Retirado do site da ALERJ.
Uma nova revolução, parecida com a Revolta da Chibata, que está completando 100 anos, vem ocorrendo nas universidades desde a implantação do sistema de cotas. Quem garante é o reitor da Universidade do Estado do Rio (Uerj), Ricardo Vieiralves, que informou, nesta quinta-feira (24/06), durante a primeira entrega do Prêmio João Cândido, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Rio, que os índices de reprovação e de abandono dos alunos cotistas têm sido iguais ou menores que os não-cotistas. “Desde 2003, quando implantamos esse sistema, não tínhamos feito uma avaliação tão completa sobre a performance dos cotistas. E a nossa comprovação foi excepcional, pois eles estão assimilando o processo acadêmico-administrativo cada vez melhor”, reforçou Vieiralves, que garantiu que a Uerj realizará, ainda este ano, um seminário para lembrar a Revolta da Chibata.
A informação foi comemorada, durante sessão solene conduzida pelo deputado Gilberto Palmares (PT) e pelo deputado federal e ex-ministro Edson Santos (PT-RJ), pelos 15 homenageados, que, junto ao reitor, receberam a estátua confeccionada pelo artista plástico Walter Brito, que reproduz a imagem do “almirante negro” João Cândido, líder da Revolta da Chibata. “A ideia desse ato surgiu para que marcássemos mais uma página gloriosa de resistência no combate à opressão, da mesma forma como fez Cândido na revolta ocorrida há um século”, discursou Palmares. Para o ex-ministro, a luta do “almirante” começa a obter resultados apenas agora. “No Brasil, as coisas se dão com muita lentidão, porque a resistência às mudanças no País é muito forte. Mesmo assim, para sermos uma democracia racial, muito ainda precisa ser feito”, apontou.
Autor de uma das mais importantes leis de combate ao racismo e à intolerância religiosa no País, a Lei 7.716/89 – Lei Caó –, o ex-deputado federal e jornalista Carlos Alberto Caó, que ganhou um dos prêmios, disse estar satisfeito em ter seu nome ligado a “uma homenagem que também está sendo feita a João Cândido, o grande herói nacional”. Já a atriz Ruth de Souza, a primeira negra a pisar nos palcos do Theatro Municipal do Rio, recebeu a honraria com alegria. “Em toda a minha carreira, o que sempre quis foi mostrar uma imagem positiva da mulher negra brasileira. É muito bom ter o trabalho reconhecido e poder contribuir para preservar a memória do cinema, do teatro e da televisão”, agradeceu. Para a ex-governadora, ex-ministra e ex-secretária de Ação Social do estado Benedita da Silva, lembrar João Cândido é “lembrar a história do povo afro-brasileiro”.
Presente à sessão, o ministro-chefe da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, afirmou que o País precisa continuar avançando na luta contra a desigualdade social. “Esse momento, no Palácio Tiradentes, faz-nos lembrar do que aconteceu aqui ao lado, na Baía de Guanabara, e que permitiu que acabássemos com a chibata no Brasil”, assinalou. Também receberam o Prêmio João Cândido o hematologista Paulo Ivo, especialista em doença falciforme; Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá; o militante Carlos Vicente; Cristina Dorigo, da Secretaria de Mulheres do PT-RJ; o grupo afro Agbara Dudu; o presidente do Sinpro-Rio, Wanderley Quêdo; o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Energia (Sintergia); a assistente social Nelma Azeredo; o presidente da Transpetro, Sérgio Machado; o professor e ex-senador Abdias Nascimento e o historiador e músico Nei Lopes.
O “griot” em tradições orais de vários povos africanos é um dos símbolos representativos dos narradores, dos que contam contos, cantam décimas, sábios, avós, mães e todos personagens cênicos ou não, que, em muitas sociedades, são depositários de histórias, de testemunhos ou de tradições que ele conta.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
UNIFEM BRASIL E CONE SUL LANÇA EDITAL DE PROJETOS 2010
Recebido por email.
UNIFEM Brasil e Cone Sul lança edital de projetos 2010 para organizações da sociedade civil
Montante de 915 mil dólares será distribuído em quatro áreas: governança democrática/Beijing + 15, violência contra as mulheres, segurança econômica e feminização do HIV/AIDS. Propostas devem ser apresentadas até o dia 4 de julho
O UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) abre hoje (16/6) o edital anual de seleção de projetos de organizações da sociedade civil. São destinados 915 mil dólares (cerca de 1,7 milhão de reais) que serão alocados em quatro áreas temáticas: governança democrática/Beijing +15, violência contra as mulheres, segurança econômica e feminização do HIV/AIDS. O edital faz a seguinte distribuição de valores entre os países do Cone Sul: Argentina (235 mil dólares), Brasil (195 mil dólares), Chile (145 mil dólares), Paraguai (220 mil dólares) e Uruguai (120 mil dólares).
O recebimento das propostas se encerra às 23h59 de 4 de julho de 2010. Serão validadas as iniciativas que atenderem todos os critérios definidos no edital UNIFEM Brasil e Cone Sul 2010. Os projetos financiados deverão iniciar em 1º de setembro de 2010 e serem executados até o dia 31 de agosto de 2011. O edital de projetos é uma forma de ampliar as parcerias da agência com a sociedade civil e contribuir para a redução das desigualdades de gênero nas áreas de trabalho do plano estratégico do UNIFEM Brasil e Cone Sul.
A seleção traz mais transparência ao processo de seleção dos projetos, com informações sobre o montante dos recursos, a distribuição entre os países e as fases do processo seletivo. Neste ano, a seleção ocorrerá em duas etapas: apresentação das propostas (primeira fase) e de projetos detalhados (segunda fase). “Temos recebido muitas demandas para apoio a projetos ao longo do ano e uma crescente participação das organizações não governamentais nos editais do UNIFEM. Por isso, incorporamos o mecanismo de etapas para que as propostas possam ser melhor elaboradas, otimizando o tempo das organizações proponentes e dando mais transparência ao processo de seleção”, explica Rebecca Tavares, representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul.
Além das áreas temáticas, o edital estabelece enfoques para incentivar projetos inovadores que atendam as demandas de mulheres negras, indígenas, jovens, migrantes, mulheres vivendo com HIV/aids, lésbicas, bissexuais, transgêneros e transexuais. “Compreendemos a diversidade das mulheres e queremos investir cada vez mais na autonomia e no fortalecimento das identidades e realidades das mulheres do Cone Sul. Para o UNIFEM, são cruciais o empoderamento das mulheres e a defesa dos direitos das mulheres no seu sentido amplo”, afirma Rebecca Tavares.
Envio de projetos e calendário
Para facilitar o recebimento das propostas e a comunicação com as organizações proponentes, foram criadas quatro caixas de e-mail, nomeadas por país. São elas: unifem.argentina@gmail.com; unifem.brasilchile@gmail.com ; unifemparaguay@gmail.com eunifem.uy@gmail.com
UNIFEM Brasil e Cone Sul lança edital de projetos 2010 para organizações da sociedade civil
Montante de 915 mil dólares será distribuído em quatro áreas: governança democrática/Beijing + 15, violência contra as mulheres, segurança econômica e feminização do HIV/AIDS. Propostas devem ser apresentadas até o dia 4 de julho
O UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) abre hoje (16/6) o edital anual de seleção de projetos de organizações da sociedade civil. São destinados 915 mil dólares (cerca de 1,7 milhão de reais) que serão alocados em quatro áreas temáticas: governança democrática/Beijing +15, violência contra as mulheres, segurança econômica e feminização do HIV/AIDS. O edital faz a seguinte distribuição de valores entre os países do Cone Sul: Argentina (235 mil dólares), Brasil (195 mil dólares), Chile (145 mil dólares), Paraguai (220 mil dólares) e Uruguai (120 mil dólares).
O recebimento das propostas se encerra às 23h59 de 4 de julho de 2010. Serão validadas as iniciativas que atenderem todos os critérios definidos no edital UNIFEM Brasil e Cone Sul 2010. Os projetos financiados deverão iniciar em 1º de setembro de 2010 e serem executados até o dia 31 de agosto de 2011. O edital de projetos é uma forma de ampliar as parcerias da agência com a sociedade civil e contribuir para a redução das desigualdades de gênero nas áreas de trabalho do plano estratégico do UNIFEM Brasil e Cone Sul.
A seleção traz mais transparência ao processo de seleção dos projetos, com informações sobre o montante dos recursos, a distribuição entre os países e as fases do processo seletivo. Neste ano, a seleção ocorrerá em duas etapas: apresentação das propostas (primeira fase) e de projetos detalhados (segunda fase). “Temos recebido muitas demandas para apoio a projetos ao longo do ano e uma crescente participação das organizações não governamentais nos editais do UNIFEM. Por isso, incorporamos o mecanismo de etapas para que as propostas possam ser melhor elaboradas, otimizando o tempo das organizações proponentes e dando mais transparência ao processo de seleção”, explica Rebecca Tavares, representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul.
Além das áreas temáticas, o edital estabelece enfoques para incentivar projetos inovadores que atendam as demandas de mulheres negras, indígenas, jovens, migrantes, mulheres vivendo com HIV/aids, lésbicas, bissexuais, transgêneros e transexuais. “Compreendemos a diversidade das mulheres e queremos investir cada vez mais na autonomia e no fortalecimento das identidades e realidades das mulheres do Cone Sul. Para o UNIFEM, são cruciais o empoderamento das mulheres e a defesa dos direitos das mulheres no seu sentido amplo”, afirma Rebecca Tavares.
Envio de projetos e calendário
Para facilitar o recebimento das propostas e a comunicação com as organizações proponentes, foram criadas quatro caixas de e-mail, nomeadas por país. São elas: unifem.argentina@gmail.com; unifem.brasilchile@gmail.com ; unifemparaguay@gmail.com eunifem.uy@gmail.com
quinta-feira, 24 de junho de 2010
SEMINÁRIO NACIONA DE DST/AIDS E SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA
Retirado do blog ACMUN.
Seminário sobre a saúde da população negra começa nesta segunda-feira
O V Lai Lai Apejo- Seminário Nacional de DST/AIDS e Saúde da População Negra tem a intenção de debater, durante os três dias do encontro, políticas públicas para esse segmento da sociedade.
A Associação Cultural de Mulheres Negras (ACMUN) juntamente com a Rede Nacional Lai Lai Apejo: População Negra e HIV/Aids realizam nos dias 28, 29 e 30 de junho o V Seminário Nacional Lai Lai Apejo, que significa “Encontro Para Sempre” em expressão iorubá, no Hotel Continental em Porto Alegre.
Com o objetivo de contribuir para a articulação das organizações civil, profissionais e gestores para a proposição, monitoramento e avaliação das políticas públicas, ações, programas e projetos governamentais, na área da saúde, na perspectiva de combate ao racismo institucional, em saúde da população negra. O termo racismo institucional busca dar visibilidade a processos de discriminação indireta que ocorrem no seio das organizações.
Programação consiste em debates, palestras, mini-conferências e apresentações culturais. Os temas abordados durante o seminário serão sobre “Análise de Conjuntura: Políticas Públicas de Saúde no Brasil e no Mundo”, além de “Produção de Conhecimento Científico – População Negra e HIV/Aids”, “ Nascer, Viver e Envelhecer: Pessoas vivendo com HIV/Aids (Situação do Sujeito)” e “Experiências em HIV/Aids e População Negra”.
Lai Lai Apejo é um encontro estratégico que tem como foco principal debater temas sobre a saúde da população negra. Promovido, inicialmente pela ACMUN, da cidade de Porto Alegre/RS, desde 2002, se torna um marco na história da capital gaúcha. Esta iniciativa propicia troca de experiências e saberes entre os participantes e prevê a luta em defesa da equidade de gênero e raça/etnia. O encontro em si, já reuniu centenas de pessoas desde sua criação, que através de troca de experiências procuram encontrar soluções para os problemas existentes na sociedade.
Serviço:
O Quê: V Seminário Nacional Lai Lai Apejo
Onde: Hotel Continental, Largo Vespasiano Julio Veppo, número 77, próximo a estação rodoviária de Porto Alegre.
Quando: 28, 29 e 30 de junho.
PROGRAMAÇÃO
28/06
8h - Credenciamento
9h – Saudação aos participantes - ACMUN
9h30 – Harmonização de Conceitos
Facilitadora: Dra. Fernanda Lopes - Fundo de População das Nações Unidas
12h – Almoço
14h – Cerimônia de Abertura
15h - Conferência: “Análise de Conjuntura: Políticas Públicas de Saúde no Brasil e no Mundo”
Dra. Jurema Werneck – Conselho Nacional de Saúde/Articulação de Mulheres Negras Brasileiras/ AMNB
Coordenação: Elaine Oliveira Soares - Área Técnica de Saúde da População Negra da SMS de Porto Alegre
16h30 – Conferência: “Produção de conhecimento científico – população negra e HIV/AIDS”
Dra. Cristina Possas – Diretora da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (UPDT/Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais – MS)
Debatedora: Dra. Maria Inês Barbosa – Pesquisadora Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Coordenadora: Dra. Denise Botelho - Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPNUNB)
29/06
8h30 – HIV/AIDS no Brasil e no mundo (Situação Epidemiológica)
Karen Bruck - Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais – Ministério da Saúde
Debatedor: Celso Ricardo Monteiro – Coordenação Municipal de DST/AIDS de São Paulo
Coordenadora: Cleusa Aparecida da Silva – Casa Laudelina
10h30 – Nascer, Viver e Envelhecer: Pessoas vivendo com HIV/AIDS (Situação do Sujeito)
Micaela Cyrino – Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS
Eliana Aparecida dos Santos – Movimento das Cidadãs Posithivas
Maria Aparecida Lemos – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas
Coordenadora: Michely Ribeiro – Rede de Mulheres Negras do Paraná
12h - Almoço
14h – Identidades, Sexualidades e Aids (Situação Política)
Juliano Gonçalves Pereira – Jovem Homem - Rede Afro Atitude
Angela Donini – Gênero - Fundo de População das Nações Unidas
Verônica Lourenço – Lésbicas – Rede Sapatá
Chindalena Barbosa – Jovem Mulher - Associação Frida Kahlo
Coordenador: Adailton da Silva – Universidade Federal do Amazonas
17h– Experiências em HIV/AIDS e população negra
Miranete Arruda – Gerente da Política de Saúde da População Negra do Recife/PE
Ângela Martins - Rede de Mulheres Negras do Paraná
Coordenadora: Damiana Oliveira – Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais
19h – Momento Cultural
30/06
08h30 - Agenda Comum
Coordenador: Rede de Religiões Afro e Saúde – Jose Marmo da Silva
10h30 – Comemoração dos 100 anos do Primeiro Relato Científico da Doença Falciforme - Transmissão ao Vivo via internet
13h – Encerramento
Contato
ACMUN – (51) 3062-7009 (51) 3062-7009
Heloisa Duarte – (51) 8229-0662 (51) 8229-0662
Camila de Moraes – (51) 8451-6361 (51) 8451-6361
http://acmunrs.blogspot.com/
Seminário sobre a saúde da população negra começa nesta segunda-feira
O V Lai Lai Apejo- Seminário Nacional de DST/AIDS e Saúde da População Negra tem a intenção de debater, durante os três dias do encontro, políticas públicas para esse segmento da sociedade.
A Associação Cultural de Mulheres Negras (ACMUN) juntamente com a Rede Nacional Lai Lai Apejo: População Negra e HIV/Aids realizam nos dias 28, 29 e 30 de junho o V Seminário Nacional Lai Lai Apejo, que significa “Encontro Para Sempre” em expressão iorubá, no Hotel Continental em Porto Alegre.
Com o objetivo de contribuir para a articulação das organizações civil, profissionais e gestores para a proposição, monitoramento e avaliação das políticas públicas, ações, programas e projetos governamentais, na área da saúde, na perspectiva de combate ao racismo institucional, em saúde da população negra. O termo racismo institucional busca dar visibilidade a processos de discriminação indireta que ocorrem no seio das organizações.
Programação consiste em debates, palestras, mini-conferências e apresentações culturais. Os temas abordados durante o seminário serão sobre “Análise de Conjuntura: Políticas Públicas de Saúde no Brasil e no Mundo”, além de “Produção de Conhecimento Científico – População Negra e HIV/Aids”, “ Nascer, Viver e Envelhecer: Pessoas vivendo com HIV/Aids (Situação do Sujeito)” e “Experiências em HIV/Aids e População Negra”.
Lai Lai Apejo é um encontro estratégico que tem como foco principal debater temas sobre a saúde da população negra. Promovido, inicialmente pela ACMUN, da cidade de Porto Alegre/RS, desde 2002, se torna um marco na história da capital gaúcha. Esta iniciativa propicia troca de experiências e saberes entre os participantes e prevê a luta em defesa da equidade de gênero e raça/etnia. O encontro em si, já reuniu centenas de pessoas desde sua criação, que através de troca de experiências procuram encontrar soluções para os problemas existentes na sociedade.
Serviço:
O Quê: V Seminário Nacional Lai Lai Apejo
Onde: Hotel Continental, Largo Vespasiano Julio Veppo, número 77, próximo a estação rodoviária de Porto Alegre.
Quando: 28, 29 e 30 de junho.
PROGRAMAÇÃO
28/06
8h - Credenciamento
9h – Saudação aos participantes - ACMUN
9h30 – Harmonização de Conceitos
Facilitadora: Dra. Fernanda Lopes - Fundo de População das Nações Unidas
12h – Almoço
14h – Cerimônia de Abertura
15h - Conferência: “Análise de Conjuntura: Políticas Públicas de Saúde no Brasil e no Mundo”
Dra. Jurema Werneck – Conselho Nacional de Saúde/Articulação de Mulheres Negras Brasileiras/ AMNB
Coordenação: Elaine Oliveira Soares - Área Técnica de Saúde da População Negra da SMS de Porto Alegre
16h30 – Conferência: “Produção de conhecimento científico – população negra e HIV/AIDS”
Dra. Cristina Possas – Diretora da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (UPDT/Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais – MS)
Debatedora: Dra. Maria Inês Barbosa – Pesquisadora Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Coordenadora: Dra. Denise Botelho - Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPNUNB)
29/06
8h30 – HIV/AIDS no Brasil e no mundo (Situação Epidemiológica)
Karen Bruck - Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais – Ministério da Saúde
Debatedor: Celso Ricardo Monteiro – Coordenação Municipal de DST/AIDS de São Paulo
Coordenadora: Cleusa Aparecida da Silva – Casa Laudelina
10h30 – Nascer, Viver e Envelhecer: Pessoas vivendo com HIV/AIDS (Situação do Sujeito)
Micaela Cyrino – Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/AIDS
Eliana Aparecida dos Santos – Movimento das Cidadãs Posithivas
Maria Aparecida Lemos – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas
Coordenadora: Michely Ribeiro – Rede de Mulheres Negras do Paraná
12h - Almoço
14h – Identidades, Sexualidades e Aids (Situação Política)
Juliano Gonçalves Pereira – Jovem Homem - Rede Afro Atitude
Angela Donini – Gênero - Fundo de População das Nações Unidas
Verônica Lourenço – Lésbicas – Rede Sapatá
Chindalena Barbosa – Jovem Mulher - Associação Frida Kahlo
Coordenador: Adailton da Silva – Universidade Federal do Amazonas
17h– Experiências em HIV/AIDS e população negra
Miranete Arruda – Gerente da Política de Saúde da População Negra do Recife/PE
Ângela Martins - Rede de Mulheres Negras do Paraná
Coordenadora: Damiana Oliveira – Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais
19h – Momento Cultural
30/06
08h30 - Agenda Comum
Coordenador: Rede de Religiões Afro e Saúde – Jose Marmo da Silva
10h30 – Comemoração dos 100 anos do Primeiro Relato Científico da Doença Falciforme - Transmissão ao Vivo via internet
13h – Encerramento
Contato
ACMUN – (51) 3062-7009 (51) 3062-7009
Heloisa Duarte – (51) 8229-0662 (51) 8229-0662
Camila de Moraes – (51) 8451-6361 (51) 8451-6361
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
ACTION AID CONTRATA AUXILIAR TÉCNICO
Recebido por email.
ACTIONAID BRASIL CONTRATA AUXILIAR TÉCNICO PARA TRABALHO TEMPORÁRIO NO DEPARTAMENTO DE VÍNCULOS SOLIDÁRIOS
Experiência em banco de dados e/ou administração de escritório; inglês fluente ou adiantado; familiaridade com o uso de computadores: conhecimento de Word, Excel e Internet; capacidade de trabalhar de forma organizada, metódica e detalhada, com paciência e concentração; cuidado com detalhes.
Oferecemos salário na faixa de R$ 1.400,00 e os seguintes benefícios: ticket-refeiçã o e vale-transporte.
Incentivamos a inscrição de candidatos afro-brasileiros e/ou mulheres.Os interessados deverão encaminhar Curriculum, carta justificando interesse em trabalhar em uma entidade de fins sociais para vagas@actionaid. org com o assunto “auxiliar técnico” até 30/06/2010..
ACTIONAID BRASIL CONTRATA AUXILIAR TÉCNICO PARA TRABALHO TEMPORÁRIO NO DEPARTAMENTO DE VÍNCULOS SOLIDÁRIOS
Experiência em banco de dados e/ou administração de escritório; inglês fluente ou adiantado; familiaridade com o uso de computadores: conhecimento de Word, Excel e Internet; capacidade de trabalhar de forma organizada, metódica e detalhada, com paciência e concentração; cuidado com detalhes.
Oferecemos salário na faixa de R$ 1.400,00 e os seguintes benefícios: ticket-refeiçã o e vale-transporte.
Incentivamos a inscrição de candidatos afro-brasileiros e/ou mulheres.Os interessados deverão encaminhar Curriculum, carta justificando interesse em trabalhar em uma entidade de fins sociais para vagas@actionaid. org com o assunto “auxiliar técnico” até 30/06/2010..
COMISSÕES NA TERRA DE NINGUÉM
Retirado do site do Observatório da Imprensa.
RÁDIO E TV
Por Venício A. de Lima em 22/6/2010
O problema não é novo. Já foi tratado neste Observatório inúmeras vezes. O que estarrece é a cara de pau de autoridades que insistem em afirmar que ele não existe: o cidadão comum não tem acesso ao cadastro dos concessionários de emissoras de rádio e televisão no país.
Com o "desaparecimento" de cadastro geral que esteve por alguns meses no site do MiniCom em 2003, resta ao interessado recorrer às informações disponíveis no site da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Lá se encontram dois bancos de dados: o Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (SIACCO) e o Sistema de Informação dos Serviços de Comunicação de Massa (SISCOM).
No SIACCO pode-se pesquisar o "perfil das empresas" por nome (razão social ou nome de fantasia?) ou CNPJ e, a partir daí, chega-se ao quadro societário e/ou à diretoria das entidades, em geral, incompletos. Vale dizer: aquele que já souber o nome e/ou o CNPJ de concessionários de rádio e televisão no Brasil (?!) poderá confirmar dados complementares.
No SISCOM, totalmente desatualizado e facilmente burlado por controladores mal intencionados, a busca pode ser feita por localidade e por serviço. Vale dizer: aquele que quiser compor um cadastro com nomes de empresas que não necessariamente correspondem àqueles sob os quais elas operam publicamente, deverá pesquisar os 5.564 municípios brasileiros, um por um (?!) [ver, neste OI, "Onde está a informação oficial?"].
PO: um caso emblemático
O recente escândalo denominado Caixa de Pandora ou "mensalão do DEM", envolvendo a cúpula do Governo do Distrito Federal (GDF), recolocou na pauta o império de comunicação construído em Brasília por seu maior empresário (construção e aluguel de imóveis, hotelaria, shopping centers, seguros, concessionárias de veículos e agencia de publicidade), o ex-deputado federal, ex-senador, ex-vice-governador e governador Paulo Octávio (PO). Mas, exatamente, quais são as emissoras de rádio e televisão controladas pelo empresário/político?
RÁDIO E TV
Por Venício A. de Lima em 22/6/2010
O problema não é novo. Já foi tratado neste Observatório inúmeras vezes. O que estarrece é a cara de pau de autoridades que insistem em afirmar que ele não existe: o cidadão comum não tem acesso ao cadastro dos concessionários de emissoras de rádio e televisão no país.
Com o "desaparecimento" de cadastro geral que esteve por alguns meses no site do MiniCom em 2003, resta ao interessado recorrer às informações disponíveis no site da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Lá se encontram dois bancos de dados: o Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (SIACCO) e o Sistema de Informação dos Serviços de Comunicação de Massa (SISCOM).
No SIACCO pode-se pesquisar o "perfil das empresas" por nome (razão social ou nome de fantasia?) ou CNPJ e, a partir daí, chega-se ao quadro societário e/ou à diretoria das entidades, em geral, incompletos. Vale dizer: aquele que já souber o nome e/ou o CNPJ de concessionários de rádio e televisão no Brasil (?!) poderá confirmar dados complementares.
No SISCOM, totalmente desatualizado e facilmente burlado por controladores mal intencionados, a busca pode ser feita por localidade e por serviço. Vale dizer: aquele que quiser compor um cadastro com nomes de empresas que não necessariamente correspondem àqueles sob os quais elas operam publicamente, deverá pesquisar os 5.564 municípios brasileiros, um por um (?!) [ver, neste OI, "Onde está a informação oficial?"].
PO: um caso emblemático
O recente escândalo denominado Caixa de Pandora ou "mensalão do DEM", envolvendo a cúpula do Governo do Distrito Federal (GDF), recolocou na pauta o império de comunicação construído em Brasília por seu maior empresário (construção e aluguel de imóveis, hotelaria, shopping centers, seguros, concessionárias de veículos e agencia de publicidade), o ex-deputado federal, ex-senador, ex-vice-governador e governador Paulo Octávio (PO). Mas, exatamente, quais são as emissoras de rádio e televisão controladas pelo empresário/político?
ESTÁGIO NA ACTIONAID PAR AESTUDANTE DE LETRAS-INGLÊS
Recebido por email.
ESTÁGIO NA ACTIONAID - ELABORAÇÃO DE RELATÓRIOS À DOADORES ESTRANGEIROS E BRASILEIROS
Local – Rio de Janeiro
Responsabilidades Específicas do/a estagiário/a
· Apoiar na apuração de informações junto a parceiros e comunidades para uso em relatório para doadores.
· Redigir relatórios e estudos de caso para doadores (em inglês e em português), de circulação nacional e internacional.
· Pesquisar imagens para publicação em relatórios para doadores so br e o trabalho realizado com as comunidades.
Pré-requisitos
· Estudante de graduação em Letras (português e inglês), a partir do 4º período – que ainda tenha no mínimo 1 ano até terminar a faculdade.
· Ótima redação
· Fluência em inglês (leitura e escrita) – essencial (grande parte dos relatórios é escrito diretamente em inglês)
· Habilidade para tradução inglês-portuguê s-inglês
· Habilidade no uso de programas de computador (pacote MS Office, Internet Explorer, Windows Explorer e Outlook Express)
· Ótima capacidade de organização
· Iniciativa
· Pontualidade
Oferece: Bolsa de R$ 434,00, Vale Transporte e Ticket Refeição por 20 horas semanais
Enviar Currículo para vania.franca@actionaid.org
Assunto: estágio Letras
ESTÁGIO NA ACTIONAID - ELABORAÇÃO DE RELATÓRIOS À DOADORES ESTRANGEIROS E BRASILEIROS
Local – Rio de Janeiro
Responsabilidades Específicas do/a estagiário/a
· Apoiar na apuração de informações junto a parceiros e comunidades para uso em relatório para doadores.
· Redigir relatórios e estudos de caso para doadores (em inglês e em português), de circulação nacional e internacional.
· Pesquisar imagens para publicação em relatórios para doadores so br e o trabalho realizado com as comunidades.
Pré-requisitos
· Estudante de graduação em Letras (português e inglês), a partir do 4º período – que ainda tenha no mínimo 1 ano até terminar a faculdade.
· Ótima redação
· Fluência em inglês (leitura e escrita) – essencial (grande parte dos relatórios é escrito diretamente em inglês)
· Habilidade para tradução inglês-portuguê s-inglês
· Habilidade no uso de programas de computador (pacote MS Office, Internet Explorer, Windows Explorer e Outlook Express)
· Ótima capacidade de organização
· Iniciativa
· Pontualidade
Oferece: Bolsa de R$ 434,00, Vale Transporte e Ticket Refeição por 20 horas semanais
Enviar Currículo para vania.franca@actionaid.org
Assunto: estágio Letras
OURO DE TOLOS: O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL E A SUBMISSÃO POLÍTICA NEGRA II
Retirado do site do Jornal Ìrohin.
NOTÍCIA
21/06/2010
Por Jaime Alves*
O Senado Federal aprovou no último dia 16 de junho a versão demostiniana do Estatuto da Igualdade Racial. Trata-se de um texto indigesto apenas palatável para aquela fatia minúscula do movimento negro que, protegida pelo manto clerical ou de olho em alguns dividendos para as eleições 2010, se submete (e a todos nós) a um constrangimento histórico. Depois de dez anos de luta, e para salvar algumas plataformas político-partidárias no apagar das luzes, um acórdão retirou as propostas mais substanciais do documento como: a reserva de vagas nas universidades públicas, as políticas de saúde específicas para a comunidade negra e a demarcação das terras quilombolas. Os três tópicos em si já representam a bandeira de lutas mais significativa do movimento negro porque elas são resultado de um acumulado histórico de reivindicações. Em nome de quem a meia dúzia de gatos pingados falando em nome do movimento negro endossou tão indecente proposta? A quem interessa um Estatuto que já nasce morto? O que a aprovação do Estatuto light tem a nos dizer sobre os processos de submissão política negra nos últimos anos? Por que a pressa em aprovar um Estatuto vazio de propostas?
Sem querer generalizar a experiência pessoal para o conjunto dos movimentos negros, aqui vai um palpite: nos últimos oito anos, militando em um modelo de movimento onguista ‘particular’ em São Paulo, “aprendi” que agora é hora de negociar, que a história chegou ao fim, que já não há espaço para sustentar um projeto radical de transformação social, de que a palavra de ordem agora é ocupar menos a rua e fazer mais lobby político nos bastidores do poder, que ao invés das ruas, devemos ocupar a ponte aérea, os gabinetes. Aprendi que a palavra ‘raça’ deve ser retirada do vocabulário e ser substituída pelo eufemismo ‘diversidade’, que a palavra ‘reparação’ ou ‘justiça racial’ dever ser substituída pela mais palatável ‘igualdade racial’.
É neste contexto de pobreza da imaginação política que a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial deve ser entendida. A palavra “radical” em certos círculos tomou uma conotação tão estranha e tão vazia de significados que soa com a mesma intensidade da palavra comunista no período da guerra-fria. Isso para não falar na palavra “utopia”, utopia negra, vista como um sacrilégio. E olhe que não falo de utopia como ideal irrealizável, mas como sonho e luta de transformação radical para deslocar as bases de poder tradicionais na nossa sociedade.
Pois bem, da maneira como foi aprovado, o Estatuto representa uma carta de intenções genéricas que diz pouco ou quase nada sobre a luta do povo negro, mas que diz muito sobre o momento histórico em que vivemos. No entanto, o que mais me angustia no Estatuto aprovado não é o corte do senador Demóstenes Torres (ex-PFL-GO). O senador fala de um lugar racialmente privilegiado. Está defendendo os interesses do seu grupo. E disso não há duvida!
O que assusta é que, em um momento de refluxo da luta social, em um momento em que os movimentos sociais da cidade e do campo sofrem uma aprofunda criminalização, quando se intensifica o massacre da juventude negra nas periferias urbanas, algumas ‘lideranças’ – supostamente inspiradas por Zumbi e pelo espírito santo – endossam uma proposta indecente como a que agora temos. Admito que talvez eu esteja deprimido e admito que estar deprimido é um privilégio quando tantos estão sobrevivendo no inferno. Mas talvez devêssemos nos perguntar: por que a recusa fatalista da utopia negra? Em nome de quem o Estatuto foi negociado? Não em meu nome!
* É antropólogo e membro da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros)
NOTÍCIA
21/06/2010
Por Jaime Alves*
O Senado Federal aprovou no último dia 16 de junho a versão demostiniana do Estatuto da Igualdade Racial. Trata-se de um texto indigesto apenas palatável para aquela fatia minúscula do movimento negro que, protegida pelo manto clerical ou de olho em alguns dividendos para as eleições 2010, se submete (e a todos nós) a um constrangimento histórico. Depois de dez anos de luta, e para salvar algumas plataformas político-partidárias no apagar das luzes, um acórdão retirou as propostas mais substanciais do documento como: a reserva de vagas nas universidades públicas, as políticas de saúde específicas para a comunidade negra e a demarcação das terras quilombolas. Os três tópicos em si já representam a bandeira de lutas mais significativa do movimento negro porque elas são resultado de um acumulado histórico de reivindicações. Em nome de quem a meia dúzia de gatos pingados falando em nome do movimento negro endossou tão indecente proposta? A quem interessa um Estatuto que já nasce morto? O que a aprovação do Estatuto light tem a nos dizer sobre os processos de submissão política negra nos últimos anos? Por que a pressa em aprovar um Estatuto vazio de propostas?
Sem querer generalizar a experiência pessoal para o conjunto dos movimentos negros, aqui vai um palpite: nos últimos oito anos, militando em um modelo de movimento onguista ‘particular’ em São Paulo, “aprendi” que agora é hora de negociar, que a história chegou ao fim, que já não há espaço para sustentar um projeto radical de transformação social, de que a palavra de ordem agora é ocupar menos a rua e fazer mais lobby político nos bastidores do poder, que ao invés das ruas, devemos ocupar a ponte aérea, os gabinetes. Aprendi que a palavra ‘raça’ deve ser retirada do vocabulário e ser substituída pelo eufemismo ‘diversidade’, que a palavra ‘reparação’ ou ‘justiça racial’ dever ser substituída pela mais palatável ‘igualdade racial’.
É neste contexto de pobreza da imaginação política que a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial deve ser entendida. A palavra “radical” em certos círculos tomou uma conotação tão estranha e tão vazia de significados que soa com a mesma intensidade da palavra comunista no período da guerra-fria. Isso para não falar na palavra “utopia”, utopia negra, vista como um sacrilégio. E olhe que não falo de utopia como ideal irrealizável, mas como sonho e luta de transformação radical para deslocar as bases de poder tradicionais na nossa sociedade.
Pois bem, da maneira como foi aprovado, o Estatuto representa uma carta de intenções genéricas que diz pouco ou quase nada sobre a luta do povo negro, mas que diz muito sobre o momento histórico em que vivemos. No entanto, o que mais me angustia no Estatuto aprovado não é o corte do senador Demóstenes Torres (ex-PFL-GO). O senador fala de um lugar racialmente privilegiado. Está defendendo os interesses do seu grupo. E disso não há duvida!
O que assusta é que, em um momento de refluxo da luta social, em um momento em que os movimentos sociais da cidade e do campo sofrem uma aprofunda criminalização, quando se intensifica o massacre da juventude negra nas periferias urbanas, algumas ‘lideranças’ – supostamente inspiradas por Zumbi e pelo espírito santo – endossam uma proposta indecente como a que agora temos. Admito que talvez eu esteja deprimido e admito que estar deprimido é um privilégio quando tantos estão sobrevivendo no inferno. Mas talvez devêssemos nos perguntar: por que a recusa fatalista da utopia negra? Em nome de quem o Estatuto foi negociado? Não em meu nome!
* É antropólogo e membro da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros)
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ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL: QUEM DIVIDE OS BRASILEIROS?
Retirado do interessante blog Pragmatismo Político.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Os detratores das políticas afirmativas contra a desigualdade racial vêem a ameaça de “racialização” do Brasil. Mas a divisão entre brasileiros de pele clara e pele escura está enraizada na escravidão e em suas marcas que sobrevivem e precisam ser superaras para soldar o fosso social em nosso país.
Mesmo mutilado, o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (dia 16) provoca reações alérgicas em setores conservadores da elite brasileira. O texto original foi desfigurado pelo relator, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que retirou as referências às cotas na educação, à saúde da população negra, e o incentivo para a contratação de negros pelas empresas privadas.
Mesmo assim, o texto - que foi tema de um editorial no jornal O Estado de S. Paulo com o significativo título de “Poderia ter sido pior” - foi desaprovado por seus detratores com o argumento de que ele fratura a sociedade brasileira e promove a "racialização" do país, ou a criação de um "Estado racializado".
A divisão existe e seu reconhecimento é fundamental para corrigir uma fratura histórica e consolidar a democracia no país. O argumento da racialização é uma falácia que não resiste sequer a um exame superficial. Na verdade, o que os setores conservadores e aqueles que partilham sua opinião temem não é a criação artificial de divisões entre os brasileiros. Temem o reconhecimento institucional de sua existência como herança histórica da formação do Brasil e que persiste em nossos dias penalizando a parcela dos brasileiros que descende dos africanos escravizados durante os períodos colonial e imperial e que, por trazer na pele a marca dessa descendência, constituem os setores mais oprimidos da população brasileira.
O racismo brasileiro tem características próprias e é tão perverso quanto todas as outras formas de hierarquização das populações com base em características corporais, supondo a superioridade daqueles que têm pele clara e a inferioridade dos demais. Entre estes traços está a definição da "raça" (que não é biológica, mas histórico-social) a partir da aparência e não da origem. Isto é, no Brasil, uma pessoa de pele clara é considerada branca, criando aquilo que o historiador Clóvis Moura considerava como uma válvula de escape que permitia a incorporação ao grupo "superior" daqueles que, tendo origem índia ou africana, apresentassem traços europeus.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Os detratores das políticas afirmativas contra a desigualdade racial vêem a ameaça de “racialização” do Brasil. Mas a divisão entre brasileiros de pele clara e pele escura está enraizada na escravidão e em suas marcas que sobrevivem e precisam ser superaras para soldar o fosso social em nosso país.
Mesmo mutilado, o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (dia 16) provoca reações alérgicas em setores conservadores da elite brasileira. O texto original foi desfigurado pelo relator, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que retirou as referências às cotas na educação, à saúde da população negra, e o incentivo para a contratação de negros pelas empresas privadas.
Mesmo assim, o texto - que foi tema de um editorial no jornal O Estado de S. Paulo com o significativo título de “Poderia ter sido pior” - foi desaprovado por seus detratores com o argumento de que ele fratura a sociedade brasileira e promove a "racialização" do país, ou a criação de um "Estado racializado".
A divisão existe e seu reconhecimento é fundamental para corrigir uma fratura histórica e consolidar a democracia no país. O argumento da racialização é uma falácia que não resiste sequer a um exame superficial. Na verdade, o que os setores conservadores e aqueles que partilham sua opinião temem não é a criação artificial de divisões entre os brasileiros. Temem o reconhecimento institucional de sua existência como herança histórica da formação do Brasil e que persiste em nossos dias penalizando a parcela dos brasileiros que descende dos africanos escravizados durante os períodos colonial e imperial e que, por trazer na pele a marca dessa descendência, constituem os setores mais oprimidos da população brasileira.
O racismo brasileiro tem características próprias e é tão perverso quanto todas as outras formas de hierarquização das populações com base em características corporais, supondo a superioridade daqueles que têm pele clara e a inferioridade dos demais. Entre estes traços está a definição da "raça" (que não é biológica, mas histórico-social) a partir da aparência e não da origem. Isto é, no Brasil, uma pessoa de pele clara é considerada branca, criando aquilo que o historiador Clóvis Moura considerava como uma válvula de escape que permitia a incorporação ao grupo "superior" daqueles que, tendo origem índia ou africana, apresentassem traços europeus.
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A COTA PODE PRODUZIR PAÍS RACISTA
Retirado do site Jornal Opção.
Um artigo de pessoas contrárias ao Estatuto.
Editorial
A luta do movimento negro é justificada, mas é preciso refletir a respeito de prioridades. As cotas sociais, que atenderiam negros, pardos e brancos pobres, são mais inclusivas do que a cota racial
Sob pressão da sociedade, governantes foram obrigados a criar uma legislação para proteger e acolher negros, porque o racismo adquiriu matizes profundos nos Estados Unidos. Sem um amparo rigoroso, os negros do país de Barack Obama continuariam sendo massacrados. Era um caso de vida ou morte. No magnífico romance “Homem Invisível”, Ralph Ellison, maior escritor negro dos EUA, comparável a qualquer outro escritor branco americano, como William Faulkner e Cormac McCarthy, dissecou, com mestria, o que é ser negro na terra de James Baldwin e Richard Wright. Quase ninguém queria vê-lo e integrá-lo — daí sua invisibilidade. As ações afirmativas e as leis rigorosas não acabaram, porém, com o racismo; em alguns casos, serviram para reforçá-lo. Mas eram mesmo necessárias. Porque, em alguns casos, apenas cadeia, a punição legal, pode conter a violência contra negros. A Ku Klux Klan foi destruída não necessariamente pela modernização da economia, e sim pelos rigores da lei, pela democratização efetiva da sociedade. Pois bem: o Brasil é igual aos Estados Unidos? Não é. Pelo contrário, estudiosos americanos ficam impressionados com a convivência relativamente pacífica do caldeirão racial brasileiro — no qual a mistura de pessoas de cores diferentes não é problema. Os sociólogos Ali Kamel (“Não Somos Racistas”) e Demétrio Magnoli (“Uma Gota de Sangue”) sustentam, baseados em ampla pesquisa, que o Brasil não é racista. É evidente que há atitudes racistas no país, camufladas ou não, mas o país em si não é racista. Não há perseguições deliberadas aos negros. Assim, determinados projetos, supostamente anti-racistas, podem acabar por fortalecer ou potencializar sentimentos racistas. A criação de um racismo institucional, decorrente de um amplo sistema de cotas, pode acabar por gestar um racismo das ruas. Uma guetização dos negros.
O movimento negro tem todo o direito de denunciar comportamentos racistas e, também, de defender mais espaço para os negros na sociedade. Mas na questão das cotas raciais talvez seja necessário refletir um pouco mais. Por que não criar, como sugere o senador Demóstenes Torres (DEM) — que felizmente tem coragem de enfrentar uma questão espinhosa, que, mal digerida ou usada com má-fé, pode tomar-lhe votos —, cotas sociais, em vez de raciais? As cotas raciais atendem diretamente os negros. Mas tendem a excluir brancos e pardos. A maioria dos pobres não é negra, embora muitos pobres sejam negros. Pode-se dizer que a cota racial é inclusiva e, ao mesmo tempo, excludente. Porque, se inclui os negros — a definição de quem é negro no Brasil é sempre delicada, tanto que algumas universidades, como a Universidade de Brasília (UnB), tiveram dificuldades nos seus vestibulares (numa família, um jovem foi beneficiado, por ter sido considerado negro, mas seu irmão gêmeo não foi considerado negro) —, exclui os brancos e pardos pobres.
Um artigo de pessoas contrárias ao Estatuto.
Editorial
A luta do movimento negro é justificada, mas é preciso refletir a respeito de prioridades. As cotas sociais, que atenderiam negros, pardos e brancos pobres, são mais inclusivas do que a cota racial
Sob pressão da sociedade, governantes foram obrigados a criar uma legislação para proteger e acolher negros, porque o racismo adquiriu matizes profundos nos Estados Unidos. Sem um amparo rigoroso, os negros do país de Barack Obama continuariam sendo massacrados. Era um caso de vida ou morte. No magnífico romance “Homem Invisível”, Ralph Ellison, maior escritor negro dos EUA, comparável a qualquer outro escritor branco americano, como William Faulkner e Cormac McCarthy, dissecou, com mestria, o que é ser negro na terra de James Baldwin e Richard Wright. Quase ninguém queria vê-lo e integrá-lo — daí sua invisibilidade. As ações afirmativas e as leis rigorosas não acabaram, porém, com o racismo; em alguns casos, serviram para reforçá-lo. Mas eram mesmo necessárias. Porque, em alguns casos, apenas cadeia, a punição legal, pode conter a violência contra negros. A Ku Klux Klan foi destruída não necessariamente pela modernização da economia, e sim pelos rigores da lei, pela democratização efetiva da sociedade. Pois bem: o Brasil é igual aos Estados Unidos? Não é. Pelo contrário, estudiosos americanos ficam impressionados com a convivência relativamente pacífica do caldeirão racial brasileiro — no qual a mistura de pessoas de cores diferentes não é problema. Os sociólogos Ali Kamel (“Não Somos Racistas”) e Demétrio Magnoli (“Uma Gota de Sangue”) sustentam, baseados em ampla pesquisa, que o Brasil não é racista. É evidente que há atitudes racistas no país, camufladas ou não, mas o país em si não é racista. Não há perseguições deliberadas aos negros. Assim, determinados projetos, supostamente anti-racistas, podem acabar por fortalecer ou potencializar sentimentos racistas. A criação de um racismo institucional, decorrente de um amplo sistema de cotas, pode acabar por gestar um racismo das ruas. Uma guetização dos negros.
O movimento negro tem todo o direito de denunciar comportamentos racistas e, também, de defender mais espaço para os negros na sociedade. Mas na questão das cotas raciais talvez seja necessário refletir um pouco mais. Por que não criar, como sugere o senador Demóstenes Torres (DEM) — que felizmente tem coragem de enfrentar uma questão espinhosa, que, mal digerida ou usada com má-fé, pode tomar-lhe votos —, cotas sociais, em vez de raciais? As cotas raciais atendem diretamente os negros. Mas tendem a excluir brancos e pardos. A maioria dos pobres não é negra, embora muitos pobres sejam negros. Pode-se dizer que a cota racial é inclusiva e, ao mesmo tempo, excludente. Porque, se inclui os negros — a definição de quem é negro no Brasil é sempre delicada, tanto que algumas universidades, como a Universidade de Brasília (UnB), tiveram dificuldades nos seus vestibulares (numa família, um jovem foi beneficiado, por ter sido considerado negro, mas seu irmão gêmeo não foi considerado negro) —, exclui os brancos e pardos pobres.
A TESOURA DE DEMÓSTENES E O ESTATUTO
Retirado do site do Géledes.
Em Debate
O parecer do senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás) transformou o projeto do Estatuto da Igualdade Racial, apresentado em 2003 pelo Senador Paulo Paim como o texto legal capaz de sintetizar as principais reivindicações da população negra brasileira, em um monstrengo irreconhecível, um "frankstein".
O que nasceu para ser uma segunda Lei da Abolição - destinado a dar o conteúdo que faltou à primeira - tornou-se um "frankstein": feio por fora e pior ainda por dentro, dadas as intenções e propósitos inconfessáveis dos que manobram nos bastidores pela sua aprovação.
A desconstrução do projeto começa no artigo 1º com a supressão do objetivo do Estatuto: "combater a discriminação racial e as desigualdades estruturais e de gênero que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas e outras ações desenvolvidas pelo Estado".
Também de saída, já no artigo 1º, o senador goiano rejeita o termo "população negra" recusando a classificação do IBGE que define os brasileiros como pretos, pardos, amarelos, brancos e indígenas. Demóstenes invoca para si o direito de dizer quem é afro-brasileiro: "as pessoas que se classificam como tais ou como negros, pretos, pardos ou por definição análoga".
O senador goiano, como é sabido, pertence ao Democratas - o Partido que representa os interesses dos grandes ruralistas e fazendeiros. Natural, portanto, que fuja como o diabo da cruz da questão quilombola - uma pedra no sapato dos herdeiros dos donos da Casa Grande.
A tesoura
A tesoura de Demóstenes risca do projeto de Estatuto o termo "terras de quilombos". Mas não fica por aí. Coerente com o discurso feito na audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal, em março, que discutiu a questão das ações afirmativas e cotas, quando pretendeu fazer a revisão da história do Brasil para dizer que os casos de estupro durante o escravismo haviam sido consentidos pelas mulheres negras, o senador passa a tesoura em todo o dispositivo que garantia que as medidas de ação afirmativa deveriam se nortear "pelo respeito à proporcionalidade entre homens e mulheres afro-brasileiros, com vistas a garantir a plena participação da mulher afro-brasileira como beneficiária deste Estatuto"
Em Debate
O parecer do senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás) transformou o projeto do Estatuto da Igualdade Racial, apresentado em 2003 pelo Senador Paulo Paim como o texto legal capaz de sintetizar as principais reivindicações da população negra brasileira, em um monstrengo irreconhecível, um "frankstein".
O que nasceu para ser uma segunda Lei da Abolição - destinado a dar o conteúdo que faltou à primeira - tornou-se um "frankstein": feio por fora e pior ainda por dentro, dadas as intenções e propósitos inconfessáveis dos que manobram nos bastidores pela sua aprovação.
A desconstrução do projeto começa no artigo 1º com a supressão do objetivo do Estatuto: "combater a discriminação racial e as desigualdades estruturais e de gênero que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas e outras ações desenvolvidas pelo Estado".
Também de saída, já no artigo 1º, o senador goiano rejeita o termo "população negra" recusando a classificação do IBGE que define os brasileiros como pretos, pardos, amarelos, brancos e indígenas. Demóstenes invoca para si o direito de dizer quem é afro-brasileiro: "as pessoas que se classificam como tais ou como negros, pretos, pardos ou por definição análoga".
O senador goiano, como é sabido, pertence ao Democratas - o Partido que representa os interesses dos grandes ruralistas e fazendeiros. Natural, portanto, que fuja como o diabo da cruz da questão quilombola - uma pedra no sapato dos herdeiros dos donos da Casa Grande.
A tesoura
A tesoura de Demóstenes risca do projeto de Estatuto o termo "terras de quilombos". Mas não fica por aí. Coerente com o discurso feito na audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal, em março, que discutiu a questão das ações afirmativas e cotas, quando pretendeu fazer a revisão da história do Brasil para dizer que os casos de estupro durante o escravismo haviam sido consentidos pelas mulheres negras, o senador passa a tesoura em todo o dispositivo que garantia que as medidas de ação afirmativa deveriam se nortear "pelo respeito à proporcionalidade entre homens e mulheres afro-brasileiros, com vistas a garantir a plena participação da mulher afro-brasileira como beneficiária deste Estatuto"
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DEBATE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS SOBRE DESENVOLVIMENTO DA MÍDIA
Retirado do site da ABONG.
Notícias
Indicadores sobre desenvolvimento da mídia serão debatidos em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/indicadores-sobre-desenvolvimento-da-midia-serao-debatidos-em-audiencia-na-comissao-de-direitos-humanos-da-camara
Brasília(DF) – A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados realizará, nesta quarta-feira (23), a partir de 14h, audiência pública sobre o tema “Indicadores de Desenvolvimento de Mídia”.
A atividade, que ocorrerá no plenário 9 da Câmara, servirá também como lançamento de publicação sobre o tema, elaborada pelo Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC) da Unesco.
A deputada Iriny Lopes (PT-ES), presidente da CDHM e autora do requerimento para a realização da audiência pública, ressalta a importância desse debate, ainda mais no contexto pós-Confecom.
“O debate sobre a democratização da comunicação e a promoção direito humano à comunicação tem ganhado força a cada ano e iniciativas como esta, da Unesco, contribuem muito para o avanço desse processo. Com a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, é importante que o poder público disponha de subsídios que facilitem a elaboração e a implementação das políticas públicas nesta área, e o trabalho da Unesco e seus parceiros sobre indicadores para o desenvolvimento da mídia é um exemplo disso”, afirmou a parlamentar.
Confira os expositores convidados para a audiência pública:
- Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (PFDC/MPF);
- Cláudia de Abreu - Jornalista e Diretora da TV Comunitária de Niterói(RJ);
- Guilherme Canela - Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO e
- José Carlos dos Santos e Félix Garcia Lopez Júnior, representantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A publicação a ser lançada na audiência, com o título “Indicadores de Desenvolvimento da Mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação” é a versão em português de “Media development indicators: a framework for assessing media development”, lançada em 2008, e está disponível para download no site de publicações da Unesco:
http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf
Acompanhe a CDHM no Twitter: http://twitter.com/cdhcamara
Notícias
Indicadores sobre desenvolvimento da mídia serão debatidos em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/indicadores-sobre-desenvolvimento-da-midia-serao-debatidos-em-audiencia-na-comissao-de-direitos-humanos-da-camara
Brasília(DF) – A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados realizará, nesta quarta-feira (23), a partir de 14h, audiência pública sobre o tema “Indicadores de Desenvolvimento de Mídia”.
A atividade, que ocorrerá no plenário 9 da Câmara, servirá também como lançamento de publicação sobre o tema, elaborada pelo Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação (IPDC) da Unesco.
A deputada Iriny Lopes (PT-ES), presidente da CDHM e autora do requerimento para a realização da audiência pública, ressalta a importância desse debate, ainda mais no contexto pós-Confecom.
“O debate sobre a democratização da comunicação e a promoção direito humano à comunicação tem ganhado força a cada ano e iniciativas como esta, da Unesco, contribuem muito para o avanço desse processo. Com a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, é importante que o poder público disponha de subsídios que facilitem a elaboração e a implementação das políticas públicas nesta área, e o trabalho da Unesco e seus parceiros sobre indicadores para o desenvolvimento da mídia é um exemplo disso”, afirmou a parlamentar.
Confira os expositores convidados para a audiência pública:
- Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (PFDC/MPF);
- Cláudia de Abreu - Jornalista e Diretora da TV Comunitária de Niterói(RJ);
- Guilherme Canela - Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO e
- José Carlos dos Santos e Félix Garcia Lopez Júnior, representantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A publicação a ser lançada na audiência, com o título “Indicadores de Desenvolvimento da Mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação” é a versão em português de “Media development indicators: a framework for assessing media development”, lançada em 2008, e está disponível para download no site de publicações da Unesco:
http://unesdoc.unesco.org/images/0016/001631/163102por.pdf
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BOLSA FAMÍLIA E AÇÃO ANTI-HIV SÃO EXEMPLOS
Retirado do site do PNUD.
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LUIZ GAMA: O PRECURSOR DO ABOLICIONSIMO NO BRASIL
Retirado do blog CEN.
Em 21 de junho de 1830 nascia o grande líder abolicionista Luiz Gama. Apesar da importante contribuição que deu à causa da libertação dos escravos, o que faria dele um dos principais heróis do povo brasileiro, seu nome e feitos continuam praticamente desconhecidos.
Por Augusto Buonicore
Filho de Luiza Mahin, uma africana nagô que era líder do seu povo, e de um fidalgo português. Nasceu livre, mas foi vendido como escravo pelo próprio pai quando tinha apenas 10 anos de idade. Fugiu do cativeiro e ganhou o mundo. Mesmo sem ter diploma universitário, se destacou como grande defensor da causa da liberdade. Sua ação abnegada nos tribunais garantiu a libertação de mais de quinhentos escravos.
Utilizava-se das brechas existentes nas próprias leis escravistas, que não eram respeitadas pelos fazendeiros. A principal delas era a de 1831, pela qual foram declarados livres todos
os escravos que ingressassem no país após aquela data.
Na verdade, esta havia sido uma lei “para inglês ver” e jamais foi aplicada pelas autoridades brasileiras. No entanto, como não foi revogada, continuava em vigor. Gama conseguiu provar que muitos dos negros escravizados deveriam, legalmente, ser considerados homens e mulheres livres. Calcula-se que existiam cerca de 500 mil pessoas nessa infame situação.
Se tais ações fossem vitoriosas e se generalizassem poderiam representar um golpe de morte ao sistema escravista brasileiro. O próprio Ministério da Justiça imperial passou a pressionar os juizes para que não concedessem o pleito dos advogados abolicionistas. Luiz Gama escreveu: “Sou detestado pelos figurões da terra, que já me puseram a vida em risco; mas sou estimado em muito pela plebe. Quando fui ameaçado pelos grandes, que hoje encaram-me com respeito, e admiram minha tenacidade, tive a casa rondada e guardada pela gentalha”.
Ele era um político radical e estaria à frente daqueles que fundariam o Partido Republicano. Mas, rapidamente, se desentendeu com a maioria conservadora da nova organização. A principal divergência deu-se, justamente, em torno das propostas de abolição dos escravos. Os republicanos ligados aos grandes fazendeiros pregavam uma abolição gradual, com clausulas de permanência do trabalhador no município e indenização aos proprietários. Gama, pelo contrário, defendia a libertação imediata, sem condições e sem indenização. Escreveu ele: “Aos positivistas da macia escravidão, eu anteponho o das revoluções da liberdade; quero ser louco como John Brown, como Espártacus, como Lincoln, como Jesus; detesto, porém, a calma farisaica de Pilatos”.
Certa vez, quatro escravos mataram um fazendeiro e se entregaram à polícia. Logo em seguida, foram linchados por “populares” incitados por escravocratas, com a complacência das autoridades locais. Luís Gama, indignado com a chacina, afirmou: “Eu, que invejo, com profundo sentimento, esses quatro apóstolos do dever, morreria de nojo, de vergonha, se tivesse a desgraça de achar-me entre essa horda inqualificável de assassinos (...) Miseráveis: ignoram que mais glorioso é morrer livre, em uma forca, ou dilacerado pelos cães na praça pública, do que banquetear-se como os Neros na escravidão”. Esta foi mais uma prova do seu profundo compromisso com a causa dos escravos. Vários abolicionistas menos radicais, como Joaquim Nabuco, se chocavam com afirmações belicosas como essas.

Em 21 de junho de 1830 nascia o grande líder abolicionista Luiz Gama. Apesar da importante contribuição que deu à causa da libertação dos escravos, o que faria dele um dos principais heróis do povo brasileiro, seu nome e feitos continuam praticamente desconhecidos.
Por Augusto Buonicore
Filho de Luiza Mahin, uma africana nagô que era líder do seu povo, e de um fidalgo português. Nasceu livre, mas foi vendido como escravo pelo próprio pai quando tinha apenas 10 anos de idade. Fugiu do cativeiro e ganhou o mundo. Mesmo sem ter diploma universitário, se destacou como grande defensor da causa da liberdade. Sua ação abnegada nos tribunais garantiu a libertação de mais de quinhentos escravos.
Utilizava-se das brechas existentes nas próprias leis escravistas, que não eram respeitadas pelos fazendeiros. A principal delas era a de 1831, pela qual foram declarados livres todos
os escravos que ingressassem no país após aquela data.
Na verdade, esta havia sido uma lei “para inglês ver” e jamais foi aplicada pelas autoridades brasileiras. No entanto, como não foi revogada, continuava em vigor. Gama conseguiu provar que muitos dos negros escravizados deveriam, legalmente, ser considerados homens e mulheres livres. Calcula-se que existiam cerca de 500 mil pessoas nessa infame situação.
Se tais ações fossem vitoriosas e se generalizassem poderiam representar um golpe de morte ao sistema escravista brasileiro. O próprio Ministério da Justiça imperial passou a pressionar os juizes para que não concedessem o pleito dos advogados abolicionistas. Luiz Gama escreveu: “Sou detestado pelos figurões da terra, que já me puseram a vida em risco; mas sou estimado em muito pela plebe. Quando fui ameaçado pelos grandes, que hoje encaram-me com respeito, e admiram minha tenacidade, tive a casa rondada e guardada pela gentalha”.
Ele era um político radical e estaria à frente daqueles que fundariam o Partido Republicano. Mas, rapidamente, se desentendeu com a maioria conservadora da nova organização. A principal divergência deu-se, justamente, em torno das propostas de abolição dos escravos. Os republicanos ligados aos grandes fazendeiros pregavam uma abolição gradual, com clausulas de permanência do trabalhador no município e indenização aos proprietários. Gama, pelo contrário, defendia a libertação imediata, sem condições e sem indenização. Escreveu ele: “Aos positivistas da macia escravidão, eu anteponho o das revoluções da liberdade; quero ser louco como John Brown, como Espártacus, como Lincoln, como Jesus; detesto, porém, a calma farisaica de Pilatos”.
Certa vez, quatro escravos mataram um fazendeiro e se entregaram à polícia. Logo em seguida, foram linchados por “populares” incitados por escravocratas, com a complacência das autoridades locais. Luís Gama, indignado com a chacina, afirmou: “Eu, que invejo, com profundo sentimento, esses quatro apóstolos do dever, morreria de nojo, de vergonha, se tivesse a desgraça de achar-me entre essa horda inqualificável de assassinos (...) Miseráveis: ignoram que mais glorioso é morrer livre, em uma forca, ou dilacerado pelos cães na praça pública, do que banquetear-se como os Neros na escravidão”. Esta foi mais uma prova do seu profundo compromisso com a causa dos escravos. Vários abolicionistas menos radicais, como Joaquim Nabuco, se chocavam com afirmações belicosas como essas.
COMPARAÇÃO ENTRE PAÍSES VALORIZA IDH
Retirado do site do PNUD.
Com quase 20 anos, Índice de Desenvolvimento Humano segue útil mesmo com maior disponibilidade de indicadores, diz pesquisador
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Quase 20 anos depois de ter sido criado, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) continua sendo útil — mesmo após a disseminação da internet e a difusão de inúmeros indicadores nacionais e internacionais, defende Francisco Rodriguez, chefe da equipe de pesquisa do Escritório para o Relatório de Desenvolvimento Humano, do PNUD. Em um post intitulado Ainda precisamos mesmo do IDH?, ele destaca que a principal vantagem de um indicador como esse é permitir “comparar países em uma escala única”.
O IDH “aborda uma necessidade que vai existir enquanto o mundo continuar a se caracterizar por um fosso imenso no desenvolvimento: a necessidade de avaliar nosso progresso em tornar as pessoas livres para levar o tipo de vida que elas valorizam”, escreve Rodriguez.
O IDH “aborda uma necessidade que vai existir enquanto o mundo continuar a se caracterizar por um fosso imenso no desenvolvimento: a necessidade de avaliar nosso progresso em tornar as pessoas livres para levar o tipo de vida que elas valorizam”, escreve Rodriguez.
Isso não quer dizer que o índice seja perfeito. Ele não capta todas as dimensões do desenvolvimento humano, por exemplo. De qualquer modo, há espaço para aperfeiçoamentos. No Relatório de Desenvolvimento Humano 2010, a ser publicado em outubro, o IDH será incrementado para “levar em conta a disponibilidade de novas informações e responder a alguns de seus críticos”, escreve o pesquisador. E será apresentado ao lado de uma nova tabela de indicadores de desenvolvimento humano.
O índice foi criado em 1990, por economistas liderados pelo paquistanês Mahbub ul Haq e pelo indiano Amartya Sen, como forma de se contrapor ao PIB (Produto Interno Bruto) per capita. O conceito por trás dessa contraposição é que o desenvolvimento não se restringe a renda — por isso, além desse aspecto o IDH abrange também educação e longevidade. “O IDH era moderno e inovador. Ainda que não tenha sido o primeiro uso de índices agregados para mensurar as condições de uma nação (...), foi a primeira tentativa abrangente de avaliar e ranquear cerca de 100 países, com atualização periódica e o apoio de uma organização internacional”, destaca o pesquisador do PNUD.
Rodriguez ressalva que atualmente, “na era do Twitter e da Wikipedia”, ninguém precisa de uma organização internacional para encontrar indicadores sobre seu país. Além disso, nesses 20 anos houve uma proliferação de índices, cobrindo um grande número de fenômenos. Nesse cenário, a utilidade do IDH repousa principalmente na possibilidade que abre para comparar países, argumenta o autor. E exemplifica: “A Costa Rica tem menos da metade da renda per capita da Arábia Saudita, mas no IDH está seis posições à frente. E a Tunísia tem aproximadamente um terço da taxa de crescimento da China, mas em termos de IDH os dois países têm melhorado na mesma magnitude.”
É essa capacidade de comparar, argumenta Rodriguez, que permite ao IDH ajudar a responder perguntas básicas como “quais são os países mais desenvolvidos do mundo?”, “meu país está se desenvolvendo?”, “como ele se sai em comparação com os outros?”.
Rodriguez ressalva que atualmente, “na era do Twitter e da Wikipedia”, ninguém precisa de uma organização internacional para encontrar indicadores sobre seu país. Além disso, nesses 20 anos houve uma proliferação de índices, cobrindo um grande número de fenômenos. Nesse cenário, a utilidade do IDH repousa principalmente na possibilidade que abre para comparar países, argumenta o autor. E exemplifica: “A Costa Rica tem menos da metade da renda per capita da Arábia Saudita, mas no IDH está seis posições à frente. E a Tunísia tem aproximadamente um terço da taxa de crescimento da China, mas em termos de IDH os dois países têm melhorado na mesma magnitude.”
É essa capacidade de comparar, argumenta Rodriguez, que permite ao IDH ajudar a responder perguntas básicas como “quais são os países mais desenvolvidos do mundo?”, “meu país está se desenvolvendo?”, “como ele se sai em comparação com os outros?”.
NEGRO É RETRATADO EM EXPOSIÇÃO
Retirado do site Norte.net.
19/06/2010
Michelle Tondineli
Repórter
Domingo será o último dia da exposição do artista plástico Telêmaco Uga. O vendedor de Cafezinho retrata o dia-a-dia dos negros baianos e a única coisa comum a todos, o cafezinho. De acordo com Telêmaco, estudar jornalismo e estar trabalhando há 10 anos com arte é apenas o começo da transmissão de sentimentos.
- Trabalho com cinegrafia e fazia isso em Salvador. Eu fiz uma exposição em São Romão e o pessoal do centro cultural viu e gostou. Daí surgiu a oportunidade para expor aqui. Esta exposição retrata o vendedor de cafezinho. Em busca de inclusão social, ele vendia com uma caixinha. Isso era costume na Bahia. Eu fiz um quadro e o meu professor de artes na Bahia sugeriu que eu fizesse uma série - diz.
Telêmaco destaca a rotina do rapaz do cafezinho.
- Ele faz uma troca com as pessoas, a do acarajé, troca o cigarro, jogando bola, e tem o concurso do carrinho mais bonito, da diferença de um com o outro. É um pessoal humilde, do subúrbio, pobre, é um folclore. Independente da classe social, todos tomam um cafezinho, é o que fica presente na vida - afirma.
O artista diz que gosta de explorar várias cores. No processo de criação, primeiro ele faz a imagem no papel para depois colocá-la no quadro.
- Esta exposição tem 13 quadros, entre eles xilogravura, papel artesanal de folha de banana, tecido de jeans e quadros - diz.
O vendedor de cafezinho, segundo Telêmaco Uga, é especial porque sempre promove a amizade e um bom relacionamento com as pessoas.
- Acredito que o meu trabalho está enriquecendo a cidade, porque quero que as pessoas reflitam sobre o dia-a-dia. As pessoas falam muito, mas não agem nada. Trabalho com artesanato, cerâmica e papel machê, mas não dá para viver só disso, temos que ter outras funções. Em meus quadros quero passar uma mensagem e não apenas decoração. Os turistas gostam da imagem do negro retratada nos quadros. Um quadro significativo foi dos negros sendo ferrados como se ferra gado, e o barão apenas olhando. O que interessa é fazer uma arte e seguir o nosso caminho de uma maneira diferente - afirma.
No 2º semestre, Telêmaco pretende expor a série que retrata o comportamento humano, com cerca de 20 quadros.
- É uma exposição de pintura moderna. Em cima do comportamento humano, o cidadão se incluiu oficialmente. Se observarmos, nós vivemos na 3ª pessoa, e quimicamente. Deus que faz tudo e o ser humano precisa se enxergar mais. A mulher que ele estupra e engravida joga o feto no esgoto, é bem meu estilo. Uma pintura moderna. É oposto em termo de traços. Eu defino o meu estilo figurativo, me preocupo em colocar a tinta na tela e definir os meus traços no momento. Tem quadro que pinto em duas horas, tem quadro que demoro meses. Depende muito. Sempre fui muito irresponsável, então não tive o costume de catalogar meus trabalhos, mas vendi muito para turistas europeus e para as galerias locais - finaliza.
Outras informações telemacouga@yahoo.com.br ou
(38) 9971-3258
(38) 9971-3258
19/06/2010
Michelle Tondineli
Repórter
Domingo será o último dia da exposição do artista plástico Telêmaco Uga. O vendedor de Cafezinho retrata o dia-a-dia dos negros baianos e a única coisa comum a todos, o cafezinho. De acordo com Telêmaco, estudar jornalismo e estar trabalhando há 10 anos com arte é apenas o começo da transmissão de sentimentos.- Trabalho com cinegrafia e fazia isso em Salvador. Eu fiz uma exposição em São Romão e o pessoal do centro cultural viu e gostou. Daí surgiu a oportunidade para expor aqui. Esta exposição retrata o vendedor de cafezinho. Em busca de inclusão social, ele vendia com uma caixinha. Isso era costume na Bahia. Eu fiz um quadro e o meu professor de artes na Bahia sugeriu que eu fizesse uma série - diz.
Telêmaco destaca a rotina do rapaz do cafezinho.
- Ele faz uma troca com as pessoas, a do acarajé, troca o cigarro, jogando bola, e tem o concurso do carrinho mais bonito, da diferença de um com o outro. É um pessoal humilde, do subúrbio, pobre, é um folclore. Independente da classe social, todos tomam um cafezinho, é o que fica presente na vida - afirma.
O artista diz que gosta de explorar várias cores. No processo de criação, primeiro ele faz a imagem no papel para depois colocá-la no quadro.
- Esta exposição tem 13 quadros, entre eles xilogravura, papel artesanal de folha de banana, tecido de jeans e quadros - diz.
O vendedor de cafezinho, segundo Telêmaco Uga, é especial porque sempre promove a amizade e um bom relacionamento com as pessoas.
- Acredito que o meu trabalho está enriquecendo a cidade, porque quero que as pessoas reflitam sobre o dia-a-dia. As pessoas falam muito, mas não agem nada. Trabalho com artesanato, cerâmica e papel machê, mas não dá para viver só disso, temos que ter outras funções. Em meus quadros quero passar uma mensagem e não apenas decoração. Os turistas gostam da imagem do negro retratada nos quadros. Um quadro significativo foi dos negros sendo ferrados como se ferra gado, e o barão apenas olhando. O que interessa é fazer uma arte e seguir o nosso caminho de uma maneira diferente - afirma.
No 2º semestre, Telêmaco pretende expor a série que retrata o comportamento humano, com cerca de 20 quadros.
- É uma exposição de pintura moderna. Em cima do comportamento humano, o cidadão se incluiu oficialmente. Se observarmos, nós vivemos na 3ª pessoa, e quimicamente. Deus que faz tudo e o ser humano precisa se enxergar mais. A mulher que ele estupra e engravida joga o feto no esgoto, é bem meu estilo. Uma pintura moderna. É oposto em termo de traços. Eu defino o meu estilo figurativo, me preocupo em colocar a tinta na tela e definir os meus traços no momento. Tem quadro que pinto em duas horas, tem quadro que demoro meses. Depende muito. Sempre fui muito irresponsável, então não tive o costume de catalogar meus trabalhos, mas vendi muito para turistas europeus e para as galerias locais - finaliza.
Outras informações telemacouga@yahoo.com.br ou
(38) 9971-3258
(38) 9971-3258
ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL É ALVO DE CRÍTICAS DO MOVIMENTO NEGRO
Retirado do site Diário de Teresópolis.
Teresópolis, 23 de junho de 2010
- Foram retirados do texto diversos pontos da proposta original que tramitava há 6 anos
Marcus Wagner
O Estatuto de Igualdade Racial aprovado no dia 16, desagradou a muitos militantes dos direitos dos negros. A retirada de alguns itens da proposta original, que tramitava há quase 7 anos no Congresso Nacional foi o motivo de inúmeras reclamações. A advogada Rosa Maria de Lima, fundadora do MOCABTE, Movimento de Cultura Afro-Brasileira de Teresópolis, definiu o resultado como uma grande perda: “Para o movimento negro organizado representa um retrocesso demonstrando que os escravocratas que ainda estão no poder tem toda força do mundo. Não consideramos uma derrota, mas não é um avanço. Depois de ver tudo que aconteceu, verifico que, de 1888 até agora, nada praticamente mudou, mas não nos esmorece. Consideramos um retrocesso para poder a luta continuar” declarou.
Segunda Rosa Maria, os pontos básicos e principais são as terras quilombolas, as cotas e as ações afirmativas de um modo em geral. Ela se queixa que quando se fala em cotas para negros que abrangem a questão da educação sempre é negado. Ela afirma que a educação para os negros é um problema: “Eu tomei dinheiro emprestado, eu vendi carro, só não me prostituí para ver meus filhos formados em curso superior. As cotas eram tudo o que queríamos. Os políticos que negaram são de origem de famílias escravocratas. Tuma e Sarney fizeram todo um trabalho para dizer ‘não’, nos negar o que é importante. Na África do Sul, os negros estão se emancipando economicamente através da educação, eles ascendem. Lá e aqui ainda não foram resolvidos os problemas do Apartheid e da escravidão”.
A advogada acredita que se houvesse mais senadores e deputados negros, o texto seria aprovado sem alterações: “Os pobres e os negros precisam ascender. Nossa luta é pela igualdade real. Precisamos trocar presídios por escolas e faculdades”, declarou.
Teresópolis, 23 de junho de 2010
- Foram retirados do texto diversos pontos da proposta original que tramitava há 6 anos
Marcus Wagner
O Estatuto de Igualdade Racial aprovado no dia 16, desagradou a muitos militantes dos direitos dos negros. A retirada de alguns itens da proposta original, que tramitava há quase 7 anos no Congresso Nacional foi o motivo de inúmeras reclamações. A advogada Rosa Maria de Lima, fundadora do MOCABTE, Movimento de Cultura Afro-Brasileira de Teresópolis, definiu o resultado como uma grande perda: “Para o movimento negro organizado representa um retrocesso demonstrando que os escravocratas que ainda estão no poder tem toda força do mundo. Não consideramos uma derrota, mas não é um avanço. Depois de ver tudo que aconteceu, verifico que, de 1888 até agora, nada praticamente mudou, mas não nos esmorece. Consideramos um retrocesso para poder a luta continuar” declarou.
Segunda Rosa Maria, os pontos básicos e principais são as terras quilombolas, as cotas e as ações afirmativas de um modo em geral. Ela se queixa que quando se fala em cotas para negros que abrangem a questão da educação sempre é negado. Ela afirma que a educação para os negros é um problema: “Eu tomei dinheiro emprestado, eu vendi carro, só não me prostituí para ver meus filhos formados em curso superior. As cotas eram tudo o que queríamos. Os políticos que negaram são de origem de famílias escravocratas. Tuma e Sarney fizeram todo um trabalho para dizer ‘não’, nos negar o que é importante. Na África do Sul, os negros estão se emancipando economicamente através da educação, eles ascendem. Lá e aqui ainda não foram resolvidos os problemas do Apartheid e da escravidão”.
A advogada acredita que se houvesse mais senadores e deputados negros, o texto seria aprovado sem alterações: “Os pobres e os negros precisam ascender. Nossa luta é pela igualdade real. Precisamos trocar presídios por escolas e faculdades”, declarou.
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MINISTRO ESTUDA CRIAR REGRA SOBRE COTAS SEM PASSAR PELO CONGRESSO
Retirado do site Rio Grande FM.
22 de junho de 2010
Congresso aprovou estatuto da igualdade racial, mas deixou cotas de fora. Eloi Araujo, da Igualdade Racial, diz que Lula sanciona estatuto em 20 dias.
Foto: Divulgação Legenda: De acordo com Araujo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar o estatuto em 20 dias
O governo federal estuda criar uma regulamentação para o sistema de cotas para negros em universidades sem que o tema passe por discussão no Congresso, segundo o ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo.
De acordo com o ministro, o recém-aprovado Estatuto da Igualdade Racial possibilita que a regulamentação ocorra sem que uma lei sobre o tema seja discutida e aprovada pelos congressistas.
Na última quarta-feira (16), o Senado aprovou o estatuto, mas deixou de lado as cotas raciais, tema que gera divergência no próprio Congresso e na sociedade civil.
Na avaliação do ministro, o texto do estatuto prevê que sejam criadas ações afirmativas. Para ele, as cotas estão entre essas ações.
"Tem um projeto de lei que tramita no Senado, que trata da política de cotas especificamente. Agora nossa opinião é que, porque esse estatuto diz no capítulo da educação que o Poder Executivo deverá adotar ações afirmativas, isso dá ao Poder Executivo a condição de regulamentar essa política. Ações afirmativas para efeito desse estatuto consideram-se ações e medidas especiais adotadas pelo Estado e pela iniciativa privada para correção das desigualdades. Ação afirmativa é um instituto 'guarda-chuva'. Cotas é espécie, ação afirmativa é gênero. As cotas estão dentro das ações afirmativas."
Questionado se o tema não teria que passar por discussão no Congresso, o ministro afirmou: "Não precisa passar pelo Congresso porque o texto da lei assim nos dirige, diz que é possível fazer. Esse estatuto (da Igualdade Racial) é apenas extraordinário."
De acordo com Araujo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar o estatuto em 20 dias. "(A partir da sanção) estaremos dialogando com a subsecretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República para estabelecermos como regulamentar os dispositivos dessa natureza. Nosso juízo é que é possível agora estabelecer a implementação das cotas porque existe uma lei que diz que podemos fazê-lo e diz que o governo deve adotar ações afirmativas na educação."
A reportagem interrogou se a regulamentação poderia ocorrer por meio de um decreto, mas o ministro disse que é preciso aguardar a sanção para começar essa discussão.
22 de junho de 2010

Congresso aprovou estatuto da igualdade racial, mas deixou cotas de fora. Eloi Araujo, da Igualdade Racial, diz que Lula sanciona estatuto em 20 dias.
Foto: Divulgação Legenda: De acordo com Araujo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar o estatuto em 20 dias
O governo federal estuda criar uma regulamentação para o sistema de cotas para negros em universidades sem que o tema passe por discussão no Congresso, segundo o ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo.
De acordo com o ministro, o recém-aprovado Estatuto da Igualdade Racial possibilita que a regulamentação ocorra sem que uma lei sobre o tema seja discutida e aprovada pelos congressistas.
Na última quarta-feira (16), o Senado aprovou o estatuto, mas deixou de lado as cotas raciais, tema que gera divergência no próprio Congresso e na sociedade civil.
Na avaliação do ministro, o texto do estatuto prevê que sejam criadas ações afirmativas. Para ele, as cotas estão entre essas ações.
"Tem um projeto de lei que tramita no Senado, que trata da política de cotas especificamente. Agora nossa opinião é que, porque esse estatuto diz no capítulo da educação que o Poder Executivo deverá adotar ações afirmativas, isso dá ao Poder Executivo a condição de regulamentar essa política. Ações afirmativas para efeito desse estatuto consideram-se ações e medidas especiais adotadas pelo Estado e pela iniciativa privada para correção das desigualdades. Ação afirmativa é um instituto 'guarda-chuva'. Cotas é espécie, ação afirmativa é gênero. As cotas estão dentro das ações afirmativas."
Questionado se o tema não teria que passar por discussão no Congresso, o ministro afirmou: "Não precisa passar pelo Congresso porque o texto da lei assim nos dirige, diz que é possível fazer. Esse estatuto (da Igualdade Racial) é apenas extraordinário."
De acordo com Araujo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar o estatuto em 20 dias. "(A partir da sanção) estaremos dialogando com a subsecretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República para estabelecermos como regulamentar os dispositivos dessa natureza. Nosso juízo é que é possível agora estabelecer a implementação das cotas porque existe uma lei que diz que podemos fazê-lo e diz que o governo deve adotar ações afirmativas na educação."
A reportagem interrogou se a regulamentação poderia ocorrer por meio de um decreto, mas o ministro disse que é preciso aguardar a sanção para começar essa discussão.
FESTIVAL DA MULHER AFRO LATINO AMERICANA E CARIBENHA
Retirado do blog GRIÔ produções.
A Griô Produções, em parceria com o Fórum de Mulheres Negras do DF e com a Universidade de Brasília, realizam mais uma edição do Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, Latinidades, de 22 a 25 de julho no Museu da República.
O festival é oportunidade para consolidar uma data muito importante para as mulheres negras: o Dia Internacional da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, criado em 1992.
O tema do festival em 2010 é o Censo, sob o slogan: “Não deixe sua cor passar em branco” e em cada mesa do seminário será discutida a importância da auto-declaraçã o para a formulação de políticas públicas voltadas para as mulheres negras.
O evento é uma ação afirmativa por empoderamento e melhores condições para as mulheres negras da América Latina e Caribe e, portanto, agrega embaixadas, produtoras, meios de comunciação, movimento s sociais, instituições diversas, partidos políticos, Universidade de Brasília, Entidades Governamentais, Rede Afrolatina, entre outras parceiras. Em três dias latinidades apresenta seminários, apresentações culturais e uma feira afro.
Entre as artistas cotadas para a edição 2010 estão Thalma de Freitas, Paula Lima, Nós Negras, Martinha do Coco e Ellen Oléria, além de grande roda de capoeira, discotecagem e apresentação de basquete de rua, proporcionada pela CUFA-DF.
Em breve será divulgada programaçã o e lista de parcerias detalhadas!
Acompanhe as novidades no WWW.grioproducoes. blogspot. com
Programação Geral
22 de julho – Cerimônia de Abertura. Tema: Censo 2010 “Não deixe sua cor passar em branco”.
23 de julho – Seminário Mulheres na Política e Saúde da População Negra
24 de julho – Seminário Mulheres na Educação e Mulheres na Cultura
25 de julho – Apresentações culturais e feira afro
Assista aos vídoes produzidos pela Griô Produções com mulheres engras durante a II Conapir:
EDNA ROLAND
http://www.youtube.com/watch?v=HRWPGMtnINM&feature=player_embedded
VERA FIRPIANO
http://www.youtube.com/watch?v=Vj3IOcGAdzA&feature=player_embedded
SUELI CHAN
http://www.youtube.com/watch?v=eV8FHYY6Vv4&feature=player_embedded
LADY RAP
http://www.youtube.com/watch?v=8DNVtDVYZ-U&feature=player_embedded
Jaqueline Fernandes
61-8571 4531
61-8571 4531
Griô Produções
valores que agregam produção
Foto de Alexandra Martins
A Griô Produções, em parceria com o Fórum de Mulheres Negras do DF e com a Universidade de Brasília, realizam mais uma edição do Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, Latinidades, de 22 a 25 de julho no Museu da República.
O festival é oportunidade para consolidar uma data muito importante para as mulheres negras: o Dia Internacional da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, criado em 1992.
O tema do festival em 2010 é o Censo, sob o slogan: “Não deixe sua cor passar em branco” e em cada mesa do seminário será discutida a importância da auto-declaraçã o para a formulação de políticas públicas voltadas para as mulheres negras.
O evento é uma ação afirmativa por empoderamento e melhores condições para as mulheres negras da América Latina e Caribe e, portanto, agrega embaixadas, produtoras, meios de comunciação, movimento s sociais, instituições diversas, partidos políticos, Universidade de Brasília, Entidades Governamentais, Rede Afrolatina, entre outras parceiras. Em três dias latinidades apresenta seminários, apresentações culturais e uma feira afro.
Entre as artistas cotadas para a edição 2010 estão Thalma de Freitas, Paula Lima, Nós Negras, Martinha do Coco e Ellen Oléria, além de grande roda de capoeira, discotecagem e apresentação de basquete de rua, proporcionada pela CUFA-DF.
Em breve será divulgada programaçã o e lista de parcerias detalhadas!
Acompanhe as novidades no WWW.grioproducoes. blogspot. com
Programação Geral
22 de julho – Cerimônia de Abertura. Tema: Censo 2010 “Não deixe sua cor passar em branco”.
23 de julho – Seminário Mulheres na Política e Saúde da População Negra
24 de julho – Seminário Mulheres na Educação e Mulheres na Cultura
25 de julho – Apresentações culturais e feira afro
Assista aos vídoes produzidos pela Griô Produções com mulheres engras durante a II Conapir:
EDNA ROLAND
http://www.youtube.com/watch?v=HRWPGMtnINM&feature=player_embedded
VERA FIRPIANO
http://www.youtube.com/watch?v=Vj3IOcGAdzA&feature=player_embedded
SUELI CHAN
http://www.youtube.com/watch?v=eV8FHYY6Vv4&feature=player_embedded
LADY RAP
http://www.youtube.com/watch?v=8DNVtDVYZ-U&feature=player_embedded
Jaqueline Fernandes
61-8571 4531
61-8571 4531
Griô Produções
valores que agregam produção
domingo, 20 de junho de 2010
ESPÍRITO DE CONCILIAÇÃO
Retirado do site do Jornal Zero Hora.
20 de junho de 2010
N° 16372
EDITORIAIS
Depois de quase sete anos de tramitação e várias modificações, avançou no Congresso o Estatuto da Igualdade Racial, que foi aprovado pelo Senado na semana passada e agora aguarda sanção do presidente da República. O texto não contempla pontos considerados importantes por seus defensores, como a criação de cotas para negros na educação, nos partidos políticos e no serviço público. Mas acata outras sugestões importantes propostas pelo autor do projeto, o senador gaúcho Paulo Paim, como o reconhecimento do livre exercício de cultos religiosos e a obrigatoriedade do estudo, em escolas dos ensinos Fundamental e Médio, de história geral da África e da população negra no Brasil. O mais importante, porém, é que a nova legislação abre caminho para a instituição oficial de políticas de ação afirmativa e de valorização dos negros brasileiros.
Ainda que o tema provoque naturais controvérsias, inclusive de ordem semântica em relação à terminologia utilizada no texto, o fundamental para o país é que esta questão continue sendo debatida à luz da conciliação. Não podemos esquecer o passado, nem ignorar as gritantes diferenças sociais existentes na miscigenada sociedade brasileira. Mas também não será estimulando divisões que poderemos corrigir erros históricos. Vale lembrar, neste momento em que se disputa uma Copa do Mundo na África do Sul, o grande ensinamento do herói nacional daquele país, Nelson Mandela, que sabiamente transformou o ódio gerado por anos de segregação racial numa política de conciliação e tolerância, que garante paz social às atuais gerações.
O Brasil já avançou bastante no respeito à diversidade de sua população, com leis e iniciativas que hoje asseguram direitos a grupos historicamente discriminados – como, por exemplo, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais. Mas o problema da discriminação étnica ainda não está satisfatoriamente resolvido, até mesmo porque é muito difícil promover qualquer debate sobre o tema sem que se evoque o período da escravidão, em que os negros foram inquestionavelmente as maiores vítimas. É inegável que aqueles tristes tempos deixaram sequelas sociais e culturais que ainda hoje dificultam a vida dos descendentes dos escravos, além de manter latente a discriminação. O debate nacional e o exame de leis como o estatuto recentemente aprovado devem ter como principal objetivo a correção dessas deformações.
A busca da igualdade e o combate a qualquer forma de preconceito e discriminação têm que ser objetivos permanentes dos nossos legisladores, pois esta é a vontade inequívoca da população. Tanto que a própria Constituição do país afirma de maneira insofismável que todos os brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Então, cada passo que o país der no sentido da plena igualdade de direitos tem que ser celebrado como uma vitória do espírito de conciliação que une numa mesma identidade brasileiros de todas as origens.
A busca da igualdade e o combate a qualquer forma de preconceito e discriminação têm que ser objetivos permanentes dos nossos legisladores, pois esta é a vontade inequívoca da população.
20 de junho de 2010
N° 16372
EDITORIAIS
Depois de quase sete anos de tramitação e várias modificações, avançou no Congresso o Estatuto da Igualdade Racial, que foi aprovado pelo Senado na semana passada e agora aguarda sanção do presidente da República. O texto não contempla pontos considerados importantes por seus defensores, como a criação de cotas para negros na educação, nos partidos políticos e no serviço público. Mas acata outras sugestões importantes propostas pelo autor do projeto, o senador gaúcho Paulo Paim, como o reconhecimento do livre exercício de cultos religiosos e a obrigatoriedade do estudo, em escolas dos ensinos Fundamental e Médio, de história geral da África e da população negra no Brasil. O mais importante, porém, é que a nova legislação abre caminho para a instituição oficial de políticas de ação afirmativa e de valorização dos negros brasileiros.
Ainda que o tema provoque naturais controvérsias, inclusive de ordem semântica em relação à terminologia utilizada no texto, o fundamental para o país é que esta questão continue sendo debatida à luz da conciliação. Não podemos esquecer o passado, nem ignorar as gritantes diferenças sociais existentes na miscigenada sociedade brasileira. Mas também não será estimulando divisões que poderemos corrigir erros históricos. Vale lembrar, neste momento em que se disputa uma Copa do Mundo na África do Sul, o grande ensinamento do herói nacional daquele país, Nelson Mandela, que sabiamente transformou o ódio gerado por anos de segregação racial numa política de conciliação e tolerância, que garante paz social às atuais gerações.
O Brasil já avançou bastante no respeito à diversidade de sua população, com leis e iniciativas que hoje asseguram direitos a grupos historicamente discriminados – como, por exemplo, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais. Mas o problema da discriminação étnica ainda não está satisfatoriamente resolvido, até mesmo porque é muito difícil promover qualquer debate sobre o tema sem que se evoque o período da escravidão, em que os negros foram inquestionavelmente as maiores vítimas. É inegável que aqueles tristes tempos deixaram sequelas sociais e culturais que ainda hoje dificultam a vida dos descendentes dos escravos, além de manter latente a discriminação. O debate nacional e o exame de leis como o estatuto recentemente aprovado devem ter como principal objetivo a correção dessas deformações.
A busca da igualdade e o combate a qualquer forma de preconceito e discriminação têm que ser objetivos permanentes dos nossos legisladores, pois esta é a vontade inequívoca da população. Tanto que a própria Constituição do país afirma de maneira insofismável que todos os brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Então, cada passo que o país der no sentido da plena igualdade de direitos tem que ser celebrado como uma vitória do espírito de conciliação que une numa mesma identidade brasileiros de todas as origens.
A busca da igualdade e o combate a qualquer forma de preconceito e discriminação têm que ser objetivos permanentes dos nossos legisladores, pois esta é a vontade inequívoca da população.
EXCESSO DE INFORMAÇÃO PROVOCADO PELO AVANÇO DA TECNOLOGIA ALTERA CAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO
Retirado do site do jornal O Globo.
SÃO FRANCISCO - Quando um dos mais importantes e-mails da vida de Kord Campbell chegou à sua caixa de mensagens, simplesmente passou despercebido, Não por um ou dois dias, mas por 12 dias. Ele finalmente viu o recado que uma grande companhia estava interessada em comprar um programa que ele havia desenvolvido.
Perda do foco
Publicada em 14/06/2010
O Globo com The New York Times
SÃO FRANCISCO - Quando um dos mais importantes e-mails da vida de Kord Campbell chegou à sua caixa de mensagens, simplesmente passou despercebido, Não por um ou dois dias, mas por 12 dias. Ele finalmente viu o recado que uma grande companhia estava interessada em comprar um programa que ele havia desenvolvido. - Meu Deus, como é difícil me perdoar por não ter visto antes um e-mail como este - disse ele em entrevista ao " New York Times ".
O e-mail não foi visto apesar de Campbell estar sempre ligado em duas telas de computador, dormir ao lado de seu iPhone, receber mensagens o tempo inteiro, SMS, participar de chats e ser bombardeado o tempo todo por informações variadas.
Depois de se desculpar pela falha e receber seu US$ 1,3 milhão pelo projeto, Campbell continua sofrendo com o excesso de informações que ele e a maioria das pessoas que vivem o dia a dia contemporâneo recebem. Mesmo depois de desligar as máquinas, ele se esquece de combinados para o jantar e tem dificuldades em focar na sua família. Sua mulher, Brenda, reclama:
- Parece que ele não consegue viver momento algum plenamente.
" A superestimulação provoca excitação - e gera a produção de dopamina - que os pesquisadores dizem que pode ser viciante. Na sua ausência, as pessoas sentem-se entediadas "Segundo cientistas, o que acontece com Campbell ocorre com quase todos nós que vivemos os tempos modernos, checando e-mails o tempo todo, recebendo ligações e torpedos de celulares, e sendo abastecido de novidades das mais diferentes fontes. Essa sobrecarga de informações pode mudar a maneira como as pessoas pensam e se comportam, dizem os cientistas. Eles argumentam que nossa habilidade para focar está sendo minada pelo excesso de informações.
O que acaba acontecendo é que as pessoas têm o impulso primitivo de responder às oportunidades imediatas e às ameaças. A superestimulação provoca excitação - e gera a produção de dopamina - que os pesquisadores dizem que pode ser viciante. Na sua ausência, as pessoas sentem-se entediadas.
As distrações por conta disso podem levar a consequências graves, desde acidentes de trânsito provocados por motoristas nos celulares como dificuldades de concentração e perda de criatividade, prejudicando o trabalho e a vida familiar.
O ESTATUTO DA DEMOCRACIA RACIAL
Recebido por email
Por Douglas Belchior
Mais uma vez, os senhores determinaram a regra, a lei e os limites da existência e da sobrevivência dos negros no Brasil. O dia 16 de junho de 2010 entra para a história, cinco séculos após a chegada dos primeiros africanos escravizados nestas terras e 122 anos após o fim da escravidão. Encerra-se mais um triste capítulo da luta entre senhores brancos racistas versus escravizados negros e pobres. Desta vez, nas salas acarpetadas do Senado Federal, em Brasília.
Em tramitação desde 2003, o chamado Estatuto da Igualdade Racial, apresentado pelo Senador Paulo Paim (PT), animou a esperança de o Estado Brasileiro finalmente iniciar um processo de reparação aos descendentes da escravidão no Brasil. No entanto, nesses difíceis anos de debate e enfrentamento aos que resistiam à sua aprovação, a proposta original sofreu muitas alterações que esvaziaram a possibilidade de eficácia e o sentido reparatório.
Ainda em 2009, alterações feitas na Câmara Federal rebaixaram o Estatuto para uma condição “autorizativa” , além de não garantir recursos para sua execução. Com isso, os gestores públicos já não seriam obrigados a colocá-lo em prática.
O Estatuto da Igualdade Racial aprovado pelo Senado neste dia 16 de junho foi ainda mais fundo no poço da hipócrita democracia racial brasileira. Fruto de um acordo espúrio entre o senador Paulo Paim (PT), o senador Demóstenes Torres (DEM), relator do projeto e presidente da CCJ no Senado, e o Ministro da Seppir, Elói Ferreira (representante dos interesses do ex-titular da pasta Edson Santos), significou alta traição à luta do povo negro no Brasil.
Por Douglas Belchior
Mais uma vez, os senhores determinaram a regra, a lei e os limites da existência e da sobrevivência dos negros no Brasil. O dia 16 de junho de 2010 entra para a história, cinco séculos após a chegada dos primeiros africanos escravizados nestas terras e 122 anos após o fim da escravidão. Encerra-se mais um triste capítulo da luta entre senhores brancos racistas versus escravizados negros e pobres. Desta vez, nas salas acarpetadas do Senado Federal, em Brasília.
Em tramitação desde 2003, o chamado Estatuto da Igualdade Racial, apresentado pelo Senador Paulo Paim (PT), animou a esperança de o Estado Brasileiro finalmente iniciar um processo de reparação aos descendentes da escravidão no Brasil. No entanto, nesses difíceis anos de debate e enfrentamento aos que resistiam à sua aprovação, a proposta original sofreu muitas alterações que esvaziaram a possibilidade de eficácia e o sentido reparatório.
Ainda em 2009, alterações feitas na Câmara Federal rebaixaram o Estatuto para uma condição “autorizativa” , além de não garantir recursos para sua execução. Com isso, os gestores públicos já não seriam obrigados a colocá-lo em prática.
O Estatuto da Igualdade Racial aprovado pelo Senado neste dia 16 de junho foi ainda mais fundo no poço da hipócrita democracia racial brasileira. Fruto de um acordo espúrio entre o senador Paulo Paim (PT), o senador Demóstenes Torres (DEM), relator do projeto e presidente da CCJ no Senado, e o Ministro da Seppir, Elói Ferreira (representante dos interesses do ex-titular da pasta Edson Santos), significou alta traição à luta do povo negro no Brasil.
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