ao legítimo debate público em torno dos objetivos que formalmente sustentam o diálogo entre antropólogos e agências de Estado.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA
GRUPO DE TRABALHO QUILOMBOS
PORTO SEGURO, 04 DE JUNHO DE 2008

MILTON GONÇALVEZ SE DIZ PATRULHADO POR MILITANTES DA CAUSA NEGRA

Para ampliar clique na imagem. Para salvar no computador clique com o botão direito do mouse e selecione "Salvar imagem como..."

terça-feira, 17 de junho de 2008

IV ENCONTRO NACIONAL DE TECNICOS ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO NEGRAS E NEGROS E MILITANTES ANTI-RACISMO DA UNIVERSIDADES BRASILEIRAS - FASUBRA SINDICAL


19 a 21 de Junho de 2008
Auditório do Aracoara Hotel – SHN Q. 5 – Brasília/DF

Programação
DIA 19/06
08h30min - Ato Ecumênico
09h - Abertura
Convidados: FASUBRA, MEC, SEPPIR, ANDIFES, CNCDR/CUT, ANDES, UNE
10h30min
11h às 12h30min Intervalo

Conferência Magna “Brasil Mostra sua Cara”
Ministro Edson Santos SEPPIR ou André Lazaro SECAD-MEC (a confirmar)
12h30min às 14h Almoço
DIA 19/06
14h - Política de Ações Afirmativa no Brasil e no Mundo
Prof. Jose Jorge - UnB
16h as16h15mim Intervalo
16h15min às 18h Debate
19h Atividades Culturais

DIA 20/06/08
09h - “Movimento Negro e o Movimento Sindical” “Aliado ou Parceiro”
Debatedores: UNEGRO, MNU, CNCDR/CUT
10h30min às 10h45min Intervalo
10h45min às 12h30min Debate
12h30min às 14h Almoço

DIA 20/06/08
14h - Estratégias de implementação das Cotas (acesso e permanência) nas Universidades Brasileiras
FASUBRA, ANDES, UNE, ANDIFES, MEC
16h às 16h15min intervalo
16h15min às 18h Debate
19h Atividades Culturais

21/06/08
09h - Grupos de Trabalho Tema “Táticas e Ações da Fasubra Sindical no combate a Discriminação na IES”
Objetivo: Socialização e troca de experiências nos sindicatos, propostas de ações política para Fasubra e seus sindicatos de base.
12h30min às 14h Almoço

21/06/08
14h - Plenária Final
Encaminhamentos do Encontro

18h - Ato de Encerramento
19h - Confraternizaçã o Final

ANOTAÇÕES SOBRE UM GESTO PÓS-RACIAL

Retirado do site Observatório da Imprensa

QUESTÃO RACIAL
Por Muniz Sodré em 17/6/2008

Nunca a grande imprensa brasileira falou tanto sobre a questão racial quanto agora. De algum tempo para cá, o tema comparece em editoriais, artigos, crônicas, reportagens, dando ou não seguimento a acontecimentos significativos, como a ida de um grupo de intelectuais ao Supremo Tribunal Federal para entregar um manifesto contra as cotas que favorecem negros nas universidades.
As posições favoráveis e contrárias já são mais ou menos conhecidas (embora não tanto as motivações profundas dos opositores). Mas uma notícia que pode ter passado despercebida é capaz de lançar uma luz nova sobre o assunto: a atriz Marília Pera convidou o ator negro Lázaro Ramos para um dos papéis principais da peça The Vortex, que será encenada no Rio. O personagem a ser vivido por Lázaro é, no texto, branco, de família tradicional inglesa (O Globo, 9/6).
O notável do fato é que, até agora, o universo ficcional brasileiro tem obedecido ao cânone da verossimilhança sócio-histórica. Este pode ser exemplificado da seguinte forma: um fictício presidente da República não seria jamais interpretado por um negro (em peça, drama televisivo, cinema, filme etc.) por infringir a regra do verossímil, que apontaria para a evidência (meia-evidência, na verdade...) de que nunca houve um primeiro mandatário negro no Brasil. Ora, se se trata de ficção, por que atender aos requisitos da realidade histórica? A televisão norte-americana tem dado uma resposta singular à questão, ao colocar um negro como presidente da República numa série policial (24 Horas). Agora, é a vez de Marília Pera romper o cânone.
O corner do binarismo
A iniciativa da atriz é de natureza "pós-racial". Primeiro, tem implícito o pressuposto – corretíssimo – de que raça só existe uma: a humana, distribuída numa miríade de cores ou fenótipos, dos claros aos escuros. Depois, a escolha obedece apenas a critérios técnicos de adequação do ator ao personagem, e não à verossimilhança fenotípica. Um ser humano de carne e osso vai viver um outro, feito de imaginação e papel, no teatro. Lázaro Ramos já havia sido protagonista do filme O Homem que Copiava, de Jorge Furtado, sem que tenha sido levantada em qualquer passagem do roteiro a questão da cor da pele. Aos olhos do espectador, um homem, simplesmente um homem, relaciona-se com outros em proximidade, desracializado.
Há uma coincidência singular entre o fato referente à peça inglesa e o momento histórico em que o negro-mestiço Barack Obama é indicado como candidato do Partido Democrata à presidência da República dos Estados Unidos. "Negro-mestiço" para nós, "negro" para o sistema classificatório norte-americano (onde vige a one drop rule, ou seja, uma gota de sangue negro define racialmente o sujeito), Obama merece, assim como Lázaro Ramos, o epíteto de "pós-racial". Isto quer dizer que não racializou a sua campanha, apesar das tentativas dos adversários no ring das primárias, de levá-lo ao corner do binarismo racial.
Análises e soluções diferenciadas
Tudo isso pode soar aos desavisados como base argumentativa contra as cotas no Brasil. Não é bem assim. Um artigo do cantor e compositor Martinho da Vila (O Globo, 10/6) no dia seguinte ao da notícia da peça também traz luz para o assunto. Martinho conta de seu espanto, na primeira viagem aos Estados Unidos, ao ver estampados em cartazes, nas ruas e em lugares de destaque, as imagens de negros socialmente proeminentes. Espantava-o o grau de visibilidade pública de cidadãos uma vez descritos pelo escritor Ralph Ellison como "homens invisíveis". Isto não se dá por acaso, nem por pura e simples graça do poder: os negros, com todas as suas contradições internas, empenharam-se durante gerações na luta por direitos civis igualitários.
Ora, dirão, esse binarismo radical que ensejou a luta por direitos mais civis nos Estados Unidos não é o caso brasileiro. O que é a mais absoluta verdade e contraria a que se apliquem aqui, sem mais nem menos, critérios válidos para a realidade norte-americana, tal como a "regra da gota única de sangue". Mas da mesma maneira não se pode invocar o "pós-racialismo" de Obama para dizer que o Brasil já dispõe há muito da fórmula agora encontrada pelo candidato democrata. São realidades diferentes, que induzem a análises e soluções diferenciadas. A boa saúde mental e cívica recomenda uma pausa nos reflexos especulares do centro do Império.
"Relação social de raça"
Uma pausa dessas pode servir para pensar que possivelmente o gesto pós-racial da atriz Marília Pera tenha sido "sobredeterminado" (uma múltipla determinação, em que o fenômeno Obama pode até ter tido algum peso) pela conjuntura sócio-político-cultural que a temática das cotas suscitou no Brasil.
Desde o Prouni, ganhou foro público a questão da cidadania de segunda classe, de sua exclusão sistemática das oportunidades historicamente concedidas aos que já nascem "cotados" ou "patrimonializados" pela cor socialmente valorizada. Mas as cotas de agora – recurso, para mim, provisório – representam uma estratégia de visibilidade mais forte, esta que os Estados Unidos de algum modo já obtiveram, sem, entretanto, resgatar a maioria negra de seus bolsões de pobreza, nem diminuir esse mal-estar civilizatório que é a discriminação racial. O conceito científico de raça acabou, mas não acabou a "relação social de raça", isto é, o senso comum atravessado pelo imaginário racialista.
Visibilidade valorizada
Os intelectuais que, em jornais ou na academia, formaram um ativo bloco orgânico para pregar contra as cotas, não desconhecem o fato de que a cidadania, conceito eminentemente político, nasce no solo da visibilidade dos membros de uma comunidade: o sujeito visível tem voz pública; o invisível, não. O escravo grego não podia ser cidadão porque não dispunha do "capital" de visibilidade suficiente (naturalidade da língua, da fratria etc.) para falar na ágora.
A decisão sobre quem pode ou não falar, ser visto e ocupar os lugares do privilégio, é de natureza estética, no sentido radical desta palavra. Na raiz, estética e política coincidem. Uma política de cotas não implica que se acredite na existência de raças, e sim que as diferenças estético-fenotípicas têm conseqüências para a igualdade dos cidadãos. Sobre a branquitude da paisagem eurocêntrica projeta-se alguma "colorização" de espaços – fonte do espanto de Martinho da Vila, ponto de partida de uma visibilidade valorizada.
Não se pode realmente acreditar que as cotas venham resgatar a situação socioeconômica dos escuros e desfavorecidos, nem resolver o problema da introjeção histórica dos estereótipos racistas. O exemplo do pós-racialismo é algo de fato desejável, pode ser uma meta. Mas não é algo que esteja aí à disposição dos interessados, como uma espécie de fruto natural gerado pela suposta boa consciência daqueles que dizem temer a "racialização" da sociedade brasileira. Em termos coletivos, será o resultado de lutas e cotas em que venham a envolver-se também empresas e outras instituições pertinentes, além do Estado. A visibilidade valorizada é um começo razoável.

NAÇÃO MESTIÇA VAI AO STF PARA DISCUTIR POLÍTICA DE COTAS

Retirado do site Congresso em Foco. Clique aqui para ter acesso a um texto explicando, em juridiquês, o que é "Amicus Curiae"

Representantes do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (também conhecido como “Nação Mestiça”), antropólogos e uma procuradora do Distrito Federal entregaram hoje (16) ao ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma petição de Amicus Curiae.

Conforme explicou ao Congresso em Foco a procuradora do Distrito Federal Roberta Kauffmann, Amicus Curiae é um termo jurídico que significa "amigo da corte" e amplia a possibilidade de debate numa ação direta de inconstitucionalidade (Adin).
O instrumento permite que outras pessoas que tenham algum tipo de interesse na resolução do conflito possam também opinar sobre o tema. Originalmente, numa Adin só podem se manifestar o autor da ação, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União.
A petição entregue hoje reproduz o conteúdo da Carta dos 113, um abaixo-assinado contra a política de cotas raciais nas instituições de ensino superior do país. A Carta dos 113 conta com a assinatura de diversas personalidades artísticas e acadêmicas, entre elas Caetano Veloso, Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro e Ruth Cardoso.
Direito é o relator da Adin, impetrada no STF pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). A entidade questiona o sistema de cotas nas universidades estaduais fluminenses para negros e estudantes que freqüentaram escolas públicas.
Não existe prazo para que Direito decida sobre o Amicus Curiae. Contudo, a procuradora adiantou que “a tendência é que ele aceite”.
Além de Roberta Kauffmann, entregaram a petição a Direito os antropólogos Yvonne Maggie (professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e George Zarur (professor da faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais). (Rodolfo Torres)

Leia também
Roberta: pró-cotas fingem desconhecer história do país
Bajonas: ninguém vê problema no racismo dissimulado
ATUALIZADA EM:16/06/2008

domingo, 15 de junho de 2008

REVISTA INFO - MATÉRIAS SOBRE REDES SOCIAIS NA NET

Recebido do Newsletter do blog Dê graça é mais gostoso. A postagem anterior fala do perigo da pedofilia na rede social Orkut. Está edição trás discussão sobre elas.
Para baixar a revista completa em PDF clique nos links abaixo

ORKUT REDE DE ILEGALIDADES

Retirado do site do Observatório da Imprensa.

Por Vanderson Freizer em 20/5/2008

A imprensa deixou passar despercebidos os mais de 600 pedófilos encontrados na rede de relacionamentos do Orkut, o principal site deste gênero do Brasil. Também não interessa à imprensa os outros crimes que são cometidos por alguns membros de diversas comunidades estabelecidas no Orkut. Por um motivo ou outro, as notícias a respeito do poderoso Google não ganham força na mídia nacional.
Na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo, jovens usam o Orkut e YouTube para promover corridas de racha, camisetas com os dizeres "a mesma velocidade que diverte é a que mata... e daí?" também fazem parte da divulgação dos rachas na cidade. Tudo isso poderia virar manchete para ilustrar o lado ruim do Orkut, mas não tomam muito espaço da mídia sensacionalista, que está mais preocupada em fazer justiça ou ganhar pontos de audiência.
É comum encontrar no Orkut comunidades que ofendem homossexuais, negros, religiões, partidos políticos e outras coisas mais. Isso é do conhecimento da mídia antes mesmo da CPI da pedofilia ser instalada no Congresso, mas ainda não foi suficiente para servir de noticiário nas emissoras de TV e nos vários portais de internet.

Casos de maior importância
Se levarmos em consideração a quantidade de páginas com conteúdo pornográfico, podemos dizer que o Orkut é o campeão neste quesito no Brasil. Existem vários perfis de mulheres e homens oferecendo seus "trabalhos". Comunidades que seguem este mesmo gênero também têm um espaço considerável na rede de relacionamento – que prega a liberdade de expressão aqui, mas faz o jogo do ditador comunista na China.
Mas tudo isso tem uma explicação. O trabalho dos grandes jornalistas do Brasil está pautado em casos de maior importância. Lutar pela criação de leis que punam crimes pela internet pode ficar para depois, o importante agora é fazer com que a população esteja bem informada sobre o andamento do caso Isabella.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

COTAS NAS UNIVERSIDADES

Retirado do Correio Gazeta de Piracicaba. Texto que só serve para vermos como os anticotistas se equivocam e geralmente não usam informações precisas sobre o que está acontecendo no Brasil quando analisam esta política pública.
O autor Fredrico A. Blaauw (será descendente de alemão?) diz que são 50 universidades federais com cotas, ledo engano... na verdade são 26 federais e 24 estaduais com Ações Afirmativas, sendo que para negros são exatamente 27 universidades. Agora, cotas para negros são 24, pois na USP e UNICAMP é acréscimo de nota e a UNIFESP é acréscimo de vagas.
Ações afirmativas para escolas públicas são 36, sendo que cotas são 32 universidades, pois a UFRN, UFF, USP e UNICAMP são acréscimo de notas.
Outra imprecisão, no primeiro parágrafo, o autor dá entender que as porcentagens das cotas se resumem a "20% e 10%, respectivamente". O autor deveria esclarecer que está falando da realidade de um Estado é não do contexto das discussões nacionais. Ele, como advogado, deveria saber que se todas as decisões tomadas por instituições com autonomia fossem esperar decisões do STF o Brasil correria o risco de parar no tempo. Leviandade pura. Advogado em geral gostam de usar da tática da legalidade para desqualificar processos e decisões estimulada pelas exigências de movimentos sociais.
Informações e análises de anticotistas dificilmente são confiáveis porque não se baseiam na realidade, mas em achismos circunstanciais, ou seja, se pautam pelo que acreditam como o mudo devera ser e não como ele está sendo. Faz parte... :)

Clique aqui para acessar um artigo com diversos gráficos sobre a realidades das ações afirmativas e cotas no Brasil.

Publicada em 13/6/2008
Opinião - Cotas nas universidades

Em todo final, começo e meio de ano, por ocasião dos vestibulares, para ingresso nas universidades federais e estaduais, volta à baila a questão das cotas asseguradas, para alunos egressos da rede escolar pública de ensino médio e para estudantes negros e indígenas, com reservas estabelecidas nos percentuais de 20% e 10%, respectivamente.
Recentes decisões ocorreram nas universidades federais de Santa Catarina e do Paraná, casos ainda não julgados quanto ao mérito, o que traz de volta o debate político da questão.
Fato é que 50 universidades federais, ao estabelecerem cotas, anteciparam-se à aguardada decisão do Supremo Tribunal Federal, acerca do tema, existindo, ainda, projeto de lei que disciplina a fixação de cotas sociais e raciais a tramitar no Congresso há anos.
Cabe indagar - as universidades que adotaram o sistema de cotas não violaram o princípio da igualdade, assegurado pela Constituição, no tocante aos direitos fundamentais? A reserva de vagas não açula o ódio racial, em vez de promover a inclusão social?
Já para os defensores da política de "ação afirmativa", favorece ela o esforço para incluir segmentos historicamente discriminados, que estão fora da universidade, visando a resgatar uma " dívida social histórica".
A questão, hoje, deslocou-se para a demagogia política, a inverter meios e fins, como bem salientou o jornal O Estado de S. Paulo, em editorial recente. Se os favorecidos pelas cotas, negros, pardos, indígenas, têm dificuldade de ingresso, seria por causa da cor, ou por terem recebido ensino de má qualidade e não disporem de formação básica mínima?
Induvidosamente, a desigualdade social não está no racismo, mas no baixo nível de instrução decorrente da má qualidade do ensino fundamental e médio, especialmente quando público. Na média, os favorecidos pelas cotas têm indicadores sociais baixos, apenas porque não podem pagar boas escolas de 1º e 2º graus. O sistema de cotas acirra a animosidade entre estudantes, haja vista quem conseguiu o número de pontos para aprovação no vestibular e não obtém a matrícula em razão das " concessões compensatórias", gerando ressentimento e mais discriminação.
Não seria mais sensato, em respeito às liberdades públicas e às garantias fundamentais, considerando o princípio da igualdade entre todos, assegurado pela Carta Fundamental, investir na melhoria da qualidade do ensino público, hoje verdadeira calamidade, e ampliar os programas de apoio a estudantes, independentemente da cor e origem étnica?
Frederico Alberto Blaauw - Advogado e Consultor de Empresas, Mestre em Direito Comercial, Professor de Direito Econômico da Faculdade Ibrafem

DISQUE RACISMO E ALAGOAS E BAHIA

Iniciativa legal lá em Macéio, contudo caso seja efetivado tomara que não aconteça o mesmo que está acontecendo na Bahia. Retirado do site do Alagoas 24horas e do jornal A Tarde On Line.
Segue abaixo link para dissertação analisando o disque racismo do Rio de Janeiro. Clique no titúlo para abrir.
RETRATOS EM BRANCO E PRETO, RETRATOS SEM NENHUMA COR: A EXPERIÊNCIA DO DISQUE-RACISMO DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


Alagoas 24horas
OAB discute homicídios contra negros, 13 de junho de 2008

O presidente da Comissão de Defesa das Minorias, da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, Alberto Jorge, o doutor Betinho, junto com representantes de entidades do Movimento Negro do Estado, irão discutir na tarde desta sexta-feira, 13, o número de homicídios praticados contra pessoas negras.
De acordo com o relatório de homicídios elaborado pela OAB/AL, cerca de 70% das vítimas são negras e moram em bairros periféricos. O debate será às 14h, no auditório da OAB/AL.
Além da discussão acima do grande número de homicídios envolvendo pessoas negras em Alagoas, a reunião de hoje à tarde vai debater também a implantação do Disk Racismo. O serviço telefônico servirá como um instrumento para receber denúncia de crimes de racismo.
Será também firmada uma parceria entre os representantes do movimento negro e a Comissão de Defesa das Minorias da OAB/AL para combater os crimes praticados contra os negros.


06/06/2008
Bahia sem punição para o racismo
Carolina Mendonça, do A TARDE On Line

Em oito anos de atuação, o Disque Racismo - Serviço de Assistência às Vítimas de Discriminação Racial recebeu mais de duas mil denúncias de manifestações de discriminação em todo o Estado. Deste universo de queixas, 158 resultaram em processos por crime de racismo que ainda tramitam na justiça, sem que ninguém fosse punido. A lentidão e a falta de atenção à gravidade deste tipo de agressão são apontadas como principais causas para a impunidade.
“Um dos problemas é mesmo o acúmulo de processos nas varas criminais do poder judiciário. Além disso, ainda não existe a percepção da urgência para que estes casos sejam concluídos e não caiam no esquecimento”, avalia o promotor de Justiça Almiro de Sena, à frente da Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público do Estado.
O ambiente desencorajador também contribui para a lentidão processual, segundo um dos coordenadores do Disque Racismo, Denílson José Santana. “Algumas audiências são adiadas por conta do próprio comportamento de advogados e juízes que perguntam às vítimas se o ato de discriminação não estaria associado a um momento de raiva, numa tentativa de descaracterizar o crime”, relata.
A brandura na interpretação das manifestações de discriminação é reflexo de uma sociedade que ainda teima em afirmar que o racismo não existe no Brasil. De acordo com Sena, na tentativa de provar esta “tese”, muitas pessoas insistem em dizer que a situação do negro no País é mais um problema inserido nos quadros econômico e social brasileiros. No entanto, exemplos como o de Jussara Santana, 48, mostram que certas manifestações tem o racismo como base.
A técnica de enfermagem já ouviu de uma de suas chefes de trabalho que, por conta da “extravagância” de seu cabelo (ela usa dreadlocks), ela deveria ter seguido a carreia artística. Numa outra manifestação de discriminação, ao ver Jussara dentro do elevador do hospital onde trabalha, um médico pediu a sua retirada do local, por não achar que ela fosse sua colega na instituição.
Fora – Para traçar ações de enfrentamento às adversidades impostas pelo preconceito, a equipe do Disque Racismo e representantes de grupos do Movimento Negro realizaram, nesta sexta-feira, 6, o Seminário "Discriminação Racial no Mercado de Trabalho", que discutiu a falta de acesso dos afrodescendes ao emprego digno. “Além de ocuparmos poucos cargos de chefia e recebermos menores salários em comparação aos brancos, ainda somos vetados pela nossa estética”, afirma Suely Santos, membro da coordenação do Movimento Negro Unificado (MNU).
“Nossos cabelos, nossos traços, nossa forma de externar traços das culturas de origem africana não se encaixam no padrão estético dominante. Por este motivo, muitas vezes acabamos perdendo um emprego”, indigna-se o presidente da Associação Beneficente, Cultural e Recreativa União Rastafari, Joacy da Silva Neves.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos da Bahia, Marinalva Barbosa, 95% da categoria é composta por mulheres negras e a maior parte delas já viveu situações de discriminação no ambiente de trabalho. “Ainda somos tratadas como escravas. As humilhações e xingamentos associados à raça são os casos mais comuns”, conta Marinalva.
Apesar deste cenário de impunidade para com a discriminação, a possibilidade de denunciar e processar agressores é considerada um avanço pelo promotor Almiro de Sena. Ele recomenda que todas as manifestações racistas sejam denunciadas ao Disque Racismo ou à Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público do Estado. “Mesmo que não se consiga reunir provas, pode-se realizar um procedimento de investigação administrativa, que interroga suspeitos, exigindo explicações sobre a violência relatada. Durante a averiguação do fato, abre-se um espaço pedagógico de discussão sobre cidadania”, instrui.
Para fazer uma denúncia ao Disque Racismo, a pessoa deve ligar e deixar um relato sobre o ocorrido na caixa de mensagens do serviço, com o nome e telefone de contato. Em seguida, a situação será avaliada pelos membros da equipe da entidade e, a depender da gravidade, a vítima será encaminhada à delegacia de polícia ou ao Ministério Público. Serviço:
As denúncias de racismo devem ser encaminhadas ao Disque Racismo, pelo telefone (71) 3531-4077 ou à Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público do Estado, na Av. Joana Angélica, 1312, Nazaré – Salvador, Tel: (71) 3103-6400

EU SOU NEGUINHO

Retirado do site do jornal O Globo. Artigo maravilhoso que precisa ser divulgado.

Publicada em 12/06/2008

Por Joel Zito Araujo

O meu amigo Caetano, que no debate público é um provocador tão genial quanto na arte, também é, sem dúvidas, um atento observador da realidade racial brasileira desde jovem, quando Dona Canô gritava "meu filho corra, venha ver na TV aquele preto de que você tanto gosta!". Ou quando se irritou ao ver jovens de esquerda chamando Clementina de Jesus de macaca no Teatro Paramount, em 1968. Ou quando não deixou o país esquecer que o Haiti é também aqui. Mas agora, depois de tão bela história, depois de ter produzido poemas tão poderosos e belos sobre a negritude baiana, ele parece acreditar que o país acompanhou a sua cabeça e seu desejo de viver em uma democracia pós-racial.

Não é possível ignorar as cotas como um movimento natural e necessário, apesar das imperfeições no processo
O Brasil pós-racial é uma meta que compartilho, mas ainda é uma ficção. O dramaturgo Harold Pinter já disse que, na exploração da realidade por meio da arte, "não há distinções explícitas entre o que é real e o que é irreal, tampouco entre o que é verdadeiro e o que é falso.". Mas que diferenciar essas condições é fundamental para o exercício da cidadania. É necessário dizer para o querido Caetano que não é coerente ter feito uma obra tão magnífica e assinar um manifesto contra cotas para jovens negros pobres na universidade.
E assim, mesmo agradecido pelo que ele fez, tenho que, atendendo a sua provocação ( ver coluna de Jorge Moreno de 07/06/08 ), vir aqui dizer que a "realidade lá fora" continua brutal para aqueles que são "negros ou quase-negros de tão pobres". Eles continuam com suas chances de ascensão social condicionadas à cor de suas peles em estruturas seculares que reproduzem o racismo nos bancos escolares, na nossa TV, no sistema de saúde, no mercado de trabalho, na violência policial...
Não é possível ignorar as cotas como um movimento natural e necessário, apesar das imperfeições no processo. Diante da revolta contra sua condição de grupos populacionais excluídos, negros e indíos lutam por uma reparação histórica, lutam por seus direitos. Hoje, por trás da emergência identitária destes grupos está a busca pelo reconhecimento dos direitos de partilha das riquezas materiais do país (partilha do direito à educação, à terra, à liberdade religiosa). Vivemos, finalmente, numa sociedade em que os "excluídos" lutam autonomamente no campo da democracia pelos seus direitos. São lutas de idéias, de conquista da opinião pública e de leis. E isso é muito bom, e deve ser respeitado e incentivado. E, veja bem, eles não estão esperando o socialismo, ou a vitória do universalismo francês, ou o triunfo do mercado, para ter acesso à educação. Eles querem acelerar processos, cobrar dívidas históricas. Evitar tensões raciais é promover o reconhecimento dos seus direitos , e incentivar a sua luta política nas formas democráticas e republicanas. E tenho certeza de que o nosso querido Caetano sabe que Mangabeira Unger tá certo. Nós precisamos de uma segunda abolição. Mas como realizá-la sem nos defrontarmos com a questão racial?

Nossas crianças perdem a auto-estima ao aprender a sonhar em ser, mesmo que cirurgicamente, iguais à rainha dos baixinhos
E por que acreditar que revalorizar neste momento a criação colonial do mulato é um passo para a sociedade pós-racial? Onde é que o mulato é celebrado como ideal da nação? Nas artes, na telenovela, no cinema, na publicidade? O ideal do país desde os tempos da escravidão foi, e continua profundamente internalizado em todos nós, fazer do negro um mestiço e do mestiço um branco. Nossas crianças perdem a auto-estima ao aprender a sonhar em ser, mesmo que cirurgicamente, iguais à rainha dos baixinhos. Por que todas as apresentadoras dos programas infantis foram inspirados no modelo ariano? Que ideal de raça estava por trás disso? Por que os considerados mais belos das revistas de moda, de TV e até mesmo de esportes são invariavelmente os mais germânicos? Por que somente em 2004 tivemos a Taís Araújo como protagonista de uma telenovela na rede líder de audiência? E quando voltaremos a revê-la assim? Ser mestiço, portanto, é ainda um momento de passagem da condição inferior para a raça superior. O mulato na telenovela ainda é, como regra, representação do estereótipo do bundão, do mau caráter, do bandido ou do ressentido.
É por isso que não sou mulato. Só aceito o mulato como profissão. E é assim que vivem centenas de brasileiras afro-descendentes pobres que viajam pelo mundo vendendo a beleza dos seus corpos e dos seus movimentos em shows tipo Sargentelli. Neste momento sou orgulhosamente o meu avô e bisavô, eu sou neguinho. E amanhã posso vir a ser a minha avó, nambiquara ou pataxó
Sou brasileiro, com ascendência afro-índígena-portuguesa. Mas neste momento histórico só me interessa afirmar o que fui pressionado a negar. O país ainda precisa de um choque de negritude e de indigeneidade. Para chegar a ser pós-racial precisa antes ser multirracial. Precisamos reconhecer que nossa nação é um mosaico, onde vivem filhos de africanos, de japoneses, de libaneses e de europeus, além dos indígenas. Somente assim podermos, no futuro, realizar o mito que tanto prezamos, e vir a ser um exemplo de democracia racial.

Neste momento sou orgulhosamente o meu avô e bisavô, eu sou neguinho. E amanhã posso vir a ser a minha avó, nambiquara ou pataxó.
Diante da herança colonial que criou um sistema hierárquico de castas raciais, eu sou neguinho. Diante dos articulistas dos jornais que dizem que não somos racistas, mas alertam que se me assumo como negro sou ameaça de guerra civil, eu sou neguinho. Diante do senador que elogia o seu par mulato por estar apurando a raça ao se casar com uma "linda gaúcha dos olhos azuis", eu sou neguinho. Ou diante da mídia que em suas imagens insiste em reafirmar a branquitude como ideal da nação, eu sou aquele Caetano que tanto admiro, e não aquele inexplicável mulato anticotas. Sou negro preto do Curuzu. Sou beleza pura.

Joel Zito Araujo é cineasta, autor de "Filhas do Vento" e "A Negação do Brasil"

REVISÃO DE DURBAN - CONFERÊNCIA DAS AMÉRICAS SERÁ TRANSMITIDA AO VIVO PARA TODO PAÍS

Retirado do site da SEPPIR

Revisão de Durban
05/06/2008

Brasília será a sede da Conferência Regional das Américas para a revisão da I Conferência Mundial contra o Racismo. Com a participação de delegações governamentais de 33 países da América Latina e Caribe, o encontro terá como objetivos avaliar os avanços desde a I Conferência Mundial e traçar as metas regionais de Igualdade Racial para os próximos anos. A Conferência das Américas será realizada entre os dias 17 e 19 deste mês, no Palácio do Itamaraty.
A solenidade de abertura, todos os painéis e a leitura do documento final da Conferência serão transmitidos ao vivo pela TV estatal NBR, cujo sinal é captado pela NET nas principais regiões metropolitanas do país, e pode ser sintonizado ainda através dos satélites Brasilsat 1 e 2, ou através da internet em
www.radiobras.gov.br (link NBR ao vivo).
Durban – A I Conferência Mundial contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância foi realizada em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001. Na ocasião, foram discutidas as etapas práticas para a luta contra o racismo e editadas recomendações para combater o preconceito e a intolerância ao redor do mundo. O intercâmbio entre os países participantes, as instituições especializadas e as organizações não-governamentais levou à redação uma declaração e um programa de ações, que inclui medidas de prevenção, educação e reparações. Em 2006, a Assembléia Geral das Nações Unidas, através da resolução 61/149, aprovou a realização em 2009 da Conferência de Avaliação da Implementação da Declaração e do Plano de Ação de Durban. Foram previstas, na ocasião, conferências regionais preparatórias, a serem realizadas entre maio e setembro de 2008. O Governo brasileiro assumiu a Conferência das Américas, cuja organização ficou a cargo do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ACDHNU), da SEPPIR e do Ministério das Relações Exteriores. O ministro Edson Santos será o presidente da Conferência, e a delegação brasileira será chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Sociedade Civil – Antes do evento oficial será realizado o Fórum da Sociedade Civil, que contará com a participação de 300 delegados das principais redes de ONGs brasileiras, latino-americanas e caribenhas que tratam do tema. Marcado entre os dias 13 e 15 de junho, no Centro de Eventos Brasil 21, o Fórum terá como principal objetivo preparar um documento de avaliação regional como subsídio as discussões que serão desenvolvidas na Conferência Oficial.
Assessoria de Comunicação Social da SEPPIR/ PR

UNIOESTE APONTA SISTEMA DE COTAS

Retirado do site do Gazeta do Povo. Só para constar a unioeste tem que cumprir uma lei estadual que manda criar seis vagas a mais para candidatos indígenas. Esta lei atinge seis universiades estaduais do Paraná. Clique aqui para acessar o link da lei.

Mudanças no vestibular
Instituição divulga data e lista de livros para o processo seletivo 2009

13/06/2008

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) aprovou nesta quinta-feira (12) quatro mudanças para o vestibular de 2009. No próximo concurso haverá implantação do sistema de cotas para alunos oriundos de escolas públicas, inclusão das matérias de Filosofia e Sociologia, modificações no sistema de zeramento das provas e a retirada da bonificação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo de seleção.
Ficou definido que no próximo vestibular 40% das vagas oferecidas nos concursos vestibulares da instituição serão destinadas para alunos que tenham cursado as séries finais do ensino fundamental e médio em escolas públicas. Em 2008, foram ofertadas 2.319 vagas distribuídas em 34 cursos.

“A média de alunos matriculados na Unioeste nestes quatro últimos anos é de 69% de alunos de escolas públicas”, informou o diretor de Concurso Vestibular da Universidade, professor João Carlos Cattelan.
Cattelan explicou que o objetivo é possibilitar maior inserção dos alunos de escolas públicas em cursos mais concorridos e adequar a universidade às políticas de fomento e de destinação de recursos para universidades por meio de editais de fundações e conselhos. O diretor afirmou ainda não está definido como será feito o processamento para a inscrição e matrícula dos alunos cotistas.

Enem e Zeramento
A partir do Vestibular 2009 não será mais possível o ingresso de candidatos pelas notas obtidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio. Até o último concurso, realizado no ano passado, o candidato tinha acréscimo de 5% de pontos no total da nota que obtinha nas provas.
Outra mudança é quanto ao processo de zeramento. O candidato que zerar na matéria de português ou em uma matéria de conhecimentos específicos ou em duas outras matérias estará automaticamente excluído do processo de seleção. O zeramento, até o vestibular do ano passado, era permitido em uma matéria qualquer desde que não fosse português.

Novas Matérias
A Diretoria de Concursos também informa que, para o próximo vestibular, serão incluídas as matérias de Filosofia e Sociologia. Na primeira etapa, os vestibulandos terão que responder quatro questões de Filosofia e quatro de Sociologia.
Será excluída uma questão de cada matéria tradicionalmente cobrada nas provas do concurso. No último vestibular, cada matéria tinha oito questões. No próximo, serão sete, totalizando 71 questões nas provas da primeira etapa.
Na segunda etapa, as duas novas disciplinas serão escolhidas pelos cursos. A Diretoria de Concurso Vestibular divulgará até o final deste mês a tabela de matérias de conhecimentos específicos de cada curso a ser ofertado no vestibular 2009.
Catellan ainda salienta que no total serão aplicadas no vestibular da Unioeste as disciplinas de Literatura, Português, História, Geografia, Matemática, Química, Física, Biologia, Filosofia, Sociologia e Geografia, além das matérias de Língua Estrangeira, dais quais o candidato pode fazer opção por Alemão, Espanhol, Inglês ou Italiano além da Redação.


Serviço
A Unioeste definiu o cronograma para o vestibular 2009. A primeira etapa acontece no dia 23 de novembro, das 8h30 às 13h, em locais a serem definidos nas cinco cidades sede dos campi da universidade. A segunda etapa será em 14 de dezembro, das 8h30 às 12h30.
As inscrições, serão dos dias 6 de outubro a 4 de novembro. Os pedidos de isenção para a inscrição ao vestibular Se dará dos dias 6 a 8 de outubro para a retirada dos formulários e 7 a 10 de outubro para a devolução destes. O resultado dos candidatos que receberão o benefício será divulgado no dia 29 de outubro, sendo que a inscrição para os isentos será dos dias 30 de outubro a 4 de novembro.
Obras Literárias