sexta-feira, 19 de setembro de 2008

NEGROS TRABALHAM MAIS, MAS GANHAM MENOS

Retirado do site do PNUD.

Brasília, 11/09/2008
Jornada superior a 44 horas semanais é mais freqüente entre pretos e partos do que entre brancos; mas estes têm rendimento maior-->
OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina

Embora trabalhem mais, os negros têm rendimento quase 50% menor que o dos trabalhadores brancos. Um relatório organizado pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pelo PNUD aponta que, em 2006, 35% dos pretos e pardos tinham jornada superior às 44 horas semanais estabelecidas na Constituição, mas recebiam, em média, 46,8% menos que os brancos — grupo em que 34,4% tinham jornadas excessivas.
A desigualdade persistiu em todo o período analisado — 1992 a 2006. A diferença de rendimentos reais diminuiu, mas "continua extremamente elevada: se, em 1992, os negros recebiam em média exatamente a metade do que recebiam os brancos, 14 anos depois eles passaram a receber 53,2%", afirma o estudo, lançado na segunda-feira e intitulado
Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente. No mesmo intervalo, a jornada excessiva de trabalho caiu para ambos os grupo (estava em torno de 40% em 1992, contra 35% em 2006), mas sempre foi mais elevada para os trabalhadores negros — embora a diferença tenha caído 0,8 ponto percentual no período. Tanto os números de rendimento real quanto o da jornada abrangem apenas trabalhadores de 16 anos ou mais de idade.
O fosso entre brancos e negros diminuiu menos entre a população mais escolarizada. Em 1992, os homens pretos ou pardos com 15 anos ou mais de estudos recebiam 70,4% do rendimento dos homens brancos na mesma faixa de estudos; em 2006, a diferença havia caído apenas 2,1 pontos percentuais, para 72,9%. Na outra ponta da pirâmide, entre os que têm instrução, a desigualdade recuou mais: 12,6 pontos percentuais, de 61,3%, em 1992, para 73,9%, no ano retrasado.
Tendência semelhante foi registrada entre as mulheres negras. Na parcela sem instrução, o rendimento delas em comparação ao dos homens brancos subiu de 40,5% para 54,9%. Entre os que têm 15 anos ou mais de estudos, o movimento foi mais lento — elas ganhavam 41,4% do que ganhavam os homens brancos com mesma educação, apenas 3,5 pontos percentuais a mais que 14 anos antes.
"Esses dados demonstram que as desigualdades de rendimentos entre homens e mulheres e negros e brancos não podem de forma alguma ser explicadas apenas pela diferença de escolaridade. Ao contrário, e tal como já mostrado em muitos outros estudos, quanto maior os níveis de escolaridade, maior a desigualdade", aponta o estudo.
A taxa de desemprego também é desfavorável para negros e mulheres. Apesar de um pequeno recuo em 2006, ela vinha crescendo em todas as faixas. De 1992 a 2006, o indicador aumentou 19,3% para homens brancos, 20,6% para homens negros, 34,8% para mulheres brancas e 45,7% entre mulheres negras. “Analisando a população economicamente ativa sob um prisma racial, observa-se que não só o desemprego foi maior entre os negros durante todo o período, como a diferença em relação aos brancos se ampliou justamente após 1999, quando o mercado de trabalho como um todo se tornou mais favorável”, observa o relatório.
Informalidade
Além de amargarem maior taxa de desemprego, negros e mulheres são mais afetados pela informalidade. A desigualdade, porém, também recuou entre 1992 e 2006 — a taxa diminuiu entre negros e aumentou um pouco entre brancos. "Ao contrário do que ocorre em relação às taxas de participação e desemprego, na informalidade as desigualdades raciais têm influência mais acentuada que as de gênero. Em todos os casos, as negras, justamente por expressarem a condensação das desigualdades de gênero e cor/raça, encontram-se na pior situação", diz o texto.
"Em 1992, a taxa média de informalidade para trabalhadores de 16 anos ou mais era de 53,4%. O indicador era significativamente inferior entre homens brancos (41,7%) e expressivamente superior entre negros (59,8%) e, sobretudo, negras (68,7 %). Entre os dois extremos (homens brancos e mulheres negras), havia uma diferença de 27 pontos percentuais." Em 2006, as taxas de informalidade para negros e mulheres haviam caído, aumentando apenas para os homens brancos. "Apesar disso, as diferenças nas taxas de informalidade ainda são muito acentuadas: 42,8% para os homens brancos, 47,4% para as mulheres brancas, 57,1% para os homens negros e 62,7% para as mulheres negras. A diferença entre homens brancos e mulheres negras caiu, mas ainda é extremamente elevada: cerca de 20 pontos percentuais", destaca o estudo.
Os efeitos de mais negros estarem trabalhando sem as garantias legais se reflete nas taxas de ocupados que contribuem para a Previdência Social. "Em 2006, a cobertura previdenciária beneficiava 58,6% dos homens brancos, mas apenas 40,6% das mulheres negras. Essa diferença era ainda maior em 1992: a taxa de cobertura dos homens brancos era praticamente a mesma (57,9%), mas a das mulheres negras era de 31,6%. A taxa de cobertura das mulheres brancas cresceu 7,2 pontos percentuais no período e se aproximou da dos homens brancos em 2006 (56,2%). Já a taxa dos negros era, em 2006, de 44,1% (14,5 pontos percentuais inferior à dos homens brancos, portanto), enquanto em 1992 era de apenas 39,3%", diz o relatório.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PRIMEIRA TURMA DE COTISTAS SE FORMA NA UNB

Retirado do site do Globo.com.

Nossa, que matéria horrível. Primeiro fala que o acrescímo de pontos, 10% para estudantes de escola pública do interior, são cotas de 10% para escola pública (erro grave). Depois fala que a UNB reserva 10% das vagas para negros (na verdade reserva 20%). Segue dizendo que de 61 cursos analisados os cotistas tiveram menor desempenho, comparado com os não-cotistas, em 9 cursos, contudo a repórter faz questão de ressaltar o peso do "fracasso" neste 9 cursos. Coisas esquisita..... vocês não acham? Em 85% dos cursos analisados os dois grupos tiveram rendimento iguais e equilibrados, mas o que vale mais ser destacado é os 15% restantes. Será alguma técnica jornalística de prender a atenção do telespectador?

Mais erros grosseiros... a reporter entrevista três pessoas e não indica seus nomes ou cargos. Além disso, a matéria em todo o momento dá a entender que melhorar o ensino público resolveria o "problema" da incompetência dos candidatos pobres (nesse momento não falam mais dos negros). O "cientista social"(?) diz que com o tempo as cotas podem perder legitimidade política. Caramba daonde ele tirou isso???

Para finalizar com chave de ouro o âncora termina com um juízo de valor dizendo que "as cotas não podem esconder o maior problema do Brasil que é a qualidade do ensino".

Mais manipulação do que isso fica difícil...



Terça-feira, 16/09/2008
A primeira turma do Sistema de Cotas Raciais da UnB acaba de se formar. A universidade reserva 10% das vagas para negros. E divulga o resultado de rendimento desses alunos.

CAROS AMIGOS FAZ ESPECIAL SOBRE MOVIMENTO NEGRO

Retirado do site da Revista Caros Amigos. O interessante é que há sete anos atrás, mesmo essa revista tendo um teor político à esquerda, fez um debate sobre as cotas nas suas pagínas e se mostrou contrária a esse tipo de política. Será que mudaram de opinião?

Caros Amigos passou a ditadura a limpo, agora vai atrás da Verdadeira história do negro no Brasil

Entre setembro de 2007 e março deste ano, a Caros Amigos Editora colocou nas bancas brasileiras 12 fascículos sobre A Ditadura Militar no Brasil – A História em Cima dos Fatos.
Agora já começamos a preparar os 16 fascículos intitulados História do Negro no Brasil.
O primeiro deve ir às bancas em outubro. Com edição de Mylton Severiano e coordenação de Joel Rufino.
Colabore com o resgate dos fatos, com a nova história contada dos negros. Envie sugestões, textos, documentos, fotos, histórias... Nós queremos saber tudo o que está guardado nos velhos baús.
Envie um
e-mail com seu nome completo, formas de contato e anexe tudo o que achar importante para recontarmos a história dos negros no Brasil. Os editores selecionarão o que for possível de integrar a nova coleção e entrarão em contato.
Redação Caros Amigos

REVISTAS NEGRAS NO BRASIL DOS ANOS 90

Mais um artigo retirado do ótimo site Questões negras.

Os doces frutos da panela de pressão: a mídia negra no Rio de Janeiro nos anos 1990.
por Carlos Nobre

A partir de meados dos anos 1990, uma nova mídia negra resgata novas discussões sobre o renascer das culturas afrodescendentes no Brasil através do lançamento das revistas de circulação nacional "Raça Brasil", em 1996, e da revista "Black People", em 1995. Destas publicações, somente a " Raça Brasil" continua circulando, e a outra desapareceu após quatro anos de circulação.
A explosão da mídia negra dos 1990 não ficou restrita a estas duas revistas de variedades. Ela continuou com publicações, de menor alcance, mas com o mesmo fôlego como as revistas "Suingando", "Swing Brasil", "Agito Geral", "Brio", "Raça Musical", "Negro 100 Cento", "Raízes" e outras publicações produzidas originalmente em São Paulo, o maior mercado publicitário do país.
Existem informações segundo as quais, hoje, muitas destas publicações que listamos mais atrás desapareceram também em função de diversos fatores conjunturais, políticos e étnicos.
Mas isso não impede que desenvolvamos nossa análise sobre a mídia negra, de acordo nossos pressupostos metodológicos. De certo modo, vamos fazer uma espécie de história esquemática - muita pobre, é claro - mas que aqui assume outras conotações neste ensaio com intuito de ser essencialmente " pedagógico".

No Rio de Janeiro, por exemplo, aproveitando o boom midiático negro foram lançadas, em 1996 e 1997, mais duas outras revistas que tiveram uma única edição, "Azzeviche" e "A Cor de Ébano", mantendo, por conseguinte, uma certa característica da mídia negra, isto é, o lançamento de diversas publicações com apenas um número distribuído na comunidade.
Na verdade, o boom dos 1990 tenha começado em 1989 quando militantes negros do Rio de Janeiro, articulados com um empresário italiano, imprimiram apenas três números da revista " Nós", que, lançada na Escola Nacional de Belas Artes, se constituiu em novidade alvissareira no campo midiático afro naquele momento. Em 1995, foi a vez da revista " Zumbi 300 anos", apenas um número, e relançada novamente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações, em 1996.

Os editores destas publicações, por conseguinte, não tiveram fôlego financeiro para dar continuidade às publicações em virtude dos altos custos gráficos para imprimir revistas em couchê.
Na verdade, a gráfica é ainda um instrumento para a propaganda política inacessível para as comunidades negras devido ao alto custo de impressão, aliados ao preço dos profissionais de produção ( repórteres, diagramadores, fotógrafos etc).
Após a experiência destas publicações, foi a vez de surgirem no campo do movimento negro carioca, agora em anos recentes a revista " Étnica", em 2002, e o jornal " Questões Negras", em 1998, preocupados em aprofundar o pensamento racial.
Também apareceram neste período, os jornais "Jornal do Mandela" (2000), do Instituto de Cultura e Consciência Negra Nelson Mandela, " Black News" (1998), "Redenção" ( 1998), publicado pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, e "Reação" (2000), um tablóide oito páginas dedicado a divulgar fatos e eventos da comunidade negra. Também neste ano nasceu o standard "Mundo Black", com colunistas negros fixos, que só durou cinco números.
Após dez anos, sem grandes novidades no front da mídia negra carioca (noventa por cento dos jornais e revistas dos anos 1990 desapareceram), em julho passado, surgiu nas bancas mais uma revista negra carioca , a "Afro", na mesma linha editorial de "Raça Brasil", que continua ser a única mídia negra com circulação ininterrupta há 11 anos.
Para ler o restante da matéria direto no site clique aqui, para baixar em formato PDF clique aqui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

LISTA DE LIVROS RELACIONADOS A ZUMBI

Retirado do ótimo site Questões Negras. Muito bom está lista de livros, quem sabe algum dia a gente tem todos eles escaneados e em links para serem baixados de graça...

36 livros sobre Zumbi e Palmares
Poema épico, cordel, romance, programa educacional, estudos históricos, estudos antropológicos, sociologia, política. Sim, a trajetória de Zumbi dos Palmares vem merecendo diversos estudos, análises, comentários ou obras de ficção. Perto de completar 313 anos de sua morte, na serra da Barriga, em Alagoas, este líder negro da época colonial brasileira é o personagem mais intrigante, bajulado e amado pelos negros brasileiros e estudiosos em todos os tempos. Atendendo a alguns professores e militantes, nosso jornal fez uma pesquisa sobre obras relacionadas a Zumbi. Abaixo, segue uma lista com 36 obras onde ele é personagem ou sua história serve como mote para discussão de diversas questões raciais:


Busto de Zumbi dos Palmares em frente ao Setor de Diversões Sul, em Brasília. - divulgação

1. Fonseca, Eduardo Junior. Zumbi dos Palmares: a história que não foi contada. Yorubana do Brasil, Rio de Janeiro: 2000.
2. Agualusa, José Eduardo. O ano em que Zumbi tomou o Rio. Gryphus, Rio de Janeiro: 2001.
3. Barbosa, José Carlos. Zumbi dos Palmares: o rei negro do Brasil. Imprensa, Ribeirão Preto: 2003.
4. Lima, Ray. Programa Zumbi Aracati-Ceará: uma ruptura no sistema educacional. Brasil Tropical, Fortaleza: 2004.
5. Santos, Joel Rufino dos. Zumbi. Global, São Paulo: 2006.
6. Maxado, Franklin. Rei Zumbi: o herói do Quilombo de Palmares. Edição F. Maxado, São Paulo: 1981.
7. Borges, J. História de Zumbi e os Quilombos de Palmares. Folheteria Borges, Bezerros(PE): 1985.
8. Silva, Severino da. Zumbi dos Palmares. Edições Paulinas, São Paulo: 1990.
9. Carlos, A. Zumbi: a resistência de um jovem brasileiro. Folheteria Maciel, Belo Horizonte: 1992.
10. Braz, Júlio Emílio. Zumbi: o despertar da liberdade. Memórias Futuras, Rio de Janeiro: 1995.
11. Cardoso, Marcos Antonio. Zumbi dos Palmares. Mazza, Belo Horizonte: 1995.
12. Muniz, Ubirajara. A agonia de uma raça: Zumbi, o Rei. Aquarela, Rio de Janeiro: 1991.
13. Ricon, Luiz Eduardo. Minigurps: o quilombo de Palmares. Devin, São Paulo: 1999.
14. Lúcio, Antonio Bezerra. Zumabunu: em terra arrasada ao longo do reino da liberdade. Brasília, SN: 1999.
15. Peret, Benjamin. O quilombo de Palmares. Editora da UFRGS, Porto Alegre: 2002.
16. Police, Gerard. Quilombo dos Palmares: lectures sur um marronnage braselien. Íbis Rouge Editions, 2003: Guadeloupe Guyane.
17. Funari, Pedro Paulo Abreu. Palmares, ontem e hoje. Zahar, Rio de Janeiro: 2005.
18. Gomes, Flávio dos Santos. Palmares; escravidão e liberdade no Atlântico Sul. Contexto, São Paulo: 2005.
19_____________________A hidra e os pântanos: mocambos, quilombos e comunidades de fugitivos no Brasil nos séculos XVII-XIX. Unesp, São Paulo: 2005.
20. Leal, Isa Silveira. O menino de Palmares. Brasiliense, São Paulo: 1982.
21. Freitas, Décio de. Palmares: a guerra dos escravos. Graal, Rio de Janeiro: 1981.
22. Borges, J. História de Zumbi e os quilombos de Palmares. Folheteria Borges, Recife(PE): 1985.
23. Palmares de liberdade e engenhos de escravidão (desenhos de Domingos Sávio Menezes Carneiro). Editora Paulinas, São Paulo: 1985.
24. Gomes, Antonio Carlos. Palmares em quadrinhos. R. Kempf, São Paulo: 1984.
25. Moura, Clovis. Quilombos: resistência ao escravismo. Ática, São Paulo: 1987.
26. Berto, Luiz. Nunca houve guerrilha em Palmares. Mercado Aberto, Porto Alegre: 1987.
27. Penha, Evaristo. Cazumba de Palmares(poema épico). PCS Artes Gráficas, Campos(RJ): 1988.
28. Filho, Ivan Alves. Memorial de Palmares. Xenon, Rio de Janeiro: 1988.
29. Barbosa, Osmar. Palmares: o livro que Castro Alves não publicou. The Saurus, Brasília: 1988.
30. Correya, Juarez (Organizador). Poetas dos Palmares. Fundação Casa de Cultura Hermilo Borba Filho, Palmares (Pe): 1987.
31. Dagostin, Martins. Quilombo de Palmares. Fênix, São Paulo: 1995.
32. Koury, Jussara Roche. Liberdade: o sonho de Palmares. Bagaço, Recife (PE): 1995. 33. Landmann, Jorge. Tróia negra: a saga de Palmares. Mandarim, São Paulo: 1998.
34. A vida de Zumbi dos Palmares. Fundação de Assistência ao Estudante, Brasília: 1995.
35. Bourbolkan, George Latif. A incrível e fascinante história do capitão Mouro. Casa Amarela, São Paulo: 2000.
36. Silva, Eduardo. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura: uma investigação de história cultural. Companhia das Letras, São Paulo: 2003.

PRECONCEITO RACIAL EXISTE DENTRO DE MUNDOS VIRTUAIS

Retirado do site GEEK.

15/09/2008

Especialistas em comportamento da Northwestern University, nos Estados Unidos, realizaram uma pesquisa que mostra que as pessoas mantêm seu padrão de comportamento e predisposições ao preconceito mesmo em mundos virtuais.
O estudo foi realizado dentro dos servidores do mundo virtual There.com, com um avatar criado pelos pesquisadores que escolhiam outros avatares aleatoriamente, sem que estes soubessem estar sendo objetos de pesquisa.

Dois métodos de aproximação foram usados: no primeiro, um pedido fácil de ser atendido era feito, seguido por um pedido moderado. Nesse caso, noticiou o site The Inquirer, o pedido era "posso tirar uma foto sua?", seguido pelo pedido de "você se teleportaria para a praia comigo e permitiria tirar uma foto sua?"
Já o segundo método sugeria uma resposta negativa, iniciado por um pedido difícil (tirar fotos em cinqüenta lugares diferentes), uma tarefa que levaria cerca de duas horas, seguido do pedido moderado de teleporte para a praia.
De acordo com o site IT News, como os pesquisadores esperavam, no segundo método o pedido moderado era mais fácil de ser atendido se precedido pelo difícil. Houve um aumento de 20% na aceitação pelos outros avatares quando usado o segundo método, em relação ao primeiro.
Mas, quando o avatar possuía pele escura, os resultados mudavam muito. Embora no primeiro método não tenha sido notado racismo, no segundo, quando um avatar com pele escura era utilizado, o aumento foi de apenas 8%, contra o aumento de 20% detectado quando o avatar possuía pele clara. Os pesquisadores explicaram que a segunda técnica reflete a tendência psicológica para responder a um pedido, afetada pela consideração de se o requerente merece ou não ser impressionado pela concessão.
O estudo concluiu que, como na vida real e seguindo modelos de estudos reais semelhantes a estes, o padrão é o mesmo e é levado em conta raça, sexo e beleza física. "O estudo sugere que interações entre estranhos em mundos virtuais são muito similares a interações entre estranhos no mundo real. Você poderia pensar que enquanto está nessa terra de fantasia deve agir diferente, mas as pessoas exibiram o mesmo tipo de comportamento", explicou Paul W. Eastwick, responsável pela pesquisa.

PROJETO DE LEI DE COTAS RACIAIS EM ESCOLAS TÉCNICAS

Retirado do Poltal UAI.
Polêmica das cotas raciais chega às escolas técnicas
Glória Tupinambás - Estado de Minas
Jorge Gontijo/EM/D.A Press

Para Leandro de Paula, o sistema proposto aumenta o preconceito. Tereza Filipi diz que saber não é medido pela cor de pele da pessoa

Depois de dividir as universidades, a polêmica das cotas raciais chega agora às escolas técnicas. Projeto de lei aprovado pelo Senado prevê a destinação de pelo menos metade das vagas de instituições federais de educação profissional, tecnológica e superior a estudantes negros e índios. Para serem beneficiados, é preciso que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. A proposta tramita em regime de prioridade e será encaminhada diretamente para votação em plenário na Câmara dos Deputados. O novo sistema de cotas terá impacto direto em 160 unidades de ensino em todo o país, sendo 22 delas em Minas Gerais.

Em Belo Horizonte, a legislação vai mudar o processo seletivo do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e do Colégio Técnico (Coltec), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o Projeto de Lei 3913/08, a implantação do sistema de cotas deve ser feita de maneira gradual e as instituições de ensino terão prazo máximo de quatro anos, a partir da publicação do texto, para cumprimento integral das normas. O acompanhamento e a avaliação da aplicação da medida serão feitos pelo governo federal.
No principal câmpus do Cefet-MG, no Bairro Nova Suíça, na Região Oeste da capital, a novidade não foi bem recebida pelos estudantes. Aluno do 2º ano do curso técnico em eletrotécnica de nível médio, Leandro Emílio de Paula, de 18 anos, se orgulha por ser negro, mas não aprova a medida. “Sou preto, sempre estudei em escola pública e nunca precisei de benefícios para entrar na escola. As cotas aumentam o preconceito, porque supõem que somos incapazes de conseguir a aprovação no vestibular. O critério mais justo é o que leva em conta a baixa renda”, diz.
Essa opinião é compartilhada pela estudante Tereza Cristina Filipi, de 16, do 1º ano do curso técnico em turismo. “O fato de um aluno ser negro ou índio não significa nada do ponto de vista do conhecimento. O mais importante é dar oportunidade para alunos de escola pública, pois eles não têm acesso ao ensino de qualidade, nem condições de pagar pelos cursinhos preparatórios para a prova”, afirma Tereza, que antes estudava em colégios particulares. Segundo a direção do Cefet-MG, mais de 70% dos alunos da instituição são egressos da rede pública. “Aparentemente, nosso processo seletivo, tal como é hoje, já possibilita a inclusão social. Por isso, a discussão do sistema de cotas perde um pouco a razão. Estamos estudando, há três meses, novas formas de acesso e vamos avaliar o projeto de lei com cuidado para ver o que ele determina. Aguardaremos o desfecho da tramitação para estudar os impactos dessa medida na instituição”, informa o chefe-de-gabinete do Cefet-MG, Henrique Borges. A unidade tem 9 mil alunos de nível médio e outros 5 mil de graduação e pós-graduação.
No Coltec, da UFMG, a aprovação do projeto de lei vai ser tema de uma reunião do colegiado até o fim da semana. “Recebemos a notícia hoje (terça) e ainda não temos uma posição oficial. Mas nosso processo seletivo já dá espaço a alunos de escola pública”, afirma a vice-diretora do colégio, Rosilene Bicalho. As 108 vagas abertas a cada ano no Coltec são divididas em três categorias: um terço para alunos que cursaram pelo menos seis anos, com conclusão, em escola pública; um terço para aqueles que fizeram no mínimo três anos na rede gratuita; e o restante para os que cursaram o nível fundamental em escolas particulares. A instituição tem 600 estudantes de ensino médio.
Segundo informações do Ministério da Educação, a nova legislação vai alterar a rotina das seguintes instituições do interior de Minas: escolas agrotécnicas federais de Barbacena, Inconfidentes, Machado, Muzambinho, Salinas, São João Evangelista e Uberlândia; Cefets de Bambuí, Januária, Ouro Preto, Rio Pomba, Uberaba, Araxá, Divinópolis e Leopoldina; e escolas técnicas vinculadas às universidades de Florestal, Uberaba, Uberlândia, Juiz de Fora e Montes Claros.

Crietérios
As vagas devem ser preenchidas, por curso e turno, por candidatos que se autodeclararem negros e indígenas e que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas . A distribuição será feita em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas entre os habitantes do estado onde está instalada a escola, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Caso a metade das vagas não seja ocupada pelo critério, as remanescentes devem ser destinadas aos demais alunos que fizeram todo o ensino médio na rede pública. A nova legislação também assegura vagas para pessoas com deficiências, independentemente de onde tenham cursado a educação básica e média.

NOVA LISTA DE LINKS "MILITÂNCIA INTERNACIONAL"

Nova lista de links na coluna esquerda começa hoje e apelidada de militância internacional. Devido a grande quantidade de site e blog militantes não podemos ignorá-los portanto vão ser postado nesta lista com o respectivo idioma entre parentêses.
O primeiro link é o site "Resistência digital. Um bunker rebelde en la batalla de ideas"

VISITE O "FÓRUM DE MULHERES DOS PARTIDOS POLÍTICOS"

Site muito importante de ser visitado neste momento de eleições, pois tem dados estatístico e pesquisas sobre a presença das mulheres em partidos e cargos eletivos. Para ir para o site clique na imagem abaixo. Adiante também segue a explicação detalhada sobre o fórum.
16/09/2008 – Na América Latina, o Brasil é o 4º país a criar um Fórum de Mulheres dos Partidos Políticos
O Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, criado em 2007, é integrado por instâncias de mulheres de partidos políticos brasileiros. Tem como objetivo ser permanente e articular ações voltadas para o empoderamento das mulheres nos partidos políticos brasileiros e com foco especial para a ação unitária pela participação das mulheres na reforma política.
O Fórum pretende ter a representação dos 27 partidos políticos brasileiros, apesar de vários partidos ainda não terem instâncias de mulheres. Compõem hoje o Fórum as seguintes instituições: PTB – Mulher Nacional; Secretaria Nacional de Mulheres do PSB; Secretaria Nacional – Mulher do PSDB; Secretaria Nacional de Mulheres do PC do B; Secretaria da Mulher Progressista; Secretaria Executiva da Ação da Mulher Trabalhista – PDT; Comitê Multipartidária de Mulheres; Secretaria Nacional de Mulheres do PT; PMDB – Mulher; Secretaria Geral Nacional – PTN; Coordenação de Mulheres do PPS; PRB – Mulher; Mulher – Democratas; PMN – Mulher; PSC – Mulher; Coletivo de Mulheres Ana Montenegro – PCB; e Secretaria de Mulher – PV.
O surgimento do Fórum coloca o Brasil ao lado do Panamá, República Dominicana e Honduras, países da América Latina que já contam com Fóruns similares, apesar do brasileiro se diferenciar por ser um Fórum de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos e não um Fórum de Mulheres dos Partidos Políticos. Todos têm como objetivo analisar a participação política das mulheres nos espaços de poder, trabalhando para mudar o quadro de sub-representação.
Maria Elvira Salles Ferreira, presidente do PMDB Mulher Nacional, conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e integrante da executiva do Fórum de Mulheres do Mercosul, afirma que o Fórum é uma iniciativa excelente e traz uma aproximação e um convívio entre as mulheres dos partidos, comparando experiências. “É um espaço democrático e de encorajamento da prática política”.
Liége Rocha, secretária nacional da Mulher – PC do B, e integrante do comitê central do PC do B e da executiva nacional do partido, também ressalta o Fórum como um espaço democrático de discussão, de debate e troca de experiência entre os partidos, mesmo cada um tendo a sua posição política. Segundo Rocha, “é um espaço de respeito às diferenças para a discussão de políticas públicas para as mulheres”.
A secretária nacional de Mulheres do PT, Laisy Moriére, afirma que “o Fórum é um trabalho de conscientização e de aglutinação de forças”, ressaltando que, por ser uma instância suprapartidária, são as mulheres que ganham.
Tereza Vitale, da Coordenação Nacional de Mulheres do PPS, também destaca a importância do Fórum ser uma instância suprapartidária. Isto, porque, segundo ela, “é difícil os partidos discutirem entre si e conversarem sobre mulheres. Vitale afirma que “para colocar mais mulheres no poder tem que haver esse trabalho de forma conjunta para mudar o quadro de desigualdade nos parlamentos”. “O Fórum nos possibilita um diálogo entre os partidos, e fazer demandas juntos é importante”.
Fóruns da América Latina
O Fórum Nacional de Mulheres de Partidos do Panamá, criado em 1995, trabalha pelo cumprimento da Lei de Cotas no país (30% para candidaturas femininas) no processo eleitoral e nos processos internos do partido. Também tem entre suas prioridades cobrar dos partidos a destinação de parte dos recursos concedidos pelo Estado para atividades de capacitação de mulheres, com o objetivo de reduzir as desigualdades na participação política feminina no país.
http://www.fonamupp.org/hacemos
República Dominicana
Na República Dominicana, o Fórum de Mulheres Políticas da República Dominicana, mesmo não contando com financiamento permanente para a realização de suas atividade, trabalha pela maior participação das mulheres nas estruturas internas dos partidos, pelo cumprimento da Lei de Cotas femininas (33%) nas listas de candidaturas; e pela incorporação na Constituição do país de uma linguagem inclusiva de gênero, sendo base para a verdadeira participação política da mulher.
Honduras
Em Honduras, O Fórum de Mulheres de Honduras existiu entre 1991 e 1997 e possibilitou um diálogo entre autoridades eleitas, mulheres de partidos e de movimentos sociais. Trabalhou em prol de reformas de diversas leis que discriminavam as mulheres. O Fórum discutiu a necessidade de uma reforma da Lei Eleitoral e de Organizações Políticas para garantir uma representação de mulheres nos espaços de tomada de decisão correspondentes com o percentual que representam na população, 51,3%. Hoje, as hondurenhas ocupam 23,4% das cadeiras no Congresso.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

PROJETO DE LEI RESERVA VAGAS EM ESCOLAS FEDERAIS

Retirado do site do jornal O Globo.

Metade das vagas em escolas federais pode ir para cotas
Globo On Line
15/09/2008

RIO - Um projeto de lei (PL 3913/08) do Senado prevê metade das vagas nas escolas federais de educação profissional, tecnológica e superior, de acordo com o site da Agência Câmara. Segundo a proposta, no mínimo 50% das vagas dessas instituições serão preenchidas por estudantes negros e índios que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas.
Já aprovado pelo Senado, o projeto tramita em regime de prioridade e será encaminhado diretamente para votação em Plenário.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), autora da proposta, lembra que um projeto do Executivo (PL 3627/04) já institui cotas para alunos egressos de escolas públicas nas universidades federais, mas deixa de fora as escolas técnicas. "Meu projeto vem para se somar aos esforços do atual governo na luta pela inclusão social de parte da população brasileira, historicamente excluída da experiência republicana", argumenta a parlamentar.
As vagas deverão ser preenchidas, por curso e turno, por candidatos que se declarem negros e indígenas em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas entre os habitantes do estado onde está instalada a instituição, segundo o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na impossibilidade de preencher metade das vagas por esse critério, as remanescentes deverão ser completadas por estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.
O projeto também assegura vagas para pessoas com deficiências, independentemente de onde tenham cursado a educação básica e a média. O Poder Executivo deverá regulamentar o preenchimento dessas cotas.
A proposta prevê a implantação gradual do sistema de cotas. As instituições de ensino terão o prazo máximo de quatro anos, a partir da data da publicação da Lei, para o cumprimento integral dessa política. Caberá ao Poder Executivo regulamentar o processo de acompanhamento e avaliação do sistema implantado.

MOVIMENTO NEGRO DO MATO GROSSO DO SUL DISCUTE COTAS COM DEPUTADOS

Retirado do site AGORAMS.

Mato Grosso do Sul, Terça-Feira, 16 de Setembro de 2008
Movimento negro e CCJR remarcam reunião sobre projeto de cotas

A reunião sobre o projeto de cotas que reserva 20% das vagas para negros no serviço público estadual, do deputado Amarildo Cruz (PT), que seria discutido hoje (16) entre as lideranças do movimento negro de Mato Grosso do Sul e os membros da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), foi remarcada para o dia 23 de setembro (terça-feira), às 14h30, no plenarinho da Assembléia Legislativa.

A agenda teve de ser alterada devido a ausência de três deputados dos cinco que compõem a CCJR, presidida pelo deputado Marquinhos Trad (PMDB). Destes, apenas o presidente e o deputado estadual Pedro Kemp (PT) estiveram na reunião, marcada desde a semana passada.
Em apoio ao projeto do deputado Amarildo Cruz (PT), compareceram no plenarinho os representantes do Conselho Estadual dos Direitos e Defesa do Negro de MS, da Coordenadoria Política para a Promoção da Igualdade Racial e do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro do Estado de Mato Grosso do Sul.
Todos confirmaram presença na próxima reunião (23/09), em que pretendem apresentar aos deputados os argumentos jurídicos sobre a constitucionalidade do projeto de cotas em busca do apoio dos parlamentares.
Política de cotas – O projeto, n° 148/2008, reserva aos negros 20% das vagas oferecidas em concursos públicos estaduais. A política de cotas alcança ainda os cargos comissionados (sem concurso) em todo o poder público de Mato Grosso do Sul. A proposta foi apresentada em 20 de agosto e está em tramitação na Assembléia Legislativa.

CHAMADA PARA A CAMINHADA DA LIBERDADE RELIGIOSA

Retirado do blog CEN.




domingo, 14 de setembro de 2008

GOOGLE QUER OFERECER WEB VIA SATÉLITE

Retirado do site África21.

Google quer oferecer web via satélite em países emergentes.
O projeto envolve a aquisição de 16 satélites de baixa órbita, da francesa Thales Alenia Space, e um volume inicial de recursos de US$ 750 milhões.
Da Redação com agências internacionais

Brasília - O Google anunciou investimentos em um projeto chamado de O3B (sigla que denomina os outros 3 bilhões) para levar acesso a internet, por meio de satélite, a 3 bilhões de pessoas em países emergentes da África e América Latina. Para implementar o projeto foi formado um consórcio que reúne, além do Google, o HSBC e o bilionário americano John Malone, do grupo Liberty Media (que tem participação na operadora de TV via satélite Sky).O projeto envolve a aquisição de 16 satélites de baixa órbita, da francesa Thales Alenia Space e um volume inicial de recursos de US$ 750 milhões.

A meta é interligar antenas de telefonia celular a redes de internet de alta velocidade em uma série de países próximos da linha do Equador e colocar o projeto em funcionamento no fim de 2010.

LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO TEM 43 NOVOS NOMES

Retirado do site do Congresso em Foco.

A atualização semestral da "lista suja" de empregadores que exploraram trabalho escravo, divulgada ontem (15) pelo Ministério do Trabalho apresenta 43 novos nomes.
A maioria dos nomes é formada por pessoas físicas e, ao contrário do que já mostrou o Congresso em Foco, não há nenhuma doação de campanha nas eleições de 2006 feita pelos autuados pelo crime.
Levantamento exclusivo feito por este site em outubro de 2007 revela que empresas autuadas por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo doaram R$ 897 mil para a campanha eleitoral de 25 candidatos em 2006.
Conforme ressalta a ONG "Repórter Brasil", agora são 212 nomes na "lista suja” (
leia mais). Os empregadores que exploraram trabalho escravo são incluídos em três grupos principais: pecuaristas, empresas sucroalcooleiras e carvoeiros. Dentre os novos nomes, 20 propriedades foram flagrados explorando mão-de-obra escrava na atividade de pecuária bovina.
“Um total de 15 - dessas 20 propriedades de criação de gado - se localiza em municípios da fronteira agrícola da Amazônia, nos estados do Pará (11), Maranhão (3) e Mato Grosso (1). Ou seja, 37,2% das ocorrências incluídas na relação de escravocratas se deram na faixa de derrubada da maior floresta do mundo”, afirma a ONG.
Conforme afirma o Repórter Brasil, a inserção dos nomes no cadastro implica não só em restrições de incentivos fiscais e de operações de crédito junto a instituições públicas federais, como sanções de mais de 180 empresas e associações setoriais signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Trabalho escravo no Piauí
As Comissões de Direitos Humanos do Congresso e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vão investigar a situação das vítimas do acidente que matou 14 trabalhadores rurais, caso revelado na série de reportagens do Congresso em Foco, que mostra uma face oculta do trabalho escravo no país. (leia mais) (Rodolfo Torres e Lúcio Lambranho)ATUALIZADA EM:16/07/2008

EMPRESAS NA LISTA SUJA DA ESCRAVIDÃO CONTEPORÂNEA

Retirado do site do Linear Clipping.

Há 212 empregadores na lista suja da escravidão feita pelo Ministério do Trabalho
Punição para empresas
Data: 07/09/2008

O GLOBO. Editoria: ECONOMIA Jornalista(s): Cássia Almeida

Há 212 empregadores na lista suja da escravidão feita pelo Ministério do Trabalho
Cássia Almeida
Pela primeira vez desde que foi criado em 2005, o Pacto Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, que tem como missão ajudar a sociedade e os empresários a não usarem produtos de fornecedores que usaram trabalho escravo, expulsou da instituição duas companhias reincidentes. São elas as empresas do usineiro José Pessoa Queiroz Bisneto, que faturam R$ 400 milhões por ano, e a Usina Siderúrgica de Marabá (Usimar). O Pacto tem 160 signatários, que correspondem a 20% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) brasileiro.
Tudo começou em julho com as usinas do grupo de J. Pessoa, a Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, que tem unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Sergipe. Segundo o Comitê de Monitoramento do Pacto, formado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Instituto Ethos e a ONG Repórter Brasil, a razão para exclusão de J. Pessoa está em dois flagrantes de trabalho degradante em unidades de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.
- Não tínhamos como manter no Pacto uma empresa que foi flagrada numa questão que combatemos. O grupo foi suspenso no ano passado quando houve o flagrante de 831 índios trabalhando em condições degradantes no fim da safra. A expulsão definitiva houve quando mais 55 trabalhadores foram encontrados nos limites entre Minas Gerais e São Paulo, antes mesmo de a empresa entrar na lista suja do Ministério do Trabalho - explicou Andréa Bolzon, coordenadora do Programa de Combate ao Trabalho Escravo da OIT.
Usineiro diz que houve exageros
E foi exatamente na acusação de manter mais de mil trabalhadores, inclusive os 831 índios, em situação degradante de trabalho em novembro de 2007, que levou uma das empresas do grupo a entrar na lista suja do trabalho escravo, montada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que tem 212 empregadores inscritos.
J. Pessoa diz que as acusações são infundadas. No caso dos alojamentos dos índios, o empresário afirma que eles foram fiscalizados meses antes e liberados: - Houve muito exagero. Eles vieram no fim da safra e não houve tempo para fazer a manutenção. Para cada safra, pintamos, reformamos os banheiros e encanamentos. Vamos fazer uma manutenção mais intensiva e construir alojamentos mais longe das vilas, para deixá-los longe das bebidas alcoólicas e da prostituição.
Ele afirma que não pretende voltar a assinar o Pacto, "por ter sido muito injustiçado". Sobre o novo flagrante na sua unidade de São Paulo, o empresário diz que a servidão por dívida de que é acusado foi feita numa mercearia que não tem vínculo com a usina: - Disseram que trouxemos as pessoas de fora. Mas elas chegaram em abril e só começamos a colheita em junho. Foi um absurdo.
Apesar de ter afirmado que não entraria na Justiça para retirar seu nome da lista suja, uma decisão judicial obrigou o Ministério do Trabalho a excluí-lo do cadastro. A inclusão nessa lista impede que instituições como Banco do Brasil emprestem dinheiro a essas empresas.
- O processo estava finalizado na superintendência, a ponto de a dívida já ter sido enviada para Fazenda Nacional.
Ele pediu para discutir a questão novamente na esfera administrativa.
Como só entram na lista os processos já fechados, tivemos que retirá-lo - disse Marcelo Campos, coordenador do Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho.
J. Pessoa nega. Diz que entrou na Justiça apenas para depositar em juízo o valor da multa e, mesmo assim, poder recorrer: - Houve engano do ministério, que não considerou nosso recurso.
A outra expulsa foi a Usimar. Segundo Leonardo Sakamoto, da ONG Repórter Brasil, o fato de o Instituto Carvão Cidadão (ICC) ter afastado a siderúrgica levou à exclusão também do Pacto. Ornedson Carneiro, diretor-presidente do instituto, conta que o ICC nasceu para monitorar as relações de trabalho.
- A empresa foi expulsa por não ter pago as mensalidades. Avisamos várias vezes, mas parece que eles não queriam mais participar.
Segundo Caio Magri, assessor de Políticas Públicas do Instituto Ethos, não possível manter a Usimar no Pacto, sem o apoio do ICC. Em outubro do ano passado, a siderúrgica deixou de receber minério da Vale, por problemas ambientais, mas a situação já foi regularizada, segundo a companhia: - O ICC é nosso balizador em relação ao cumprimento do Pacto no Pólo Siderúrgico de Carajás.
Procurada pelo GLOBO, a Usimar afirmou que a pessoa responsável só estará disponível para explicar a situação a partir de amanhã.

Luta para sair da lista da escravidão
Apesar de ter expulso as empresas do grupo do J. Pessoa do Pacto, o mesmo não aconteceu no Instituto Ethos. Ele foi afastado do conselho, mas permanece como associado. Segundo o Ethos, na última reunião do Conselho Deliberativo ficou decidido que serão colhidas mais informações sobre o processo, para garantir o rito de defesa da empresa. Perguntado se a situação não deveria ser resolvida rapidamente para não arranhar a imagem do instituto que prega a responsabilidade social, Magri afirmou que a situação é difícil de sustentar: - Não dá para sustentar uma empresa inscrita no cadastro que manteve trabalhadores em situação análoga à de escravos.
Enquanto nove empresas estão fora da lista por força de decisão judicial, a siderúrgica Viena, uma das maiores produtoras de ferro gusa do Brasil, decidiu enfrentar os dois anos em que ficou exposta no cadastro, saindo em novembro de 2007. Incluída por ter comprado carvão de fornecedor que usou trabalho escravo, perdeu financiamento do Banco do Brasil e teve que se explicar com compradores externos e fornecedores como a Vale.
- Hoje estamos praticamente autosuficientes na produção de carvão e implantamos o Vienaeducar, que formou 322 alunos em junho último - disse Simone Valladares, diretora de Relações Institucionais da Viena.

SEMINÁRIO NA PUC-RIO SOBRE AÇÃO AFIRMATIVAS NO BRASIL

Recebido por email.
Para ampliar clique na imagem.

CRIADO NO RJ DIA DAS NAÇÕES DO CANDOMBLÉ

Retirado do site do Jornal do Brasil.

Sancionada lei que cria o Dia das Nações do Candomblé
05/09/08. JB Online


RIO - O governador em exercício Luiz Fernando Pezão sancionou a Lei 5.297, publicada na edição desta sexta-feira no Diário Oficial, que institui o “Dia das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé”, a ser comemorado anualmente no dia 30 de setembro. O Executivo fluminense, com a colaboração dos centros religiosos de candomblé, promoverá, conjuntamente, atividades alusivas à data.
Apesar de ser uma tradição antiga na África, o candomblé só se organizou como culto religioso recentemente, devido à discriminação e perseguição que sofreu no país.
O candomblé é uma religião oficialmente reconhecida, que presta culto aos deuses que nos legaram os africanos que vieram para o Brasil no século 16. O significado da palavra candomblé para os adeptos desta forma de culto aos orixás vem a ser festa. Candomblé também é o termo genérico que define o coletivo de nações (tribos) africanas no Brasil.
A maioria dos negros trazidos para o Brasil pertencia aos grandes grupos étnicos bantos, capturados no Congo, Angola e Moçambique; sudaneses, originários da Nigéria, Daomé e Costa do Marfim; e sudaneses convertidos ao islamismo.
No Brasil, essas nações foram denominadas Jeje, Keto, Angola, Nagô, Xambá e Ijexá. Os sudaneses dirigiram-se predominantemente para a Bahia e os bantos, para Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

EVENTO "ÁFRICA EM MOVIMENTO. INERCONEXÕES E DESCONEXÕES DE SABERS AO SUL"

Recebido por email.
Local: PUC-SP.
Informações: evassim@gmail.com
Tel (11) 3366-1440
Para ampliar clique na imagem.

LANÇAMENTO DA COLEÇÃO SANKOFA EM SÃO PAULO

Retirado do blog CEN. Para ampliar clique na imagem.

PALESTRA E CURSO SOBRE CARNAVAL E LEI 10639

Recebido por email. Para ampliar clique na imagem.

sábado, 13 de setembro de 2008

FILME "POVO SANTO" NO RJ

Retirado do site do grupo ESTIMATIVA.

Projeto Cinemativa Apresenta: POVO SANTO'
Direção: Manoel Passos Pereira e Wilson Militão

- Dia 17 de Setembro, ÀS 19H -

Logo após a exibição do filme, um bate-papo com o renomado militante, intelectual e religioso, Ivanir dos Santos, Presidente-Executiv o do Centro de Articulações de Populações Marginalizadas (CEAP). Imperdível!!! Apresentação: Lisa Castro e Neide Diniz

Nosso encontro está marcado!

Quando? Dia 17 de setembro de 2008
Que horas? Às 19h
Onde? SESC Madureira - Rua Ewbanck da Câmara, 90 - Madureira

Informações e agendamento de grupos: Tel 3350-2676
Entrada FRANCA!

Apoio: Ministério da CulturaFundação Cultural Palmares

Coisa Nossa Comunicação e Produções
Caras do Brasil Produções

Preta Produções
Agradecimento:
Wilson Militão, pela autorização do filme.

Realização: Estimativa em parceria com SESC Madureira
Toda terceira 4ª-feira do Mês, um filme para você.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

MESA REDONDA - NEGRO. IMAGEM NA INDUSTRIA AUDIOVISUAL

Retirado do blog da Fabiana Oliveira.
Mesa redonda muito interessante que vai ocorrer em São Paulo. para ir parao site do Boletim Eparrei On Line clique na imagem abaixo.


NEGRO – IMAGEM NA INDUSTRIA AUDIOVISUAL
17/09/2008-Local Sede da CCMN (Casa da Mulher Negra)
Entrada Franca


O conceito da liberdade sempre esteve atrelado à produção cinematográfica voltada para a crítica social e quebra de tabus. O 6° Festival Santista de Curtas Metragens – Curta Santos celebra a diversidade do cinema sob o tema LIBERDADE, trazendo mostras especiais, debates e mesas redondas.
A mesa redonda O Negro e a Audiovisualidade que acontecerá no dia 17 de setembro, às 11 horas, na Casa da Mulher Negra (Rua Professor Primo Ferreira, 22 – Boqueirão, Santos), reunirá poderosas vozes do movimento negro, como Joel Zito Araújo, Zózimo Bulbul, Léa Garcia, Jeferson De, Alzira Rufino, Lucimara Martins, para apresentarem suas idéias e trocarem conhecimentos e experiências.
O objetivo da mesa redonda é traçar uma estrutura de discussão histórica e social sobre os negros representados na indústria audiovisual, nas áreas do cinema, televisão, propaganda, Internet, entre outros meios. Será debatida também a posição euro-etnocêntrica da mídia, que, muitas vezes, veicula valores sem visão crítica e impede a discussão pelos direitos dos negros.
MILITÂNCIA
Os movimentos de defesa aos direitos dos negros, oriundos dos anos 70, se formaram para buscar mudanças jurídicas e constitucionais de direitos civis e humanos e pelo direito a dignidade da imagem, valorizando, estudando, respeitando, e discutindo a forma como o negro ,a mulher negra e a sua cultura são retratadas nos meios de comunicação.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

REDE GLOBO COMENTANDO ESTUDO DO IPEA

Reparem em que o estudo do IPEA era sobre "RETRATOS DAS DESIGUALDADES EM GENÊRO E RAÇA", mas a rede globo vai falar a palavra "negro" no final da matéria de forma bem rapída e timída... mesmo com uma repórter negra fazendo a externa.
Para baixar o estudo do IPEA clique aqui.
Retirado do G1.

Estudo mostra que houve aumento de famílias chefiadas por mulheres
Terça-feira, 09/09/2008
O IPEA descobriu que, em 13 anos, o número de mulheres chefes de família cresceu mais do que o dobro. Além disso, aumentou em quase 10 vezes os casais com filhos chefiados por mulheres.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

POPULAÇÃO DE NEGROS E BRANCOS QUASE SE IGUAL, MAS DESIGUALDADES CONTINUAM

Retirado do site Agência Brasil.

09 de Setembro de 2008
População de negros e brancos quase se iguala, mas desigualdades continuam, diz Ipea
Ivan Richard e Mariana Jungmann Repórteres da Agência Brasil

Brasília - A diferença entre o número de brancos e negros na população brasileira diminuiu entre os anos de 1996 e 2006, segundo o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado hoje (9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se em 1996 o total de brancos correspondia a 55,2% (85.261.961) da população e o de negros a 44,7% (68.929.113), em 2006, o total passou a ser de 49,7% (93.096.286) de brancos, frente a 49,5% (92.689.972) de negros.
A representante do Fundo das Nações Unidas para as Mulheres (Unifem) Maria Inês Barbosa acredita que o crescimento da população negra não tem a ver apenas com o crescimento demográfico do país e, sim, com a melhoria na auto-estima dessa parcela da população.
“Desde a década de 80, houve uma reafirmação da identidade negra. Isso provocou uma mudança entre as pessoas que antes se consideravam pardas e, agora, se assumem negras”, afirmou. A esse fenômeno, ela deu o nome de “queda do embranquecimento [da população]".
Maria Inês acrescenta que “é importante, em sociedades marcadas por desigualdades de raça, gênero e classe, ter dados que possam impulsionar políticas públicas para superar as desigualdades”.
Se no total da população há equilíbrio entre negros e brancos, as desigualdades em relação à educação ainda permanecem.
Brancos e negros estão próximos quando analisada a inclusão no ensino fundamental. Há dois anos, 95,7% das crianças brancas cursavam os primeiros anos da escola. Já entre as negras, esse índice era de 94,2%. Entrentato, na análise sobre a inclusão no ensino médio, as diferenças se ampliam. São 58,4% de brancos e 37,4% de negros. O pesquisador do Ipea, Jorge Abrahão, afirma que o crescimento econômico não provoca diminuição da desigualdade entre negros e brancos.
“As desigualdades não diminuem tão rapidamente quanto o crescimento do país porque as políticas públicas fazem recorte por renda e não por gênero ou raça”, disse.
“Fora isso, a renda pode aumentar, mas se está relacionada a fatores como escolaridade, e esse conjunto da população não alcança esse fatores, ele não atinge a renda”, completou Abrahão.
O levantamento divulgado pelo Ipea teve como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 1993 a 2007. O trabalho traça um perfil sobre diferentes temáticas relacionadas às desigualdades de sexo e de raça. São abordados temas como população, chefia de família, educação, saúde, previdência e assistência social, mercado de trabalho, trabalho doméstico remunerado, habitação e saneamento, acesso a bens duráveis e exclusão digital, pobreza, distribuição e desigualdade de renda e uso do tempo.

INDICADORES SOCIAIS DOS NEGROS AINDA SÃO MENORES

Retirado do site UOL Notícias.

09/09/08
Indicadores sociais da população negra têm melhoras, mas condições de vida seguem inferiores às dos brancos
Silvana Salles
Do UOL Notícias Em São Paulo

Os índices de escolaridade, renda e pobreza da população negra registraram melhoras entre 1996 e 2006, mas as condições de vida continuam inferiores às dos brancos no Brasil. A avaliação é de estudo sobre desigualdade racial e de gêneros divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo do Ipea tomou como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) lançadas pelo IBGE entre os anos de 1993 e 2006. A designação "branco" ou "negro" foi estabelecida segundo autodeclaração dos pesquisados.
Segundo dados do estudo, em 1996, 82,3% dos negros estavam matriculados em etapas do ensino fundamental adequadas à sua idade e apenas 13,4% no ensino médio. Em 2006, essa porcentagem subiu para 94,2% no ensino fundamental e 37,4% no médio. A proporção de negros e negras que estudavam no ensino médio, entretanto, ainda é muito menor que a de brancos - que chegou a 58,4% em 2006.
A renda média do trabalhador negro também cresceu, embora o aumento não seja muito expressivo: o rendimento médio de 2006 foi R$ 19 mais alto que em 1996, ou 3,93%. A queda da diferença entre os dois grupos se deu devido a diminuição dos rendimentos dos homens brancos, que passaram de R$ 1.044,20 a R$ 986,50. Os demais grupos estudados (mulheres brancas e negras e homens negros) tiveram aumentos.
Mesmo com essa alta, a discrepância é grande. Os brancos ainda vivem com quase o dobro da renda mensal per capita dos negros - pouco mais de um salário mínimo a mais.
Outras constatações do estudo mostram que a população negra é menos protegida pela Previdência Social do que os brancos - especialmente no caso da mulher negra - e começa a trabalhar mais cedo para se aposentar mais tarde.
"A renda dos negros é extremamente baixa comparada à dos brancos, e está muito próxima ao valor do salário mínimo", diz o professor Claudio Dedecca, do departamento de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em São Paulo.
Dedecca explica que a oscilação da renda de negros e brancos teve sinais diferentes entre 1996 e 2006 porque os acréscimos ou decréscimos nos pagamentos têm diferentes origens. "O comportamento da renda dos brancos é definido por negociação coletiva ou fluxos do mercado de trabalho. Então, nesses últimos 13, 14 anos, acompanhou a queda na renda média da população. Já a dos negros está associada à evolução da política do salário mínimo.
"Além do crescimento dependente das políticas públicas, a evolução da renda entre negros e queda entre os brancos não se refletiu na erradicação da pobreza. Se em 1996 46,7% dos negros eram pobres, o percentual desceu em 2006 para 33,2. Na prática, cerca de 2 milhões de pessoas deixaram a pobreza num período em que a população ganhou mais de 32 milhões de brasileiros. Entre os brancos, o número absoluto de pessoas que deixaram a pobreza foi de cerca de 5 milhões, mesmo a queda em pontos percentuais tendo sido menor - de 21,5% para 14,5%.
Especialistas dedicados à questão da desigualdade racial concordam entre si com a raiz histórica deste vácuo econômico entre brancos e negros. Educação básica deficiente e pouco universalizada, a herança histórica deixada por séculos de escravismo e uma tradição de ocupar empregos de pouco prestígio social estão entre as causas da diferença.
Para o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), o fim da escravidão sem a criação de um mercado de trabalho que absorvesse a mão-de-obra negra e herança de concentração fundiária na mão de ricos produtores agrícolas privaram a população negra de acesso a "mecanismos democráticos de ascensão social, econômica e cultural".
"A sociedade brasileira foi constituída em três séculos de colonização e quatro de escravidão. Isso gerou uma estrutura de segregação absoluta que foi sendo superada ao longo do século 20, mas não na velocidade necessária para democratizá-la", explica Baptistini. "Não temos mecanismos para distribuir a renda. É como se no século 21, ainda vivêssemos em uma sociedade escravocrata.
"O economista Vinícius Garcia, mestre em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, aponta a geografia como outro importante fator para explicar a concentração da pobreza entre os negros. "No nosso estudo, vimos que a população negra está super-representada nas áreas menos desenvolvidas do país, como no Norte e no Nordeste. E é menos concentrada em regiões como o Sudeste, que tem uma estrutura econômica mais dinâmica", pondera ele.
Diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, Bernardete Lopes defende que o estudo do Ipea é importante para provar à sociedade que os preconceitos raciais não foram superados no Brasil. "Acho que essa pesquisa vai fazer algumas pessoas entenderem quando dizemos que o país precisa de ação afirmativa e precisa de cotas, porque mostra que não vivemos numa democracia racial, e que a discriminação não era pela pobreza, mas sim pela raça e pela cor", afirma.
"É muito doído perceber que, embora o movimento negro tenha conseguido grandes vitórias e o Estado brasileiro hoje esteja preocupado em diminuir as diferenças, elas continuam sendo sempre o dobro", completa Bernardete, referindo-se a distância de quase 50% entre os salários de pessoas que nasceram com cores de pele diferentes.

De república, a gente só tem o nome
"As melhorias no acesso à educação formal também não foram capazes de acabar com a desvantagem dos negros em relação aos brancos na escolaridade. Enquanto 58,4% dos brancos estavam em 2006 matriculados no ensino médio com idade adequada para o curso, apenas 37,4% dos negros estavam no mesmo patamar, revelam os dados do Ipea.
Rogério Baptistini também vê nestes números um fundo histórico. "A República nunca criou um sistema universal de igualdade pela educação; nossa educação nunca foi republicana. A abertura da universidade para a qualificação dos mais pobres, na sua maioria negros e miscigenados, é muito recente", diz o sociólogo.
"Políticas adotadas gradativamente, como as cotas para alunos de escolas públicas e negros, estão tentando corrigir esse desvio histórico na sociedade brasileira, mas ainda não passam da superfície", explica Baptistini. "De república, a gente só tem o nome.
"Bernardete Lopes acredita que a melhoria deste quadro deve passar necessariamente pela educação básica. "Acho que é preciso melhorar a qualidade do ensino público nas primeiras séries, e continuar com incentivos para que as crianças fiquem na escola e não precisem parar de estudar para ajudar a família a se manter", diz. Para a dirigente da Fundação Palmares, isto é parte do caminho para a emancipação econômica da população negra.
Mas, para garantir a eficiência do modelo, as crianças devem gostar de ir à escola. "Uma vez li um estudo de uma socióloga da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que dizia que um dos motivos por que as crianças negras não gostavam da escola por receberem os apelidos mais cruéis entre os colegas", conta Bernardete.

Mais sobre o estudo
Mulheres têm menor penetração no mercado
Mapa da pobreza mudou pouco em dez anos
Você observa uma melhor qualidade de vida para negros no Brasil?

GOOGLE E A CONSTRUÇÃO DO MONOPÓLIO NA WEB

Retirado do site do Observatório da Imprensa.
Realmente é preocupante, pois com o google dominando a web e as formas como a gente a usa seremos usuários ou usados???... hi \ö/ dilema...
Para acessar postagens critícas sobre está questão clique aqui. Vale a pena ler também o conto Scroogled - E se o Google agora resolvesse controlar a sua vida?

ENTREVISTA / ANDRÉ FLEURY
Por IHU On-Line em 9/9/2008
Reproduzido da
IHU On-Line, revista eletrônica do Instituto Humanitas Unisinos, 6/9/2008; título original "Google: nossas vidas como base para construção de um monopólio na web"

Há quem diga que a web 2.0 está criando novos tipos de paradigmas na sociedade, uma vez que disponibiliza um tipo de autonomia e interação que antes era quase impensável. Um deles é a economia da gratuidade. Serviços que antigamente eram caros e tecnicamente difíceis de serem utilizados hoje estão disponíveis na internet sem custo para usuário, e fazendo com que ele perca menos tempo e tenha mais qualidade em seu trabalho.
Quem está sabendo tirar partido desse novo cenário é a empresa Google. Para os mais entusiastas, os serviços parecem perfeitos, mas, quanto mais cresce o Google, maior fica também o monopólio que a empresa está construindo em torno dessas ofertas que disponibiliza. O que esperar?
Segundo o professor da USP, André Fleury, "o mercado financeiro reconhece que o monopólio que o Google está estabelecendo na web garante que, no futuro, a empresa poderá ser capaz de gerar receitas e barreiras para que novos participantes não sejam concorrentes diretos". Ele concedeu entrevista à IHU On-Line por telefone e falou sobre essa realidade que está surgindo e sobre o desenvolvimento da web 2.0 e o nascimento da web 3.0.
André Leme Fleury é graduado em Engenharia Mecânica de Produção, pela Universidade de São Paulo (USP). Realizou mestrado e doutorado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Catarina e na USP, respectivamente. Na USP é professor e coordenador do projeto Cidade do Conhecimento. É autor de Dinâmicas organizacionais em mercados eletrônicos (São Paulo: Editora Atlas, 2001).
***
Já podemos falar em economia do gratuito em relação à internet? Como essa economia está se constituindo e que perspectivas podemos ter em relação ao seu desenvolvimento?
André Fleury – Sim, podemos falar sobre economia do gratuito, que está ainda nos seus passos embrionários. O que se quer dizer com "passos embrionários ou iniciais"? Se pegarmos o Google [Google Inc. é o nome da empresa que criou e mantém o maior site de busca da internet, o Google Search. O serviço foi criado a partir de um projeto de doutorado dos então estudantes Larry Page e Sergey Brin da Universidade de Stanford em 1996] como exemplo, veremos que ele vale 200 bilhões de dólares, mas fatura 7 bilhões exatamente por causa dessa economia da gratuidade que está surgindo agora. Em outras palavras, o Google tem uma quantidade de informações hoje em dia extremamente elevada em seu poder. Essas informações estão concentradas no YouTube, no Google Maps, no Google Earth, no Orkut (onde ele conhece muito das pessoas), entre outros serviços. Ele disponibiliza esses recursos onde obtém uma série de informações que são extremamente valiosas. No entanto, ainda não está claro como ele vai gerar modelos comerciais em relação a esse patrimônio que dispõem. Então, a economia do gratuito está ligada, num primeiro momento, à questão dos novos modelos de negócio que surgirão ao longo do tempo.
A segunda questão está relacionada ao compartilhamento do conhecimento para um bem comum e que, ao mesmo tempo que beneficia um usuário, dá retornos para a empresa também. São duas dinâmicas diferentes: a primeira se refere ao futuro das apostas na bolsa de valores que viabiliza recursos para que as empresas possam desenvolver ainda mais seus serviços, como é o caso do Google, e a segunda está relacionada aos softwares com códigos abertos. Aqui na USP, já estamos trabalhando essa questão e nos perguntamos: como compartilhar conhecimento de tal maneira que os professores possam utilizar o material um do outro e assim prestar melhores serviços, gerar conhecimento e oferecer aos repositórios o resultado disso?


A Web 2.0 é uma receita de inovação e integração para produção social realizada pelas empresas e instituições?
A.F. – A web 2.0, tecnologicamente, não representa inovação alguma, ou seja, as ferramentas que caracterizam a web 2.0, seja blog, wiki [o termo wiki é utilizado para identificar um tipo específico de coleção de documentos em hipertexto ou o software colaborativo usado para criá-lo; significa, em havaiano, "super rápido"], fóruns, são tecnologias que estão disponíveis há bastante tempo para a maioria das pessoas. O que realmente apresenta uma inovação é a forma de relacionamento. As empresas estão começando a despertar para essa coisa das interações e das redes sociais, mas existe ainda muito chão para elas construírem. Aqui na universidade, estamos trabalhando os conceitos de construção colaborativa de conhecimento, ou seja, como os alunos podem adquirir conhecimento necessário para desenvolver os seus trabalhos, analisar e resolver os problemas. A mudança de paradigma aí é bastante extensa porque muda o relacionamento professor-aluno. Antes, apenas o professor detinha o saber; hoje, os alunos buscam o conhecimento, disponibilizam e aplicam esse conhecimento, e o professor passa a ter uma postura de mediador de uma rede. Essa mudança é radical e requer muita maturidade.


O Google está criando cada vez mais plataformas para que possamos "empurrar nossa vida para dentro da web". Estamos criando uma cultura da inteligência coletiva com isso?
A.F. – Depende de como esse conhecimento será compartilhado. No momento em que transfiro uma planilha minha para o Google Docs, eu estou simplesmente mudando o meu canal de acesso. Não existe uma mudança significativa em relação ao compartilhamento de conhecimento. A inteligência coletiva só surge quando existe esse compartilhamento. Então seriam necessárias novas dinâmicas para trabalhar esses documentos de tal maneira que eles não sejam mais meus. Nesse sentido, eles passariam a incorporar e desenvolver novas possibilidades de captura, além de gerar uma nova forma de divulgação desse conhecimento.


Mas o que o Google ganha com essa totalidade de serviços gratuitos?
A.F. – Nada. O retorno só vem da bolsa de valores que investe no potencial dos serviços oferecidos. Por exemplo, a coisa mais cara é armazenar mídias, documentos etc. O Google oferece esse espaço que não temos e de forma gratuita. Existem links patrocinados, mas que não revertem o valor investido. No entanto, o mercado financeiro reconhece que o monopólio que o Google está estabelecendo na web garante que, no futuro, a empresa poderá ser capaz de gerar receitas e barreiras para que novos participantes não sejam concorrentes diretos.

A web 2.0 parece incluir cada vez mais as pessoas, isso porque seus dispositivos geralmente são fáceis de usar e permitem que se façam coisas na internet que antes só eram possíveis através de softwares caros e que exigem conhecimento técnico. Como está se constituindo o conceito de web 2.0 a partir dessa noção de excluídos e incluídos digitalmente?
A.F. – Eu separaria essa questão em duas. A primeira diz respeito aos softwares livres, que são tão bons ou melhores do que os softwares proprietários. Um exemplo é o moodle, que temos usado extensivamente em diversas iniciativas. [Moodle = Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment – Moodle é um software livre, de apoio à aprendizagem, executado num ambiente virtual. A expressão designa ainda o Learning Management System (sistema de gestão da aprendizagem) em trabalho colaborativo baseado nesse programa. Em linguagem coloquial, o verbo to moodle descreve o processo de navegar despretensiosamente por algo, enquanto fazem-se outras coisas ao mesmo tempo. O conceito foi criado em 2001 pelo educador e cientista computacional Martin Dougiamas. Voltado para programadores e acadêmicos da educação, constitui-se em um sistema de administração de atividades educacionais destinado à criação de comunidades on-line, em ambientes virtuais voltados para a aprendizagem colaborativa. Permite, de maneira simplificada, a um estudante ou a um professor integrar-se, estudando ou lecionando, num curso on-line à sua escolha.] É extremamente fácil baixá-lo, instalá-lo e configurá-lo. Esse software representa muito essa idéia da economia do gratuito, em outras palavras. Eu uso e me beneficio dele. A cada vez que ele é aprimorado, esse aperfeiçoamento é incorporado pela comunidade, caso ela ache isso apropriado. Essa cultura tende a se valorizar cada vez mais.
Em relação à exclusão e inclusão digital, a coisa é bem mais complexa. Eu não vejo uma relação direta entre a web 2.0 e a inclusão digital. Temos trabalhado muito o conceito de emancipação digital, que não é apenas a pessoa saber mexer nos recursos, mas ser capaz de gerar renda com esses recursos. Ainda há poucas iniciativas nesse sentido, pois requer uma série de outras iniciativas de educação para que essas pessoas possam usar essas ferramentas das melhores formas possíveis.


Como se configura hoje e como pode ainda ser melhor explorada a arquitetura da participação a partir do conceito de web 2.0?
A.F. – Esse é o principal desafio para quem está trabalhando com esse tipo de plataforma atualmente. O caso mais clássico que temos são os trabalhos de conclusão de curso que orientamos aqui na USP. Os alunos são conduzidos para trabalhar numa plataforma que tem wiki, tem fórum e assim por diante. E isso tem funcionado muito bem, pois as empresas estão interessadas nesse tipo de desenvolvimento e as universidades estão municiando esse aluno com todo conhecimento necessário para resolver esse problema. A participação está funcionando porque todos os lados estão trabalhando. O problema se apresenta quando só um lado está inserido nesse contexto. Essa evolução está muito relacionada ao jogo do estímulo e resposta.


A web 2.0 põe fim ao ciclo de lançamentos de softwares?
A.F. – Não. Os softwares estão relacionados à capacidade de inovação. Se se é capaz de inovar, o posicionamento no mercado estará muito bem. Os softwares que estão fadados a desaparecer são aqueles que pararam de inovar, o que dá tempo para a comunidade criar um software livre. Com o Office aconteceu isto quando o Open Office foi criado.

Como a nova geração da internet afeta a mídia?
A.F. – Estamos assistindo à convergência. Temos aí uma mudança de geração, ou seja, as pessoas precisam estar evoluindo no sentido de as novas mídias substituírem as mídias antigas, mas até agora nada muito efetivo aconteceu ainda. As grandes empresas estão sendo impactadas, mas ainda não de uma forma expressiva pela web. Mas haverá uma consolidação das novas mídias, certamente.


E o que viria ser a web 3.0?
A.F. – A web 3.0 tem dois significados. O primeiro é a web semântica, ou seja, os mecanismos de busca vão se transformar em agentes mais inteligentes capazes de trazer melhores respostas às perguntas formuladas. A segunda tendência diz respeito a capacidade de remunerar quem está gerando conteúdo e conhecimento. Quando o Google descobrir como ganhar dinheiro com o YouTube, nada mais justo do que ele passe uma parte do dinheiro que ganhou para quem postou o conteúdo. Mas é preciso ainda fazer uma grande reflexão acerca da web semântica e dos modelos de negócio.


Esse é o momento de as novas redes sociais ditarem as regras do mercado, da sociedade, das políticas etc.?
A.F. – Sem dúvida alguma. Tanto isso incomoda que a campanha política foi proibida para além dos sites oficiais dos candidatos. Isso porque as pessoas ainda não compreendem como a web 2.0 pode ser utilizada para a questão da política e, por isso, se proíbe. Tal movimento prova exatamente a capacidade dessa nova forma de comunicação entre novos mecanismos de percepção e avaliação dos usuários. No caso da política, essa questão assusta e daí ser mais fácil proibir do que tentar gerenciar o novo movimento.

E como o senhor vê a questão da discussão acerca do controle em relação à internet?
A.F. – Eu acho que ela é incontrolável. Ela nasceu na sua essência livre justamente para garantir a multiplicidade de fontes de informação. Proibições e ações judiciais atestam o quanto elas podem incomodar e o quanto ela é incontrolável. As corporações têm de se adaptar a elas e passar a jogar a partir dessa sociedade gerada a partir do novo conceito de web.