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sexta-feira, 31 de julho de 2009

MPF SAI EM DEFESA DAS COTAS

Retirado do site Jusbrasil.

Extraído de: Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - 30 de Julho de 2009

Procurador-geral posiciona-se contra ação do Democratas que suspendia a matrícula dos 652 cotistas aprovados pela UnB

Câmpus da UnB, na Asa Norte: desde 2003, 3,2 mil alunos ingressaram na universidade pelo sistema de cotas
O Ministério Público Federal (MPF) está ao lado da Universidade de Brasília (UnB) na manutenção do sistema de cotas para negros. Em parecer enviado ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, posicionou-se contra a ação proposta pelo Democratas (DEM), que suspendia o registro (1)de 652 candidatos cotistas aprovados no último vestibular da instituição federal. A iniciativa sustentava que o sistema de reservas de vagas fere o princípio da igualdade e que o obstáculo para o negro chegar ao ensino superior no Brasil não é racial, mas, sim, econômico. O pedido de liminar, no entanto, ainda precisa ser apreciado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O procurador-geral entendeu que o pedido de liminar deve ser negado porque, ao contrário do que alegou o partido político, o princípio constitucional da igualdade não só é compatível como, em determinadas situações, até reclama a promoção de políticas de ação afirmativa "para superação de desigualdades profundamente entrincheiradas nas nossas práticas sociais e instituições". No parecer, Roberto Gurgel explica que a Convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial é expressa ao autorizar as políticas de ação afirmativa baseadas em critério racial para favorecimento de indivíduos e grupos em situação de desvantagem.
Ele destaca também que o artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal, ao vedar os preconceitos de raça, sexo, cor, idade, e outras formas de discriminação, "não pode ser visto como um empecilho para a instituição de medidas que favoreçam os grupos e segmentos que são costumeiramente discrimi nados, ainda que tais medidas adotem como fator de desigualação qualquer desses critérios". Ao fim do parecer, o procurador-geral revelou que, atualmente, existem 35 universidades públicas que adotam políticas afirmativas, sendo que 32 preveem mecanismo de quotas e o restante adota sistema de pontuação adicional para os negros.
A ação judicial foi impetrada no STF pela advogada voluntária do DEM Roberta Fragoso Menezes Kaufmann, que também é procuradora do Distrito Federal. Em 2003, ela concluiu na UnB sua dissertação sobre o sistemas de cotas para negros, que foi a única de todas as apresentadas na Faculdade de Direito a contestar a reserva de vagas. Em entrevista ao Correio, na semana passada, Roberta Kaufmann disse que o atual sistema promove uma discriminação inversa.
A apreciação do pedido de liminar, no entanto, está nas mãos do presidente do STF, Gilmar Mendes. Na terça-feira da semana passada, ele assinou despacho dando prazo de cinco dias para que a Advocacia- Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República se manisfestassem.
1 - MATRÍCULAS
As matrículas para as disciplinas do segundo semestre de 2009 da UnB começaram ontem e podem ser feitas até as 22h de amanhã pelo site
www.matriculaweb.unb.br. O processo servirá para confirmar ou retirar disciplinas oferecidas durante a pré-matrícula. Quem não tem acesso à internet poderá utilizar os postos dos campus da UnB.

FONTE - Correio Braziliense
extraído de
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1609487/14-37-mpf-sai-em-defesa-das-cotas

AGU EMITE PARECER FAVORÁVEL AO SISTEMA DE COTAS PARA NEGROS EM UNIVERSIDADES

Retirado do site G1.

31/07/09
Para Advocacia-Geral da União, cotas não ferem princípio de igualdade.Parecer é uma resposta à ação do DEM que questiona o sistema na UnB.
Do G1, em Brasília

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu o sistema de reserva de vagas para pardos e negros na Universidade de Brasília (UnB) em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para a AGU, não existe incompatibilidade do sistema de cotas com o princípio da igualdade e com o Estado Democrático de Direito.

O parecer é uma resposta ao pedido do presidente do STF, Gilmar Mendes, que decidiu adiar o julgamento da
ação protocolada pelo partido Democratas (DEM), que questiona a política de cotas adotada pela instituição. Mendes pediu para a AGU e para a Procuradoria-Geral da República (PGR) pareceres sobre o caso. A PGR já se manifestou favorável às cotas.

No documento, a AGU destacou que ações afirmativas como o sistema de cotas buscam reduzir as desigualdades. De acordo com a Advocacia-Geral da União, medidas de inclusão de grupos sociais excluídos não são só permitidas como exigidas para garantia do princípio da isonomia. A AGU também advertiu para as conseqüências de uma decisão desfavorável ao sistema de cota. Para o órgão, já que diversas universidades já adotam o sistema e vários alunos já foram matriculados, a suspensão da política de cotas não é razoável.

UNB ENVIA DOCUMENTO AO SUPREMO COM INFORMAÇÕES SOBRE POLÍTICAS DE COTAS

Retirado do jornal O Globo.

Plantão

Publicada em 28/07/2009

RIO - O reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Junior, envia nesta terça-feira ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, documento em resposta a ofício que solicita informações sobre o sistema de cotas para estudantes negros e indígenas, implementado na instituição em junho de 2003.
No último dia 20 de julho, o partido Democratas protocolou uma ação contra a política de cotas. O partido quer que o STF declare a inconstitucionalidade do sistema e, por fim, leve à suspensão da política da UnB e de outras instituições de ensino superior em todo país.
A ação é iniciativa da advogada Roberta Fragoso Menezes Kaufmann, que avalia que a provocação ao Supremo é fundamental.
- Não é possível que um debate tão importante para o país não esteja sendo realizado pelo tribunal constitucional - diz.
Segundo a advogada, a Justiça tem sido contraditória nos processos sobre políticas afirmativas.
- O que vemos hoje são decisões de juízes de 1º grau e de desembargadores de 2º grau, tanto nos tribunais regionais federais quanto nos tribunais de Justiça, decisões discrepantes sobre o assunto. Ao chegar ao Supremo, a questão será pacificada - acredita.
A assessora de Diversidade e Apoio aos Cotistas da UnB, Deborah Silva Santos, discorda da advogada e defende a política contra o racismo.
- A universidade continua refletindo o racismo que existe na sociedade brasileira - diz.
Em setembro, a UnB deverá divulgar uma pesquisa com o perfil e o desempenho dos estudantes cotistas. Há atualmente na universidade 2.620 alunos negros cotistas entre os veteranos e mais 654 calouros cotistas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007, a taxa de frequência escolar de pretos e pardos entre 20 e 24 anos era inferior a 21% em todo o país. Os termos pretos e pardos são usados por diversos órgãos de pesquisa populacional. A expressão negros se usa para denominar o conjunto de pretos e pardos.
No ensino médio, havia 153 mil estudantes pretos e 1,1 milhão de pardos naquele ano contra 1,3 milhão de estudantes brancos conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No ensino fundamental, havia 688 mil alunos pretos e 5,4 milhões de pardos contra 5,6 milhões de brancos.
De acordo com o Censo Demográfico de 2000, baseado na autodeclaração do entrevistado, 53,74% da população brasileira são brancos; 38,45%, pardos; 6,21%, pretos; 0,45%, amarelo; 0,43%, indígena; e 0,71% não declarado.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

SEMINÁRIO: REBELIÕES DA POPULAÇÃO ESCRAVA E DA PLEBE LIVRE NO BRASIL

Recebido por email.
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DCE DA UNB QUER COTAS COMO FERRAMENTAS PARA IGUALDADE RACIAL

Retirado do site RAdio do Moreno.

28.7.2009
EDUCAÇÃO

O Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães fará uma petição formal ao Supremo Tribunal Federal (STF), para entrar na ação que o partido Democratas move contra a UnB, pedindo a suspensão imediata da matrícula de 654 alunos cotistas recém-aprovados no último vestibular. A ideia é entrar no processo como amicus curiae, um dispositivo legal que permite a entidades da sociedade civil manifestar-se no processo, tanto por escrito como oralmente, na hora do julgamento.
“Queremos afirmar as cotas como uma ferramenta que promove a igualdade racial”, diz o coordenador do DCE João Telésforo, aluno do 10º semestre de Direito. Na segunda-feira, 27 de julho, os estudantes, advogados voluntários e integrantes de movimentos negros se reunirão para planejar formas de intervir no processo judicial.
O governo federal também está preocupado com o impacto que a suspensão do sistema de cotas poderá provocar. Humberto Adame, ouvidor especial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, esteve na manhã desta sexta-feira, 24 de julho, na UnB para acompanhar a manifestação de boas-vindas aos calouros negros.
“Todas as entidades que trabalham a questão da igualdade racial já me ligaram manifestando seu apoio", conta a professora Deborah Santos, coordenadora do Centro de Convivência Negra da UnB. "Elas estão preocupadas e todos querem ajudar para que não aconteça a pior decisão, que seria o fim das cotas”, afirma Deborah. O ministro Edson Santos, titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, está fora de Brasília, mas já anunciou que vai pedir uma audiência com o ministro Gilmar Mendes para discutir o assunto.
A Universidade de Brasília recebeu o pedido de informações do STF, que serve para subsidiar o julgamento da ação movida pelo partido DEM. Assinado pelo presidente do tribunal, Gilmar Mendes, o ofício foi enviado ao reitor da universidade, ao Cespe e ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). A resposta da UnB está sendo preparada pelo advogado Paulo Gustavo Carvalho, subprocurador-geral da universidade, e deve ficar pronta até 31 de julho.
A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também foram chamadas a se pronunciar. O registro das matrículas na UnB aconteceu normalmente nos dias 23 e 24 de julho. Como a decisão do STF só deve acontecer em agosto, a matrícula em disciplinas está confirmada para os dias 29 a 30 de julho. (Fonte: UNB)

V SIMPÓSIO BRASILEIRO DE DOENÇAS FALCIFORME

Retirado do site CHEMOB.

inscrições
Todo processo de inscrição para o V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias será feito, até o dia 15 de setembrode 2009, através do site da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP).
Não haverá inscrições no local do Simpósio. Antecipe-se!
Valores para Inscrição
Até 15/06/09 R$ 150,00
Até 15/08/09 R$ 180,00
Até 15/09/09 R$ 200,00

Clique aqui para fazer a sua inscrição!Leia aqui as orientações para pagamento por pessoa jurídica (empenho).
Local
MinascentroCentro de Convenções e FeirasAv. Augusto de Lima, 785 - CentroBelo Horizonte - MG - BrasilTel.: 55 (31) 3217.7900 / 3217.7814Site:
http://www.minascentro.com.br/br/index.php
Submissão de trabalhos
A) Normas para submissão, clique
aqui.
B) Submissão de trabalhos para participantes que ainda não efetuaram sua inscrição, clique
aqui.
C) Submissão de trabalhos para participantes que já efetuaram sua inscrição, clique
aqui.

Áreas temáticas para submissão de trabalhos:
a) Hemoglobinopatias: ciência básica;
b) Doença falciforme: pesquisa clínica;
c) Doença falciforme: pesquisa psicossocial, educacional e comunitária;
d) Doença falciforme: pesquisa epidemiológica, de saúde pública ou de serviço de saúde;
e) Hemoglobinopatias: transfusão de hemocomponentes;
f) Talassemias e outras hemoglobinopatias: todas as pesquisas, exceto ciência básica.
Outras Informações
- É obrigatória a efetiva inscrição no V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias de pelo menos, 1 dos autores do trabalho.
- Só será permitido um máximo de 3 trabalhos por autor / participante inscrito.
- O envio dos trabalhos será até o dia 14 de agosto de 2009, 23:59 horas, quando, então o sistema da Fundep será bloqueado para envio de resumos ou trabalhos completos. Até o dia 24 de agosto de 2009 os autores deverão receber a informação do julgamento da comissão científica quanto à aceitação ou não do trabalho para que os autores tenham tempo de solicitar eventuais afastamentos do trabalho para comparecerem ao Simpósio. E até 14 de setembro de 2009 os autores receberão a comunicação da forma de apresentação do seu trabalho, se será oral ou pôster. Os trabalhos aprovados pela comissão científica serão publicados em anais. Os trabalhos completos premiados só serão anunciados durante o evento.

CRIADO DO SITEMA DE COTAS NA UNB DIZ QUE AÇÃO CONTRA A POLÍTICA É "TAPETÃO"

Retirado do site Último Segundo.

28/07
Agência Brasil

Brasília - Para o professor José Jorge de Carvalho, que junto com a professora Rita Lauro Segatto (ambos do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília) elaborou a proposta de política afirmativa, a ação do Democratas - que pede a suspensão do sistema de cotas na UnB - “é um refrito” do Manifesto dos 113 enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em 30 de abril do ano passado, e assinado por um “grupo pequeno que tem acesso à mídia”. A ação, segundo ele, apresenta “argumentos frágeis”.
O antropólogo afirma que o processo de cotas é um dos mais revolucionários na universidade brasileira. "As universidades funcionaram durante 70 anos, de 1930 ao ano 2000, totalmente segregadas. Há poucos países no mundo que tem um universo tão racista quanto o nosso”, avalia. “Não que exista lei para que os negros estejam fora, mas eles estão fora [da universidade]. O racismo estrutural e o racismo institucional fazem que eles estejam fora.”
“Eles [o partido Democratas e quem assinou o Manifesto dos 113] estão dizendo que 90 universidades [onde há política afirmativa] vão ter que jogar para fora todos os estudantes que entraram e não deixarão entrar nunca mais nenhum deles?”, pergunta. “Eles estão querendo jogar na rua um contingente de mais de 20 mil estudantes”, critica José Jorge de Carvalho afirmando que a ação no STF é uma tentativa de ganhar no “tapetão”.
“O universo acadêmico brasileiro está em uma luta de incluir os negros e os indígenas que estiveram excluídos sempre. Como eles não conseguem mais influenciar na decisão sobre o processo de inclusão, no fundo eles não querem negros na universidade, eles entraram com uma ação no judiciário”, acusa o professor.
Para o antropólogo, a crítica socioeconômica contra as cotas é falha, assim como o argumento de que a análise dos pedidos é subjetivo. “Se nós fizermos um recorte de renda as pessoas podem falsificar o comprovante de renda. Se fizermos um recorte por origem na escola pública as pessoas também podemos falsificar”, aponta.
“Toda política pública tem uma margem de erro. A comissão que analisa os cotistas é uma comissão formada por pessoas da sociedade, do movimento negro, por professores e estudantes. Ela é tão idônea como qualquer outra comissão jamais feita no Brasil”, defende José Jorge de Carvalho.
“[Se for para] Discutir a idoneidade dessa comissão tem que discutir a idoneidade de todas as comissões. Tem então que parar com o Bolsa Família para que não haja fraude no programa. A comissão existe para que haja responsabilidade na política”, argumenta.

Leia mais sobre: negros

RACISMO E BAIXA AUTOESTIMA LEVAM COTISTAS A SE ESCONDER

Retirado do site Último Segundo.
Até dá para entender o objetivo da pesquisa, mas as conclusões não podem estar um pouco exageradas?

28/07
Agência Brasil


Brasília - A pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Ana Paula Meira afirma que estudantes cotistas, mesmo depois de passar em concorridos vestibulares, ainda se escondem por causa de baixa auto estima e do racismo. “O racismo coloca as pessoas sempre à margem. Você duvida que possa estar fazendo o que é certo, que pode ser bonita e inteligente”, afirma Ana Paula. “É dificílimo achar um cotista, as pessoas se escondem”, descreve a mestranda em Política Pública e Gestão de Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).
Apesar de ter conseguido falar com quase uma centena de alunos, Ana Paula avalia que os cotistas “tem medo dizer” e temem reações que possam causar ao assumir que são cotistas. “Para não se prejudicarem, eles se esquivam”. O comportamento, na avaliação da pesquisadora que deve defender sua dissertação até o fim do ano, guarda relação com a “baixíssima” auto estima dos estudantes e com o racismo.
A pesquisa de Ana Paula Meira tenta entender “o fenômeno” e traz levantamento de trajetórias e histórico escolar de cada entrevistado, fazendo recorte por classe, gênero e identidade. Segundo ela, a UnB tem “mudado lentamente” com a política afirmativa. “Existe uma presença negra que não é só a presença do estudante da embaixada africana.”
Para a pesquisadora, no entanto, há setores “elitizados” na universidade que são contra a política de cotas. A oposição tem a ver com disputas simbólicas e de mercado de trabalho. “A vaga na UnB no imaginário brasilense é super disputada. Estudar lá, especialmente em certos cursos, significa ter status quo.”
Ana Paula Meira critica a iniciativa do partido Democratas que entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra o sistema de cotas. Ela classifica a iniciativa de “reacionária” e refuta o argumento de que o recorte pela renda tornaria a política afirmativa mais justa e eficaz. “A maioria dos negros é pobre, mas o que está em voga não é só o econômico. O que socialmente está torto é o racismo”, defende.
Leia mais sobre:
negros

UNB ENVIA DOCUMENTO AO SUPREMO COM INFORMAÇÕES SOBRE POLÍTICAS DE COTAS

Retirado do site Último Segundo.

UnB envia documento ao Supremo com informações sobre políticas de cotas
28/07 - Agência Brasil

BRASÍLIA - O reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Junior, envia nesta terça-feira ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, documento em resposta a ofício que solicita informações sobre o sistema de cotas para estudantes negros e indígenas, implementado na instituição em junho de 2003.

Racismo leva cotistas a se esconder, diz pesquisadora
Negro precisa ser brilhante para se destacar, diz antopólogo
Criador do sistema de cotas da UnB diz que ação é "tapetão"

No último dia 20 de julho, o DEM protocolou uma ação contra a política de cotas. O partido quer que o STF declare a inconstitucionalidade do sistema e, por fim, leve à suspensão da política da UnB e de outras instituições de ensino superior em todo País.
A ação é iniciativa da advogada Roberta Fragoso Menezes Kaufmann, que avalia que a provocação ao Supremo é fundamental. “Não é possível que um debate tão importante para o país não esteja sendo realizado pelo tribunal constitucional.”
Segundo a advogada, a Justiça tem sido contraditória nos processos sobre políticas afirmativas. “O que vemos hoje são decisões de juízes de 1º grau e de desembargadores de 2º grau, tanto nos tribunais regionais federais quanto nos tribunais de Justiça, decisões discrepantes sobre o assunto. Ao chegar ao Supremo, a questão será pacificada”, acredita.
A assessora de Diversidade e Apoio aos Cotistas da UnB, Deborah Silva Santos, discorda da advogada e defende a política contra o racismo. “A universidade continua refletindo o racismo que existe na sociedade brasileira.”
Deborah assinala que a política de cotas não é um sistema de privilégios. “Os cotistas têm que passar pelo vestibular. Entram os melhores”, afirmou.
Em setembro, a UnB deverá divulgar uma pesquisa com o perfil e o desempenho dos estudantes cotistas. Há atualmente na universidade 2.620 alunos negros cotistas entre os veteranos e mais 654 calouros cotistas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007, a taxa de frequência escolar de pretos e pardos entre 20 e 24 anos era de menos de 21% em todo o País. No ensino médio, havia 153 mil estudantes pretos e 1,1 milhão de pardos naquele ano contra 1,3 milhão de estudantes brancos conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No ensino fundamental, havia 688 mil alunos pretos e 5,4 milhões de pardos contra 5,6 milhões de brancos.
De acordo com o Censo Demográfico de 2000, baseado na autodeclaração do entrevistado, 53,74% da população brasileira é branca; 38,45%, parda; 6,21%, preta; 0,45%, amarela; 0,43%, indígena; e 0,71% não declarado.

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

REVITALIZAÇÃO DOS TEMPLOS DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

Retirado do blog do CEN.

Posted In: Religiões de Matriz Africana . By Y.Valentim

Foi dado início a uma nova fase para os religiosos de matriz africana na Bahia, a assinatura do Convênio na última quarta-feira (22), no terreiro Jitolu, situado no Curuzu - Liberdade, além de transformar uma simples tarde em uma tarde histórica para a comunidade negra, deu início a um novo patamar de relação do povo-de-santo com o poder público.
O secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira esteve presente na cerimônia de assinatura do Convênio “Reforma, Ampliação e Reparos Gerais” que vai beneficiar inicialmente 53 Territórios Culturais de Matriz Africana. Para ele, os terreiros devem ser reconhecidos e respeitados por tratar-se de um local de benção. Ferreira revela a sua felicidade em estar presente num momento tão importante e de conquista para a Comunidade Negra em geral e exalta: “Mais uma etapa foi vencida”.
A secretária da Sepromi, Luiza Bairros e o vereador Gilmar Santiago que estavam também presentes no evento fizeram questão de ressaltar a importância da participação da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), na elaboração do Projeto de Regularização Fundiária dos Terreiros de Candomblé.
O mapeamento detalhado dos terreiros era uma ação necessária para que a partir deste resultado fossem elaboradas e executadas as políticas de preservação e revitalização desta cultura e religião.Atualmente existem 1.368 terreiros na Bahia. O convênio consolidado vai atender apenas 53 deles. A partir daí cria-se a expectativa que todos os templos sejam atendidos no decorrer deste processo. Cria-se também muita esperança sobre a continuidade do projeto e fica a espera deste povo que provou ter resistência e muita fé. Esta força e a fé que nunca seca dentro do candomblé pode ser sintetizada em uma frase de Pierre Verger: “O candomblé sobrevive até hoje porque não quer convencer as pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões”. Isto significa que religiosos do candomblé pedem apenas o reconhecimento e o respeito desta religião, que cultiva a cultura africana sem agredir nenhuma outra religião.
Este convênio vai atender em sua primeira etapa 12 terreiros, já que a liberação de recurso foi dividida em seis parcelas, sendo a primeira no valor de R$ 279.837,07. Após a conclusão das obras e finalizada a prestação de contas da primeira etapa, a segunda parcela será liberada para dar continuidade ao processo de reforma, ampliação ou reparos. Tudo isso com um único objetivo: preservar as características culturais das religiões de matriz africana.
Para o presidente da ACBANTU – Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, Taata Raimundo, “... é uma conquista da ancestralidade que há tanto tempo vem derramando suor e sangue para ter o reconhecimento da nossa religião, cultura e filosofia”.
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Afonso Florence no momento em que assinou o documento, ressaltou com satisfação: “esta foi a assinatura mais importante que já fiz”. Isso mostra que foi efetivado o compromisso do poder público com a religião de matriz africana e que convoca uma abertura importante para que sejam efetivadas outras ações pendentes de reparação para o povo negro na Bahia.


Confira os 53 terreiros que serão contemplados nesta primeira etapa do Convênio:

1.ILÊ AXÉ IYÁ NASSÔ OKÁ (CASA BRANCA DO ENGENHO VELHO) – Federação
2.UNZÓ TUMBA JUNÇARA – Federação
3.ILÊ OBÁ DO COBRE – Federação
4.ILÊ AXÉ OBÁ TADÊ PATITI OBÁ - Engenho Velho da Federação
5.ILÊ AXÉ OYÓ BOMIN – Federação
6.ILÊ AXÉ OXUMARÉ – Federação
7.ILÊ AXÉ ODÉ MIRIN - Engenho Velho da Federação
8.ILÊ AXÉ YAOMINIDÊ – Federação
9.ILÊ IYÁ OMI AXÉ YAMASSÊ (GANTOIS) – Federação
10.UNZÓ TUMBACÉ - Pero Vaz
11.ILÊ OMI IBIRI AXÉ AIRÁ (VINTÉM DE PRATA) – Cajazeiras
12.CASA DOS OLHOS QUE FALA DA NAÇÃO ANGOLAN PAQUETAN - MUTÁ LOMBO YE KAIONGO - Cajazeiras XI
13.ILÊ AXÉ OMINIJÁ – Cajazeiras
14.ILÊ AXÉ OYÁ TUNJÁ – Brotas
15.ILÊ MARÓIA LÁJI (ALAKETU) - Matatu de Brotas
16.ILÊ AXÉ IJI ATI OYÁ - Engenho Velho de Brotas
17.ILÊ AXÉ MAROKETU - Cosme de Farias
18.ILÊ AXÉ FÉ KONFÉ OLORUM (CASA MARIA DE XANGÔ) – Matatu de Brotas
19.ILÊ AXÉ D’OYÁ - Cajazeiras X
20.TERREIRO BABACAN ALAFIN (TERREIRO DE OXALÁ) – Plataforma
21.CABOCLO CATIMBOIÁ – Plataforma
22.MANSO BANDUQUENQUIM N’SABA (BATEFOLINHA) - Campinas de Pirajá
23.ILÊ AXÉ OLORUM OYÁ – Pirajá
24.ILÊ AXÉ ODÉ TOLÁ – Paripe
25.ILÊ AXÉ OLUFAN ANANCIDÊ OMIN – Arenoso
26.ILÊ AXÉ ABASSÁ DE OGUM - Nova Brasília de Itapuã
27.GUEREBETÃ GUME SOGBOADÃ - Nova Brasília de Itapuã
28.ILÊ AXÉ TOGUM - São Cristóvão
29.ILÊ AXÉ OYASSIBADÊ - Chapada do Rio Vermelho
30.ILÊ AXÉ OBÁNIRÊ - Rio Vermelho
31.NZÓ KWA MPAANZU - Pau da Lima
32.ILÊ AXÉ NINFA OMIM - Sussuarana Velha
33.TERREIRO MOKAMBO-ONZÓ NGUZO ZA NKISI DANDALUNDA YE TEMPO-Trobogy
34.ILÊ AXÉ JITOLU – Liberdade
35.ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ - São Gonçalo do Retiro
36.ILÊ AXÉ OMO EWÁ - Praia Grande
37.SENZALA RELIGIOSA MUKUNDEWÁ - São João do Cabrito
38.UNZÓ INDEBWA KAAMUZAMBI - Baixa do Cacau - São Caetano
39.ILÊ AXÉ OBÁ INÃ - São Caetano
40.ILÊ AXÉ LADÊ PADEMIN - Bairro da Paz
41.TERREIRO DE OGUNJÁ - Luiz Anselmo
42.OGUM KARIRI COM IANSÃ - Botelho - Ilha de Maré
43.OXOSSI MUTALAMBÔ - Praia Grande - Ilha de Maré
44.ILÊ AXÉ OMIM J'OBA - Estrada Velha do Aeroporto
45.MANSO DANDALUNGUA COCUAZENZA – Cajazeiras
46.ILÊ AXÉ OMIN FUNGÊ LOIASI - Cajazeiras XI
47.ILÊ AXÉ OMI KARÉ LEWI – Cajazeiras
48.ILÊ AXÉ KALÈ BOKUN – Plataforma
49.ILÊ AXÉ OYÁ – Pirajá
50.ILÊ AXÉ OYÁ DEJI – Paripe
51.ILÊ OLORUM AXÉ GIOCAN - Boa Vista do Lobato – Lobato
52.ILÊ AXÉ OYÁ LECI – Paripe
53.ONZÓ DE ANGORÔ - Plataforma

Fonte: SEMUR

EVENTO "MORENA, NÃO. EU SOU NEGRA!", NA PARAÍBA

Recebido por email.
Para ampliar clique na imagem.

A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba, ONG composta por feministas negras, fundada em 2001, cuja missão e projeto político é contribuir para a superação do racismo e do sexismo, tem o prazer de convidar você e sua entidade/organização/grupo para participar do evento alusivo ao 25 de Julho – Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe.
Essa data remete ao dia 25 de Julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino - Americana e Caribenha, em Santo Domingo, na República Dominicana, onde foi definido que essa data seria o marco internacional da luta e da resistência das Mulheres Negras contra todas as formas de opressões. Desde então muitas organizações de mulheres têm trabalhado para consolidar e dar visibilidade a essa data, tendo em conta a condição de opressão de gênero, raça e etnia vivida pelas mulheres negras.
Na Paraíba, estamos promovendo a XI comemoração com o lançamento de uma Campanha publicitária de Promoção da Identidade Negra na Paraíba, que tem como objetivos contribuir para a afirmação da identidade negra, ampliar o debate sobre as relações raciais e fortalecer a luta antirracista no estado.

Contamos com sua presença!!!
Equipe Bamidelê

ENTIDADES DO MOVIMENTO NEGRO PROTESTAM POR CONTRATAÇÃO DE NEGROS EM SHOPPING

Retirado do site do jornal A TARDE.

24/07/2009
Euzeni Daltro, do A TARDE

Cerca de 50 pessoas realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira, 24, dentro do Salvador Shopping. Os manifestantes acusam os empresários de serem racistas ao não contratarem funcionários negros para as lojas. Com apitos e mega-fone, os integrantes chegaram ao local por volta das 11h. Eles param em frente às lojas e pedem que os negros tenham oportunidades de trabalho.
"Os negros no Salvador Shopping só atuam na cozinha e no setor de serviços gerais", diz o
coordenador do Movimento Atitude Quilombola, Valter Altino. O protesto é organizado por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento Negro Unificado (MNU). Os seguranças do shopping observaram o ato de modo pacífico. A direção do Salvador Shopping não quis comentar o assunto.

sábado, 25 de julho de 2009

QUILOMBOLAS SÃO EXPULSOS E AMEAÇADOS POR PISTOLEIROS

Retirado do site do Gelédes.

Quilombolas são expulsos e ameaçados por pistoleiros


Notícias
Fonte: Expresso MT -
Quilombolas das comunidades Vaozinho e Voltinha, do município Porto Estrela (194 km ao médio-norte de Cuiabá), são ameaçados por homens armados contratados por um fazendeiro da região que expulsou 65 famílias de uma Área de Proteção Ambiental cedida pelo governo aos afrodescendentes. A briga por aproximadamente 80 hectares, em Barra do Bugres, é motivada por uma fonte de água, indispensável para o abastecimento e sobrevivência dos quilombolas.

A expulsão das famílias ocorreu há 20 dias e a direção da Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares foi acionada. Hoje, o diretor Maurício Reis chega em Mato Grosso para uma reunião com o procurador Mauro Lúcio Avelar para tentar resolver o impasse. Também participarão do encontro a procuradora da República Dora Lúcia Bertúlio, a coordenadora Nacional de Quilombos do Incra, Givânia Conceição, e o presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Pedro Reis. Em seguida, o grupo seguirá para a área de conflito.

Segundo Pedro Reis, os quilombolas relataram que o fazendeiro retirou as famílias da área e colocou homens armados, que usam motocicletas para fiscalizar a área, impedindo o acesso das famílias à nascente de água. A situação colocou medo nas comunidades.

O mesmo fazendeiro chegou a requerer na justiça o direito sobre a área, mas a decisão deu ganho de causa os afrodescendentes. Mesmo com a negativa judicial, ele expulsou os quilombolas, cercou a área e passou a proibir o acesso das famílias. Segundo Reis, o fazendeiro tem terras do outro lado do rio Jauquara, que corta Porto Estrela e Barra do Bugres.

No Estado existem 138 comunidades quilombolas, sendo que 68 são certificadas pela Fundação Palmares e o restante está em processo de reconhecimento.

Em março, o Tribunal de Justiça condenou outro fazendeiro a recuperar uma APP e retirar 2 diques dos córregos, que ficam dentro de uma área quilombola da região de Mata Cavalo.
Matéria original:
Quilombolas são expulsos e ameaçados por pistoleiros

sexta-feira, 24 de julho de 2009

ENCONTRO LATINIDADE - I FESTIVAL CULTURAL DA MULHER AFRO-LAINO-AMERICANA

Recebido por email.
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ABERTO EDITAL PARA PROJETOS DE PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA ENTRE A JUVENTUDE NEGRA

Recebido por email.

Até o dia 15 de agosto está aberto o prazo para que prefeituras e estados buscarem apoio do Governo Federal no desenvolvimento de projetos voltados a jovens negros em situação de vulnerabilidade social e segregação familiar.
É o Projeto Farol - Oportunidade em Ação, promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR) em parceria com o Ministério da Justiça, no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que destinará recursos de aproximadamente R$ 3,3 milhões até o final deste ano. O objetivo é articular ações sociais para a prevenção da violência entre a juventude negra, especialmente nas 84 cidades que integram as regiões metropolitanas de 13 estados considerados críticos, com base no "Diagnóstico da incidência de homicídios nas regiões metropolitanas" , produzido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.
Por meio do edital de chamada pública anexo terão apoio as iniciativas para ampliação do acesso a oportunidades econômicas, sociais, políticas e culturais de jovens com idade entre 15 e 24 anos, que estejam em situação infracional ou em conflito com a lei, com baixa escolaridade, expostos à violência doméstica e urbana.
Os dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em 2006, dos jovens com idade entre 15 e 19 anos vítimas de armas de fogo, 6.436 eram brancos, enquanto 14.103 eram negros.

Coordenação de Comunicação SocialSecretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

Presidência da RepúblicaEsplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)

Telefone: (61) 3411-3659

UFMT OFERECE ESPECIALIZAÇÃO EM RELAÇÕES RACIAIS E EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Retirado do site Educacionista.

UFMT oferece especialização em relações raciais e educação na sociedade brasileira
21-Jul-2009

O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre) do Instituto de Educação (IE), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), oferece curso de especialização sobre Relações raciais e educação na sociedade brasileira - modalidade presencial. São ofertadas 50 vagas. O objetivo é capacitar professores com vistas ao desenvolvimento do ensino da História e Cultura-Afro-Brasileira e Educação das Relações Étnico-Raciais em Mato Grosso.
Voltado para professores da educação básica, coordenadores pedagógicos e gestores, em exercício de suas funções em unidades escolares, o curso é gratuito. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de julho, na sala 62, do IE, das 8h às 11h e das 13h às 17 horas.
O processo de seleção será por meio de conferência dos documentos apresentados na inscrição; avaliação do memorial; prova escrita (cinco de agosto) e entrevista (11 a 14 de agosto). O resultado final será divulgado no dia 17 de agosto. Os candidatos selecionados deverão efetivar sua matrícula no Instituto de Educação, na sala 62, no período de 18 a 21 de agosto. O início das aulas está previsto para o dia 24 de agosto.
Clique aqui para mais informações, ligue para (65) 3615 8447 e 3615 8440 ou pelo endereço eletrônico nepre@ufmt.br.

BLITZ NO RIO LIBERTA 105 QUE TRABALHAVAM COMO ESCRAVOS

Retirado do site Direitos Humanos.

Ter, 21 de Julho de 2009

Contratados para corte de cana, eles viviam em condição considerada degradante
Marcelo Auler - O Estado de S.Paulo

O Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, apoiado por agentes da Polícia Federal, libertou na manhã de ontem, na cidade de São Francisco de Itabapoana, norte do Rio de Janeiro, 105 trabalhadores - 80 deles baianos - que nos últimos quatro meses foram submetidos à situação semelhante a de trabalho escravo.
Os empregadores - os irmãos Amaro Barros Fernandes e Jorge Fernandes Francisco - responderão a processo na Justiça do Trabalho e podem enfrentar processo criminal se for aberto inquérito pela Polícia Federal. Sem carteira de trabalho assinada e vivendo em condição considerada degradante pelo procurador do trabalho Jorsinei Nascimento, os homens foram contratados para cortar cana que abastecia a Usina Paineiras S/A, no município de Itapemirim, no Espírito Santo, segundo documentos encontrados pelos auditores.
Além da falta de registros dos trabalhadores, os dois são acusados de descontar dos salários despesas que legalmente cabem ao empregador, como a passagem da terra natal para o norte fluminense, os equipamentos de proteção individual e o alojamento.
Os irmãos Fernandes descontavam de cada um dos trabalhadores o equivalente a R$ 90 mensais a título de pagamento do salário desemprego. Diziam que o valor seria pago quando fossem dispensados, no término da safra. Como o seguro só é pago ao trabalhador demitido com registro, nenhum deles fará jus ao benefício.
Para evitar as constantes blitze que os auditores do trabalho têm feito em fazendas de plantações e de gado, os empresários que assumem a empreitada do corte de cana estão adotando novos critérios de trabalho, segundo os auditores federais e o procurador Nascimento. Eles já não mantêm o trabalhador em alojamentos degradantes dentro das fazendas, mas os espalham por casas alugadas, preferencialmente em municípios ou mesmo Estados diferentes do local do trabalho.
Os trabalhadores libertados ontem, por exemplo, estavam alojados em casas em péssimas condições e desenvolviam suas atividades em outras cidades. Uma delas era um bar, cujo balcão divide as duas camas ali colocadas. Os mosquiteiros sobre as camas foram entregues pelos chamados "gatos". "Eles já avisaram que vão descontar. São R$ 9", explicou Florisvaldo Suzart, de 39 anos, que veio do município de Água Fina , na Bahia, em maio passado.
Oito outros trabalhadores ocupam o antigo bar. João Pinheiro da Cruz, de 43 anos, faz parte do grupo e ontem dizia aos auditores estar satisfeito "porque quando a gente veio, sabia que era assim". Porém, ao saber que estava havendo um cadastramento para aqueles que quisessem receber os atrasados e as passagens de volta, ele correu para fila.
Os trabalhadores em condições análogas ao trabalho escravo foram descobertos na sexta-feira passada após uma denúncia feita por telefonema à Superintendência do Trabalho do Rio. No mesmo dia, os auditores comandados por Leandro de Andrade Carvalho e apoiados pelo procurador Jorsinei Nascimento, de Roraima, localizaram os empregados e gravaram em DVD os depoimentos de alguns deles. Com o material, obtiveram do juiz Claudio Aurélio Azevedo Freitas, da 2ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes, os mandados de busca e apreensão de documentos que foram cumpridos ontem pela manhã.
As buscas foram feitas no escritório de Amaro, na casa dele e do irmão Jorge e no minimercado que pertence a um irmão da dupla, José Barros Francisco. Segundo algumas denúncias, os trabalhadores eram obrigados a fazer suas compras superfaturadas no local.
José Barros negou as denúncias. Garantiu que não vendia fiado para os trabalhadores e disse que não há pressão para que façam as compras ali. Seus dois irmãos não foram encontrados para comentar o caso. O Estado tentou falar com eles por intermédio de seus parentes, mas não conseguiu.
À tarde, Edson, filho de Amaro, procurou auditores do trabalho alegando que nem todos os trabalhadores que estavam sendo fichados trabalhavam para seu pai. "Alguns foram aliciados por outro empresário." Os auditores cobraram a presença de Amaro para levar em conta a queixa.
As carteiras de trabalho de 34 dos trabalhadores contratados foram resgatadas pelo coordenador do grupo móvel no escritório do contador Alcidinei Vieira Tavares. Estavam ali havia um mês, depois de igual período nas mãos de Amaro. Segundo os auditores, os trabalhadores foram aliciados com a promessa de bons salários, material de trabalho gratuito e alojamento por conta do empregador. Nada disso foi cumprido.

MATÉRIA - ENTRE BLOGS E BARRICADAS

Retirado do jornal O Globo.
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LANÇAMENTO DO GUIA DE LUTA CONTRA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E O RACISMO

Recebido por email.
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JUSTIÇA DETERMINA QUE UFMG FAÇA MATRÍCULA DE VESTIBULANDO

Retirdo do jornal O Globo.
A Globo é muito escrota mesmo... a UFMG nããããooooo tem cotas, mas um sistema de acrescímo de pontos. Cara o impresa babaca e racista mesmo.

Polêmica
Justiça determina que UFMG faça matrícula de vestibulando que teria sido prejudicada pelo sistema de cotas
Publicada em 23/07/2009


RIO - A desembargadora federal Maria Isabel Gallotti, do TRF da 1.ª Região, em caráter liminar, determinou que a Universidade Federal de Minas Gerais faça a matrícula do vestibulando de medicina que não foi aprovadono vestibular. Para a desembargadora, o candidato foi prejudicado pelo sistema cotas. O sistema de bonificação da universidade privilegia alunos originários de escola pública (com 10% a mais na nota) e os que se declaram pardos ou negros (com bônus de 15%). O vestibulando que conseguiu a liminar não atendia a esses critérios e se sentiu prejudicado.
Segundo o estudante, 42 dos 74 candidatos aprovados para Medicina, que se valeram do sistema de bônus, estudaram no mesmo curso pré-vestibular por ele frequentado, onde são cobradas mensalidades (R$ 740,00).
Disse ainda que se não fosse o bônus, 32 desses estariam abaixo dele na classificação. O estudante afirma ainda que algumas escolas públicas como, por exemplo, o Colégio Militar, oferecem ensino de primeira, cujos alunos são beneficiados pelo bônus, apesar de não terem enfrentado circunstâncias desfavoráveis em sua formação. Alega, portanto, que o critério adotado no vestibular ofende o princípio da isonomia.
A relatora considerou relevante a tese de que o sistema de bônus instituído no vestibular de 2009 da UFMG ofende o art. 208, V, da CF, segundo o qual o acesso aos níveis mais elevados do ensino deve se dar segundo a capacidade de cada um. Segundo a decisão "a circunstância de o candidato ser egresso de estabelecimento de ensino público ou privado, ou a sua raça, não guarda relação alguma com a capacidade do estudante e, portanto, não me parece, em exame liminar, seja fundamento constitucionalmente válido para justificar a alteração da classificação do candidato."

COTISTAS SÃO RECEPCIONADOS NO ICC NORTE

Retirado do site ClicaBrasília.

Notícias
23/07/2009

Johnatan Reis da Silva, 19 anos, não escondia a ansiedade de garantir sua vaga na Universidade de Brasília, na manhã da quinta-feira, 23 de julho. Negro e egresso de uma escola pública do Riacho Fundo II, o calouro aprovado no 2º vestibular pelo sistema de cotas acordou cedo para fazer o registro. “Fiquei com muito medo da ação ajuizada no STF. Lutei para ser negro, fiz a mesma prova que todos. Seria injusto não conseguir”, disse o estudante aprovado em Serviço Social.
“Não vão tirar a gente não, né?”, questionou apreensiva a caloura de Sociologia, Fernanda da Silva Noronha. “Não, é um direito de vocês. Agora a briga é com a gente, por isso estamos aqui, hoje. Seja bem vinda à universidade”, respondeu a coordenadora do Centro de Convivência Negra da UnB, Deborah Santos, durante o encontro de boas-vindas aos calouros cotistas, na entrada do ICC Norte.
A recepção começou cedo, às 9h. Aos poucos, estudantes, militantes de movimentos negros e artistas chegavam ao microfone para manifestar apoio à política de cotas da universidade e aos novos estudantes cotistas. “Estamos aqui para mostrar que essas pessoas não são diferentes das outras que passaram no vestibular ”, disse o estudante do 9º semestre de Antropologia, Rafael Moreira Serra da Silva.
O rapper brasiliense Gog compareceu para apoiar o movimento. Recitou poema, falou sobre juventude e mostrou revolta ao pedido de suspensão das cotas em arguição assinada pela procuradora Roberta Kaufmann a pedido do partido Democratas. “Eu queria fazer uma pergunta a ela. Ela já teve que trabalhar mesmo com vontade de estudar?”, disse. “Eu sou a favor do escurecimento da universidade. Quem estuda em escola privada e tem condições de pagar faculdade que deveria ter cotas. 20% de cotas para eles”, provocou o rapper.
RECEPÇÃO - Os participantes das boas-vindas pintaram frases em cartazes, que serão afixados no campus. “Cotas: direito social”; “Brasil, país racista. Cotas para negros, sim”; “Vamos enegrecer a universidade. Chora elite branca. Aprende a dividir”. Houve, ainda, sarau de poesias com o movimento Radicais Livres e apresentação de performance teatral do ator Abder Paz, filho do consagrado mímico brasiliense Miquéias Paz.
Também foi exibido o documentário Sob o Signo da Justiça. O filme de 20 minutos, produzido por Carlos Henrique Romão de Siqueira e Ernesto Ignacio de Carvalho, conta a história da implementação do sistema de cotas da UnB.
A decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes defendeu não só o fortalecimento das cotas na universidade, mas sua ampliação. “Por mais de 500 anos, a diferença entre negros e brancos foi reforçada. O acesso à educação para os negros sempre foi difícil. Não tinha como resolver esse problema a não ser pela política de cotas”, afirmou, durante o evento.
O encontro deve prosseguir até às 17h de hoje e na sexta-feira, 24 de julho. Acompanhe mais informações pela UnB Agência.
UnB Agência

BAIXE ARTIGO STATUS, COR E DESIGUALDADE SOCIOESPACIAIS NOS GRANDES CENTROS URBANOS BRASILEIROS

Retirado do site do Observatório de Metrópoles.
Tem bastante tempo que não postamos estudos acadêmicos. O relatório abaixo é bastante interessante, pois tenta identificar nas intereções urbanas a construção de status e desigualdades a partir das identificações de cor. Acreditamos que este estudo deveria ter mais do que as 106 pagínas que ele possue, pois contempla 17 cidades brasileiras. Esperamos uma conrtinuação.
Vale a pena ler. Para baixar clique na imagem abaixo.

Ou então leia no espaço Scribd ou Issuu do aldeiagriot.




status, cor e desigualdades socioespaciais espaços urbanos brasileiros


MINISTRO TERÁ REUNIÕES EM ALCÂNTARA

Retirado do site Afropress.

Ministro terá reuniões em Alcântara
Por: Redação: Com informações da Assessoria de Comunicação da Seppir -
15/7/2009

Alcâncatara/MA - O ministro da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, deputado Edson Santos, estará nesta sexta-feira (17/07) em Alcântara, Maranhão, município que reúne 110 comunidades remanescentes de quilombos que passaram a ter suas terras contestadas com a decisão do Ministério da Aeronáutica, nos anos 80, de instalar a Base Espacial de lançamento de foguetes.
As 110 comunidades totalizam 3.500 famílias que vivem em situação de insegurança por conta da ameaça de expansão do Programa Espacial Brasileiro.
Embora em 2008 o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tenha reconhecido o direito dos quilombolas e delimitado a área de aproximadamente 78 mil hectares, os moradores ainda aguardam a emissão dos títulos de posse coletiva das terras ancestralmente ocupadas. Esta é a principal reivindicação das comunidades, que cobram ainda a continuidade das ações sociais do Governo Federal programadas para a região.
Desde que o Ministério da Aeronáutica decidiu instalar a Base de lançamento de foguetes, várias famílias foram deslocadas de suas terras de origem e assentadas em agrovilas – em áreas que não apresentam condições adequadas para a manutenção dos modos de vida tradicionais, baseados na pesca e na agricultura.
Pelas condições de localização o lançamento de foguetes espaciais em Alcântara tem um custo 50% menor do que em qualquer outro lugar do Planeta. Esta é a segunda vez que o ministro chefe da Seppir vai à Alcântara. Na agenda, que começa às 08h30 estão previstos encontros com lideranças dos povoados de Mamuna, Baracatatiuia e da Agrovila Marudá.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA PRÊMIO INTERNACIONAL DE JORNALISMO INVESTIGATIVO

Retirado do blog Jornalismo nas Américas.

Blog de Notícias

Os
Prêmios Daniel Pearl, criados em homenagem ao jornalista do Wall Street Journal que foi morto em 2002 no Paquistão, reconhecem e promovem trabalhos investigativos transfronteiriços que envolvam reportagem sobre um tema de relevância mundial em ao menos dois países. Até 2008, a competição era conhecida como os Prêmios do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.
Realizada bienalmente, a premiação está aberta a jornalistas profissionais ou equipes de jornalistas de qualquer nacionalidade que trabalhem para qualquer meio de comunicação. Os trabalhos inscritos deverão ter sido publicados ou ido ao ar entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2009 e estar acompanhados de uma tradução para o inglês.
Serão entregues dois prêmios de cinco mil dólares aos ganhadores, sendo um deles voltado a repórteres ou organizações jornalísticas com sede nos Estados Unidos, e outro dirigido a profissionais ou meios de comunicação de outros países. Além disso, cinco finalistas serão reconhecidos com prêmios de mil dólares, e os juízes poderão ainda fazer uma menção especial a reportagens empreendedoras ou realizadas sob circunstâncias especialmente difíceis.
Os vencedores serão anunciados na
Conferência Global de Jornalismo Investigativo em Genebra, na Suíça, em abril de 2010.
Veja detalhes sobre a premiação
aqui e sobre as inscrições, que devem ser feitas até 15 de janeiro de 2010, aqui.

Publicado por Eva Menezes at 07/15/2009 - 10:56

MINAS GANHA CONSELHO DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

Retirado do site uai.com.br.

Terça-feira 07 de julho de 2009
Agência Minas

Foi sancionado nesta terça-feira, dia 7, o projeto de lei que cria o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), responsável por políticas de promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra, indígena e cigana de Minas Gerais.
O Conselho, que está vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, deverá ainda propor políticas que combatam a discriminação racial, reduzam as desigualdades sociais, econômicas, financeiras, políticas e culturais e ampliem o processo de participação social.
O conselho atuará para assegurar a essas populações o acesso à terra, habitação, saúde, educação, esporte, lazer, profissionalização e assistência social. Será ainda responsável pela realização de pesquisas e seminários para avaliar a situação desses segmentos étnicos no Estado, propor novas políticas e zelar pela diversidade cultural da população, através das tradições africanas, afro-brasileiras, indígenas, ciganas e dos quilombolas.
As medidas de proteção a direitos violados ou ameaçados em decorrência de discriminação racial também serão acompanhadas pelo Conselho. O Conepir deve ainda elaborar políticas de promoção da igualdade racial, levando com consideração os programas já desenvolvidos pelo governo de Minas para a prestação dos serviços sociais básicos de educação, saúde, esporte, cultura, lazer, capacitação profissional. A Secretaria de Desenvolvimento Social será responsável pela assessoria e apoio técnico ao conselho.
Sociedade CivilO conselho será constituído de 22 membros designados pelo governador, divididos paritariamente entre representantes do poder público e da sociedade civil. O Ministério Público do Estado participará das reuniões do Conepir como convidado, em caráter permanente, mas sem direito a voto. Os conselheiros terão mandato de três anos, com possibilidade de uma recondução. Não há remuneração para os conselheiros.
A eleição da Mesa Diretora, composta pelo presidente, vice-presidente e secretário-geral, será realizada entre os membros do conselho, para mandatos com duração de um ano, admitindo-se uma recondução. A escolha dos membros da Mesa Diretora será exercido com alternância entre representantes da sociedade civil e representantes governamentais.

MOVIMENTO NEGRO DA UNB RECEBEM ESTUDANTES E ESCREVEM MANIFESTO CONTRA AÇÃO DO DEM

Retirado do site ClicaBrasília.

Integrantes de movimentos negros da UnB vão receber estudantes e escrever manifesto contra ação do DEM
23/07/2009

Os integrantes de movimentos negros da Universidade de Brasília Enegreser, Negro Essência e Afroatitude preparam-se para acolher os estudantes aprovados pelo sistema de cotas nesta quinta-feira, 23 de julho. Às 8h, eles estarão concentrados no Ceubinho (entrada da Ala Norte do ICC, o Minhocão). A programação do dia inclui apresentações musicais, exibição de vídeos e a elaboração de um manifesto contra a ação ajuizada pelo DEM no Supremo Tribunal Federal contra o sistema de cotas. A programação continua na sexta-feira.
Deborah Santos, coordenadora do Centro de Convivência Negra da UnB, ressalta que a ideia é dar boas-vindas aos calouros e mostrar que eles conquistaram vagas na instituição por meio de um processo justo. “Queremos dizer aos estudantes cotistas que a UnB e sua comunidade apoiam o sistema, que acreditamos que ele é justo e deve continuar existindo. Não queremos que eles fiquem assustados ao chegar nesse espaço”, pondera.
“Seria uma injustiça se o vestibular fosse anulado. Estudamos tanto quanto os aprovados pelo sistema universal”, afirma Gabriel Cortez, 20 anos, calouro de Direito que ficou em primeiro lugar entre os selecionados pelo sistema de cotas. Para a mãe de Luís Felipe Freitas, futuro aluno de Engenharia de Redes, a ação é lamentável. “A decisão prejudicaria todos que se dedicaram para conquistar uma vaga na UnB. Se a lei existe, ela deve ser respeitada”, explica Dirlene Freitas.
Márcia Abrahão, decana de graduação da UnB, garante que todos os trâmites de registro e matrícula estão programados para acontecer normalmente. Ela afirma que a universidade recebeu com alívio a decisão tomada pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, de adiar o julgamento do pedido de liminar feito pelo partido Democratas. “Vamos receber os calouros de braços abertos”, reforça.
ApoioRepresentantes de movimentos negros externos à universidade também se preparam para organizar atos em defesa do sistema de cotas criado pela UnB. Dentro da programação do I Festival Cultural da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, estão marcados atos contra a ação do DEM para amanhã, às 19h, e sexta-feira, 24 de julho, quando o tema também será abordado em mesas-redondas.
Para Edna Roland, relatora-geral da Conferência de Durban de 2001, é preciso mostrar à sociedade a importância das ações afirmativas para o combate ao racismo. Ela lembra que o Brasil assumiu, em 2001, junto com outros 170 países, o compromisso de traçar metas e planos para acabar com a discriminação racial e a xenofobia. “O Brasil foi um dos grandes protagonistas de Durban e a principal proposta de promoção da igualdade social apresentada pelo país foram os programas de ações afirmativas”, comenta.
“É por um critério de cor e raça que grande parte da população brasileira sofre discriminação. Não há como superarmos as desigualdades se, primeiro, não reconhecermos que o problema existe”, pondera. Edna lembra, em 2009, durante a conferência de revisão dos planos estabelecidos em 2001, o Brasil ratificou os compromissos. “A convenção nos dá base jurídica para estabelecermos as ações afirmativas”, garante. Edna defende que a sociedade se mobilize para sensibilizar os ministros do STF a favor das cotas.
FuturoQuem passou pelo sistema e já concluiu sua trajetória na universidade garante que a oportunidade de chegar ao ensino superior muda perspectivas. Graduado em Serviço Social há um ano, Ângelo Róger de França, 26 anos, é assistente social de uma ONG coordenada pela Casa do Ceará. Lá, 820 crianças têm aulas de informática e futebol. Com o salário, ele sustenta a família e paga a faculdade da esposa. “Eu não tinha perspectivas. Ao entrar na universidade, me contentaria em receber um salário baixo”, conta.
“Essas pessoas foram selecionadas por mérito. Se os democratas tinham a intenção de interromper o sistema, eles deveriam ter começado a agir antes do vestibular”, comenta Tanimara Elias Santos. Ela se formou em Ciências Sociais no ano passado e está concluindo a dupla habilitação, desta vez em Antropologia. “Ter um diploma da UnB foi uma ferramenta extra para conseguir atuar na minha área”, explica Santos. Tanimara é estagiária no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
UnB Agência

quinta-feira, 23 de julho de 2009

COLEÇÃO GUIA COMPLETO ESPECIAL - WINDOWS VISTA

Retirado do blog Dê graça é mais gostoso.
Para quem ainda teima em usar a porcaria do Vista.
A proposta desta edição é explorar aqueles segredos e recursos que não são tão óbvios assim e que consumiram horas de programação dos criadores do sistema simplesmente para tornar a sua vida diante do computador mais fácil. São sobre essas novas tecnologias que nosso trabalho se debruçará, sem insultar a sua inteligência.

Estilo: Revista
Gênero: Informática
Edição: 2007
Tamanho: 17.3 Mb
Formato: Rar / Pdf
Idioma: Português
Para baixar clique em easy-share ou rapidshare.

BAIXE DE GRAÇA FILME DREAMGRILS DE GRAÇA

Retirado do blog Filmes Black.

Sinopse
Detroit, década de 60. Curtis Taylor Jr. (Jamie Foxx) é um vendedor de carros, que sonha em deixar seu nome marcado no mundo da música. Ele deseja abrir sua própria gravadora, mas ainda não tem o formato e o produto certo para vender ao público. Curtis encontra o que procura ao conhecer o grupo The Dreamettes, formado pelas cantoras Deena Jones (Beyoncé Knowles), Lorrell Robinson (Anika Noni Rose) e Effie White (Jennifer Hudson). Elas se apresentam em um show de talentos local, usando perucas baratas e vestidos feitos em casa. Suas vidas mudam quando Curtis, já seu agente, consegue que elas façam o backup do show de James "Thunder" Early (Eddie Murphy), o pioneiro de um novo som em Detroit. Posteriormente o grupo alça vôo solo, mudando de nome para The Dreams. Porém Curtis sabe que para alcançar o sucesso o grupo precisará apostar na beleza provocante e tímida de Deena, mesmo que tenha que deixar de lado a voz potente de Effie.
Formato:Avi
Áudio:Português
Legenda:S/L
Tamanho:898 MB
Ano de Lançamento:2006
Genêro: Musical/Drama
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

CURSO DE PHOTOSHOP - 30 DICAS

Retirado do blog Dê graça é mais gostoso.

Estilo: Curso
Editora: Editora Europa
Lancamento: 2009
Tamanho: 84 Mb
Formato: Rar
Idioma: Português

Para baixar clique em easy-share ou rapidshare.

terça-feira, 21 de julho de 2009

REVISTA VEJA - 08 DE JULHO DE 2099

Retirado do blog Dê graça é mais gostoso.

Estilo: Revista
Gênero: Atualidades
Edição: 08 / 07 / 09
Tamanho: 72.9 Mb
Formato: Rar / Pdf
Idioma: Português

Para baixar clique em easy-share ou rapidshare.

1º SEMINÁRIO ENTRE PRETAS

Recebido por email.

1º SEMINÁRIO ENTRE PRETAS
A Face Negra do Feminismo
24,25 e 26/07/2009

Em comemoração ao dia da Mulher Negra Latino Afro-Caribenha
24,25 e 26/07/2009

Local: Chácara em Guapimirim (próximo a Teresópolis)
Valor: R$ 25,00
Solicite sua ficha de inscrição: aqualtune_mulheresn egras@yahoo. com.br
VAGAS LIMITADAS!!

Aprovações das fichas até 13/07 – Após aprovação pagamento da taxa até 15/07
Maiores informações: 9896 1226 ou 8588 4538
Estamos articulando um transporte para o deslocamento das aprovadas.
Programação

Dia 24/07 – 1º Dia:

20:00 Credenciamento e distribuição de materiais
21:30 – Abertura
A Face Negra do Feminismo – Jurema Werneck*
22:00 – Jantar
23:00 – Exibição do filme : A Cor Púrpura de Alice Walker
2º dia: 25/07 – Dia da Mulher Negra Latina e Afro-Caribenha
8:00 – Café da Manhã
9:00 – Nos conhecendo como mulheres negras - Roberta Frederico ( Psicóloga)
10:30 – Um olhar sobre a identidade e a cidadania das mulheres negras vivenciadoras de religiões de matriz africana. – Caroline Silva (Mestre PUC/RJ –Aqualtune)
12:00 – Almoço
14:00 – Formas de violência – Deise Benedito (Fala Preta!)
15:30 – Gestão e Cooperativismo – Trabalho e Etnosustentabilidade– Sônia Ribeiro ( Socióloga)
20:00 – Jantar
22:30 – Oficina :Magali Almeida (UERJ)
23:30 – Confraternização

3º e último dia: 26/07:

8:00 – Café da Manhã
9:00 –O Homem de cor e a mulher branca -Franz Fanon por Claúdia Miranda (UFF)
10:30 – Saúde das Mulheres Negras – Thatiane Silva
11:30 – Construções de ações e carta das mulheres negras cariocas
12:30 – Almoço
13:30 – Plenária Final
14:30 – Encerramento : Por um feminismo Afro-Latino Americano (Integrantes do grupo)
16:00 – Confraternização Final

*Apenas esperamos a confirmação de Jurema Werneck

LEIA A ADPF DA DEM CONTRA COTAS NA UNB DIRETAMENTE DO BLOG

Usamos o site Scribd para armazenar a ação do DEM contra as contas na UNB. Por meio desse site podemos ler a ação no proprio blog ou baixar para o computardor.
Apesar de termos uma conta neste site nunca usamos essa ferramenta. É coisa muito boa e tentaremos usá-lo com frequência.
Para usar o zoom ou tela inteira mexa nos ícones no lado esquerdo da parte de cima da janela do arquivo.
Para baixar direto sem ler pelo Scribd clique aqui.


Acao DEM contra cotas UNB

DEM ENTRA COM ADPF CONTRA AS COTAS RACIAIS

Retirado do site do Consultor Jurídico.
É primeiro o processo no Rio de janeiro agora em Brasília. Os preconceituosos estão tirando as manguinhas de fora com mair força. Tem até procuradora trabalhando como advogada voluntária para eles.

segunda, dia 20 julho de 2009
Matrículas na UnB
Por Rodrigo Haidar e Filipe Coutinho

O partido Democratas entrou com ação no Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira (20/7), para suspender a matrícula dos aprovados no vestibular da Universidade de Brasília, que destina 20% das vagas para as cotas raciais. O partido afirma que a UnB “ressuscitou os ideais nazistas” e que as cotas “agravam o problema da desigualdade”. A matrícula dos aprovados no vestibular acontece na quinta-feira e, por isso, o DEM pede a análise do caso em caráter liminar.
Como o STF está em recesso, caberá ao presidente Gilmar Mendes a análise do caso. A autora da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental é a procuradora do Distrito Federal Roberta Fragoso Kaufmann, advogada voluntária na causa. Roberta é uma das maiores estudiosas das cotas raciais. A tese de mestrado da procuradora, aliás, foi orientada por Gilmar Mendes, que agora deverá decidir o futuro do vestibular da UnB.
No mérito da ADPF, o DEM pede a análise da constitucionalidade das cotas raciais, mas, de antemão, quer suspender o vestibular da UNB, que reserva 652 das 3.280 vagas aos cotistas. Na ação, o DEM sustenta que as cotas não são uma solução para as desigualdades no país. “Cotas para negros não resolvem o problema. E ainda podem ter o condão de agravar o problema, na medida em que promovem a ofensa arbitrária ao princípio da igualdade.”
O partido vai mais longe, a ponto de associar a política da UnB a Adolf Hitler. “O edital simplesmente ressuscitou ideais nazistas, hitlerianos, de que é possível decidir, objetivamente, à que raça a pessoa pertence. Dizer que isso não é praticar racismo é, no mínimo, uma ofensa à inteligência humana.”
Na peça, o partido sustenta que a análise do Supremo deve pacificar o entendimento sobre a polêmica das cotas. “A questão submetida agora ao julgamento desta suprema corte vem sendo discutida pela magistratura de primeira e segunda instâncias, nos âmbitos estaduais e federais, gerando decisões distintas. Somente uma ADPF poderá possibilitar que a corte constitucional resolva a verdadeira balbúrdia que permeia o tema, a partir do paradigma da UnB. É ou não é constitucional a criação de tribunais raciais nas universidades, como órgão capaz de determinar quem é negro no Brasil?” O partido sustenta que é inconstitucional. Para isso, cita nove princípios da Constituição, entre eles o do acesso universal à educação e a meritocracia.
Para evitar críticas, o DEM começa a defesa do mérito da ação justamente com uma série de negativas. O partido sustenta que não está discutindo a constitucionalidade de ações afirmativas ou se existe racismo no Brasil. “Discute-se se a implementação de um Estado racializado será a medida mais adequada e ponderada para a finalidade a que se propõe: a construção de uma sociedade mais justa.” O Democratas diz, ainda, que a política de cota racial da UnB decorre de um “certo deslumbramento precipitado em relação ao modelo adotado nos Estados Unidos”.
De acordo com a ADPF, a política de que “todo modelo de Estado social tem por pressuposto a integração de todas as minorias por meio de ações afirmativas” não poderia se resumir aos negros. Para isso, o DEM diz que deveriam ser implementadas políticas para os “carecas, baixos e obesos” – para então completar que essa lógica é uma “ofensa à razoabilidade”. Por isso, o partido sugere que a única maneira de implementar cotas raciais é por meio da análise do DNA, a fim de se identificar quem é 100% branco.
Para o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Júnior, a ação do DEM é descabida. “É muito pouco provável que possa prosperar uma ação contra uma medida que tem amparo constitucional. Em última análise, as políticas de cotas são ligadas aos valores que foram construídos na pauta dos direitos humanos. Uma medida como essa (do DEM), pelo contrário, é que transmite os ideais nazistas de segregação. Lutar contra isso (as cotas) é o ir contra o principio de igualdade das pessoas e isso é segregação”, disse o reitor da UnB à revista Consultor Jurídico. José Geraldo, que está em viagem, disse ainda que não conhece a ação.
Clique
aqui para ler a ADPF.

STF RECEBE PEDIDO DO DEM PARA SUSPENDER COTAS PARA NEGROS NA UNB

Retirado do site do site do Correio brasiliense.

21/07/2009 -
Da Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu do Democratas (DEM) pedido de suspensão liminar da adoção pela Universidade de Brasília (UnB) de cotas para admissão de vestibulandos negros e pardos. A medida começou a ser praticada desde 2000 no estado do Rio de Janeiro por diversas universidades federais e depois se estendeu à Universidade Federal da Bahia, sendo adotada em seguida pela UnB.
Está previsto para os dias 23 e 24 de julho o registro dos estudantes aprovados no segundo vestibular de 2009 da Universidade de Brasília, tendo sido fixadas 20% das vagas para eles. O DEM alegou na medida impetrada no STF que vão ocorrer "danos irreparáveis se a matrícula se basear em cotas raciais, a partir de critérios dissimulados, inconstitucionais e pretensiosos". Para o partido, fica caracterizada "ofensa aos estudantes preteridos" e por isso pede resposta urgente do Supremo.
Os advogados do DEM alegam que estão sendo violados diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, afetando o próprio combate ao racismo.
Para o ex-assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas e coordenador do Centro de Convivência Negra da UnB, professor Jaques Jesus, o obedecimento de cotas na UnB se insere num "marco na batalha pela inclusão social, como defendia um dos fundadores da UnB, o professor Darcy Ribeiro".
Para Jaques Jesus, que até agosto do ano passado era gestor do sistema de cotas na UnB, o sistema "é justificável diante da constatação de que a universidade brasileira é um espaço de formação de profissionais de maioria esmagadoramente branca, valorizando assim apenas um segmento étnico na construção do pensamento dos problemas nacionais, de maneira tal que limita a oferta de soluções para os problemas do país".
O jurista Valmir Pontes Filho, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por sua vez, combate a fixação de cotas em universidades, porque entende que isso estimula exatamente a discriminação. O critério deveria ser estabelecer cotas para quem for mais pobre, sem levar em conta a sua cor, defende Pontes.
Ele diz que em determinadas áreas do Nordeste existem lavradores brancos, de olhos azuis, muito pobres, descendentes dos exploradores holandeses que invadiram o Brasil na época da colonização. "Eles em nada são diferentes de pessoas que tenham outra cor de pele. A diferença está na questão econômica e social", argumenta.
O combate à discriminação racial em todos os gêneros, assinala, "começa no coração e na cabeça de cada um, e o Brasil ainda carrega o ranço do preconceito, que só com muito trabalho e convencimento será superado". O jurista reconhece que os negros foram historicamente discriminados na época da escravatura, e o país "precisa ter em mente que eles devem ser tratados como iguais e não por causa da cor da pele".

Leia mais:
UnB diz que liminar do DEM não ameaça sistema de cotas raciais
Decana da UnB está apreensiva com possível suspensão do sistema de cotas
Estudante negro é a favor da suspensão do sistema de cotas da UnB
Caloura que passou na UnB pelo sistema de cotas está assustada com ação do DEM

UNB DIZ QUE LIMINAR DO DEM NÃO AMEAÇA SISTEMA DE COTAS RACIAIS

Retirada do jornal O Globo.

UnB diz que liminar do DEM não ameaça sistema de cotas raciais
Publicada em 21/07/2009


RIO - A decana de Ensino de Graduação da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, disse nesta terça-feira que a instituição recebeu com surpresa o pedido de liminar encaminhado pelo DEM ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o sistema de cotas raciais da universidade, em vigor desde 2004.
- É um sistema consolidado, aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade, que é autônoma - afirma.
A professora defendeu a garantia de 20% das vagas do vestibular para negros e pardos e afirmou que a liminar do DEM não coloca em risco a continuidade do sistema.
- A universidade está segura de que o sistema de cotas só enriquece a instituição. Nossa avaliação das cotas é excelente. Fez com que a universidade se abrisse, ampliou a diversidade - diz.
Os alunos que entram na UnB pelo sistema de cotas fazem as provas do vestibular como os outros estudantes e só são selecionados os que obtém as notas mínimas exigidas pelos cursos.
- Só entram depois de aprovados no vestibular. Não houve queda na qualidade da instituição, pelo contrário, a universidade ganhou em riqueza cultural - defende a decana.
A UnB não foi notificada da ação, segundo Márcia. De acordo com a decana, as providências judiciais, como a apresentação de um possível recurso ao STF, serão tomadas pela Advocacia Geral da União (AGU).

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA CURSO DE JORNALISMO DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS

Retirado do site CURSO JPPS.

VI Curso de Extensão JPPS

Uma realização NETCCON.ECO.UFRJ e ANDIDe 3 de agosto a 28 de novembro de 2009, sempre às segundas-feiras.
Estão abertas as inscrições para a 6ª. edição do curso de extensão JPPS-Jornalismo de Políticas Públicas Sociais da UFRJ, uma realização do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância -ANDI.
O curso de extensão, aberto para todas as pessoas, é gratuito e fornece certificado porém tem um número limitado de vagas. Teve no semestre passado (1º semestre de 2009) mais de 430 pedidos de inscrição. Ele inicia no dia 03 de Agosto, ocorre todas as segundas-feiras das 9h30m às 13h, à exceção de dois dias que serão de dia inteiro, pois serão Seminários especializados, e é coordenado pelo Prof. Evandro Vieira Ouriques, que coordena o NETCCON e dirige a área de Comunicação e Cultura do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP.
Oferecido desde 2007/1, o curso contribui para o aprofundamento de um pensamento novo no campo das relações entre Comunicação, Liderança e Ação Política, potencializando assim a qualidade da formação continuada de jornalistas, comunicadores e lideranças, através de uma reflexão sobre a cobertura das políticas públicas sociais em geral e de políticas para a infância e adolescência em particular.
Este semestre o curso está estruturado em 15 encontros, sendo 12 encontros de uma manhã, dois Seminários de dia inteiro, três dinâmicas da Rede JPPS, três almoços de convívio e uma festa de formatura, encerrando-se em 28 de novembro.
Entre os convidados estão por exemplo Veet Vivarta, Jailson Silva, Lia Diskin, Carmen Lozza, Augusto de Franco, Marcus Vinicius Faustini, Guilherme Canela, Bia Barbosa, João Brant, Fernando Paulino, Tião Santos, André Trigueiro, André Urani, Michel Misse, Dominic Barter, Rosa Alegria e Ladislau Dowbor.
Os selecionados participam do Curso e passam a integrar a Rede Território JPPS, perene, colaborativa e solidária, que continuará a trocar experiências, conhecimentos e experiências e que hoje já conta com cerca de 700 jornalistas, comunicadores e lideranças sociais e organizacionais.


JPPSCurso de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais

NETCCON.ECO.UFRJ e ANDI

PROGRAMA
03.Ago • Palestra de AberturaInteresse, Poder e Dádiva: é Urgente Repensar a Teoria, a Ação Social e o Senso Comum Prof. Evandro Vieira OuriquesCoordenador do NETCCON, do JPPS e diretor de Comunicação e Cultura do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC.SP• Dinâmica da Rede JPPSQuem Somos, o Que Fazemos Aqui e para Onde Queremos ir?

10.Ago • PalestrasCultura de Periferias e Políticas PúblicasMarcus Vinicius Faustini,Secretário de Cultura de Nova IguaçuJailson de Souza Silva,Secretário de Educação de Nova Iguaçu

17.Ago • PalestrasMídia, Educação e Novos Horizontes HojeCarmen Lozza(Virá também outro palestrante)• Almoço de Convívio

24.Ago • PalestrasAs Mudanças Climáticas e a Responsabilidade Socioambiental Mudanças Climáticas e Soluções SustentáveisAndré TrigueiroGlobonewsMudanças Climáticas e Mente Sustentável: quando a Cultura torna-se um Capítulo da Natureza?Prof. Evandro Vieira OuriquesCoordenador do NETCCON, do JPPS e diretor de Comunicação e Cultura do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC.SP

31.Ago • PalestraPerspectivas do Trabalho André Urani(Virá também outro palestrante)• Dinâmica da Rede JPPSConstruindo uma Ação Conjunta

14.Set • PalestrasComunicação PopularTião SantosViva Rio(Virá também outro palestrante)• Dinâmica da Rede JPPSLuiz Fernando (Dudu)

21.Set • PalestrasSaúde MentalJoel Birman(Virá também outro palestrante)

28.Set • Seminário de dia inteiroIndicadores do Direito à Comunicaçãoe o Avanço da Democracia no Brasil UNESCO, Coletivo INTERVOZES, LAPCOM-UnB e NETCCON(dia inteiro, Palestras, e dinâmica para recolhimento de sugestões de grupos estratégicos para a elaboração dos Indicadores, em andamento no Brasil)
Guilherme CanelaCoodenador de Comunicação e Informação da UNESCO-BrasilBia BarbosaMembro da Coordenação Executiva do INTERVOZES e Empreendedora Social da Ashoka João BrantMembro do Conselho Diretor do INTERVOZES Prof. Fernando PaulinoLaPCom-UnBProf. Evandro Vieira OuriquesCoordenador do NETCCON, do JPPS e diretor de Comunicação e Cultura do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC.SP

05.Out • PalestrasDiversidade: Pessoas Iguais com suas DiferençasPessoas com DeficiênciaCláudia WerneckEscola de Gente(Virá também outro palestrante)• Almoço de Convívio

19.Out • PalestraCultura de Redes e DemocraciaAugusto de Franco• Oficina Ning de Redes SociaisEgeu Laus

26.Out • PalestraA Mídia e as Políticas Públicas SociaisVeet VivartaSecretário-Executivo da ANDI(Virá também outro palestrante)• Almoço de Convívio

09.Nov • Seminário de dia inteiroMídia, Segurança e Não-Violência(dia inteiro)
Profª. Lia DiskinDiretora da Associação Palas AthenaProf. Luiz Eduardo SoaresProf. Dr. Michel MisseCoordenador do Núcleo de Estudos de Cidadania e Violência Urbana-NECVU.IFCS.UFRJSílvia RamosCoordenadora do Centro de Estudos de CidadaniaCESEc-Universidade Cândido MendesCel. Mário SérgioComandante da Polícia Militar do Estado do Rio de JaneiroCel. HekscherChefe da Seção de Doutrina e Liderança da Academia Militar das Agulhas NegrasLíderes Comunitários Dominic BarterProf. Evandro Vieira OuriquesCoordenador do NETCCON.ECO.UFRJ e do JPPS

16.11 • PalestrasInovação nas Políticas Públicas: Casos ConcretosProf. Dr. Ladislau DowborO Futuro das Políticas Públicas como PautaRosa Alegria

23.11 • Palestra de EncerramentoProf. Evandro Vieira Ouriques• Avaliação FinalAlunos do Curso JPPS

28.11 • Festa de Formatura(tarde e noite)

ADOLESCENTE NEGRO TEM QUASE TRÊS VEZES MAIS RISCO DE SER ASSASSINADO DO QUE BRANCO

Retirado do blog da COJIRA-AL.
Para baixar a pequisa clique na imagem abaixo.

Brasília - O professor da Uerj, Ignácio Cano, a representante do Observatório de Favelas Raquel Willadino, o representante do Unicef Manoel Bivunich, durante o lançamento do Índice de Homicídios na Adolescência

Foto: Marcello Casal JR/ABr

O risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos. É o que revela estudo divulgado hoje (21) pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
A pesquisa também indica que, para adolescentes do sexo masculino, o risco de ser assassinado é 11,9 vezes maior se comparado ao de mulheres na faixa de 12 a 18 anos. O estudo traz apenas comparativos por cor e gênero e não apresenta os índices de mortes entre jovens negros, brancos, do sexo masculino e feminino.
A coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas, Raquel Willadino, traçou um perfil dos adolescentes que mais morrem por homicídio no Brasil: são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico de drogas.

Fonte: Paula Laboissière - repórter da Agência Brasil

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O II CURSO DE EXTENSÃO INCIATIVAS NEGRAS TROCANDO EXPERIÊNCIAS

Oportundade muito interessante. Vale a pena se inscrever.
para ampliar clique na imagem


MAIORES INFORMAÇÕES:
http://nblac.cariri.ufc.br

II CURSO DE EXTENSÃO
Iniciativas Negras - Trocando Experiências
FORMATO
Mini-cursos, painéis, oficinas, grupos de estudos, mesas redondas, vídeos e turismo cultural.

ALGUNS TEMAS QUE SERÃO ABORDADOS:
Direitos humanos - Gênero – Saúde - Redação de projetos - Captação de recursos - Ação Afirmativa – História e cultura Afro-Brasileira – Arquivo documental
Serão selecionados trinta participantes, incluídos nas seguintes categorias e de acordo com os critérios relacionados:
a) 10 bolsas integrais – Apenas para residentes do Norte ou Nordeste. Receberão passagem (aérea ou terrestre), hospedagem e alimentação.
b) 5 bolsas gerais- Para residentes em qualquer ponto do país. Receberão passagem (aérea ou terrestre), hospedagem e alimentação.
c) 15 bolsas parciais – Para residentes em qualquer ponto do país. Receberão hospedagem, alimentação e ajuda de custo no valor de R$ 100,00. Devem responsabilizar- se por suas passagens (aéreas ou terrestres) de ida e volta.

Cada candidato optará, no ato da inscrição, por uma das categorias e não poderá mudá-la, uma vez enviada a documentação. O processo de inscrição se dará via correios.

A DOCUMENTAÇÃO A SER ENVIADA até o dia 10 de agosto de 2009 (com data de postagem):
1- Um resumo (máximo de 400 palavras) com suas principais atividades acadêmicas e ou ativistas, na área do curso, incluindo o nome da organização ou universidade com a qual possui vínculo;
2- Curriculum vitae (Lattes ou não);
3- Uma carta de recomendação (com assinatura escaneada);
4- Uma lauda expressando suas expectativas quanto ao curso e definindo a categoria à qual está concorrendo (bolsista integral, geral ou parcial);
5- Uma síntese (uma lauda, no máximo) de alguma ação ativista ou trabalho acadêmico que tenha desenvolvido ou esteja desenvolvendo na área das relações raciais e ou de gênero.

Os candidatos à bolsa deverão enviar a documentação, num CD, em arquivo Word (.doc) para o seguinte endereço:
Universidade Federal do Ceará/ Campus Cariri
Av. Tenente Raimundo Rocha S/N - Cidade Universitária - Juazeiro do Norte - CE
CEP 63000-000 - Fone: +55 (88) 3572-7200

A/C de : Antonia Claudia de Freitas ou Polliana de Luna Nunes

Obs.: Não serão aceitos documentos em papel, apenas no referido CD.
MAIORES INFORMAÇÕES:
http://nblac.cariri.ufc.br

MICHAEL JACKSON E O MOVIEMTNO PELOS DIREITOS CIVIS

Retirado do site do jornal Írohin.
Artigo muito interessante que não condena nem endeusa, simplesmente tenta compreender a vida do Michael Jackson.

NOTÍCIA
15/07/2009
Por Marcio André dos Santos*

Alguns analistas associam a morte de Martin Luther King, Jr. em 1968 com o próprio fim do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. Certamente um exagero. Sua liderança e ativismo foram tão marcantes para a luta dos afro-norte-americanos – com repercussões significativas nos países da América Latina, especialmente no Brasil - que é fácil reduzirmos uma história densa e complexa a uma pessoa. Seja como for Doctor King, como é chamado pelos americanos, foi um ícone da luta pelo fim das barreiras raciais e pela promoção da justiça racial e seu assassinato fez surgir uma nova fase da luta. Um ícone não se produz artificialmente, seja ele dos campos político, literário ou social. É preciso que haja uma combinação entre história pessoal e dedicação integral a uma causa ou luta específica para que um ícone habite o imaginário social. Além disso, é preciso que transformações sociais e/ou culturais sejam produzidas a partir de suas ações ou que sejam fortemente inspiradas por sua trajetória. Tudo isso Dr. King fez.
Porém, não é sobre o ícone do movimento pelos direitos civis que este texto trata e sim sobre o ícone pop music mundial, Michael Jackson, morto recentemente. Vejo uma íntima relação entre estas duas personalidades, ainda que atuassem em esferas diferentes. Que relação é possível estabelecer entre o movimento pelos direitos civis e Michael Jackson? Existiria algum vínculo, alguma conexão entre ambos? Penso que sim.

Black Is Beautiful Para o Mundo
Michael nasceu em 1958, em um período de intensa turbulência racial e auge do movimento pelos direitos civis. Os conflitos entre brancos e negros tomavam as ruas dos grandes centros urbanos, as famosas riots (distúrbio, tumulto, agitação), gerando respostas governamentais e mudanças culturais no comportamento coletivo. Os Jackson Five foram formados no final dos anos 60 e início dos 70, acompanhando a efervescência política da sociedade americana a partir das ondas de protestos contra a Guerra do Vietnam e das vocalizações de outras minorias, como as mulheres e os gays. Joe Jackson, pai e empresário da banda, percebeu que o talento dos filhos poderia ser uma alternativa a vida difícil que levavam como classe trabalhadora negra. Perfeccionista, comandava o grupo com mãos de ferro, chegando até mesmo a espancar e humilhar os filhos caso errassem as coreografias. Os sorrisos das capas dos discos dos Jackson frequentemente ocultavam a dor que os levou ao estrelato.

Minha recepção das músicas dos Jackson Five e de Michael em particular só veio nos idos dos anos 80 e uma das coisas que lembro bem era o visual super descolado dos Jacksons. Todos com cabelo estilo Black Power, calça boca de sino e roupas coloridas e psicodélicas. Antes dos Jacksons outras personalidades negras do mundo da música já faziam a cabeça dos jovens negros, como James Brown, tocado incessantemente nos famosos “bailes blacks” em cidades como Rio de Janeiro, Salvador ou São Paulo. Brown foi um dos grandes responsáveis pela expansão da música negra americana no Brasil e na popularização do estilo Black is Beautiful, movimento cultural de valorização dos traços e herança africanoscuja influência foi marcante para a militância negra brasileira daqueles anos. Olhando retrospectivamente não acho que a imagem dos Jackson tivesse um apelo necessariamente político sobre a juventude negra – e nem era o propósito da banda -, porém com certeza ajudou na sedimentação de uma “cultura de consciência negra” generalizada, para usar o termo do sociólogo Amauri Pereira. Os “bailes blacks” serviam como espaço de aglutinação de jovens negros, ativistas políticos ou não, que vinham dos bairros periféricos das grandes cidades e que geralmente aproveitavam isso para se organizar politicamente. Por esta razão é que curtir e dançar as músicas de um grupo em que todos portavam um visual daqueles, de afirmação da negritude em pleno clima de exaltação da mestiçagem oficial brasileira não pode ser considerado algo fortuito.

O visual dos Jacksons refletia exatamente a ebulição político-cultural daqueles anos. Era o momento dos limites e esgotamento da filosofia da não-violência adotada pelas principais lideranças e organizações negras no âmbito do civil rights movement dos anos 60 e que foi substituída por uma resposta mais enérgica, “revolucionária” e desafiadora frente à persistência das desigualdades raciais e do racismo branco estadudinense. A radicalização do movimento a partir de novas lideranças como Malcolm X, Stokely Carmichael, Ângela Davis, Bobby Seale, Eldridge Cleaver e de organizações como os Panteras Negras, SNCC, CORE, UNIA apontava para a necessidade de mudar o comportamento visual, estético e cultural dos afroamericanos. Desde o Black Renascence (renascimento negro) dos anos 20 e 30 não se via mudança tão abrangente. A adoção de batas africanas, a recusa em alisar ou cortar o cabelo simbolizavam o desejo de se reconectar as tradições ancestrais africanas oprimidas e inviabilizadas pela supremacia branca.
Essa fase mais “radical” do movimento pelos direitos civis significou também um momento de críticas profundas ao capitalismo e a uma adesão ao marxismo por parte de muitos ativistas do Black Power. E contraditoriamente, neste período muito do radicalismo negro se transformou em uma defesa aberta de um tipo de “capitalismo negro”, como na descrição de Marable (2007). Uma das mais importantes conquistas do “tradicional” movimento pelos direitos civis além da equalização formal com os brancos foi às políticas de ação afirmativa em universidades e serviços públicos. Isso contribuiu para o crescimento substantivo de uma classe média negra urbana, com mais autonomia econômica e influência nos meios de comunicação e da política.
O Fenômeno Michael Jackson
Os anos passaram e os estilos musicais e culturais também se transformaram. A chamada “Era Disco” já não exibia as mesmas preocupações de ruptura que a geração musical anterior. Era mais estilizada e “descomprometida”, ainda que tenha mundializado mais fortemente a música negra no mundo. Já em carreira solo Michael Jackson mostrou ao mundo ao que veio. Seu primeiro disco solo Off the Wall de 1979 vendeu mais de 25 milhões de cópias e foi considerado um verdadeiro acontecimento musical já que suas canções permaneceram no alto da lista durante meses. Os álbuns posteriores também se revelaram sucessos de venda. O álbum Thriller de 1983 vendeu mais de 106 milhões de cópias em todo o mundo, sendo considerado um marco da indústria fonográfica. Além de exercer forte influência no mundo da moda e cultura urbana, este álbum inaugurou a era do videoclipe e mudou definitivamente a mídia em torno da divulgação musical. Nos anos 80, perdurava o preconceito racial nas rádios americanas que tocavam rock, voltadas para públicos brancos. Michael foi o primeiro músico negro que tocava na MTV com o videoclipe “Billie Jean”. O guitarrista Eddie Van Halen participou da canção “Beat It” fazendo com que rádios de rock ou rádios de brancos tocassem a música de um artista negro. Fato inédito.
Não preciso sublinhar o que isso tem de político. Michael não era e jamais pretendeu ser um porta-voz dos afro-americanos. Não era um ativista político da maneira em que comumente se compreende este termo. Muitos de nós nos perguntávamos o que se passava pela cabeça do gênio da pop music ao fazer sucessivas cirurgias no nariz e passar por processos de embranquecimento da pele. Seria mesmo vitiligo? Michael deixou de ser negro? Negou sua “raça” e sua história? É claro que Michael era negro, apesar de todo o esforço das redes midiáticas internacionais em transformá-lo em um “branco honorário”. Michael Jackson foi alguém de ultrapassar as barreiras e limites de seu tempo como ninguém. Inventou e sofisticou um estilo musical e conseguiu conectar gerações e pessoas do mundo inteiro, de todas as raças, etnias, religiões e classes sociais possíveis. É exatamente isso que faz de um ícone, ícone. É a capacidade de criar uma linguagem global em que todos se identifiquem e espelhem.

Outros Matizes do Político
O legado musical de Michael Jackson tem uma dimensão política incontestável. Contraditoriamente, tal legado tem íntimas associações com a indústria cultural e com o imperialismo cultural norte-americano que é perfeitamente perceptível em qualquer parte do mundo. Porém, este legado expressa a força e a capacidade de transpor barreiras de vários tipos, em especial as barreiras raciais. Jovens negros, brancos, asiáticos, latinos, de países tão diferentes quanto Japão e Guine Bissau, Porto Rico e Mongólia cresceram ouvindo e dançando as músicas de Michael Jackson e do Jackson Five. De certa maneira, todos pertencemos a esta rede, conectados a esta mesma fonte cultural, direta ou indiretamente. Isso é político. É a política feita com outros matizes. Este tipo de política pode não ter tido nenhum tipo de impacto direto na redução do racismo anti-negro, mas influenciou culturalmente aqueles que formularam e formulam políticas anti-discriminatórias.

No cerimonial fúnebre em sua homenagem estiveram presentes não somente artistas negros e personalidades, mas também lideranças da comunidade negra americana como o reverendo Al Sharpton e os filhos de Martin Luther King, jr. Todos ressaltavam a importância de Michael para a comunidade negra e sua relevância e influência para além desta. (Na verdade, Michael participou de campanhas humanitárias, como a famosa campanha de combate a fome na Etiópia, junto com outros 44 músicos americanos e que se tornou uma referência na metade dos anos 80). Antenados com esta conexão, a cobertura ao vivo da CNN exibia as reações dos afroamericanos em várias partes do país, sejam nas ruas ou reunidos nas igrejas negras.
Vivemos em um mundo em que “fenômenos” pops são fabricados na velocidade da luz e cujo “legado” não ultrapassa a capa de uma revista sensacionalista. No entanto, certas figuras são ícones pelo conjunto de sua obra artística e devido a sua irradiação para além de um campo específico de atuação. Também resultam de um determinado contexto cultural e político, não se ancoram em um vazio de sentido. Aquilo que cantam, que vestem, que compõem e que imaginam são expressões do mundo vivido, dos acontecimentos ordinários e extraordinários do dia a dia. Um movimento social nunca se expressa somente por ações políticas stricto senso. É movido também pelo dinamismo cultural do seu tempo. Por esta razão, Michael Jackson faz parte do legado cultural do civil rights movement, do mesmo modo que a história política dos afro-americanos tem em Michael um de seus mais criativos porta-vozes. Nos Estados Unidos e no mundo. Independente das limitações, bizarrices e contradições do homem Michael, ficará a lembrança de um gênio da música.

Referências:
Marable, Manning. Race, Reform, and Rebellious: The Second Reconstruction and Beyond in Black America, 1945-2006. 3a Edition. University Press of Mississipi. 2007.
* Doutorando em Ciência Política pelo IUPERJ

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DEM AJUIZA AÇÃO CONTRA SISTEMA DE COTAS RACIAIS EM UNIVERSIDADE PÚBLICA

Retirado do site do jornal O Globo.

Os racistas estão botando as manguinhas de fora de forma mais explicíta. Agora querem impedir judicialmente que qualquer universidade adote ação afirmativa para negros por decisão interna.


Publicada em 21/07/2009

BRASÍLIA - O DEM entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de suspensão liminar, contra o sistema de cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB). O partido quer que seja declarada a inconstitucionalidade de atos do poder público que resultaram na instituição de cotas raciais na universidade. O partido também quer que sejam suspensos todos os processos na Justiça (federal e estadual) envolvendo o tema.
Segundo a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), o resultado do 2º vestibular 2009 da Universidade de Brasília, no qual foi instituído o sistema de acesso por meio de cotas raciais, foi publicado no dia 17 de julho de 2009 e o registro dos estudantes aprovados, cotistas e não-cotistas, está previsto para os dias 23 e 24 de julho de 2009.
O DEM argumenta que a violação aos preceitos fundamentais decorre de específicas determinações impostas pelo poder público (Universidade de Brasília). Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de cotas de 20% do total das vagas oferecidas pela universidade a candidatos negros (dentre pretos e pardos).
Na ação, o partido pede a concessão da medida liminar pelo STF a fim de suspender a realização da matrícula dos alunos aprovados mediante o sistema universal e o sistema de cotas para negros na Universidade de Brasília, que acontecerá nos próximos dias 23 e 24 de julho de 2009. Requer que o Cespe divulgue nova listagem de aprovados, a partir das notas de cada candidato, independentemente do critério racial, determinando que somente após essa divulgação os alunos realizem a matrícula, obedecendo à classificação universal.
A ação também pede que tribunais de todo o país, tanto da Justiça Federal quanto da estadual, suspendam imediatamente todos os processos que envolvam a aplicação do tema cotas raciais para ingresso em universidades, até o julgamento definitivo da ADPF, "ficando impedidos de proferir qualquer nova decisão que, a qualquer título, garanta o acesso privilegiado de candidato negro em universidade em decorrência da raça".

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domingo, 19 de julho de 2009

LEI DE COTAS COMPLETA 18 ANOS COM DESAFIOS

Retirado do site do Hoje Notícias.

Edição: 1005
Data:19/07/2009
Wanessa Rodrigues

A lei de cotas, que estabelece a obrigatoriedade de reserva de vagas nas empresas para pessoas com deficiência, completa 18 anos no próximo dia 24 ainda com desafios a vencer. O principal deles, segundo entidades, é promover a conscientização do empregador quanto à capacidade dos trabalhadores com deficiência. A consequência é a abertura de vagas para essas pessoas apenas em cargos que não exigem qualificação ou grau de estudo avançado. Além disso, nem todas as empresas estão preparadas para receber o deficiente.
Dados da Associação dos Deficientes Físicos de Goiás (Adfego) mostram que a maior parte das vagas destinadas a deficientes é para funções como auxiliar de cozinha, de serviços gerais e de copeira. O instrutor de informática Diogo Armando Borges, que atua também no Departamento de Seleção da Adfego, observa que raramente encontra-se uma vaga que exige nível superior ou para uma função em que a pessoa tem de ficar mais exposta.
Diogo explica que as exigências feitas pelas empresas dificultam a colocação do profissional com deficiência no mercado de trabalho. Segundo ele, o preconceito maior é com os cadeirantes, já que 98% das empresas que solicitam associados à Adfego, por exemplo, pedem para que o profissional não esteja em cadeiras de rodas ou que não tenham deficiência nas mãos ou pernas. “E é muito difícil um deficiente físico não ter problema nas mãos ou pernas”, diz.
A presidente da Adfego, Maria de Fátima Rodrigues Carvalho, observa que não é o deficiente que tem de atender o perfil da empresa, mas sim a empresa que tem de se adequar. Mesmo com essa dificuldade, a presidente ressalta que a lei trouxe resultados “esplêndidos”, pois colocou o deficiente no mercado de trabalho. “A dificuldade ainda é por falta de conhecimento do empregador e de confiança na capacidade do deficiente”, declara.
Maria de Fátima diz que para vencer a barreira do preconceito, as associações têm investido cada vez mais na qualificação profissional de seus associados, oferecendo cursos de qualificação e educação. O resultado disso, segundo ela, é um quadro de profissionais que são respeitados e que se destacam nas empresas. “O que temos feito é tentado mostrar que todos têm capacidade de desempenhar um bom trabalho. Os empresários têm tido satisfação de 75%.” Atualmente, a Adfego tem 375 funcionários trabalhando por meio de convênios e em outras empresas.

FISCALIZAÇÃO
Conforme determina a lei de cotas, as empresas têm de reservar vagas a deficientes de acordo com o número de funcionários que o local emprega – de 100 pessoas acima. O percentual pode chegar a até 5%.
Roberto Polastri Vieira, coordenador da Comissão Regional de Igualdade e Oportunidade de Gênero, de Raça e Etnia de Pessoas com Deficiência e Combate à Discriminação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE-GO), diz que o importante na lei não é aplicar multas, mas possibilitar o acesso do deficiente no mercado de trabalho. Somente no primeiro semestre deste ano, foram contratados 220 deficientes sob ação fiscal.
INCENTIVO NA QUALIFICAÇÃO
Thiago Biratan de Souza, 23, é surdo, participou de um dos cursos de lanternagem coordenados pela Associação dos Surdos de Goiânia e realizou um de seus sonhos: conseguir o primeiro emprego. Há oito meses, ele trabalha em uma das maiores concessionárias de Goiânia como auxiliar de lanternagem. E o fato de não poder ouvir ou falar não impede que ele consiga se comunicar com os colegas de trabalho e de desempenhar com qualidade suas funções.
O encarregado de lanternagem dessa mesma empresa diz que Thiago é um funcionário muito atencioso e que faz seu trabalho com rapidez e perfeição. “Ele já está 80% profissional”, diz. Com a ajuda de Luiz, o auxiliar de lanternagem disse à reportagem que sempre quis trabalhar e que procurou se qualificar para alcançar seu objetivo. Disse que a convivência no trabalho é muito boa e que todos, independente de ser deficiente ou não, deveriam ter oportunidades de emprego.


“IDEIA EQUIVOCADA”

Iolanda Filguera de Brito, gerente de recursos humanos da concessionária, diz que apenas a matriz da empresa emprega 270 funcionários e contrata deficientes de acordo com o que a lei determina. Ela diz que as pessoas têm a ideia negativa de que o deficiente tem dificuldade para trabalhar, mas, em sua visão, essa dificuldade a empresa pode ter com qualquer profissional. “Antes o deficiente era tratado como incapaz, mas não é. Acredito que um dos desafios a se vencer nesse campo ainda seja promover a qualificação”, diz.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

CURSO DE EXTENSÃO EM RELAÇÕES ÉTNICORRACIAIS DA FAETEC/RJ

Recebido por email.
Para ampliar clique na imagem.

sábado, 11 de julho de 2009

BAIXE DE GRAÇA O DESENHO JACKSON FIVE

Retirado do blog Filmes Black.
Caraca esta postagens é muito inusitada, pois nunca tinha passado na cabeça procurar este raridade de desenho animado. Mas o pessoal bem empenhado e competente do Filmes Balck fizeram está caridade pra gente. Vamos dar uma visitada nesse e pedir mais episódios.
Segue abaixo depois da postagem uma janela do youtube com um episódio.
Sem mais papo! Baixem no seu hd chamem uma galera e curtam esse desenho lembrando da família Jackson nos seus bons tempos.


Sinopse: formado por Michael Jackson mais quatro dos seus nove irmãos: Jackie, Tito, Marlon e Randy.O Jackson 5 entrou para a história do país por ser a primeira banda formada por negros a fazer sucesso, até que, em 1970, a música “I’ll Be There” estourou nas paradas americanas e fez com que o Jackson 5 virasse desenho animado, devido às incríveis marcas alcançadas com a venda dos produtos, que levavam o nome da banda.
O curioso desenho Jackson 5, exibido originalmente pela rede americana ABC, narrava as aventuras da dançante e cantarolante família Jackson, acompanhando as aventuras do grupo junto com os intrigantes animais de estimação de Michael: Ray e Charles, um casal de ratinhos, e Rosie, uma cobra azul. Paul Coker, desenhista da revista Mad,ficou encarregado de providenciar o design das personagens.
Este desenho usava as verdadeiras vozes dos integrantes do Jackson Five, o que aproximava o desenho dos clipes musicais da época. Infelizmente, os traços do desenho eram um pouco pobres. O desenho contava também com participações especiais, como Diana Ross.

Título: s Jackson Five (ABC - 123)

Emissora: ABC
Formato: AVI
Qualidade:TV-RipVideo: 320 x 240, 29.95 fps
Duração Média: 20 min
Tamanho Médio: 70 MB
Idioma Audio: Português






BAIXE TAMBEM:
DESENHOS DO SUPER CHOQUE
DOCUMENTÁRIO SOBRE O CARTOLA
DESENHO AFRO-SAMURAI
THE BOONEDOCKS - UM DESENHO AFROCENTRADO
O FILME E O LIVRO "COR PÚRPURA"
DOCUMENTÁRIO "ENCONTROS COM MILTON SANTOS"
DOCUMENTÁRIO NEGAÇÃO DO BRASIL
FILME MALCOLM X
FILME HOTEL RUANDA
DESENHO KIRIKOU E OS ANIMAIS SELVAGENS
FILME PANTERAS NEGRAS
DOCUMENTÁRIOS SOBRE A VIDA DE ABDIAS NASCIMENTO
FILME QUILOMBO (1984)
DOCUMENTÁRIO E LIVRO SOBRE TIM MAIA
ANIMAÇÃO E HQ PERSÉPOLES
DOCUMENTÁRIO "ABOLIÇÃO"
DOCUMENTÁRIO "AFROMEMORIA"
DOCUMENTÁRIO "QUANDO O CRIOULO DANÇA"
DOCUMENTÁRIO: "VISTA MINHA PELE"
DESENHO KIRIKOU I

RESPOSTA DO KABENGELE MUNANGA AO DEMETRIO MAGNOLI

Recebido por email.
Vale a pena ler a resposta do grande intelectual Kabengele contra as afirmações levianas do Magnoli.

Manifestação do professor Kabengele Munanga acerca da matéria “Monstros tristonhos” publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009, de autoria de Demétrio Magnoli

Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009 (
http://arquivoetc.blogspot.com/2009/05/demetrio-magnoli-monstros-tristonhos.html), intitulada “Monstros tristonhos”, o geógrafo Demétrio Magnoli critica e acusa agressivamente as Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e de São Carlos (UFSCAR) e também a mim, Kabengele Munanga, Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
As duas universidades são criticadas e acusadas por terem, segundo o geógrafo, criado ”tribunais raciais” que rejeitam as matrículas de jovens mestiços que optam pelas cotas raciais. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, trata-se apenas de Tatiana de Oliveira, cuja matrícula foi cancelada menos de um mês após o início do curso de Pedagogia.. No caso da Universidade Federal de São Carlos, trata-se do estudante Juan Felipe Gomes. O acusador acrescenta que um quarto dos candidatos aprovados na UFSCAR pelo sistema de cotas raciais neste ano de 2009 teve sua matrícula cancelada pelo “tribunal racial” dessa universidade.
A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas. Se a resposta for afirmativa, os que tiveram sua matrícula cancelada constituem casos raros ou excepcionais que mereceriam a atenção não apenas de Demétrio Magnoli, mas também de todas as pessoas que defendem a justiça e a igualdade de tratamento.
Mas por que esses casos raros, que constituem uma exceção e não a regra, foram “injustiçados” pelas comissões de controle formadas nessas universidades para evitar fraudes, comissões que o sociólogo Demétrio rotula de “tribunais raciais”? Por que só eles? Por que não ocorreu o mesmo com os outros mestiços aprovados? Houve realmente injustiça racial ou erro humano na avaliação da identidade física dessas pessoas que foram simplesmente consideradas brancas e não mestiças apesar de sua autodeclaração? Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB. As injustiças, flagrantes ou não, devem ser apuradas e julgadas pela própria justiça que, num estado democrático de direito como o Brasil, deverá prevalecer. Acho que os estudantes Tatiana de Oliveira e Juan Felipe Gomes, e tantos outros que o sociólogo menciona sem entretanto nomeá-los, devem procurar um advogado para defender seus direitos se estes tiverem sido efetivamente violados pelos chamados “tribunais raciais”. Entendo que o geógrafo Demétrio tenha pena deles, considerando a sua sensibilidade humana.
Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes, a explicação não está na citação intencionalmente deturpada de algumas linhas extraídas de um texto introdutório de três páginas ao livro de Eneida de Almeida dos Reis, intitulado MULATO: negro-não-negro e/ou branco-não-branco, publicado pela Editora Altara, na Coleção Identidades, São Paulo, em 2002.
Veja como é interessante a estratégia de ataque do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele escondeu de seus leitores o título do livro de Eneida de Almeida dos Reis, assim como a casa editora e a data de sua publicação para evitar que possíveis interessados pudessem ter acesso à obra para averiguar direta e pessoalmente o fundamento das acusações. De fato, ele não disse absolutamente nada sobre o conteúdo desse livro, e passa a impressão de ter lido apenas vinte linhas do total de três páginas da introdução, a partir das quais constrói seu ensaio e sua acusação. Com sua inteligência genuína, acho que ele poderia ter feito uma pequena síntese desse livro para seus leitores; se ele o tivesse mesmo lido, entenderia que nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra “Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco”. Desde quando a palavra ambivalência é sinônimo de “monstro tristonho”? Estamos assistindo à invenção, pelo geógrafo, de novos verbetes dos dicionários da língua portuguesa?
O livro de Eneida de Almeida dos Reis resultou de uma pesquisa para dissertação de mestrado defendida na PUC de São Paulo sob a orientação de Antonio da Costa Ciampa, Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC São Paulo. Ele foi convidado a fazer a apresentação do livro, na qualidade de professor orientador, e eu para escrever a introdução, na qualidade de ex-professor na disciplina “Teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. O livro se debruça sobre as peripécias e dificuldades vividas pelos indivíduos mestiços de brancos e negros, pejorativamente chamados mulatos, no processo de construção de sua identidade coletiva e individual, a partir de um estudo de caso clínico. É uma pena que nosso crítico acusador não tenha tido a coragem de apresentar a seus leitores o verdadeiro conteúdo desse livro, resultado de uma meticulosa pesquisa acadêmica, e não da minha fabulação.
Para entender porque essas pessoas mestiças foram consideradas brancas, apesar de terem declarado sua afrodescendência, é preciso voltar ao clássico “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais”, de Oracy Nogueira (São Paulo: T.A. Queiroz, 1985). Se o geógrafo Demétrio tivesse lido esse livro, acredito que teria entendido porque as pessoas brancas que possuem algumas gotas de sangue africano são consideradas pura e simplesmente negras nos Estados Unidos – apesar de exibirem uma fenotipia branca – e brancas no Brasil. Ensina Nogueira que a classificação racial brasileira é de marca ou de aparência, contrariamente à classificação anglo-saxônica que é de origem e se baseia na “pureza” do sangue. Do ponto de vista norteamericano, todos os brasileiros seriam, de acordo com as pesquisas do geneticista Sergio Danilo Pena, considerados negros ou ameríndios, pois todos possuem, em porcentagens variadas, marcadores genéticos africanos e ameríndios, além de europeus, sem dúvida. Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade..
Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas. Existem casos duvidosos, como o dos alunos em questão, que mereceriam uma atenção desdobrada para não se cometer erros humanos, mas não houve dúvidas sobre a identidade da maioria dos estudantes negros e mestiços que ingressaram na universidade através das cotas.
Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades.
De acordo com as conclusões assinaladas no livro de Eneida de Almeida dos Reis, muitos mestiços têm dificuldades para construir sua identidade por causa da ambivalência (Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco) , dificuldades que eles teriam superado se tivessem política e ideologicamente assumido uma de suas heranças, ou seja, a sua negritude, que é o ponto nevrálgico de seu sofrimento psicológico. Se o sociólogo acusador tivesse lido este livro e refletido serenamente sobre suas conclusões, ele teria percebido que não alimento nenhum projeto ou plano de ação para suprimir a mestiçagem no Brasil. Isto só pode ser chamado de masturbação ideológica, e não de análise sociológica, nem geográfica! Como seria possível suprimir a mestiçagem, que é um fato fundamental da história da humanidade, desafiando as leis da genética e a vontade dos homens e das mulheres que sempre terão intercursos interraciais? Nem o autor do ensaio sobre as desigualdades das raças humanas, Arthur de Gobineau, chegou a acreditar nessa possibilidade. Se as leis segregacionistas do Sistema Jim Crow no Sul dos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul não conseguiram fazê-lo, os ícones da racialização oficial do Brasil, entre os quais nosso colega me situa, terão esse poder mágico e milagroso que ele lhes atribui?
Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que não são monstros tristonhos como ele pensa, pois são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis, através da indefinida personagem Maria, (ver p.39-100). Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico? Creio que se trata apenas de uma reflexão que decorre das conclusões do próprio livro e que de per si não constituiria nenhum charlatanismo. Não seria um contra-senso e um grave insulto à USP que esse “charlatão acadêmico” tenha chegado ao topo da carreira acadêmica? E que tenha orientado dezenas de doutores hoje professores nas grandes universidades brasileiras, como a USP, UNICAMP, UNESP, UFMG, UFF, UFRJ, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de São Luiz do Maranhão, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Candido Mendes, PUC de Campinas, etc. Creio que, salvo o geógrafo Demétrio, os que me conhecem através de textos que escrevi, de minhas aulas e de minhas participações nos debates sociais e intelectuais no país e no exterior, não me atribuiriam esse triste retrato.
Disse ainda o geógrafo Demétrio que “do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do racismo científico, velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética”. Sinceramente, não entendo como Demétrio conseguiu tirar tanta água das pedras. Das 20 linhas extraídas, de maneira deturpada, de um texto de três páginas de introdução, ele conseguiu dizer coisas horríveis, como se tivesse lido tudo que escrevi durante minha trajetória intelectual sobre o racismo antinegro. A colonização da África, contrariamente às demais colonizações conhecidas na história da humanidade, foi justificada e legitimada por um corpus teórico-cientí fico baseado nas idéias evolucionistas e racialistas produzidas na modernidade ocidental. Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira? Acho que nosso geógrafo quer me transformar num demente que não sou. As pessoas que leram seu texto no jornal O Estado de S. Paulo podem pensar que eu sou esse negro ex-colonizado que professa as mesmas idéias do racismo científico que postulou a inferioridade e a desumanidade dos africanos, incluída a dele mesmo. Como entender que meus alunos de Pós-graduação, a quem ensino há vinte anos “As teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, uma disciplina freqüentada por alunos da USP, de outras universidades e outros estados, têm a coragem de ocupar um semestre inteiro para escutar profissões de fé em favor do racismo científico?
Se o geógrafo Demétrio quer saber mais sobre mim, ingressei na Faculdade em 1964, aos vinte e dois anos de idade. Tive aulas de Antropologia Física com um dos melhores biólogos e geneticistas franceses, Jean Hiernaux. Uma das primeiras coisas que ele me ensinou era que a raça não existe biologicamente. Através de suas aulas, li François Jacob, Nobel de Fisiologia (1965) e um dos primeiros franceses a decretar que a raça pura não existe biologicamente; e J.Ruffie, Albert Jacquard e tantos outros geneticistas antirracistas dessa época. Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente. Sei muito bem que o conteúdo da raça enquanto construção é social e político. Ou seja, a realidade da raça é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças. Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira. No Brasil, fui introduzido ao pensamento racial nacional por grandes mestres, como João Baptista Borges Pereira, que foi meu orientador no doutoramento, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Oracy Nogueira, entre outros. Não sei onde estava Demétrio nessa época e em que ano ele descobriu que a raça não existe. Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Isto não quer dizer que ele não possa me ensinar temas pertinentes à geografia, como por exemplo, o que se pode ler em seu livro sobre a África do Sul – “Capitalismo e Apartheid”, publicado pela Editora Contexto, São Paulo, 1998, que oferece algumas informações interessantes sobre a história do sistema do apartheid. Esse livro faz parte da bibliografia recomendada na disciplina ministrada na Graduação, não obstante algumas incorreções históricas nele contidas.
Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça. Não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo. É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura!
Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o status quo e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública?
Concluindo, penso que existe um debate na sociedade que envolve pensamentos, filosofias e representações do mundo, ideologias e formações diferentes. Esse pluralismo é socialmente saudável, na medida em que pode contribuir para a conscientização de seus membros sobre seus problemas e auxiliar a quem de direito, o legislador e o executivo, na tomada de decisões esclarecidas. Este debate se resume a duas abordagens dualistas. A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais. Eles afirmam que existe uma natureza comum a todos os seres humanos em virtude da qual todos têm os mesmos direitos, independentemente de suas diferenças de idade, sexo, raça, etnias, cultura, religião, etc. Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático. Considerando a categoria raça como uma ficção, eles advogam o abandono deste conceito e sua substituição pelos conceitos mais cômodos, como o de etnia. De fato, eles se opõem ao reconhecimento público das diferenças entre brancos e não brancos. Aqui temos um antirracismo de igualdade que defende os argumentos opostos ao antirracismo de diferença. As melhores políticas públicas, capazes de resolver as mazelas e as desigualdades da sociedade, deveriam ser somente macro-sociais ou universalistas. Qualquer proposta de ação afirmativa vinda do Estado que introduza as diferenças para lutar contra as desigualdades, é considerada, nessa abordagem, como um reconhecimento oficial das raças e, conseqüentemente, como uma racialização do Brasil, cuja característica dominante é a mestiçagem. Ou, em outras palavras, as políticas de reconhecimento das diferenças poderão incentivar os conflitos raciais que, segundo dizem, nunca existiram. Assim sendo, a política de cotas é uma ameaça à mistura racial, ao ideal da paz consolidada pelo mito de democracia racial, etc. Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude? Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo. A menos que ele negue a existência das práticas racistas no cotidiano brasileiro, e as diferenças de cor, sexo, classe e religiões que exigiriam políticas diferenciadas.
A segunda abordagem reúne todos aqueles que se inscrevem na postura nominalista ou construcionista, ou seja, os que se contrapõem ao humanismo abstrato e ao universalismo, rejeitando uma única visão do mundo em que não se integram as diferenças. Eles entendem o racismo como produção do imaginário destinado a funcionar como uma realidade a partir de uma dupla visão do outro diferente, isto é, do seu corpo mistificado e de sua cultura também mistificada. O outro existe primeiramente por seu corpo antes de se tornar uma realidade social. Neste sentido, se a raça não existe biologicamente, histórica e socialmente ela é dada, pois no passado e no presente ela produz e produziu vítimas. Apesar do racismo não ter mais fundamento científico, tal como no século XIX, e não se amparar hoje em nenhuma legitimidade racional, essa realidade social da raça que continua a passar pelos corpos das pessoas não pode ser ignorada.
Grosso modo, eis as duas abordagens essenciais que dividem intelectuais, estudiosos, midiáticos, ativistas e políticos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Ambas produzem lógicas e argumentos inteligíveis e coerentes, numa visão que eu considero maniqueísta. Poderão as duas abordagens se cruzar em algum ponto em vez de se manter indefinidamente paralelas? Essa posição maniqueísta reflete a própria estrutura opressora do racismo, na medida em que os cidadãos se sentem forçados a escolher a todo momento entre a negação e a afirmação da diferença. A melhor abordagem seria aquela que combina a aceitação da identidade humana genérica com a aceitação da identidade da diferença. Para ser um cidadão do mundo, é preciso ser, antes de mais nada, um cidadão de algum lugar, observou Milton Santos num de seus textos. A cegueira para com a cor é uma estratégia falha para se lidar com a luta antirracista, pois não permite a autodefinição dos oprimidos e institui os valores do grupo dominante e, conseqüentemente, ignora a realidade da discriminação cotidiana. A estratégia que obriga a tornar as diferenças salientes em todas as circunstâncias obriga a negar as semelhanças e impõe expectativas restringentes.
Se a questão fundamental é como combinar a semelhança com a diferença para podermos viver harmoniosamente, sendo iguais e diferentes, por que não podemos também combinar as políticas universalistas com as políticas diferencialistas? Diante do abismo em matéria de educação superior, entre brancos e negros, brancos e índios, e levando-se em conta outros indicadores socioeconômicos provenientes dos estudos estatísticos do IBGE e do IPEA, os demais índices do Desenvolvimento Humano provenientes dos estudos do PNUD, as políticas de ação afirmativa se impõem com urgência, sem que se abra mão das políticas macrossociais.
Não conheço nenhum defensor das cotas que se oponha à melhoria do ensino público. Pelo contrário, os que criticam as cotas e as políticas diferencialistas se opõem categoricamente a qualquer política de diferença por considerá-las a favor da racialização do Brasil. As leis para a regularização dos territórios e das terras das comunidades quilombolas, de acordo com o artigo 68 da Constituição, as leis 10639/03 e 11645/08 que tornam obrigatório o ensino da história da África, do negro no Brasil e dos povos indígenas; as políticas de saúde para doenças específicas da população negra como a anemia falciforme, etc., tudo isso é considerado como racialização do Brasil, e virou motivo de piada.
Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações. Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

JUSTIÇA EXTINGUE CURSO DE DIREITO PARA ASSENTADOS

Retirado site Vermelho.

2 DE JULHO DE 2009
Justiça extingue curso de direito para assentados

A Justiça Federal determinou a extinção da graduação em direito na Universidade Federal de Goiás (UFG), destinada exclusivamente a beneficiários da Reforma Agrária e agricultores familiares. A turma de 60 alunos foi criada a partir de convênio entre a universidade e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em uma iniciativa comemorada como progressista, em 2007. Indignados com a recente decisão, alunos a classificam de preconceituosa contra os movimentos sociais, ''parte de uma briga de classes''.
Em conversa com o Vermelho, o aluno Marco Antonio da Silva Almeida afirmou que a 9ª vara de Goiás teve uma postura ''conservadora'', e pautada pela mídia, que teria se posicionado contra o curso. ''A mentalidade deles é de que quem é agricultor não pode nunca chegar a ser advogado'', colocou.
Para ele, que integra a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a sentença judicial reforça a tentativa de criminalização dos movimentos sociais e teve o objetivo de enterrar uma iniciativa que poderia abrir precendentes, ao dar espaço para que agricultores tivessem outro tipo de formação. ''Existia esse medo. Não há dúvida de que é uma briga de classes''.
Marco Antônio, que estava no quarto semestre, se disse frustrado. ''Todo mundo aqui interrompeu o que estava fazendo na vida para se dedicar a esse projeto. Sabíamos da importância do curso como uma forma de emancipação, de dar ajuda às comuinidades'', colocou.
Um dos argumentos do Ministério Público Federal, autor do pedido de extinção, é o de que a destinação de recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) para custear o curso foi irregular. De acordo com o MPF, o objetivo do Pronera é qualificar os trabalhadores do campo, o que, para o órgão, não se aplicaria a um curso de direito.
A Justiça também argumentou que a criação de uma turma exclusiva para assentados, ''sob a roupagem artificiosa de uma ação afirmativa'', fere os princípios constitucionais da igualdade, da legalidade e da isonomia.
O professor Eduardo Gonçalves Rocha, que ministra aulas de iniciação científica aos trabalhadore rurais, avalia que a interpretação do Ministério Público, assimilada pela Justiça Federal, sobre o que é educação no campo foi muito limitada.
''A decisão tem fundamentos frágeis. A interpretação não pode ser a de que educação no campo tem que estar limitada àquele espaço. Ela deve ser entendida como uma educação que contribua para o desenvolvimento do campo e para a formação daqueles atores que ali vivem'', avaliou o professor, em contato com o Vermelho, por telefone.
De acordo com ele, o curso atende aos objetivos de promover a igualdade e a afirmação de direitos da população rural. ''A população atendida pelo curso é vulnerável'', enfatizou, defendendo que o curso é, sim, uma ação afirmativa.
Na decisão, a Justiça assegura a conclusão do semestre em andamento. As disciplinas já cursadas pelos estudantes poderão ser aproveitadas, desde que aprovados em novo vestibular. O Incra ainda não foi notificado, mas já adiantou que irá recorrer da sentença.
Nesta sexta-feira (03), a UFG deverá se reunir para decidir a estratégia de atuação em relação ao caso. Enquanto isso, os alunos começaram a enviar cartas para reitores e personalidades que discutem políticas afirmativas e acesso à universidade, como o professor Boaventura de Souza Santos, em busca de apoio.
De acordo com Marco Antônio, a Contag também estuda uma forma de mobilização contra a decisão da Justiça.
Em janeiro de 2008, uma ação judicial no Rio Grande do Sul impediu o início de uma turma de medicina veterinária para assentados na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Como a seleção já havia sido realizada, o Incra recorreu para iniciar o curso enquanto a ação fosse julgada, mas o pedido foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Incra está apelando da decisão e ainda há mais duas possibilidades de recurso.
Da Redação, com Agência Brasil

PROENÇA DISCUTE INCLUSÃO A UNEMAT NO INTERCÂMBIO CULTURAL BRASIL/ÁFRICA

Retirado do site Olhar direto.

07/07/2009
Da Assessoria/Secom Cuiabá

A Assessora de Política de Promoção da Igualdade Racial e de Gênero da Prefeitura de Cuiabá, professora Jacy Proença, recebeu visita do reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), Taisir Mahmudo Karim. O encontro serviu para discutir a inclusão da Unemat no intercâmbio cultural entre os países africanos, Angola, Cabo Verde e Moçambique. Proença explicou que alguns alunos desses países já estudam na UFMT e que as relações entre Brasil e África se intensificaram em 2008 durante a 1ª Conferência “Cuiabá Abraça África”, realizada no dia 29 de maio.
“Naquela conferência, foi assinado um protocolo de intenções para estabelecer intercâmbio de políticas públicas de promoção da igualdade racial entre a Prefeitura e os países africanos. Agora os embaixadores africanos estão interessados em ampliar esse intercâmbio e as relações de negócios em Mato Grosso. Por isso apresentei a proposta para o reitor Taisir, que já demonstrou interesse em participar das discussões que cercam o projeto”.
Proença destaca que, para a continuidade dos trabalhos, será necessário o aval do Palácio do Itamaraty. “Já encaminhei uma cópia do Protocolo Cuiabá/África para o Ministério das Relações Exteriores, e se tudo sair conforme o planejado, nos próximos 10 dias estaremos nos reunindo com representantes das faculdades Unemat e Unic – Universidade de Cuiabá – para estudar possibilidades de novos intercâmbios”.
Quanto às questões diplomáticas, Jacy afirma que a Prefeitura articula, para a semana que vem, audiência com os presidentes da Fiemt e Fecomércio (Cuiabá). O objetivo é discutir relações de negócios com os países africanos, que desejam expor suas demandas e as soluções buscadas com as duas entidades. Aguinaldo Rocha (cônsul-geral Honorário de Praia) confirmou que pretende retornar a Cuiabá em novembro/2009 para montar uma agenda cultural e de negócios.

BRASILIANISTA ANDREWS É A FAVOR DE AÇÕES AFIRMATIVAS, MAS NÃO NECESSARIAMENTE DE COTAS

Retirado do jornal Estadão.

Terça-feira, 16 de junho de 2009.
'Cota para pobre não resolve problema'
Historiador George Reid Andrews defende ações afirmativas e concorda com decisões judiciais, com ressalvas
Felipe Werneck -

RIO DE JANEIRO - A recente liminar do Tribunal de Justiça do Rio que suspendeu o sistema de cotas no Estado, considerado inconstitucional, segue decisão semelhante de 1978 da Corte Suprema Federal dos EUA, diz o historiador George Reid Andrews, professor do Departamento de História da Universidade de Pittsburgh e autor de livros sobre o Brasil. Ele afirma concordar com as decisões judiciais e avalia que uma eventual cota para pobres, e não para negros, “teria os mesmos problemas”. Reid é a favor de ações afirmativas, mas não necessariamente na forma de cotas.

“Concordo que as cotas podem correr o risco de institucionalizar grupos raciais que até agora não se cristalizaram. Mas, ao mesmo tempo, a sociedade brasileira não pode deixar de responder às marcadas e seculares desigualdades raciais que a afligem.” O brasilianista sugere uma combinação de medidas e afirma que o país latino-americano mais bem sucedido no combate a essas desigualdades é Cuba.
Reid participou na semana passada do Congresso Internacional da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA, na sigla em inglês), realizado na PUC do Rio. Para ele, apesar do número relativamente pequeno de ativistas, o movimento negro foi responsável por “conquistas extraordinárias” ocorridas no País nos últimos anos. “Questionaram a imagem dessa sociedade como uma democracia racial e convenceram os presidentes recentes (FHC e Lula) a reconhecerem a realidade das desigualdades e discriminações raciais e a proporem políticas para combater esses problemas. Assim, provocaram os debates atuais sobre ações afirmativas, algo absolutamente impensável no Brasil dos anos 80.”

George Reid Andrews é Ph.D. em História pela Universidade de Wisconsin-Madison. Tem dois livros publicados no Brasil: Negros e Brancos em São Paulo,1888-1988 (Edusc,1998) e América Afro-Latina,1800-2000 (EdUFSCar, 2007).

Na entrevista abaixo, realizada por email, ele conta que vem ocorrendo nos EUA “notável” reavaliação e ressurgimento acadêmico de Gilberto Freyre (1900-1987). Reid é autor dos livros “Negros e Brancos em São Paulo, 1888-1988” (Edusc) e “América Afro-Latina, 1800-2000”, sua publicação mais recente, editada no País pela EdUFSCar.

Recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio considerou inconstitucional a lei de cotas adotada em universidades do Estado. No Brasil ainda se discute uma lei federal sobre o tema, e uma das propostas é a criação de uma reserva para pobres. Como o sr. avalia?

Como uma opção bem interessante. Uma das conclusões de Afro-América Latina é que o país latino-americano mais bem-sucedido no combate às desigualdades raciais é Cuba. O censo cubano de 1981 mostrou a ilha como a sociedade mais racialmente equitativa - nos índices de expectativa de vida, educação, emprego, estado civil, etc. - das Américas. E essa igualdade se alcançou inteiramente por meio das políticas universais dirigidas às classes pobres cubanas. Mas vejo também dois pontos contra uma política de cotas para os pobres. Primeiro, sou muito a favor das ações afirmativas, mas não necessariamente na forma de cotas. Concordo com as decisões dos tribunais nos EUA e agora no Brasil, que consideraram as cotas inconstitucionais. E uma cota para pobres teria os mesmos problemas de cotas para qualquer outro grupo. Segundo, uma cota para pobres não vai resolver os problemas enormes dos afro-brasileiros que estão na luta para entrar, ou avançar, na classe média. Para mim, o estudo mais importante do problema racial no Brasil nos últimos anos é ‘Racismo à brasileira’, de Edward Telles. Ele mostra que, no nível das classes pobres e trabalhadoras - quer dizer, para a maioria da sociedade brasileira -, a vida cotidiana realmente tem características da democracia racial. As desigualdades de salário, educação, emprego etc. existem mas não são muito grandes. Mas o quadro racial muda ao entrar nas classes médias e altas, onde as desigualdades e discriminações raciais são muito marcadas. Nesse nível da sociedade, a que todos aspiram, cotas para pobres não vão resolver absolutamente nada.

De que forma esse debate ocorreu nos EUA?

Os EUA adotaram uma política oficial de ações afirmativas em 1965, por ordem do presidente Johnson. Essa política foi estendida por Nixon em 1969, cujo Departamento de Trabalho mandou que as empresas privadas contratadas pelo governo empregassem uma certa porcentagem de negros. Nos anos 70, esse sistema de cotas foi adotado por muitas agências governamentais, empresas privadas e universidades. Em 1978, a Corte Suprema Federal considerou inconstitucional o sistema de cotas raciais na seleção de alunos para universidades. O julgamento acabou com esse sistema. Mas a Corte também deixou aberta a possibilidade de se levar em conta a raça como um critério, entre outros, na seleção de alunos, empregados, etc. Em 2003, a Corte revisitou essa questão e mais uma vez determinou o uso da raça como um dos critérios na seleção de candidatos, entre outros - por exemplo, o desempenho escolar.

Críticos das cotas para negros afirmam que elas teriam o efeito colateral de “fomentar o ódio racial”. Conhecido pela miscigenação, o Brasil correria o risco, eles argumentam, de tornar-se repartido em etnias. Como o sr. vê isso?

Primeiro, vale a pena notar que, conforme dados oficiais produzidos e difundidos pelo IBGE, o Brasil efetivamente já é uma sociedade bicolor. Numa longa série de estudos e informes realizados nos últimos 30 anos, o IBGE tem mostrado que os pardos e pretos experimentam níveis de desigualdade e discriminações bastante parecidos. Essa conclusão levou o IBGE, em alguns daqueles estudos, à prática de juntar os dois grupos numa só categoria de ‘negros’. Assim, criar um sistema de cotas dividido em brancos e negros seria reconhecer a realidade social e racial do país. Concordo que as cotas podem correr o risco de institucionalizar grupos raciais que até agora não se cristalizaram de forma fixa e coerente. Mas, ao mesmo tempo, a sociedade brasileira não pode deixar de responder às marcadas e seculares desigualdades raciais que a afligem. Para combater essas desigualdades será preciso uma combinação de medidas universalistas e outras especificamente raciais.

O sr. já comparou estatísticas sobre desigualdade racial no Brasil e nos EUA e chegou à conclusão de que até os anos 50 o Brasil teria sido uma sociedade mais equitativa. Mas entre 1960 e 1990 essas desigualdades diminuíram nos EUA, enquanto no Brasil permaneceram estáveis ou em alguns aspectos até cresceram. Qual foi o impacto das políticas de ações afirmativas?

Não foi possível nesse artigo medir o peso específico dos vários fatores que contribuíram às mudanças acontecidas entre 1960 e 1990. Mas a minha hipótese seria que os impactos das políticas de ação afirmativa foram muito significativos, especialmente no contexto de uma sociedade saindo da experiência histórica da segregação racial. Uma das conclusões foi que políticas parecidas - quer dizer, de ações afirmativas - poderiam ter impactos igualmente significativos no Brasil, no sentido de reduzir as desigualdades raciais. Outra conclusão foi que o crescimento econômico naquele período (1950-90) teve impactos levemente igualitários nos EUA - quer dizer, reduzindo um pouco as desigualdades de classe -, enquanto no Brasil aconteceu o contrário. Os índices de concentração de renda cresceram no Brasil naqueles anos, o que provavelmente agravou também as desigualdades raciais. Assim, uma política de redistribuição de renda poderia ter impactos bastante positivos no sentido de também reduzir desigualdades de raça. Esse artigo me convenceu da necessidade, para reduzir as desigualdades raciais, não só de políticas de ação afirmativa mas de políticas universais também, tanto nos EUA quanto no Brasil. Ao mesmo tempo, cada país tem suas especificidades. O ideal seria que os debates públicos incluíssem e considerassem experiências relevantes em muitos países, na procura constante daquelas bem-sucedidas das quais poderiam tirar proveito.

Até os anos 60, houve nos EUA de certa forma uma aceitação do conceito - ou mito - da democracia racial no Brasil. Hoje, há quem afirme que essas condições em alguns casos seriam apresentadas em sentido oposto, como piores do que realmente são. O sr. concorda com essa avaliação?

Eu diria, primeiro, que nenhum país (ou pessoa) gosta de ser criticado por sociedades ou pessoas de fora, muito menos no caso de essas críticas serem merecidas. No caso dos EUA, claro que não gostamos de ser chamados de imperialistas ou racistas, apesar de todos sabermos que o nosso país tem uma história, e até certo ponto um presente (esperamos que não um futuro), que podem ser caracterizados, e com justiça, dessa maneira. No caso das críticas às relações raciais brasileiras, tendo gozado da fama e do prestígio de ser uma democracia racial, ninguém no Brasil pode gostar de ser visto como uma sociedade e um país racista. Mas muito pouco se diz neste sentido nos EUA que não se ouve também no Brasil. As críticas ao modelo racial brasileiro feitas nos EUA são em grande parte resumos ou repetições de observações realizadas por estudiosos brasileiros e dos estudos e informes importantíssimos do IBGE. Os pesquisadores norte-americanos também foram, e são, influenciados por outro grupo bastante ativo na sociedade brasileira, os ativistas de movimentos negros. Não cabe dúvida de que esses ativistas têm armado uma visão muito crítica do Brasil na esfera racial. Mas se essa visão corresponde em muitos pontos com os estudos acadêmicos, e vem de pessoas altamente qualificadas para comentar esse tema, tanto por suas experiências de vida quanto por suas capacidades de análise, não temos a obrigação de prestar atenção?

Gilberto Freyre ainda é muito estudado nos EUA?

Muito. Na matéria de pós-graduação que dou sobre o Brasil, a primeira sessão é completamente dedicada a ‘Casa Grande e Senzala’. E é notável como os outros livros que lemos no curso, escritos metade por autores brasileiros e metade por estrangeiros, voltam constantemente, e em muitos casos sem reconhecer explicitamente, aos temas e às preocupações freyrianas. Nos últimos anos Freyre tem experimentado uma reavaliação e ressurgimento acadêmico notável, tanto nos EUA quanto no Brasil. Não é muito frequente que um autor continue tão relevante e citado quase um século depois de sua atuação; no caso de Freyre, acho que um motivo para essa relevância é justamente a sua experiência de ter saído do país para vê-lo de fora. Seus estudos e experiências nos EUA levaram-no a ver e a questionar o Brasil sob outra perspectiva, dando à sua obra esse caráter de urgência e ansiedade - para entender, explicar, e defender o Brasil - que a faz tão envolvente até hoje.

Poderia falar um pouco sobre o tema de sua palestra na LASA (a raça nos censos latino-americanos)?

O Brasil é um dos poucos países da região que juntaram dados raciais desde o século XIX. Cuba é outro. A grande maioria deixou de contar a raça, o que torna muito difícil averiguar o estado das desigualdades raciais na região. Nos últimos anos, as Nações Unidas têm pedido aos países latino-americanos para restaurarem informações raciais nos seus censos, e alguns países (Costa Rica, Colômbia e Uruguai) responderam nesse sentido. Vou apresentar alguns dados dos censos e PNAD’s brasileiros e uruguaios recentes para comparar o estado das desigualdades. As conclusões me surpreenderam. O Uruguai historicamente foi uma sociedade muito mais equitativa que o Brasil, no sentido tanto de raça quanto de classe; mas nos últimos dez anos as políticas dos governos Cardoso e Lula têm reduzido sensivelmente algumas desigualdades de classe e, pelos efeitos comentados antes, de raça também. Para citar um só exemplo, em 2006 a desigualdade racial na inscrição escolar superior foi menor no Brasil do que no Uruguai. Este resultado inesperado, a que se deve? Às ações afirmativas - que se discutem no Uruguai mas ainda não se adotaram? Ao Bolsa Família e a outros programas sociais dos últimos anos? Aos efeitos combinados de políticas raciais e universalistas? Por agora não sabemos, mas sem os dados fornecidos pelos censos nem poderíamos ter formulado a pergunta; daí a importância dessas fontes estatísticas e a necessidade de produzi-las nos outros países.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

LANÇAMENTO COLEÇÃO SANKOFA VOLUMES 3 e 4

Retirado do site do Ìrohin

Selo Negro Edições, Ipeafro e Kitabu Livraria Negra Convidam para a mesa-redonda

Guerreiras da Natureza e Afrocentricidade
Com a presença de:
Mãe Beata de Iemanjá
Éle Semog
Helena Teodoro
Julio Cesar Tavares

Serviço:
Data: 07.07.2009
Horário: 18h30min
Local: Kitabu Livraria Negra
Endereço: Rua Joaquim Silva 17 – Lapa
Tel: 2252-0533
Para ampliar clique na imagem

COTA PARA ESTUDANTE NAS UNIVERSIDADES VOLTAM A SER DISCUTIDAS

Retirado do site Paraíba.com.

29/06/2009

O projeto PLC nº 180/2008 que trata da implantação do sistema de cotas para ingresso nas universidades pelos alunos egressos do ensino público poderá ser votado nesta quarta-feira (1º) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O projeto prevê a reserva de 50% de vagas para alunos desses estabelecimentos de ensino, considerando aspectos étnicos e a renda familiar, conforme cada região do País. A reunião acontecerá às 10 horas. Após três audiências públicas sobre o tema, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) defende que o assunto seja enfrentado de uma vez por todas, até porque o projeto será analisado por outras comissões.
O PLC 180 estabelece que as instituições federais de educação superior reservem, em cada vestibular, no mínimo 50% das vagas para estudantes oriundos do ensino médio em escolas públicas e de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita. As vagas deverão ser preenchidas por autodeclarados negros, pardos e índios, conforme o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de cada estado. As universidades terão quatro anos para implantar o sistema, que terá como base o Coeficiente de Rendimento (CR) dos alunos na avaliação dos alunos egressos do ensino médio em escolas públicas.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisará outros quatro projetos que merecem destaque: terrenos de marinha, cadastro nacional de correntistas, restrição à cessão de servidores pelas agências reguladoras e sobre propaganda de bebidas e alimentos.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 53/2007), de autoria do senador Almeida Lima (PMDB-SE) e relatada pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), extingue o instituto do terreno de marinha e estabelece em quais hipóteses as áreas continuarão sob a responsabilidade da União. A PEC pretende definir o domínio sobre a área concedida pela União, já que os ocupantes pagam pelo uso há mais de 3 ou 4 décadas.
Em relação ao Cadastro Nacional Centralizado de Correntistas, previsto no projeto de Lei da Câmara (PLC nº 47/2003), o parecer do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), relator do projeto, destaca que caberá ao Banco Central estabelecer os procedimentos operacionais para a constituição desse cadastro. As instituições financeiras deverão encaminhar os dados cadastrais dos clientes detentores de conta corrente; Se as normas não forem cumpridas, as instituições financeiras serão punidas.
Segundo parecer do senador Suplicy, embora a diretoria do Banco Central tenha editado circular instituindo o cadastro de clientes do Sistema Financeiro Nacional, "é patente que norma infralegal não oferece estabilidade jurídica das disposições contidas em lei". Como o projeto reúne várias propostas de senadores, também será discutida a exclusão do benefício do sigilo bancário os deputados, senadores, ministros de Estado, presidente e o vice-presidente da República, os dirigentes partidários e os presidentes e diretores de entidades da administração direta e indireta.
A CCJ analisará o PLS nº 471/2007, de autoria da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e relatado pelo senador Valter Pereira (PMDB-MS), que estabelece restrições para a cessão de servidores aprovados em concursos públicos das agências reguladoras. O objetivo é evitar que os servidores sejam atraídos para outros órgãos de governo, prejudicando, assim, as atividades de fiscalização das agências reguladoras que são responsáveis pelo acompanhamento da execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Também está na pauta a PEC nº 73/2007, de autoria do senador Augusto Botelho, que inclui os alimentos e as bebidas no rol de produtos, práticas e serviços cuja propaganda comercial estará sujeita a restrições legais. Segundo o autor, países como Austrália, Dinamarca, Finlândia, Romênia, Malásia e Reino Unido já impuseram restrições legais à propaganda de diversos alimentos que contém gordura trans. Além disso, o projeto tem por objetivo inibir o consumo de alimentos que contribuem para o crescimento da obesidade entre crianças e adolescentes.

JUSTIÇA EXTINGUE CURSO DE DIREITO PARA ASSENTADOS

Retirado do site do Estadão.

Terça-Feira, 30 de Junho de 2009
Ministério Público defendeu que havia ''roupagem artificiosa de ação afirmativa''; dos 60 alunos, 39 são de assentamentos ligados ao MST
Vannildo Mendes


A Justiça Federal determinou a extinção do curso de direito agrário, criado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) exclusivamente para assentados da reforma agrária e seus filhos. Antiga bandeira do Movimento dos Sem-Terra (MST), o curso é de natureza especial, com turma única e vinha sendo ministrado desde agosto de 2007, com cinco anos de duração. Dos 60 matriculados, 39 são oriundos de assentamentos do MST.
Antes da decisão do juiz Roberto Carlos de Oliveira, da 9ª Vara Federal de Goiás,o Ministério Público já havia dado parecer afirmando que o curso "fere os princípios da igualdade, legalidade, isonomia e razoabilidade do direito brasileiro". Disse, ainda, que a criação da turma especial, "sob a roupagem artificiosa de ação afirmativa, é uma afronta aos princípios constitucionais" do direito brasileiro, caracterizando desvio de finalidade e malversação de recursos públicos.
A medida do juiz de Goiás reflete uma tendência do Judiciário. No início do ano, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) negociado entre o Ministério Público e o governo do Rio Grande do Sul levou o Estado a fechar salas de aulas criadas exclusivamente para crianças dos acampamentos. A expectativa é que os próximos alvos sejam cursos semelhantes que vinham sendo criados em universidades públicas de outros Estados.
CRÉDITOS VÁLIDOS
A extinção do curso de Goiás ocorrerá no final deste semestre letivo. A UFG informou que recorrerá da decisão para preservar o direito dos estudantes, uma vez que a interrupção das aulas prejudicaria o aprendizado. A instituição sustenta que a política de cotas para segmentos sociais teve sua legitimidade conhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na sentença, o juiz validou os atos acadêmicos praticados durante a realização do curso. Significa que os estudantes não ficarão inteiramente prejudicados e poderão usar os créditos, por exemplo, se passarem no vestibular da própria universidade.
A sentença do juiz de Goiás também declara ilegal o convênio entre a universidade e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que permite o uso de recursos do Programa Nacional de Educação de Jovens e Adultos (Pronera) para custear o curso. O dinheiro gasto até agora, porém, não precisa ser devolvido.
Em nota técnica para justificar o convênio, o Incra diz que um dos objetivos da reforma agrária é proporcionar educação superior aos assentados. Sustenta ainda que os recursos do Pronera "podem e devem" ser utilizados nesse tipo de iniciativa, pois "não se trata de um privilégio, mas sim de uma política pública, justificada em razão da desigualdade".
O juiz entendeu o oposto e anotou o seguinte na sentença: "Há evidente desvio de finalidade e por consequência flagrante ilegalidade no convênio.